Capitão Jair detona filme que não viu e livro que não leu

Capitão Jair detona filme que não viu e livro que não leu

Entre outros problemas cognitivos, o capitão Jair Bolsonaro, nosso presidente da República, tem sérias dificuldades para lidar com a verdade factual.

Há uma incompatibilidade visceral entre a realidade e as fantasias do máximo mandatário.

De volta as férias, partiu com os dois pés para cima do documentário “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, que concorre ao Oscar, e do livro”Tormenta”, da jornalista Thaís Oyama, sobre o seu primeiro ano de governo.

Gosto não se discute, mas esse caso é mais grave porque ele confessou que não viu o filme nem leu o livro.

Aliás, o ex-militar não se dá bem com o cinema e a literatura, e com a cultura em geral, que ele abomina como coisa de comunistas.

Seu repertório nessa área deve se limitar a filmes de bangue-bangue e livrinhos de sacanagem, a julgar pelo seu palavreado chulo.

Para ele, que governa montado num esquema industrial de mentiras, é tudo ficção quando as verdades factuais não lhe agradam.

“O livro é fake news, mentiroso e não vou responder sobre o livro”, disse aos jornalistas no cercadinho do Alvorada.

“Vocês têm uma colega de vocês que fez um livro que leu meu pensamento. Acho que não tenho que conversar com vocês, é só escrever o que você achar”.

O mesmo ele falou sobre o filme que se orgulha de não ter visto, o único concorrente do cinema brasileiro ao Oscar.

Só um detalhe: o filme foi exibido pela multinacional Netflix e o livro editado pela Companha das Letras, a maior e mais competente editora brasileira.

No melhor estilo Trump, ele não entra em detalhes, não argumenta. Apenas detona, vira as costas, e vai embora fazendo cara de mau.

Ao ouvir o nome do desaparecido fantasma Queiroz, decretou: “Acabou a entrevista”.

Com a previdência em colapso, depois da reforma, Bolsonaro está preocupado é em fazer uma campanha pregando a abstinência sexual no Carnaval, uma obsessão da ministra-pastora Damares.

Não sei como ainda não proibiram a cerveja, o confete e a serpentina. Eles abominam a alegria, a música, a festa.

Estão sempre em guerra contra o mundo, em seu universo particular feito de confrontos, tristezas, destruição e mortes, num país que gostava de celebrar a vida.

Quando a coisa aperta, chamam os militares. Vão convocar 7 mil fardados de pijama para cuidar das filas do INSS, onde multidões de desesperados são tratados como gado.

É tudo tão louco que o governo vai gastar mais R$ 9,5 bilhões até o final do ano para “adaptar” o INSS à reforma, feita exatamente para combater o rombo fiscal e tornar mais difícil a vida dos aposentados.

Parece mesmo ficção, mas é tudo real.

Vida que segue.

 

21 thoughts on “Capitão Jair detona filme que não viu e livro que não leu

  1. Prezado jornalista,
    Creio que nem sacanagem, o Bozo lê. Só vê as figurinhas. E se tiver uma posição mais complexa ele vira a página. Triste, mas se bobear é verdade!

  2. Dilma apenas deu sequência ao trabalho do Lula que deixou o país num verdadeiro caos. O colunista esquece que em Política Promessa é dívida, até pra nós ditos por um otário, daqui, que rotulou-nos, injustamente, de “filósofos charlatanistas”. Só que: à medida que o povo amadurece, politicamente, ele cobra os seus direitos de cidadania. Como bom brasileiro, sonho que nossos artistas do cinema consigam o prêmio máximo do Oscar, mas a chance maior seria se o tal filme em destaque realmente fosse o de ficção, ora pretendido pelo nosso presidente. O presidente sabe das coisas. Ele tá certo, toda a História, escrita ou narrada é constituída de 50% de verdade e 50% de mentira. Logo, esse filme não passa de uma meia verdade. Vencendo ou perdendo, nada muda no quadro atual da política brasileira. Quem estocou vento, agora deve estocar tempestade. Vida que segue.

    1. Sr. Tião Aranha: por favor, parece que errou o site. Sua opinião seria muito bem vista no O Antagonista (e olhe lá). Falar que o Bozo sabe das coisas é no mínimo absurdo.

      1. Como podes julgar uma pessoa, primeiro porque ninguém conhece ninguém, segundo, isso é prejulgamento pois até ontem nem o dono do universo não havia julgado ninguém. Existe o que se chama liberdade de imprensa, toda ela baseada no princípio do contraditório. Se prepare primeiro, estude, pra só depois vir conversar comigo; por essa e por outras que chegaram no lugar de merecimento. Persistir no erro é burrice.

  3. A propósito, Mestre, transcrevo diálogo gravado no Salão Oval por iranianos e vazado por Maduro:
    – Presidente Trump…
    – Fala, Bob.
    – Aquele seu fã, presidente argentino, está
    ao telefone querendo falar-lhe urgente.
    – Que fã argentino, Bob?
    – O do ‘I love you’.
    – Bob, não é argentino, é paraguaio.
    Que saco! Logo agora que ia detonar a Pelosi.
    Passe-me a ligação, mas antes peça-lhe para
    manter a compostura.
    – OK. Na linha, Presidente.
    – Fala, Mr. Bolsonauro, o que deseja de tão
    urgente para interromper meu folguedo no
    simulador de drones lança-misseis?
    – Como assim, preciso resolver o problema da
    democracia em vertigem?
    Pelo que sei, apesar de Pelosi e Sanders, a
    democracia mantém-se estável por aqui.
    – Como? Nome de filme concorrendo ao Oscar…
    – Deixe ver se entendi: quer que ordene à
    Academia de Artes e Ciências
    Cinematográficas, para não premiar com o
    Oscar o filme “Democracia em Vertigem”?
    Está certo disso?
    – Está…, mas não faz sentido, na ficha da
    assessoria consta que o maior responsável
    por leva-lo a indicação ao Oscar, foi
    exatamente Mr. Bolsonauro.
    – Como assim, não foi você? Ah, desculpe,
    acabam de me explicar, não foi sendo, mas
    deixe para lá, pois não tenho como ajuda-lo
    nesse problema.
    Segundo minha assessoria, de fato, o filme
    politicamente já venceu, independente de
    vir a ganhar ou não o Oscar e, na Academia de
    Artes e Ciências Cinematográficas, apito tanto
    quanto apita em seu governo, o premiado
    ministro da justiça.
    – Passar bem, Mr. Bolsonauro e lembranças ao
    filho embaixapeiro.

  4. Amigo Kotscho
    O capitão continua a zombar dos brasileiros.

    Ele se utiliza sistematicamente de um velho jargão jornalístico, o “balão de ensaio”, para iludir até os jornalistas que se comportam como vaquinhas de presépio no chiqueirinho do Palácio da Alvorada.

    O exemplo dos subsídios nas contas de energia elétrica de templos religiosos é sintomático.

    O próprio capitão plantou o “balão de ensaio” no dia 10 de janeiro ao anunciar uma minuta de decreto elaborada pelo Ministério de Energia.

    Ele sustentou essa mentira escabrosa por quase uma semana. Mas foi o suficiente para ouriçar os neopentecostais que acorreram aos borbotões, como estouro de boiada, a fim de ajudar o capitão a montar um partido.

    A bancada evangélica se masturbou.

    O capitão conseguiu plantar uma informação mentirosa, haja vista que isso só seria possível mediante modificação na Constituição, já que o seu artigo 19, parágrafo 1º, proíbe a União de subvencionar igrejas.

    Então, não é qualquer decreto que vai implantar essa aberração.

    A Folha de S.Paulo, que sempre se mostrou rígida com seus manuais de redação, apregoa que “se houver certeza de que se trata de um balão de ensaio, a Folha explica isso para o leitor”. O jornal se omitiu.

    O certo é que o jornalismo perdeu a sua capacidade de investigar, devido à rapidez com que as informações devem ser editadas.

    O conto sobre o subsídio das igrejas plainou sem contestação, na mídia e na Internet.

    Capitão conseguiu o que queria com essa notícia plantada. Ontem, foi manchete em toda mídia a sua desistência de subsidiar igrejas.

    Desde o dia em que o documentário “Democracia Em Vertigem” foi anunciado como concorrente ao Oscar, o capitão tenta com frases chulas de efeito desmerecer o brilhante trabalho de Petra Costa. E assim plantar mentiras.
    Tudo isso no chiqueirinho do Planalto para pasmos jornalistas.
    Agora partiu para cima do livro “Tormenta”, da jornalista Thaís Oyama, sobre seu primeiro ano de governo.
    Enquanto o inculto capitão ataca a cultura e o cinema, os arautos da democracia miliciana neopentecostal nadam de braçadas e ninguém percebe.
    Hoje, a mídia divulga que o capitão assinou decreto designando Luana Rufino para a diretoria colegiada da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
    A coluna de Lauro Jardim, de O Globo, informa que Luana pertence a Opus Dei, a mais conservadora das organizações católicas.
    Um pastor e uma cineasta evangélica tiveram os nomes indicados para a lista tríplice, que vai ao Congresso, e que tem Luana Rufino como favorita.
    Meu caro amigo, a coisa aqui tá preta.
    Do jeito que o satanismo gosta.

    Ulisses de Souza

  5. Dos 7 mil militares, apenas 2 mil vão atuar para diminuir as filas. Os outros 5 mil vão para o “pente fino” que o (des)governo inventou para tirar benefícios do maior número possível de pessoas pobres dependentes da previdência.

  6. Um presidente(?) cujo o governo(?) desconhece que a administração pública é para promover o bem comum, de todos e todas e só tem ouvidos e olhos para uma seita medieval, para um bando que despreza a ciência, a cultura, o respeito à diversidade de pensamento, de gênero, de opinião e a liberdade dos povos, me faz sentir no direito de praticar a desobediência civil. Se não governa para todos e todas, não me representa, se não me representa, me deixe em paz.

  7. É o que eu ja disse aqui neste espaço inumeras vezes: Tem muita gente que tem enorme dificuldade de conviver com o contraditório.
    Nosso presidente é um deles, mas não o unico. Tem muitos jornalistas que deveriam fazer suas matérias com isenção e quando se defrontam com o contraditório viram machos.
    Coisas da vida… pau que nasce torto, invariavelmente morre torto

  8. -Não vamos, por desnecessário, reciprocar à ilma. sra. min Damaris a recomendação de abstinência sexual, sempre louvável, no Carnaval.
    -O Marcelo Tas, nosso cerimonioso e invertebrado vassalo da CasaGrande e do império achou que podia enfrentar o Glenn.
    Mas o arquivo implacável do premiado jornalista o deixou nú perante o Brasil…
    De ora em diante todos estão sabendo pra quê que o Tas serve.

  9. Sr. Kotscho, dada a sua larga experiência na imprensa brasileira, lhe pergunto: por que programas de entrevistas atualmente deixaram de atrair telespectadores assíduos como eu nos anos 1980, 1990? Cheguei a ver o então governador paulista Orestes Quercia levantar da cadeira e partir pra cima de um jornalista com palavras além do tom que sugerido pelo protocolo. Hoje, jornalistas não se inteiram, não perguntam assuntos de interesses da sociedade e as entrevistas ficam em conversas de comadres na sacristia de igreja em cada uma quer parecer mais santa e simpática do que a outra porque sabem que cada uma delas conhece as travessuras das outras e enhuma delas é santa, mas como num pacto, aparentam um espetáculo de hipocrisia. O Roda Viva, programa das noites de 2ª feiras com debates construtivos: Brizola, Paulo Brossard, Darcy Ribeiro… O que um zero a esquerda tem a dizer sobre os assassinatos de índios da Amazônia? Por que garimpeiros continuam invadindo terras indígenas? Acabaram com o programa de qualidade e o tornaram espaço de demagogia. Prefiro ler Antonio Cândido a ouvir esses “jornalistas” perguntarem como que combinados com o entevistado. E a emissora é pública. E tucana.

    1. Caro José, você mesmo respondeu à pergunta sobre o que aconteceu com os programas de entrevistas na TV.
      É isso mesmo: entrevistados e entrevistadores se equivalem, ambos a serviço do pensamento único do mercado.
      Melhor mesmo ler Antonio Cândido, nosso grande mestre da literatura. Esse pessoal certamente nunca leu seus livros, não tem ideia do que se trata.
      É o que temos, mas sempre pode piorar. Abraços

  10. Acabei de ver o documentário “O Processo” de Maria Augusta.
    Triste constatar que ” O Processo” continua em pleno andamento e aprofundando a degeneração republicana em todos os níveis institucionais.

  11. Prezado Kotscho: De fato “filmes de bangue-bangue e livrinhos de sacanagem” são uma especialidade do capitão, considerando o roteiro de coisas nebulosas que saíram daquele condomínio da Barra até agora não esclarecidas. “Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.” (Rui Barbosa).

  12. Como milhões de brasileiros, estou incomodado com essa gente que desgoverna o Brasil. Lula deve voltar porque em plena crise de 2008 o Brasil não foi afetado, não vendeu nada e nem precisou de tubo de ensaio para iludir ninguém com tal reforma da previdencia que tiou dos pobres e manteve a gastança dos servidos públicos e nas pensões das viúvas e filhas (acredite) de militares. Lula tem que se engajar na combrança pela prova de sua condenação, tem que colocar na lona essa farça de justiça. Os adversários políticos de Lula não estão nas siglas partidárias, mas o MPF e na dita “justiça”. Se ele é inocente e diz lutar por sua inocência deve aproveitar seus dias para cobrar o reconhecimento dela. Assim, haverá possibilidade de se mudar o rumo da grave prosa sem graça dessa turma que está aí em todos os setores, ministro da educação que não sabe escrever. Tem que partir pra cima do Palocci e exigir que ele apresente as provas das delações. Lembrar a delação de Delcídio que deu em nada. Esperar pelo julgamento no STF é ficar na torcida e ao invés de fazer a História com fatos.

  13. Prezado Kotscho: ótimo seu texto, porém sou obrigado a fazer uma sugestão: me parece totalmente inapropriado chamar Bozo de “nosso presidente” (como constou no texto), por vários motivos. De todos os presidentes que já tivemos, ótimos, bons, ruins e péssimos, talvez o único que se compare ao atual fosse Collor, mas provavelmente não foi tão ruim. Portanto, minha sugestão é que ele seja chamado de “atual ocupante da cadeira de presidente”. Bozo não tem inteligência, capacidade, honra, adequação, postura, etc….. para ser chamado de nosso presidente.

  14. A Globo das duas uma: ou é isenta e neutrissima como um varao do plutarko… ou é bolsonristas ate os pelinho do roga pro nóbis.
    Nao deu uma noticia um ai no JN sobre o Fabinho Wajngarten (nome de salsicha) que simplesmente desviava grandes verbas por ‘direito’ globentas, para o SBT, o bispo e o latifundiário (canal 13)
    Va ser santa ou bolsonarista assim na casa do capeta.

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