Forte Apache no Planalto: capitão se fecha na retranca com os generais

Forte Apache no Planalto: capitão se fecha na retranca com os generais

Agora não temos mais nenhum civil no comando do Palácio do Planalto. Nos gabinetes que mandam no país só entram militares.

O entorno do capitão presidente virou uma extensão do Forte Apache, como é conhecido o Quartel-General do Exército em Brasília.

Só uma dúvida: quem vai bater continência para quem?

Até a Casa Civil passa a ser ocupada por um general, Walter Braga Netto, que foi interventor federal no Rio de Janeiro na época do assassinato de Marielle Franco, um crime até hoje envolto em mistério.

Isolado no Palácio do Planalto, sem articulação política no Congresso e na sociedade civil, Bolsonaro resolveu se fechar na retranca, cercado apenas de generais, enquanto vai ao ataque em suas lives e milícias das redes sociais para atacar os inimigos reais ou imaginários, genericamente chamados de “comunistas”.

Nenhum governo militar da época da ditadura chegou a tanto.

Os generais presidentes procuravam se cercar de civis em postos-chave do governo para dar uma aparência de normalidade democrática e manter pontes com os setores organizados da sociedade.

Havia mais diálogo com a oposição naquele tempo do que agora.

Não há mais nenhum Petrônio Portela, o senador da Arena que costurava a abertura ao lado do general Golbery do Couto e Silva, no governo do general João Figueredo, o último da série inaugurada por Castello Branco em 1964.

Em 2020, seis décadas passadas, o país volta a ser comandado pelos militares, sem intermediários.

A área econômica, unica ainda não militarizada, que era o pau da barraca do governo, entrou em autocombustão com os desvarios do banqueiro Paulo Guedes.

Ao chamar os servidores públicos de “parasitas” e, para defender a alta do dólar, humilhar as empregadas domésticas que ousavam ir à Disneylândia _ onde já se viu? _  Guedes rasgou a fantasia antes do Carnaval.

Era fantasia midiática a tal “recuperação da economia” no primeiro ano do desgoverno, que até agora só fez tirar direitos dos trabalhadores e fazer a festa do bancos e do mercado.

Fechadas as contas do ano passado, ficamos sabendo nesta sexta-feira que o aumento do PIB não chegou nem a 1%, menor do que a do último ano do governo Temer.

Em 2010, último ano do segundo governo Lula, a economia havia crescido 7%, e o país vivia uma era de pleno emprego.

Vai ver que foi por isso que o Papa Francisco queria conversar com Lula para discutir como é possível combater a miséria e a desigualdade no mundo, o que ontem deixou os bolsominions ensandecidos nas redes sociais.

O que vão dizer agora os nossos proficientes comentaristas econômicos das várias mídias para justificar o desastre?

Não era só “tirar a Dilma” para que todos os nossos problemas fossem resolvidos?

Que iria chover dinheiro de investidores e milhões de novos empregos?

Bolsonaro pretende mostrar que está forte ao se cercar de militares, mas só demonstra fraqueza, ao querer liderar o país no grito e nas ameaças diárias à democracia.

Para acalmar os investidores estrangeiros, montou às pressas um tal “Conselho da Amazônia”, comandado por outro general, o vice Mourão, sem a participação dos governadores da região.

A quem eles pensam que ainda enganam?

Pego em flagrante, o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, resolveu transferir sua empresa para a esposa, depois de ter montado sua própria parceria público-privada.

Não é uma gracinha?, perguntaria a Hebe Camargo de saudosa memória.

Mas o que vem pela frente não tem graça nenhuma.

Quanto mais acuado pela realidade dos fatos, mais o capitão se fecha em seu próprio labirinto para defender os filhos, atirando nos próprios pés e nos antigos aliados.

E vai sobrar pra nós.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Forte Apache no Planalto: capitão se fecha na retranca com os generais

  1. Muita indignação Kotscho.
    E o sujeito na presidência parece que quer ser adorado. Pode?
    Um bezerro de ouro, o belzebu.
    Para completar a sexta-feira, sobrou até para o nosso cafézinho.
    Corre pelas redes que o café empacotado a vácuo vem adicionado de sangue de boi. Para aumentar o volume e o peso.
    Sangue de boi torrado.
    Carretas tanque de resfriamento descarregam sangue de boi nas torrefadoras.
    E já corre tratar-se de fake news; o que desgraçadamente é verdadeiro e está sendo confirmado pelos motoristas de caminhão.
    Bom fim de semana, bom blogueiro, e vamos seguindo na boa-fé de consumidores.

    1. Bem lembrado, prezado JG.
      Recebi um vídeo em que um caminhoneiro alerta sobre o café misturado com sangue de boi torrado.
      Segundo ele, tanqueiros transportam o sangue direto dos frigoríficos para as torrefadoras.
      Ainda segundo o denunciante, o sangue tem cheiro de carniça.
      Cheiro desaparece na torrefação.

      Abs, sv

  2. Minha nossa! O Guedes está falando do câmbio e cita um exemplo de pessoas que em geral ganham pouco, a turma já tira a coisa do contexto para encaixá-la na propaganda tosca do partido. De toda a degradação causada pelo petismo, a da imprensa que foge dos fatos para defendê-lo caninamente não é a menor.

    Quanto à economia, é fácil crescer quando é só ir na onda e gastar por conta como se não houvesse amanhã. Mas o resultado se vê é no fim e este foi trágico, com a maior recessão de nossa história e uma herança maldita da qual levaremos décadas para nos livrar.

    Se o papa peronista decidir se basear nesse exemplo vai acabar com a Igreja em pouco tempo. Aliás, já está no caminho. Mais alguns encontros como o último e só vai ter evangélico no país.

  3. REPUBLICA SINDICAL X REPUBLICA DA CASERNA
    Façam sua apostas quem é melhor.
    A primeira já conhecemos no que deu, a de agora é uma aposta….. estamos pagando para ver

  4. O que criticava na Venezuela, com o Maduro enchendo os militares de benesses e se cercando deles, está acontecendo exatamente aqui, e ninguém fala. Os problemas da Venezuela de saúde precária, fome e desigualdade social, está acontecendo aqui, igualzinho. Somos a nova Vene zuela, mas com uma casta militar completamente envolvida com a desnacionalização do patrimônio brasileiro.

  5. Prezado Kotscho: Se “Nenhum governo militar da época da ditadura chegou a tanto.”, como você bem escreveu, será que vamos ter que ter outra Diretas Já! para tirar essa gente do poder?

  6. Amigo Kotscho

    A Casa Civil deixou de ser civil com a posse de um general. Com isso, começa a ser fechado o ciclo da quartelada via eleições, proposta oculta de um capitão e avalizada por 57,8 milhões de brasileiros.
    O arbítrio está estampado no dia a dia. Os democratas do capitão-presidente são ousados. Atuam em todas as áreas e não mais se envergonham sobre o que fazem.
    Com um pouco mais de um ano de desgoverno, de desmonte do país, as instituições giram mais que biruta de aeroporto, sempre ao sabor do vento que sopra do Cabaré do Planalto, agora transformado em Forte Apache, como escreveu o amigo.
    A inércia da oposição política e das instituições democráticas é de estarrecer.
    A PM da Bahia prendeu dois jornalistas da revista Veja, insuspeita ao fechar os olhos para o bolsonarismo. Os profissionais tentavam localizar uma testemunha-chave para esclarecer a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, ligado aos filhos do capitão.
    O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, é voz dissonante nas críticas às arbitrariedades.
    O Ministério Público e o Judiciário se chafurdam a cada dia no lamaçal da impunidade. A tal ponto de um juiz federal, de 1ª instância, se tornar Ministro da Justiça por meios escusos e espúrios. Enquanto isso, o juiz Federal, Edevaldo Medeiros, é alvo da fúria de oito procuradores por ter cometido o crime de dar apoio ao ex-presidente Lula, quanto esteve preso em Curitiba.
    Este país funciona às avessas.
    Os petroleiros sustentam heroicamente uma greve há mais de uma semana. O movimento é ignorado pela mídia. Só recebe o apoio de pessoas que compram deles o botijão de gás a R$ 40,00.
    Na Lava Jato terminou o estoque de sabão cancerígeno. Agora é só lama. Um dos seus integrantes acaba de ser denunciado por recebimento de propina.
    O Congresso está amordaçado pelas bancadas da bala, evangélica, ruralistas e a de banqueiros.
    A economia segue o rumo traçado, beneficiando os ricos.
    A grande maioria da população despenca e fica abaixo da linha de pobreza.
    Nunca neste país houve tanta facilidade para a implantação de outra ditadura, com o comando de um militar que ocupa o 8º posto da hierarquia do Exército.

    Ulisses de Souza

  7. Senhor Kotscho, eles não pensam enganar. Eles factualmente enganam milhões de brasileiros. Ofendem a quem bem entendem e não acontece nada. A PGR é um puchadinho do planalto. Os disparos nas eleições foram imorais. Até hoje nada. As CPIs são marmotas que, também, não dão em nada. O novo ministro gerenciou a segurança pública no RJ. DEz meses de pioras. Foi nesse período que militares fuzilaram uma família indo para um baby chá e, não menos violento, fuzilaram a vereadora Marielle Franco e o motorista dela Anderson. Estou cego, completamente cego, pois não consigo ver essa tal eficácia nos militares brasileiros. O Prof. Delfim Neto disse que somos preconceituosos com os militares. Mas onde estão os trabalhos deles para que eu perceba a eficácia neles? Um general reformado não tem idade e nem o direito de ficar fazendo provocações impróprias e indecentes com relação a um ex-presidente da república e o Papa. Isso demonstra a “formação” dele bancada por nós. Será que o general é exemplo de boa formação humana? E militar? A evocar o que eu li a seu respeito sobre dada madrugada numa favela em Porto Principe no Haiti. Quem se autorespeita não coaduna com essa gentinha. Dólar valorizado não é sinal de economia aquecida, pelo contrário, pois a indústria brasileira é dependente de insumos a exemplo dos automóveis. O Brasil vende carros, mas para fabricá-los ele precisa importar peças. Aí, com dólar, alto ficam elas por elas. O doutor ministro em economia não sabe desse detalhe tão evidente. É nessas mãos que está a economia deste país com 210 milhões de pessoas. 11 delas economicamente ativa é desempregada e o índice não é mais alto por conta da informalidade.

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