Socorro! Beatles comunistas e fascismo de esquerda: doidos assumem a Cultura

Socorro! Beatles comunistas e fascismo de esquerda: doidos assumem a Cultura

“Acalmem-se! Sim, ele é louco, mas não será tão ruim assim. Afinal, somos uma democracia e temos uma constituição. A Constituição o deterá” (chamada de capa do jornal alemão CV-Zeitung de 2 de fevereiro de 1933, voltado à comunidade judaica, logo após a posse de Hitler).

***

Sob o comando do dramaturgo e diretor Roberto Alvim (quem? alguém já ouviu falar?), novo secretário da Cultura, agora homiziado no Ministério do Turismo, continua a “grande reforma” anunciada para trocar os atuais dirigentes pela fina flor do manicômio particular de Olavo de Carvalho.

De Richmond, na Virgínia, o autointitulado filósofo e youtuber, que nas horas vagas caça ursos e controla as áreas de Educação e Cultura do governo federal, orienta Alvim em sua guerra contra o “marxismo cultural”.

Para a presidência da Funarte (Fundação Nacional das Artes) o secretário da Cultura recrutou um certo maestro Dante Mantovani, também youtuber, que em suas redes sociais já afirmou que o fascismo é de esquerda, “fake news é um conceito globalista para impor a vontade da imprensa” e a Unesco é “uma máquina de propaganda a favor da pedofilia”.

Mantovani é mais um membro da Cúpula Conservadora das Américas que chega ao governo com todas as credenciais do bolsonarismo mais tosco, capaz de escrever coisas assim:

“Na esfera da música popular, vieram os Beatles, para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”.

Nem Abraham Weintraub e sua parceira de estultices Damares Alves tinham chegado a tanto.

A Folha escalou três repórteres para conhecer o pensamento dos novos dirigentes e descobriu coisas assim, da lavra do maestro Mantovani, para quem “o rock de Elvis Presley e dos Beatles fariam parte de um plano para vencer os Estados Unidos e o capitalismo burguês a partir da destruição da moral da juventude e das famílias”. Leiam:

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa mais pesada, que é o satanismo”.

Outro aluno de Olavo de Carvalho que sai do anonimato, é um tal de Rafael Alves da Silva, que usa o nome artístico de Rafael Nogueira, nomeado na segunda-feira novo presidente da Biblioteca Nacional.

Nas suas redes sociais, Nogueira quase nada fala de livros e de literatura, mas pontifica sobre fraudes nas urnas eletrônicas e a obra de Olavo de Carvalho entre outros delírios.

Em seu perfil no Twitter, onde tem 40 mil seguidores, Nogueira publicou:

“Cadê nossa literatura? Quem é o herdeiro de Machado de Assis? Cadê a nossa filosofia? Espero que o legado de Olavo de Carvalho resolva”.

Vamos aguardar. Na reportagem da Folha, ficamos sabendo também os motivos da falência da Educação brasileira, segundo o presidente da Biblioteca Nacional:

“Livros didáticos estão cheios de músicas de Caetano Veloso, Gabriel O Pensador, Legião Urbana. Depois não sabem por que está todo mundo analfabeto”.

Esse certamente não deve ser o caso dele, que agora vai cuidar de uma das principais instituições culturais do país, com um acervo de livros que começou a ser catalogado nos tempos do Império.

No seu currículo acadêmico, ficamos sabendo que o discípulo de mestre Olavo de Carvalho já deu aulas particulares de humanidades e de redação para o Enem.

Entre uma e outra nomeação, Roberto Alvim, que já teve a coragem de chamar nossa  grande atriz Fernanda Montenegro de “sórdida”, agora vai ter que se explicar ao Ministério Público Federal.

O MPF abriu uma investigação criminal para apurar se ele violou a Lei de Licitações ao convidar a própria esposa, a famosa atriz Juliana Galdino, para assumir a direção artística do Teatro Plínio Marcos, em Brasília.

Para convencer a mulher a aceitar esta missão, Alvim entregou-lhe um orçamento de R$ 3,5 milhões em verbas federais.

A maracutaia foi denunciada quando ele ainda era diretor de Artes Cênicas da Funarte. A pena prevista para quem dispensa concorrência fora das normas legais é de três a cinco anos de prisão.

Quando esse governo acabar, vão faltar vagas no manicômio judicial.

Vida que segue.

 

21 thoughts on “Socorro! Beatles comunistas e fascismo de esquerda: doidos assumem a Cultura

  1. A contrapelo dos papalvos e pascácios que marcham alinhados com o projeto militar-miliciano no país da Beócia, não posso deixar de recomendar um bálsamo literário produzido ao longo de 65 anos pelo maior economista brasileiro de todos os tempos.
    Lançado no mês passado pela Companhia das Letras – “Diários Intermitentes” -, agora chegou às livrarias.
    O livro é do ‘paraíba’ Celso Furtado.
    Leitura agradabilíssima e preciosa!
    Obrigatória para sopesar a densidade do genial paraibano e sua magnífica trajetória intelectual, ao longo da qual vê-se sempre, como pano de fundo, os principais momentos brasileiros desde os anos 20.
    Muito bem anotado o registro da contemporização midiática com a escalada da besta germânica, que se apoiou totalmente nas burguesias industrial, comercial e financeira alemãs. A reboque vieram os Himmler, Goering, Borman, Hess, Goebbels, Heydrich, Ribbentrop, Speer que coroavam o entorno do Genocida Bestial.
    Pouca gente sabe que a celebrada e glamourizada marca “Hugo Boss” desenhou e produziu os uniformes das “SS”, a tropa de elite comandada por Heinrich Himmler.
    Não se tem conhecimento de que a referida empresa tenha sido responsabilizada pelo patrocínio do esforço de guerra nazista. Nem se comprometido com a indenização das famílias exterminadas pelo Holocausto sob a vigilância das “SS” que operaram a “SHOAH”.
    As maiúsculas são imperativas para consignar o crime contra a humanidade mais horrendo do século XX.

  2. O tal maestro, Mestre, não é o Odorico, mas é de Paraguaçu e sendo Dante, achou por bem instalar sua divina comédia na ora ‘Afundarte’, segundo Lulu Santos, em estado de choque ao saber que o Rock leva ao aborto e ao satanismo.
    Quem diria, a Funarte acabou em Sucupira, e pior, a estória que “o rock de Elvis Presley e dos Beatles fariam parte de um plano para vencer os Estados Unidos…” é mais ‘Tião aranha’ que parece. Segundo O Globo, o maestro afirma que “existe toda uma infiltração de serviços de inteligência dentro da indústria fonográfica norte-americana que se não levarmos em conta, não vamos entender nada. A União Soviética mandou agentes infiltrados para os Estados Unidos para realizar experimentos com certos discos realizados para crianças. Esses agentes iam, se infiltravam e iam mudando, inserindo certos elementos para fazer engenharia social com crianças. Daí passaram para música para adolescentes”, citando como exemplo o surgimento de Elvis Presley.
    “Woodstock foi aquele festival da década de 60 que juntou um monte de gente, os hippies fazendo uso de drogas, LSD, inclusive existem certos indícios de que a distribuição em larga escala de LSD foi feita pela CIA. Mas como pela CIA? Tinha infiltrados do serviço soviético lá.”
    Comunidade brasileira das Artes, com Dante, ‘o inferno é o limite’.

  3. Amigo Kotscho

    No principal hospício do país é muito fácil imaginar o que ocorre em uma reunião ministerial.
    Coisa de louco!
    Imaginemos uma reunião para debater os principais assuntos do dia: dólar em alta, racismo, carne em alta, Trump.
    Do alto de seu notório saber, o capitão brada, após o hino nacional, perfilados:
    – Guedes, e esse dólar?
    – Tentei segurar, mas o Pontes (Marcos) detonou antes do tempo.
    – Nada disso, Guedes, não tenho culpa. Tinha um foguete da Base de Alcântara para ser lançado na maior moita. Trump deu a ele o nome de dólar. Um brasileiro que sobrou no local disse em altos brados: “o dólar subiu”.
    – Não deu dez minutos, a informação chegou até a Bolsa por um vazamento do gringo da Intercept, disse Moro.
    – Moro manda prender Greenhalg (sic), aquele interceptador, bravejou o capitão.
    – Somos rápidos, chefe, minha turma já trouxe o Greenhalg (Luiz Eduardo), mas ele jura que é um ex-deputado e ex-advogado do Lula, disse Moro com sua voz equilibrada a custa de hormônios.
    – O que você fez com ele?
    – Como ajudou o Lula, mandei para uma sessão de cacholetas com a polícia do Dória, disse Moro.
    – Tereza, me explica pra que a China quer tanta carne se vai muito pouco no yakissoba?, pergunta o capitão.
    – Acho que o boi ainda tá no pasto e é culpa do seu amigo Nabhan Garcia. Ele disse que ninguém mais pode entrar em propriedades rurais. E que quem está dentro tá armado até os dentes. Por isso, não deixa sair nem boi. Vai que um deles procura o Intercept.
    – Quero carne nos açougues e a preço da época do Lula, táokei?
    – Sei não, diz Maria.
    – Mas, que tal a gente pegar emprestado nos pastos argentinos e se o Fernández achar ruim, colocamos nossa artilharia contra esse comunista, completou a ministra.
    – Boa ideia. Avisem o Flávio, o Eduardo e o Carlos. Eles precisam praticar tiros em alvos humanos.
    – Heleno, sai debaixo da mesa, e prepare a tropa para a guerra, ordena o capitão.
    – Perfeito, quando embarcamos para o Haiti?, responde o general.
    Antes de encerrar a reunião, o capitão avisa que se a imprensa comunista continuar a massacrar o presidente da Funarte, que é negro e não gosta de negro, ele vai nomear em seu lugar o Hélio Negão.
    – Mais aí é trocar três por meia dúzia, intervém Weintraub, que então amassava bolinhas de papel e jogava nos colegas.
    – Bem pessoal, obrigado pela presença…
    – Mas e o Trump?, perguntou Salles, que passou a reunião controlando o efeito estufa dos gases expelidos
    – Araújo, manda um zapzap para o meu amigo: Honey, do you want to complicate our idyll?
    – Chefe, a frase tá correta?
    – Acho que tá, passei do Português para o Inglês, no Google.

    1. Caro Ulisses, não duvido nada que tudo isso tenha realmente acontecido no principal hospício chamado de Palácio do Planalto. Se é que não teve coisa pior… A cada dia, eles conseguem se superar na demência institucional.

  4. Prezado Kotscho: Concordo com você que “Quando esse governo acabar, vão faltar vagas no manicômio judicial.” Mas vamos ter que esperar mais três anos para esse governo do mal acabar? “Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele.” (Martin Luther King).

  5. Lendo s/texto. Na m/loucura. Lembrei-me de Benvindo Siqueira interpretando ‘Brasilino roxo’ na escolinha do Prof. Raimundo do Chico. Dizia sempre: -“Ñ sou louco”. Fique certo Sr.Ricardo. Eles ñ são loucos. São os mesmos de sempre. Sabem usar dos avanços tecnológicos c/antecedencia.

  6. Dois anos de coma profundo, fulana desperta repentinamente sem entender nada: uma invasão alienígena de profundo mau gosto atropelou tudo em volta conta o plantonista. Nada que nos definia para o mundo civilizado está de pé, nada que fazia sentir orgulho de ser brasileira é respeitado.
    Fernanda Montenegro, Caetano e Chico Buarque são os novos vilões. O rock leva ao aborto; a escravidão foi um bom negócio para os negros; terraplanistas influentes em esferas do governo; hora de dois ministros evangélicos; ONGs queimando a Amazônia para autopromoção e vazando óleo para derrubar o governo; 30 mil “comunistas” perigosos pedindo pela sua expulsão; morte aos filhos homossexuais; cura da homossexualidade; estímulo do turismo sexual com mulheres, não com homossexuais; excludente de ilicitude; juiz como ponta de lança da acusação garantido como ministro; filho embaixador no centro do Império; filho contra a democracia, a favor do AI-5; filho destruindo a reputação de militar honrado e respeitado internacionalmente; filho demitindo ministro fiel; filho armado em UTI; Golden Shower; juízo estético sobre mulher do Macron; Pinochet, Ustra e Stroessner como heróis; deboche com o assassinato do pai de um presidente da OAB; celebração da tortura; general melancia; tentativa de destruição da Folha; Globo como inimigo passivo; deslumbramento com um Trump afinal ingrato; aconselhamento húngaro para sufocar a liberdade; quase guerra com a Venezuela.
    Presidente Olavo, primeiro-ministro Bolsonaro!

  7. FLIP abriu assim:
    “Os Sertões tem que ser lido todos os dias, enquanto persistir a situação dos pobres brasileiros. Enquanto ocorrer o genocídio dos jovens negros nas favelas de São Paulo, a militarização das comunidades do Rio de Janeiro, enquanto acontecerem tragédias como as de Mariana e Brumadinho”.
    Euclides da Cunha foi atualizado e redivivo para demonstrar o tratamento padrão destinado ao populacho e à plebe rude.
    Nenhum colégio, em nenhum estado, tem o livro “Os Sertões” como leitura obrigatória.
    Isto diz tudo.

  8. Prezado Mestre Kotscho,
    absolutamente solidário no seu desespero cultural e artístico, o quadro é realmente apavorante , a gente chega a ter saudade dos tempos do Collor e do Medici (bate na madeira)..Só faço um pequeno reparo – como carioca que sou, e já beirando os três quartos de século, tenho boa lembrança que o apelido da Câmara de Vereadores de nosso amado Rio era chamada de “Gaiola de Ouro” (nos anos 40-50), e não “Gaiola das Loucas”, que é um conceito muito posterior, já dos anos 80, se não me engano, que veio no embalo da famosa comédia francesa, filmada com Michel Serrault e Ugo Tognazzi, após enorme sucesso no teatro de lá e do Brasil.

  9. O Randolphe rodrigues diz que o bolsonarismo é produto do lulismo.
    Eu concordo.
    Porque se algo veio depois , veio por causa de!
    Assim: o Leninismo é produto do Czar russo Nicolau e Robespierre foi produto de Luis XVI, o 13/5/1888 produto da escravidão que havia no dia 12.
    E a dor de barriga produto do chocolate.

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