Brasil do ódio e da morte vira um puxadinho das “Vivendas da Barra Pesada”

Brasil do ódio e da morte vira um puxadinho das “Vivendas da Barra Pesada”

Bolsonaro conseguiu: em menos de um ano de governo, o Brasil virou o país do ódio e da morte, da tristeza e da melancolia.

Os noticiários da TV deste domingo dão conta de que sete corpos foram encontrados na caçamba de um caminhão em Angra dos Reis, no Rio, depois de um dia inteiro de tiroteios que deixaram outras vítimas de balas perdidas.

Em Salvador, três adultos e uma criança foram mortos numa chacina.

Ainda no Rio, com a greve na saúde, por falta de salários, pacientes morrem nas filas sem atendimento e familiares deles levam cestas básicas para funcionários do hospital que passam dificuldades.

Em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, a polícia estoura uma rinha de cães da raça pitbull, em que os criminosos fazem um ritual para assar os cachorros mortos na brasa.

Foi o que eu consegui ver, mas deve ter muito mais e pior neste domingo, um dia normal, depois que o capitão presidente e sua tropa de figuras abomináveis assumiram o poder.

Nos supermercados, clientes brigam com os atendentes por causa do preço da carne.

Este grande país, outrora respeitado e admirado, virou apenas um puxadinho do condomínio miliciano “Vivendas da Barra Pesada”, de onde saíram os Bolsonaros para ocupar o Planalto.

A dez dias do Natal, não vejo enfeites nem na Oscar Freire, os pinheirinhos nas lojas murcham por não encontrar fregueses e os moradores de rua continuam deitados nas calçadas, pedindo uma ajuda.

Na frente de uma loja de móveis, com uma enorme cama de casal, um coitado dorme sobre papelões.

Este é o retrato do Brasil do bolsonarismo galopante, que avança, sem encontrar barreiras.

Quem ainda pode promover feijoadas ou churrascos com os amigos para comemorar não sei o que?

Vivemos um clima de fim de feira, em que os deserdados disputam a xepa, antes da chegada do caminhão do lixo. Ninguém lhes dá um alento.

Num país em que os pobres voltaram a ser miseráveis, e a “nova classe média” pensa que faz parte da elite, 34 mil pessoas estão morando nas ruas de São Paulo, a cidade mais rica do país, e todo mundo acha isso normal, nem repara.

Numa época em que as pessoas pareciam ficar mais felizes e solidárias, eu só vejo gente triste, melancólica, estressada, correndo para cumprir seus compromissos., fazer as compras.

Só se encontra ainda alguma alegria nos botecos, depois de muita cerveja _  isso quando os bolsominions não provocam alguma confusão, agora que eles estão no poder e se acham os maiorais.

É tanta estupidez, falta de respeito com quem pensa diferente, que prefiro ficar em casa, lembrando outros natais.

O discurso do ódio venceu, numa guerra verbal ideológica e furiosa, fratricida.

“Estamos de retorno à idade Média em termos de valores, com esse poder neoliberal, imposto por meio da força e das crenças, um discurso moralista pentecostal”, tenta explicar Joel Birman, psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Mário Sergio Conti, em entrevista ao programa “Diálogos”, na Globonews.

Por mais que eu queira, é difícil mudar de assunto quando você está no meio de uma tempestade que imobiliza as pessoas e nos deixa cada vez mais sem saída.

Apesar de tudo, vida que segue.

 

16 thoughts on “Brasil do ódio e da morte vira um puxadinho das “Vivendas da Barra Pesada”

  1. Vi a entrevista de Birman.
    Ele foi ao cerne do mal estar.
    Merece ser vista por quem não a viu.
    Ele fez a conexão adequada entre o fim da proteção social do Estado com o ressurgimento dos fundamentalismos religiosos, sobretudo os neopentecostais organicamente embarcados nos movimentos da extrema-direita.

  2. Não existe pessoa nenhuma normal, caro Kotscho, a diferença é que uns conseguem controlar mais o seu EU, do que outros que nem conseguem de maneira nenhuma ter tal controle. Muitos, depois que cometem um suicídio, ou uma tragédia de loucura qualquer, / é que vai pensar que não deveria ter agido assim daquela maneira?. Aí, já é tarde demais. (…) A pessoa educada, por outro lado, controla o seu tônus de energia dissipada ( pulsão) assim representado tecnicamente na linguagem freudiana; evitando, outrossim, ‘tragédias cometidas violentamente sem controle de qualquer natureza’. Freud falava da estrutura da personalidade: ID, EGO, SUPEREGO. Te pergunto: – na psique humana, onde se localiza o seu superego? (Será que existe alguém que sabe o que está passando neste momento no seu superego?). Segundo Sigmund Freud, tem tudo a ver em domar o Id, ou seja, reprimir os instintos primitivos c/ base nos valores morais e culturais. Depois veio, Lacan, discípulo de Freud, que falei em seu último poster-, para apenas acrescentar o valor ‘das linguagens’ como análise de avaliação de o referencial comportamental dum indivíduo. Geralmente, o que se nota nas terapias psíquicas é que quando o psiquiatra houve um indivíduo com problema mental – segundo Lacan – ele permanece calado enquanto observa se houve a repetição dum mesmo fato – durante esse período de tempo dado ao paciente para descrever o seu comportamento diário. Aqui, no seu espaço, dito democrático, observa-se muito a repetição de “acusações indevidas” dirigidas à pessoa do atual mandatário que trabalha em silêncio na construção da Pátria Amada. Não estou querendo defender ninguém. Afinal, é bom observar que não seria mais um caso de análise a ser estudado por parte da Psiquiatria por parte de quem participa das redes sociais? Até que ponto vai o limite do ódio e da morte? A violência gera violência. Só o amor constrói.

  3. Tambem na Argentina ja esta havendo jogo sujo da midia neolib e dos grandes fazendeiros contra alberto Fernandez e contra seu proprio apelo ao fim do ódio que fez no discurso de posse.
    Com essa midia só duas coisas parecem ser eficazes: a criaçao de uma midia estatal com apoio financeiro do povo. A outra formula não vou nem dizer aqui mas voces imaginam.
    A pergunta é: porque na Russia e na China a Midia e imprensa sao menos mentirosas e mais fieis aos fatos do que por aqui – apesar de que em ambos ha grande influencia do governo sobre a maior parte – MAS NÃO TODA – dela (Russia) ou forte controle sobre ela (caso China)?
    O motivo tá na cara.

  4. Pois é, Kotscho, vivemos tempos difíceis, tristes e estranhos.
    Isso me lembra o clássico blues Sometimes I feel like a motherless child(Às vezes eu me sinto como uma criança sem mãe).
    Ainda bem que há protestos contra a reforma da Previdência.
    Na França.
    E o Papai Noel que fez arminha ao lado do presifake?
    Desmoralização total numa época que sempre foi de confraternização.
    Parem o Brasil que eu quero descer.

  5. “Bolsonaro tem sido pior do que essas elites imaginavam. Um governo ridículo, bruto, incapaz, vergonhoso, deplorável, patético…
    Recorro aqui a alguns adjetivos, entre tantos, para definir a catástrofe.
    Talvez essas elites pensassem que poderiam domesticar o ex-capitão e seu clã, mas as feras não são facilmente domesticáveis.
    Deveriam ter aprendido com a História. Quando se coloca uma fera no poder, ela torna-se ainda mais indomável.
    Mas, como História é coisa de comunista, maconheiro, esquerdopata e professor doutrinador, para que aprender com ela? Melhor repetir estupidamente os erros do passado” (Royalties para Esther Solano – CartaCapital).

  6. Querido Kotscho,

    Todos os meus colegas de trabalho tomam remédio para os nervos ( eu fui no psiquiatra e saí de lá com receita pra 2 remédios). Um colega mais chegado me contou que no chuveiro tapa a boca com a toalha e grita de puro desespero.
    Meu marido, que bebe uma cervejinha de vez em quando passou a beber diariamente e agora leva um martelinho de cachaça pra beber enquanto toma banho.
    Meus 3 filhos não querem estudar nem trabalhar. Todos deprimidos pelos cantos da casa. Um deles me disse que pensa em se suicidar!
    Eu só sinto vontade de dormir e beber.
    Acho que o Brasil terminou.
    Vamos virar um estado e evangélico e miliciano.
    Salve-se quem puder…

  7. Poxa, Mas o que eu vejo diverge de você. Vejo gente nas ruas, aos montes, fazendo compras e mais compras para o Natal.

    Eu não sabia que Bolsonaro era o responsável pela rinha de cães e também não sabia que o presidente é responsável pela crise interminável na saúde da cidade maravilhosa.

    Alegre-se Ricardo, olhe o país com outros olhos, os olhos de imparcialidade.

    Você consegue.

    1. É isso aí, Mestre, que tal iniciar a sugerida panglossiana fase, voltada à economia que ‘bomba’ no Brasil atolado desde a aurora do golpeachment?
      Não necessita de complexidade, bastam, um ‘outro’ olho na inflação e um ‘outro’ olho nas reservas internacionais, que acumuladas nos governos “mais corruptos da história mundial”, seguraram até agora o rojão para que o país empacado não desande e repita de pronto a genuflexa Argentina, de pires à mão, no caixa do FMI.
      Hoje, no O Globo, sem destaque: “BC reduz reserva a US$361 bilhões, menor nível desde 2016, MAS proteção do país segue robusta.”
      Só rindo, sem tirar o olho da inflação, do esvair das reservas internacionais e sem esquecer de ‘com outros olhos’, né mesmo, Mestre?
      PS: Em 2003, Lula recebe de FHC, reservas internacionais de US$ 37,7 bilhões, em 2011, deixa a Dilma US$ 289,0 bilhões, em agosto/16, Dilma deixa ao vice US$ 369,5 bilhões e esse em 2019, a Bolsonaro, US$ 374,7 bilhões, que já torrou US$ 28,0 bilhões nos últimos 4 meses.

  8. Mas o jogo está virando! Eu vi com meus próprios olhos! No domingo retrasado eu estava passeando no calçadão com Nina, minha sobrinha de seis anos. Começamos a ouvir aplausos: garis, ambulantes, jovens, mendigos, todos aplaudindo e gritando “Dilma! Guerreira! Do Povo Brasileiro!” E lá veio ela, nossa rainha, pedalando, acenando e mandando beijos. Nina falou: “tia, essa é a presidenta legítima, eleita democraticamente por 54 milhões de votos, que foi derrubada por um golpe misógino, né?” O melhor de tudo é que nossa rainha OUVIU, parou e veio falar com a Nina. Disse: “é verdade, menina, mas no futuro esses velhos, brancos, ricos e ladrões não terão vez, e você poderá ser a presidenta do país se quiser. E ninguém poderá golpeá-la”. Foi lindo, nos abraçamos, choramos, a multidão que havia se formado foi à loucura! Engulam essa, fascistas!!

  9. Nunca foi tão atual a reflexão do pensador espanhol Ferlosio:
    Vendrán más años malos
    y nos harán más ciegos
    vendrán más años ciegos
    y nos harán más malos.
    Vendrán más años tristes
    y nos harán más fríos
    y nos harán más secos
    y nos harán más torvos.
    Rafael Sánchez Ferlosio 04/12/1927 (Roma) – 01/04/2019 (Madrid)

  10. Pra mim o pior de tudo tem sido a alta na bolsa. Durante anos eu vivia de venda descoberta de opções da Petrobras e Vale. Caía tanto que nem precisava recomprar. Depois do golpe, o mercado não parou mais de subir e nunca mais consegui atingir minhas metas.

    A exemplo dos demais colegas, também estou muito desanimado com os rumos de nossa cultura nesse desgoverno fascista. Eu tinha certeza de que em breve estaríamos ganhando algum Oscar com nossas produções, não somente de melhor filme estrangeiro como também em outras categorias, como roteiro ou atriz, e até mesmo em categorias técnicas que dominamos com perfeição, como edição de som. Mas infelizmente com a falta de patrocínio estatal para nosso cinema as coisas vão de mal a pior, e os produtores estão tendo de convencer os investidores de que os filmes serão um sucesso e eles farão fortunas, exatamente como ocorre nos USA. É um absurdo ter de recorrer à iniciativa privada para financiar cultura, e por incrível que pareça, os empresários não acreditam nele. Tá tudo dominado.

    Espero que essa onda neopentecostal passe logo e voltemos à nossa rota progressista que estava dando tão certo.

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