Quem são os “parasitas”? Leitores reagem a Guedes e aos militares

Quem são os “parasitas”? Leitores reagem a Guedes e aos militares

A reação a dois assuntos ocupou quase todo o espaço do Painel do Leitor da Folha neste domingo: Paulo Guedes chamar os servidores públicos de “parasitas” e o estudo da Escola Superior de Guerra, em que o alto oficialato brasileiro, sem ter o mais o que fazer, prevê um cenário geopolítico para 2040, definindo a França como nossa grande inimiga.

Embora, à primeira vista, pareçam assuntos tão distintos, os dois se entrelaçam nos comentários dos leitores, que expressam melhor o sentimento dos brasileiros do que todos os analistas juntos, incluindo este blogueiro.

O ministro Guedes tocou num vespeiro ao falar em “parasitas” e despertou a indignação do leitorado a respeito do papel dos militares e da sua serventia para o país. “Vamos dar um trabalho para essa gente!”, pediu o leitor Renilson Júnior, de Valparaiso de Goiás.

Depois de ler todas as cartas dos leitores, achei melhor reproduzir alguns trechos aqui abaixo do que escrever uma nova e repetitiva coluna, pois já disse tudo o que penso a respeito do capitão e seus generais de pijama.

Ameaça francesa

“”Elite militar brasileira vê França como ameaça nos próximos 20 anos” (Mundo, 7/2). Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Esses, sim, senhor Guedes, são os parasitas da nação. E falando em cortar despesas, para que precisamos de Forças Armadas? E desse tamanho?” Ademar G. Feiteiro (São Paulo, SP).

“Será que agora vão entender por que Bolsonaro quer introduzir o ensino militar para todas as nossas crianças? Inovará na difusão e normalização da estupidez humana”. Marcio Francisco Colombo (São José do Rio Preto, SP).

“Como é que oficiais que consomem parte significativa do Orçamento com salários, aposentadorias e benefícios conseguem produzir tantos devaneios? A França já tirou sarro, saudando a “imaginação sem limites dos autores”. Essa gente não tem vergonha?” Luigi Antonioni (João Pessoa, PB).

“É sério isso? Essa tal “elite militar” fez esse relatório e colocou a França como a nossa maior ameaça? Meu Deus, que tipo de tóxico essa gente usa? Gastamos bilhões com esses inúteis para eles ficarem fazendo roteiro de filme B? Que porcaria é essa, meu povo? Bora botá-los para construir hospitais, melhorar a educação e a segurança”. Marcos Oliveira (São Paulo, SP).

“É nisso que dá esse tanto de militar inútil no Brasil. Ganham muito, trabalham pouco e têm tempo de sobra para assistir a filmes de apocalipse na TV. Vamos dar um trabalho para essa gente!”. Renilson Júnior (Valparaiso de Goiás, GO).

Parasitas

“”Guedes compara servidor a parasita e Estado a hospedeiro” (Poder, 8/2). (…) Gostaria muito que o ministro Guedes me dissesse onde estão esses parasitas. Desconfio que estejam bem próximos dele”. Beatriz Ferraz Diniz (São Paulo, SP).

“(…) Ministro Guedes, o senhor é um mero servidor público (eu não sou), e não mais um banqueiro. Veja a sua entourage e diga quem muitos dos brasileiros consideram parasitas, imprestáveis e mercenários de aluguel”. Maria Ester de Freitas (São Paulo, SP).

“(…) A fala de Guedes é triste e revela falta de conhecimento para o cargo que ocupa. Que ele se aproxime de funcionários públicos e certamente descobrirá quanta gente competente e abnegada se dedica diariamente à melhoria da qualidade de vida desse mesmo povo que o ministro insufla covardemente contra os servidores”. Gustavo Zorzella Vaz (Bauru, SP).

“O problema não são os parasitas. O problema são esses sanguessugas temporários, que, em pouquíssimo tempo, fazem estragos que levam anos para ser sanados”. Dario Thomaz (Novo Hamburgo, RS).

“Guedes deveria disponibilizar o diagnóstico, os textos e as pesquisas em que se baseia para fazer essas afirmações. Como leitor, desconfio que não haja nada disso e que suas afirmações são feitas com base apenas em ideias vagas e preconceitos”. Renato Venâncio ( São Paulo, SP).

Um único leitor, Gilberto Alvaro, de Jaboticatubas, MG, saiu em defesa de Guedes: “Quem está na iniciativa privada sabe o quanto é cobrado e fica indignado com a qualidade do atendimento dos servidores públicos. Exceções existem, mas são poucas”.

***

São leitores de diferentes regiões do país e mostram o alcance nacional do jornal, dando a cada dia o termômetro do sentimento popular.

Se eu fosse editor da Folha, aumentaria o espaço para os leitores e diminuiria os artigos. Eles pensam e escrevem melhor do que o ministro da Educação e o chefe dele.

Todos os leitores ganhariam com isso.

Bom domingo.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Quem são os “parasitas”? Leitores reagem a Guedes e aos militares

  1. Não posso garantir, mas nenhum leitor da Folha escreveria suspensão com “ç”, como está em um comunicado do ministério da “Edukassão” desse Weintraub.
    Frase ouvida no inferno de um sujeitinho de bigodinho sentado no colo do Capeta: “Há momentos em que esse Jair me assusta…”.

  2. Kotscho, com respeito a futura invasão francesa, olha o diálogo entre um bolsonarista e um francês no bar 88 em Baln.Camboriú, este perguntou ao bolsonarista de que forma ele via o lua aqui da terra, o terraplanista respondeu, redonda, ai o francês me perguntou como se escreve VERGONHA em português, respondi: bolsonaro.

  3. Adoro a amnésia seletiva dos esquerdopatas. Quando o ex e condenado afirmou que um político ladrão é mais digno que um servidor concursado os alienados e idiotas úteis se calaram. Felizmente a internet destrói as éticas seletivas trazendo a verdade onde a mentira é patológica. Habemus mais um texto censurado. Vida que segue

  4. Amigo Kotscho,
    Como essa postagem abrange textos de internautas, peço permissão para inserir um, de um cidadão de Rancharia que se diz teólogo cristão.

    “Democracia em vertigem” perdeu porque entrou como “documentário”, assim deveria se chamar “Parasita em vertigem”, aí venceria”, é a postagem. E ainda complementou: “pouca gente vai entender”.

    Minha resposta:

    “Fulano de tal, acho que você se enganou com o termo “parasita”, recentemente usado para atingir os funcionários públicos. Quem empregou esse adjetivo de dois gêneros foi Paulo Guedes, o gigolô dos banqueiros. Qualquer semelhança entre as palavras é mera coincidência. E ele está certo porque a classe de gigolôs, que ganham às custa de outrem, domina o país. A vassalagem bate palma. No caso brasileiro, gigolôs são classes que recebem salários indecentes e aposentadorias indecorosas, como militares, filhas deles, juízes e promotores, políticos, etc. Outrem é um ser invisível, o povão que paga imposto até no papel higiênico com o qual limpa a bunda. Para entender isso é preciso cultura. Não é a toa que o filme badalado hoje é “Parasita”, vencedor ontem do Oscar. Seu simbolismo é de uma política neoliberalista sul-coreana, um país que, por sinal, investe em cultura. Não sei se você vai entender, já que seu notório saber é religião”.

    Fui agressivo?
    Ulisses de Souza

  5. Paulo Guedes eh grosseiro mesmo, mas em termos societários eh legitima sua revolta diante de funcionários públicos que recebem aumento e tëm remuneração e aposentadoria garantidas num pais vivendo o inferno da economia brasileira.

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