Desmatamento e matança são provocados pelo governo, denunciam ISA e Igreja

Desmatamento e matança são provocados pelo governo, denunciam ISA e Igreja

Por que o número de assassinatos de líderes indígenas foi o maior nos últimos 11 anos e o desmatamento bateu todos os recordes na Amazônia em 2019, assustando o mundo?

As respostas estão em duas matérias publicadas no UOL nesta segunda-feira, em que o ISA (Instituto Socioambiental) e o arcebispo de Porto Velho e presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), dom Roque Paloschi, denunciam diretamente o governo federal e políticos da região pela matança de índios e a derrubada criminosa da floresta.

Declarações antiambientalistas do presidente Bolsonaro e do governador do Acre, Gladson Cameli (PP) são apontados pelo ISA como responsáveis pelo aumento nos índices de desmatamento, com base em dados oficiais dos sistemas Prodes e Deter-B, do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais).

Após o vídeo gravado pelo presidente em abril, quando condenou uma operação do Ibama contra o roubo de madeira na Floresta Nacional do Jamari, em Cajubim, Rondônia, houve 2.354 alertas de desmatamento na região, o dobro do mesmo período de 2018.

Também em Rondônia, dom Roque Paloschi se declarou estupefato “diante dos ataques aos índios no Brasil, vítimas de uma onda crescente de atentados que já resultaram em sete mortes de lideranças indígenas este ano”, segundo a matéria do UOL.

Para o bispo, essa matança é causada pela “retórica do governo que fomenta esse tipo de violência, o ódio e o preconceito aos povos indígenas”.

“Há setores que manipulam a palavra de Deus para explorar, fomentar o ódio e a violência contra os índios. Usar o nome de Deus para cometer crimes é justamente continuar crucificando Jesus”.

Por isso, o arcebispo, que participou do Sínodo da Amazônia, no Vaticano,  afirma que “a Igreja assumiu ser aliada dos povos indígenas, na defesa da vida, das lideranças, da terra e dos direitos. No Sínodo, o papa Francisco acolheu essa defesa e prometeu se empenhar para que seus direitos sejam respeitados”.

Claro que Ricardo Salles, o sinistro do Meio Ambiente, vai dizer que isso é coisa de comunistas dos países ricos…

Sem meias palavras, o governador do Acre Gladson Cameli fez um discurso em maio, na cidade de Sena Madureira, em que orientou os produtores rurais a não pagar a multa do Imac (Instituto do Meio Ambiente do Acre), “porque quem está mandando agora aqui sou eu”.

Nos dois meses seguintes, houve 2.574 alertas de desmatamento, 225% a mais do que no mesmo período de 2018.

Após a visita de Ricardo Salles a Espigão d´Oeste, em Rondônia, onde avisou que o governo federal faria operações de fiscalização, os assassinos da floresta deram um tempo, para voltar logo depois.

Se depender de Salles, um notório defensor de garimpeiros e madeireiros, a situação só tende a piorar.

Parece que o único programa do governo Bolsonaro para o Meio Ambiente é não deixar nenhum índio e nenhuma árvore em pé para servir de recordação no final do seu mandato.

As denúncias feitas pelas ONGs e pela Igreja Católica só repercutem no exterior, porque por aqui todo mundo faz cara de paisagem, como se não tivesse nada com isso.

Ninguém se dá conta de que estão destruindo não só a vida presente, mas o nosso futuro.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

11 thoughts on “Desmatamento e matança são provocados pelo governo, denunciam ISA e Igreja

  1. Antigamente, essas entidades politizadas à esquerda falavam sozinhas na mídia idem. Isso ainda funciona no exterior, onde elas encontram companheiros de ideologia que divulgam suas “notícias” para um público que as escuta por alto de forma acrítica.

    Aqui dentro, porém, as pessoas estão mais envolvidas com o assunto e conseguem a informação sem o filtro das viúvas do governo anterior.

    E aí se vê que o “crescimento” das queimadas se dá em alguns meses e em relação aos do ano anterior. Quando se pega um período de anos há variações e 2019 deve ficar abaixo da média.

    Com informação disponível, a mídia partidarizada perde seu antigo poder. É só por isso que aqui dentro “denúncias” como essas não progridem.

    1. E onde você encontra estas “informações disponíveis” dando conta que em 2019 o desmatamento “deve ficar abaixo da média”?
      Isso contraria tudo o que já foi publicado no Brasil e no exterior.
      Ernesto: você é um bolsonarista padrão, funcionário do mês. Você mente, simplesmente. É uma usina de fake news, como o teu “Mito”.

      1. Se você olhar com cuidado verá que eu falei em “queimadas”, que usei como exemplo porque foi o assunto discutido aqui em agosto quando houve aquele escândalo da mídia partidarizada que envolveu Macron e tudo.

        E os fatos lá eram exatamente os que eu repeti agora. O aumento das queimadas era limitado a alguns meses e em relação ao ano anterior, estando muito longe dos recordes da era Lula. Citei a fonte e cito novamente:

        http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal-static/estatisticas_paises/

        O desmatamento eu vi agora e, como esperado, a história é similar. O de 2019 é maior que o de anos recentes, mas está longe de “bater todos os recordes”. Estes também foram batidos na era Lula e o ano campeão teve um número quase três vezes superior ao atual. Fonte:

        http://www.obt.inpe.br/OBT/assuntos/programas/amazonia/prodes

        As entidades partidarizadas hoje escandalizadas se horrorizaram na era Lula? Nós sabemos a resposta.

        1. Exatamente, ‘usina de fake news’, utilizando links com informações idôneas, porém:
          As do primeiro não se aplicam ao fato em questão, por tratarem-se de focos de queimadas no Brasil e não na Amazônia, sabendo-se que o maior ou menor número deles depende do ano ser mais ou menos seco e concentrarem-se mais na região Centro-Oeste e em partes do Nordeste e Norte (Pará).
          As do segundo link , embora se apliquem ao fato em questão, o desmatamento na Amazônia, mostram o contrário que o ‘funcionário do mês’ afirma que mostram, tentando ‘tornar veraz’ a fake news.
          Basta examinar a coluna ‘AMZ Legal’ com totais de desmatamento em todos os estados que a compõem e constatar que, gradualmente, a partir dos anos iniciais do governo Lula, o desmatamento de 27.722 km2 vai sendo reduzido, a ponto de no último ano do segundo mandato mostrar-se reduzido em quatro vezes, 7.000 km2, e assim continuar sendo reduzido no primeiro governo Dilma, chegando ao final de 2014 com 5.012 km2.
          A partir de 2015, reeleita e sendo pressionada desde novembro/2014 para consumarem o golpe em 2016, o desmatamento começa a aumentar, 6.207 km2, até chegar a 9.762 Km2 com Bolsonaro, em 2019, um crescimento de 30% sobre 2018, ultrapassando o desmatamento do governo Lula ao final de 2009.

          1. Obrigado por confirmar o que eu disse. O desmatamento do primeiro ano Lula foi 27.772, mas o CIMI-PT nada disse porque não era culpa dele. O do primeiro ano Bolsonaro está em 9.762, mas agora se grita ao mundo porque é culpa do presidente.

            O Lula só deve ser medido pela baixa posterior, mesmo que não se soubesse disso em 2003 e tenha havido um aumento em 2008. Já o Bozo é culpado até pelos aumentos anteriores.

            Quanto às queimadas, eu já expliquei por que as citei e entendo que você não queira falar delas. Os números crescem e batem recordes em vários anos do período Lula, invalidando sua tese sobre o defensor da natureza. Ele começou subindo para 341, chegou a 393 e terminou em 319. Mas quem nunca se preocupou com isso fez um escândalo com UM mês de 2019 em que elas duplicaram em relação ao ano anterior.

            E sim, elas são do Brasil inteiro. Ontem ou hoje, a Amazônia é um percentual do total. Não altera o raciocínio.

          2. Sinto muito não entender que estabelecida uma política efetiva e competente de combate ao desmatamento na Amazônia, em regra esse reduzirá-se continuamente, conforme demonstram os números apresentados por ti, em que, do início de Lula ao final de Dilma em 2014, o desmatamento desaba de 27.722 km2 para 5.012 km2, independente dos focos de queimadas, pelo Brasil, aumentarem em certos anos anos mais secos, sem que o desmatamento deixasse de ser reduzido, em função da política de combate estabelecida.
            Sinto ainda mais, não entender que uma coisa é Bolsonaro durante todo o ano estabelecer e estimular sua ‘política’ de desmatamento, factualmente escancarada, e a mesma uma coisa não ser a expansão recorde de 30% no desmatamento, em relação a 2018.
            E sinto muitíssimo mais, não apenas por não entender ainda ter votado em Bolsonaro, como permanecer dando nó em pingo d’água por ele.
            ‘Desnecessário’!

  2. Não é que não se dão conta da destruição do meio ambiente.
    É que a aposta, a exemplo de Belo Monte, não tem limites quando se trata de escalar uma montanha de dinheiros públicos e à margem da economia baseada no desenvolvimento sustentável.

  3. O ideal seria o desenvolvimento sustentável, preservando o meio ambiente. Um fato que deve ser considerado é a expansão do agronegócio pelo país-, que vem tirando a economia do sepulcro dos últimos cinco anos. Não somente as florestas, mas todo o Ecossistema marinho vem sendo destruído de maneira fantástica pelo homem que age copiosamente sem escrúpulos orientado pelo exagero de instinto egocentrista insaciável deste capitalismo selvagem sem limites. Tal atitude dói no peito dos humanistas e dos futuristas. O consolo que resta-nos é a lei do retorno uma vez que a Natureza responderá inevitavelmente de maneira o mais violenta possível. Disto, ninguém tem dúvida. A Floresta Amazônica se não for acudida a tempo, sumirá do mapa. Restará pouca ou nenhuma chance de sobrevivência às futuras gerações, principalmente aquelas que dependem diretamente daquele ambiente de vida. O que se vê é destruição da vida por todo lado. Nosso país está ficando um país sem futuro. Sem falar que aqui já é um dos principais corredores de droga do mundo, será que devido à extensão territorial Ou a falta de fiscalização? O exemplo de Serra pelada, a construção da usina de Belo monte são exemplos que já caíram no esquecimento. Esse quadro é que é uma verdadeira realidade paralela da falta de planejamento. Extração clandestina de madeira, extração de minerais que polui rios e mata gente, queima sem controle de florestas, e outros caso que ficamos sabendo pela mídia. Parece que vivemos mesmo é num país sem leis. Neste momento, o debate com a participação do Planalto, da Sociedade participativa, e do Parlamento representativo, tornam-se indispensáveis. Todos lutando para um mesmo bem comum. Se somos capazes de fazer o melhor carnaval do mundo, por que, então, não conseguimos zelar pelas nossas riquezas? Povo desenvolvimento é povo limpo. Limpo em todos os sentidos.

    1. Ótimo poste. Assino embaixo. Só não concordo muito com o agro-negocio. O agro-negocio expulsa o homem do campo. Acredito que o governo deveria construir escolas técnica agrícola. Pelo menos uma em cada município para formar agricultores especializado em agricultura orgânica e. No final do curso premiar os alunos que mais se destacarem com uma propriedade de 30 hectares para ele levar a familia para produzir. E com uma parcela da produção pagar a propriedade. Seria uma reforma agraria sem custo para os contribuinte. Seria um meio de criar novas fontes de empregos e também aliviar as super população nas grandes cidades.

  4. Amigo Kotscho

    Pregar no deserto.
    É assim que soa no Brasil a voz sempre coerente de dom Roque Paloschi ao denunciar, em reportagem do UOL, o governo federal e políticos da região pela matança de índios e a derrubada da floresta.
    Paloschi, arcebispo de Porto Velho (Rondônia) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), é o porta-voz das preocupações do papa Francisco com a região Amazônica.
    Recém-saído dos debates no Sínodo para a Amazônia, dom Paloschi não consegue levar adiante as resoluções de Roma devido as denúncias que faz diariamente sobre a violência do governo do capitão na região.
    As mortes dos líderes indígenas ocupam espaço destacado no site do Cimi. As queimadas criminosas ardem nas notícias que poucos ecos produzem na mídia brasileira.
    É sintomático esse isolamento progressista dentro da Igreja Católica, cada vez mais dominada pela ala conservadora, que cresce a cada dia e cria dificuldades para o papado de Francisco.
    A Igreja Católica é a própria classe média. Tem dificuldade em se aproximar dos mais pobres e vulneráveis.
    No entorno dos padres estão representantes da classe média, que atuam no altar dentro dos templos e nas redes sociais e ruas despejam ódio e fazem juras ao capitão.
    As vozes brasileiras sensatas, democráticas e destemidas precisam, com urgência, entrar por ouvidos que não sejam moucos.

    Ulisses de Souza

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