Partido da Família Bolsonaro quer ser a nova Arena, o partido da ditadura

Partido da Família Bolsonaro quer ser a nova Arena, o partido da ditadura

Deveria se chamar PFB (Partido da Família Bolsonaro) esse novo ajuntamento que estão parindo em laboratório no Palácio do Planalto para botar a mão na grana do Fundo Partidário.

Como tantas outras das 32 siglas existentes, esta “Aliança pelo Brasil”, o nome de fantasia criado pela famílícia, não quer dizer absolutamente nada.

O nome lembra a Aliança Renovadora Nacional, alcunhada de Arena, o partido criado pelos militares para defender a ditadura de 1964 no Congresso Nacional.

Tudo é fake nesta operação tabajara do capitão, capitaneada pelos filhos no zap-zap, para “libertar a população da destruição de valores cristãos e morais”.

O fundamentalismo religioso do bando miliciano-militar que assumiu a República é tão tosco e falso como uma nota de sete reais: “Fé, honestidade e família”.

Sim, e daí?

E daí é que o Brasil terá pela primeira vez na vida um partido da ultradireita legalizado, que já tem até um bloco de jornalistas saídos das tumbas para defender os seus “princípios”.

Seria cômico, se não fosse tão trágico, o que está acontecendo no Brasil.

“A legenda que o presidente quer criar surge ancorada em valores reacionários, no populismo e no personalismo puro”, resume Bruno Boghossian, em sua coluna na Folha.

É tudo tão maluco, que um desconhecido político do Amapá, chamado Davi Alcolumbre, catapultado à presidência do Senado pela “nova política” bolsonarista, sai por aí, sem mais nem menos, pregando uma nova Constituinte.

Daqui a pouco algum outro alucinado vai propor a volta à Monarquia já que a República não deu certo. Por que não?

Na reunião com os deputados em que “apresentou” seu novo partido à clientela, Bolsonaro cobriu de mesuras o “príncipe” Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), como relata Monica Bergamo:

“Príncipe, estou te devendo eternamente. Você deveria ter sido meu vice, e não esse Mourão aí. Eu casei, casei errado. E agora não tem mais como voltar atrás”.

Como a fidelidade conjugal e partidária não é o forte do presidente, no mesmo dia ele plantou também na imprensa o nome de Sergio Moro para ser seu vice em 2022.

Ainda não se sabe o que o atual vice, general Mourão, está achando destas confidências presidenciais.

Se ainda estivessem num quartel e não no Palácio do Planalto, o general certamente daria uma tranca no capitão…

Vou relatando estes fatos como se fossem as coisas mais naturais do mundo, mas é assustador o grau de degradação do cenário político nas últimas horas.

Enquanto isso, longe desse barulho e do pega pra capar em Brasília, e sem entrar em divididas, Lula embarca à tarde para Salvador, onde participará da primeira reunião do PT depois de sair da prisão.

E faz bem em ficar pelo nordeste até domingo, quando uma grande festa popular o aguarda em Pernambuco, sua terra natal, de onde saiu com 7 anos, num pau-de-arara para São Paulo, em viagem que durou 13 dias e ainda não terminou…

Vida que segue.

 

14 thoughts on “Partido da Família Bolsonaro quer ser a nova Arena, o partido da ditadura

  1. Eles acham que viraram os proprietários do país, vão fazer de tudo pra não largar o osso, gostaram do poder essa família, se antes já se sentiam superiores agora então ninguém segura. Lembrando que o excelentíssimo presidente vai embarcar no nono partido, haja ideologia política.

  2. Mestre, da série, ‘De Volta ao Passado’:
    Pretendendo ‘restaurar’ a dita, o capetão resgata a Aliança partido, agora, ao invés da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), a APELOBRAS (Aliança Pelo Brasil).
    A propósito, “o projeto do governo é restaurar a Ditadura”, mata a pau em entrevista ao Tutaméia, o grande historiador Fernando Novais, uma das preciosidades que no Brasil ficam à margem, por ‘esquerda e comunista’, da xucra e utilitária classe dominante que monopoliza a mediocridade e o mando, impedindo que tenhamos enfim a elite necessária para transformarmos o Brasil em nação, justa, moderna e soberana.
    Prossegue, Novais: “Os povos saídos do antigo sistema colonial têm problema de identidade; no Brasil, esse problema é levado ao limite. Não é que o país não tem uma identidade; é uma identidade difícil de ser caracterizada.
    (…) a geração que faz a independência nas Américas tinha um negar a colonização para separar-se [da metrópole] e manter o sistema de dominação. Tinha que negar a colonização e reivindicá-la. A independência das colônias é feita pelos colonos, não pelos colonizados; é contra o colonizador, mas não a favor do colonizado. Colonizado aqui é índio e negro. É isso que está na base dessa ambiguidade, na dificuldade de identidade nossa que vem até os nossos dias”.
    E é daí que brota a aberração hereditária da classe dominante e seus bate-paus, ora personificados no Capetão, Rebentos & Cia, e consequentemente o COLONIAL ATRASO.

  3. Um assunto para ser debatido re opinado aqui neste Balaio, que não é de gato:
    “Quem está com os direitos politicos suspensos, pode participar de ações politicas partidárias?”

  4. Parabens, arturo Vidal, o capitao e lider da seleçao chilena de futebol…
    Rejeitar o circo e unir-se a luta de seus compatriotas não é para qualquer cabeça de neymar.
    A recusa a jogar o jogo marcado contra o Peru nos proximos dias mostra em que patamar de cidadania estao os profissionais chilenos

  5. De olhos azuis em 2022 a movimentação do xadrez da extrema direita é ajuntar sob uma legenda exclusiva as personalidades melhor avaliadas do campo elitista da Casa Grande e da Caserna.
    Posto Ipiranga da Economia, Moro Liga da Lava Jato, Príncipe da Dinastia de Avis e o Alto Comissariado das 3 Forças Armadas, combinados com as falanges evangélicas e as centúrias milicianas.
    Um compósito suficiente para manter a vantagem eleitoral e amassar o campo progressista ora no corner e na defensiva, além de claramente fragmentado e inofensivo.
    O projeto autoritário de natureza policialesca vocacionado para a violência política foi gestado em 2018 e ganhou aceleração e musculatura até para a formação de um “partido fascista puro-sangue” disposto ao tudo ou nada para garantir o seu próprio bloco de poder no comando executivo e domar a funcionalidade institucional.
    A direita ganhou o jogo no tapetão e gostou do jogo ao ponto de criar o seu verdadeiro time para o próximo campeonato.

  6. Prezado Kotscho, parafraseando o cartunista Jaguar, um governo que reconstrói uma Arena quer mais é perseguir os cristãos.
    E o presifake Guaidó, hein?
    Sifu mais uma vez.
    E a presifake da Bolívia?
    A distinta teria participado de um filme pornô, mas ninguém tem nada com isso.
    Ela criticou o que chamou de rituais satânicos dos índios.
    Não sabia que a presifake também era antropóloga.

  7. Prezado Kotscho: Concordo que “é assustador o grau de degradação do cenário político nas últimas horas”, como é assustador o grau de degradação do cenário ambiental que vem aumentando dia a dia. Pelo que estamos acompanhando com que aconteceu nas queimadas na Amazônia e com o pouco caso para o derramamento de óleo no mar que atingiu os estados do nordeste brasileiro, já deu para perceber que vamos ficar ao deus dará se dependermos das ações desse governo. Recentemente, o Cineclube Cauim resgatou a edição do programa “Papo com Dr.”, veiculado pela TV Thathi de Ribeirão Preto, no dia 28 de fevereiro de 2007, onde o Doutor Sócrates me entrevistou e falamos quase uma hora sobre a importância do Aquífero Guarani para o município de Ribeirão Preto e toda sua área de influência. Essa saudosa entrevista dada para o Doutor Sócrates pode ser vista aqui nessa direção
    https://www.youtube.com/watch?v=1jIWAkrWqWg
    Passados mais de doze anos dessa entrevista, vendo e revendo a conversa descontraída que tivemos me pergunto: Será que mudou muita coisa? O Aquífero Guarani está sendo bem tratado?

  8. Amigo Kotscho,
    A palavra família (famiglia em italiano) estava em desuso.
    Recentemente, passou a ser utilizada por políticos, cidadãos de bem, que justificam tudo “em nome da família e de Deus”.
    Internamente, navega em cultos evangélicos, e na Opus Dei sua força é mantida.
    O clã do Bozo ressuscitou o toque mafioso dessa palavra, já que o lado afetivo não é a praia dos filhos do capitão.
    Assim, quando o mestre do clã – capitão presidente – chama os comparsas para uma reunião ou ex-comparsas para punição política, o grupo parece estar numa cantina italiana (da época fascista).
    Falatório em tom de altos decibéis, ameaças, estratégias políticas, traições, dinheiro, tal qual reunião de famiglias já por demais conhecidas, como Casa Nostra, Camorra, ‘Ndrangheta, e outras.
    Na Itália, o fascismo tinha como mestre Benito Mussolini, que fundou o Partido Nacional Fascista. Como chefe partidário passou a usar “Duche” (líder) no nome. Usou milícias, conhecidas como “caricie neri” para combater seus adversários políticos e implantar um governo baseado no ódio.
    Analogia?
    Não. Claro que não.
    O partido a ser fundado é o “Aliança pelo Brasil”, embora respeitados jornalistas, como Ricardo Kotscho, acham que deveria ser chamado “Partido da Família Bolsonaro”.
    O chefe do clã do Bozo não sabe como vai ficar seu nome político nessa encrenca: Líder Jair Bolsonaro, Duce Jair Bolsonaro ou Leader Jair Bolsonaro são os preferidos.
    A milícia-militar, que apoia o Bozo, tem que ter nome. Pode ser: “manchas do condomínio”
    É melhor terminar esse arrazoado por aqui.
    Ir em frente é saber nesta suposta ficção com quem o “líder” vai se juntar para declarar a 3ª Guerra Mundial.

    Ulisses de Souza

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