Nada a comemorar. De golpe em golpe, a República estrebucha

Nada a comemorar. De golpe em golpe, a República estrebucha

Sexta-feira, 15 de novembro de 2019, feriado da Proclamação da República.

Para mim, que trabalho de domingo a domingo, hoje é um dia como outro qualquer, nada vejo para comemorar, 130 anos depois.

Se não me falha a memória dos tempos de escola, o que houve no dia 15 de novembro de 1889 foi um golpe militar para destituir o imperador D. Pedro II, seguido de muitos outros golpes até chegarmos aos tenebrosos dias atuais com um ex-militar no poder.

Muita gente não deve lembrar, mas nossos dois primeiros presidentes republicanos foram marechais do Exército.

A galeria de militares na presidência foi inaugurada pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, que renunciou dois anos depois, para dar lugar a outro marechal, Floriano Vieira Peixoto.

Era a chamada “República da Espada”, como a chamavam na época.

O primeiro presidente civil, Prudente de Moraes, só seria eleito pelo voto direto em março de 1894.

No mais longo período de militares no poder, vários generais se sucederam na Presidência da República na ditadura militar (1964-2005), começando por outro marechal, Castelo Branco, e terminando em João Figueiredo, que saiu pela porta dos fundos, recusando-se a entregar a faixa presidencial ao civil José Sarney.

Pela primeira vez, temos agora no poder um tenente reformado como capitão, aos 33 anos, depois de ser preso e processado pelo Exército por atos de insubordinação..

Como vemos, a República baixou de patente, embora um batalhão de generais de pijama tenha sido convocado para fazer parte do governo (nove deles já foram demitidos).

É a primeira vez também que somos governados por um quarteto, o presidente e três dos seus filhos.

Antes, em 1968, tivemos uma junta de três militares, os comandantes das Forças Armadas, no impedimento de outro marechal, Costa e Silva, em 1968.

De golpe em golpe, dos mais variados tipos, chegamos a 2016, quando um golpe parlamentar derrubou a presidente Dilma Rousseff, abrindo caminho para a volta dos militares ao poder, agora pelo voto direto.

Escrevo sem consultar minha modesta biblioteca nem o Google e posso estar cometendo alguns enganos de memória, mas em resumo é isso.

Começamos a República com um golpe militar, e isso não poderia mesmo dar coisa boa.

Já tem até gente, como o ministro da Educação, este abominável Weintraub, nostálgica da Monarquia.

Ficamos sabendo esta semana que Bolsonaro até pensou em colocar como vice um herdeiro da família imperial, o “príncipe” Philippe Orleans e Bragança, que é deputado federal por São Paulo.

É o enredo pronto para para uma bela porno-chanchada com Alexandre Frota, Oscarito, e Grande Otelo, tendo como tema musical o Samba da República Doida, que está estrebuchando.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

 

10 thoughts on “Nada a comemorar. De golpe em golpe, a República estrebucha

  1. Não ofenda Oscarito nem Grande Otelo posicionando dois comediantes de primeira grandeza da Atlântida ao lado de picaretas pornôs tanto do cinema underground quanto da política rastaquera.

  2. Tem razão, grande repórter RK: houve um golpe militar em 15 de Novembro de 1889.
    Desde então, quem manda mesmo(não sejamos ingênuos)é o Partido Verde Oliva, o partido armado(quem tem armas tem o poder).
    Já sobre feriado, Kotscho, gostaria de lembrar que feriado que cai no domingo é igual olho verde em gente feia: não adianta nada.
    Desculpe! Apenas para descontrair um pouco.

  3. O que é isso, Mestre?
    Sugerir os imortais, Oscarito e Grande Otelo, juntos, misturados em pornochanchada política da turma da APELOBRAS (Aliança Pelo Brasil).
    Entre muitos outros apropriados e adequados para tanto, em todos os sentidos, os Carlos, Mossy e Imperial, sem dúvida, deteriam maiores ‘méritos’ para, com Frota, desempenharem tais papéis.

  4. Amigo Kotscho,

    Soa muito estranha a fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, em relação à Proclamação da República, comemorada ontem, 15 de novembro.

    Rodeado de militares, com e sem pijamas, disse que foi um golpe na monarquia.

    Dias antes, o capitão-presidente elogiou o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, que se diz componente da árvore genealógica de imperadores brasileiros.
    Ao mesmo tempo, defenestrou seu colega de farda e vice-presidente, general de pijama Hamilton Mourão.

    Acho que no cabaré do planalto a única coisa sem importância é a hierarquia.

    Capitão descasca general na frente dos súditos e nada acontece.

    Mas, pensando bem, hierarquia não vem sendo observada nos golpes militares.

    Deodoro era marechal e ganhou a maior estátua do Rio de Janeiro, na categoria militar-individual.

    Os paulistas dedicaram sua maior estátua categoria-militar ao marechal Duque de Caxias. Fica na Praça Princesa Isabel, hoje reduto da cracolândia.

    No golpe de 1964, quem assumiu foi um marechal, o Castelo Branco, que morreu em uma “trombada aérea”.

    Seus sucessores foram escolhidos entre os coadjuvantes do golpe, com hierarquia abaixo de marechal, ou seja, os coronéis Costa e Silva, Médici e João Figueiredo.

    Não mereceram estátuas do tamanho dos marechais, mas se tornaram nomes de estradas, ruas e viadutos.

    Agora vem um capitão dando bronca. Golpista eleitoral, está abaixo de major e de tenente-coronel, segundo a Wikipédia.

    Não sei onde vai desembocar essa encrenca, mas não ouso falar mal nem de estátua militarizada.

    Nosso ex-colega Lourenço Diaféria foi engaiolado, e um jornal empastelado em setembro de 1977, acusado de ter ofendido o Exército com a crônica: “Herói. Morto. Nós”.

    Enquadrado na Lei de Segurança Nacional, a mesma que o capitão-presidente ameaçou o Lula na semana passada.

    Escreveu em um dos parágrafos citando a estátua do marechal Caxias, em São Paulo:

    “O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.”

    Na época, jornalistas da redação da Folha S.Paulo esboçaram um movimento para protestar contra a prisão e pretendiam visitar o colega, quando Emir Nogueira, secretário de Redação e amigo de Diaféria, trouxe o recado: Lourenço não quer que ninguém o visite ou haja reação pela sua prisão. Era a condição para que ele fosse solto.

    Nesse texto, arrazoado de “crioulo doido”, é bom lembrar que os maiores torturadores foram os civis, como delegados e investigadores.

    A Proclamação da República foi comemorada ontem, e hoje, com a permissão de Kotscho, é vida que segue.
    Ulisses de Souza

  5. Prezado Kotscho: Será que “este abominável Weintraub, nostálgica da Monarquia” não estaria reclamando de barriga cheia e não percebeu, ainda, que o país já voltou para a Monarquia e é governado pela rainha da Inglaterra e suas três princesas?

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