Bolsonaro golpista leva o povo de volta às ruas, a favor e contra ele

Bolsonaro golpista leva o povo de volta às ruas, a favor e contra ele

Vamos ficar devendo ao capitão Jair Bolsonaro a temporada de manifestações de rua, de onde o povo andava sumido, previstas para o mês de março.

Ao convocar seus devotos para os protestos miliciano-militares do dia 15, em defesa do governo e contra os outros poderes, o presidente acabou insuflando também os que são contra ele.

Antes dele, nenhum líder de oposição tinha sido capaz até agora de mobilizar tanto a sociedade civil, que já vinha discretamente organizando três manifestações para as próximas semanas:

  • No dia 8, Dia Internacional da Mulher, marchas que já estavam marcadas em várias cidades do país contra a violência e em defesa das das liberdades democráticas, agora também levantarão a bandeira da defesa da Constituição e do Estado de Direito, ameaçados pela marcha golpista.
  • No dia 14, véspera dos atos pró-Bolsonaro, manifestações lembrarão dois anos dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crimes praticados por milicianos já presos, mas sem chegar aos mandantes até agora. É isso que será cobrado nesta manifestação. Quem mandou matar?
  • No dia 18, vão se juntar várias manifestações organizadas por centrais sindicais e pela UNE, em defesa da educação e do serviço público, e agora também da democracia.

Bolsonaro deu visibilidade a esses atos da oposição, que hoje ganharam meia página da Folha, em excelente reportagem de Joelmir Tavares e Carolina Linhares, com o título “Movimentos adaptam pautas de atos em resposta ao dia 15”.

Na abertura da matéria, eles constatam que “atos de rua, que já vinham sendo organizados por mulheres, organizações estudantis e centrais sindicais para o mês de março foram ampliados para incorporar uma resposta à manifestação que mira o Congresso endossada pelo presidente Jair Bolsonaro”.

“A pauta das liberdades democráticas é parte das demandas do ato e seguramente será levantada com toda a força”, disse à Folha Erika Andreassy, uma das articuladoras do protesto “Mulheres contra Bolsonaro”, marcado para o dia 8, na avenida Paulista, em São Paulo.

A advogada Carla Vitória, militante da Marcha Mundial das Mulheres, lembrou que a defesa da democracia já faz parte dos atos anuais da data, mas agora “em um momento em que o governo faz esse tipo de ameaça autoritária, esse tema se coloca como prioritário para nós”.

Dez entidades sindicais, reunidas na quinta-feira, decidiram que o ato previsto para o dia 18 deve unir todas as forças sociais e ser um contraponto ao ato do dia 15.

“A nossa manifestação do dia 18, além dos temas de educação, servidor público, direitos e emprego, após o discurso antidemocrático que Bolsonaro impôs, com ataques à imprensa e a movimentos sociais, vamos chamar com o mote de “ditadura nunca mais”, disse o ex-presidenciável do PSOL Guilherme Boulos, líder da Frente Povo Sem Medo e do MTST.

Bolsonaro conseguiu unir as oposições contra ele. PT, PSOL e PCdoB estão convocando seus filiados e militantes para participar dos atos.

Ao mesmo tempo, o desastrado presidente dividiu seus próprios seguidores sobre as bandeiras que serão levadas às ruas no dia 15, como informa o Estadão:

“De um lado, apoiadores da família do presidente pressionam para que o mote do protesto seja apenas “somos todos Bolsonaro”. Defensores da Lava Jato. no entanto, querem usar o ato para pressionar os políticos a aprovarem mudanças na lei para permitir a prisão após condenação em segunda instância. A divergência levou a uma troca de ataques nas redes sociais”, relatam os repórteres Pedro Wenceslau e Paula Reverbel.

Ou seja, bolsonaristas e moristas já estão antecipando uma disputa prevista apenas para as eleições de 2022.

E já se prevê uma batalha de números sobre o total de participantes em cada manifestação, a favor ou contra o governo.

As contagens oficiais feitas pelas PMs costumam insuflar os números das manifestações de direita e reduzir o tamanho dos atos contra Bolsonaro.

Seja como for, não dá para prever os efeitos no cenário político dos atos organizados para março.

Sempre é bom lembrar que apenas 15 mil pessoas foram contadas no primeiro comício da campanha das Direitas Já, no final de 1983, na praça Charles Muller, em frente ao Pacaembu.

Um mês depois, mais de 300 mil pessoas foram à praça da Sé, no comício que reuniu no mesmo palanque Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Brizola, dando início a uma escalada de manifestações que ocuparam praças e ruas de todo o país, nas maiores manifestações cívicas em defesa da democracia da nossa história, já nos estertores da ditadura militar.

O povo é imprevisível. Depois que sai às ruas, se houver um motivo forte, ninguém segura, como vimos em 1984.

Vida que segue.

 

16 thoughts on “Bolsonaro golpista leva o povo de volta às ruas, a favor e contra ele

  1. O #EleNão-2 e a turma do playboy invasor talvez não lotem o quarteirão do MASP, mas o sucesso do novo Diretas Já está garantido. Em mais dois anos e oito meses teremos eleições diretas. Vitória!

    1. Prezado Ernesto já assistimos esse filme da esquerda. Vamos assistir os esquerdopatas deixarem de curtir um sábado e domingo que não dá para inflar com os cidadãos que saem de seus trabalhos. Mas para não variar o dia 18 é dia de semana. Será o último tiro de misericórdia. #fracasso2avista que tal?? Primeiro era a união do STF e congresso. Aí as esperanças morreram. Agora manifestação de meia dúzia de alienados. Quem viver vera. O nobre jornalista joga mais uma cartada para tentar dizer: eu falei. Vem prevendo igual mãe Dina mas errando igual um elefante colocando linha numa agulha. O desespero do dia 15/03 é evidente. Vamos fazer barulho nobre jornalista e de graça. Agora o moderador. Vida que segue

  2. Amigo Kotscho
    O viés apartidário tem tudo para aglutinar a sociedade civil nas três manifestações previstas no mês de março contra o governo Bolsonaro, em defesa da democracia.
    No meio delas, dia 15, haverá a marcha com Deus acima de tudo, patrocinada pelos milicianos-militares. A chamada partiu de um ultimato contra o Congresso, dado pelo general Heleno, o gnomo do Cabaré do Planalto, ao usar a expressão foda-se.
    O valente combatente do Haiti se mostra impaciente e sem tolerância. Não admite a ideia de voltar a vestir o pijama.
    Nessa manifestação, é ligar o tal do foda-se e seja o que Deus quiser na marcha ecumênica.
    Já nas manifestações antibozo, o caráter é outro. O objetivo é solidificar a luta pela recuperação da democracia. Por isso, não é necessário ligar o foda-se. Por enquanto.
    Kotscho lembra que o primeiro comício pelas diretas reuniu 15 mil pessoas e trinta dias depois 300 mil pessoas participaram da manifestação da Praça da Sé.
    A mídia, devido aos atritos do capitão-presidente com jornalistas, se mostra favorável em abrir espaço na cobertura das manifestações pela democracia. Algo sempre negado.
    As corajosas mulheres brasileiras abrem as manifestações de março, dia 8, Dia Internacional da Mulher; dia 14, a manifestação é para cobrar a elucidação dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes: dia 18, tudo indica, será o maior protesto, já que sindicalistas, funcionários públicos, estudantes e diversas entidades da sociedade civil vão se unir em um só grito pela democracia.
    Essa pode ser a injeção que a sociedade civil espera. Sem o protagonismo de partidos políticos.
    Só assim, uma parcela grande da população, com o grito entalado na garganta, poderá soltar a voz nas ruas contra o governo miliciano-militar.
    Ulisses de Souza

  3. “O batismo é do povo”

    “Poesia é encontrar uma árvore esquecida à beira de uma estrada e glorificá-la”.

    O jornalista de raça é um mágico. Transfigura o anônimo em notável, celebra o desapercebido, enquadra o texto no contexto. Enquanto nós nos limitamos a olhar, ele vê coisas, pessoas, a paisagem. Vê e conta.
    Ricardo Kotscho é jornalista raçudo. O jornalismo está no seu sangue e no seu destino.
    Andei com ele por praças e ruas deste infindável País. Entupidas de gente, de berros e de gestos de revolta e de esperança. Quando lia suas reportagens na Folha de S. Paulo ficava surpreendido e encantado.
    Como é que o Ricardo viu aquele jovem frenético, registrou a originalidade daquele dístico, enxergou aquela mulher chorando, ouviu daquele velho as histórias de outros comícios e outros personagens?
    Ele não se absorve nas estrelas do acontecimento. Sua pena é também alto-falante da multidão, assegura-lhe o papel de personagem no grande e terrível drama social brasileiro.
    Osmar Santos é o locutor das diretas, Fafá de Belém é a cantora das diretas, Ricardo Kotscho é o cronista das diretas. O batismo é do povo.

    Brasília, 18 de abril de 1984
    Deputado Ulysses Guimarães

    E continua sendo, agora em defesa da democracia.

    1. Caro Dias, voce não imagina como me deixou feliz com essa lembrança do prefácio que o grande dr. Ulysses escreveu no prefácio do meu livro sobre a campanha das Diretas Já.

      Líderes como ele fazem muita falta nestes tempos de Maias e Alcolumbres… Abração

  4. sem pre me pergunto pq as manifestaçoes golpistas sao sempre aos domingos enquanto q as manifeataçoes contrarias sao sempre nos dias de feiras,parece coisa de gente q nao se atualizou nois estamos em 2020, q falta de inteligencia

  5. O passado ,óbvio, passou.Eu penso que tanto as manifestações do 15,bem como as demais manifestações das esquerdas em frangalhos -NÃO TERÃO O EXITO ESPERADO.Nem no tocante a multidões participando,muito menos nos supostos impactos políticos.

  6. Quando algum sem noção ou classimedio falar de Lula daquele modo… e voce nao precisar conviver com ele pode adotar uma abordagem assim: –‘Voce sabe qual é a diferença entre o governo Lula e o de Bozzonaro?—??? — Pois no governo Lula brasileiro desembarcava em Paris ou Roma e era recebido com um sorriso. Hoje é recebido com um riso de chacota.”
    E realmente é por ai mesmo.

    1. Por três vezes, fui “testemunha ocular da História” (Royalties para o Repórter Esso, quem se lembra? ) do primeiro período citado. Já do segundo (período temerista-boçalnariano) , ainda não fui vítima. Mas sei a vergonha que brasileiros passam na Europa, hoje. Muitos se declaram portugueses. Até treinam o falar de Trás-os-Montes e Aldo Douro. Os lusitanos percebem mas solidários e fraternos, fingem que não ouvem.
      “E assim caminha a Humanidade”. Grande filme: Elizabeth Taylor, James Dean, Rock Hudson. Quem se lembra? Direção de George Stevens.

  7. Quero mencionar a vera magalhaes que foi muito comovente o sabujo puxa saquismo da bancada por Sejumoro no Roda Viva.
    Isso para uma semana depois todos os bancadeiros na Roda Vera…nao darem um pio de objeção ao ouvirem as respostas na bucha dadas pelo Dr Drausio.
    Varela nunca raciocina ao redor de opções politicas como tais mas sabe muito bem que prioridades na area o Brasil deveria ter.
    As posiçoes do médico, muito claras , eram via de regra e impliocavam conteudo inequivoco de esquerda (por ex. defesa do SUS, mençao ao Haiti) e não foram em nada contraditadas… Entao a lingua da bancada tao sejumorista o gato comeu ?

  8. Excelente análise. A falta de compromisso do brasileiro com a Democracia é inacreditável. O Ricardo Kotscho é um grande pensador e jornalista que com valentia nos mostra o que muitos não querem ver. Parabéns UOL por oferecer este espaço.

  9. Nao sei não, tem-se a ligeira impressão de que os Estados Unidos da américa, terão sua imagem bem manchada e arranhada (falando de imagem) depois que o brutal tornado do coronavirus passar. Só não sabemos em que grau isso vai ocorrer.
    E não só pelo que fizeram, pelo que vai acontecer por lá.
    Mas por aquilo que, em vívido contraste, fizeram e demonstraram os chineses: um pais dirigido por um centralizado partido comunista, sem o individualismo estrábico que chamamos de liberdade. E mais, com uma economia que brilha com 50 mil empresas estatais…
    E no qual a crença e a confiança nas privadas vai até a página 02. Pois é os gooks, os amarelos.

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