Natal de 2020, o ano que não deveria ter existido; que venha logo 2022!

Natal de 2020, o ano que não deveria ter existido; que venha logo 2022!

Preparados para a guerra, eles não nos dão folga nem no dia de Natal, que certamente será inesquecível, embora devesse ser esquecido.

Já não basta cada um de nós ter que ficar trancado em sua casa, sem poder juntar nem visitar a família, e sem sequer ter uma previsão para o início da vacinação, nas redes sociais bolsonaristas há um cheiro de pólvora no ar, anunciando, não o nascimento de Jesus, mas a morte de qualquer esperança. .

“Temos que entrar lá e colocar para fora na bala, no pescoção, no chute na bunda, aqueles 11 malandros que se fantasiaram de ministros do Supremo Tribunal Federal, ameaça Roberto Jefferson, o general civil da tropa de assalto do Palácio do Planalto, em entrevista ao canal no Youtube do blogueiro bolsonarista Rodrigo Constantino, segundo informa o site Congresso em Foco.

Investigado no STF no processo sobre a organização de atos antidemocráticos contra as instituições, o enlouquecido Jefferson defende uma rebelião popular:

“O povo já entendeu que quando cessam as palavras _ e elas estão acabando _ principia a pólvora. E a pólvora não virá pelo Estado, pelas Forças Armadas: o povo vai lançar mão da pólvora para resolver estas situações. É o povo que botará a primeira banana de dinamite”.

Tempos atrás, o presidente da República foi o primeiro a falar em uso de pólvora contra os Estados Unidos, para defender a soberania da Amazônia (vejam só!), que estaria ameaçada por Joe Biden, o presidente eleito pelos americanos que assume o cargo no dia 20 de janeiro.

Para atingir seus objetivos revolucionários, o presidente de honra e dono do PTB pode contar com a ajuda de Nikolas Ferreira, do PRTB (partido do general Hamilton Mourão e de Levy Fidélis), o vereador mais jovem eleito em Belo Horizonte, que postou um vídeo com o presente que ganhou de Natal: um fuzil.

“É isso que o governo Bolsonaro está fazendo aqui por nós”, postou Ferreira, empunhando o fuzil, símbolo da nova ordem.

Prestes a completar dois anos de mandato, o capitão-presidente passou as últimas semanas prestigiando a formatura de novos militares e policiais, atiçando-os contra a imprensa e defendendo o “excludente de ilicitude”, a licença para matar.

Antes do final do ano, ele prometeu anistiar policiais que mataram “em serviço”, dando a senha para as tropas, que constituem a sua principal base de apoio, junto com os parlamentares do Centrão, que dominam o Congresso Nacional.

Para empalmar os três poderes, falta apenas aniquilar o STF, por bem ou por mal, como quer o general Jefferson, cada vez mais poderoso no Planalto, ou nomeando cupinchas para defender o governo, a exemplo do que já fez na PGR, na PF, na Abin, no próprio Supremo, e em todo o aparelho de Estado.

Depois de passar os últimos dias de férias, pescando com o apresentador Ratinho, em Santa Catarina, Bolsonaro voltou hoje a Brasília para acompanhar os exames médicos do filho Carlos, o O2, que comanda as suas milícias digitais desde a campanha eleitoral.

Até o momento em que escrevo, o presidente ainda não se manifestou sobre o plano revoltoso de Roberto Jefferson e não houve até agora nenhuma manifestação do ameaçado Supremo Tribunal Federal.

Gostaria de falar de coisas mais amenas neste Natal tão solitário e doloroso, que pensei até em cumprimentar Jesus pelo seu aniversário e perguntar quando ele volta para nos livrar destes demônios, que usam seu nome em vão, para sacrificar um povo pacífico, com fuzil, balas, pólvora e dinamite. .

Que mal nós fizemos para merecer um Natal como esse?

A única coisa a comemorar hoje é termos sobrevivido a esses dois anos de destruição do nosso país, com método e disciplina militar.

Se alguém ler este texto daqui a cem anos, vai saber o que era o Brasil de 2020, o ano que não deveria ter existido.

Que venha logo 2022, para a gente se livrar dessa praga, caso as instituições não encontrem antes um jeito democrático e legal de encurtar nosso padecimento com este bando de dementes no poder.

Bom Natal a todos, se possível.

Vida que segue.

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