Papa Francisco faz um libelo contra desigualdades, o grande mal do mundo

Papa Francisco faz um libelo contra desigualdades, o grande mal do mundo

“Sermos refugiados dentro do nosso país é revoltante e indigno” (Eduardo da Gama Nogueira, engenheiro eletrônico, meu cunhado).

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Ao final do Sínodo da Amazônia, o papa Francisco colocou o dedo na ferida e fez um vigoroso libelo contra as desigualdades, que estão na raiz de todos os conflitos hoje no mundo inteiro, com a destruição do meio ambiente e dos direitos humanos, que deixam milhões de desempregados e deserdados do neoliberalismo, sem um lugar para prover sua subsistência.

Numa única frase, o papa resumiu o grande mal do mundo, que multiplica o número de refugiados e provoca revoltas populares:

“Os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas econômicas injustas, que originam as grandes desigualdades”.

São essas estruturas que começam a ser contestadas em todos os continentes, onde frações mínimas da população concentram a maior parte da renda e deixam os mais pobres sem trabalho, sem comida, sem dignidade, sem condições de sobrevivência, sem esperança e sem futuro.

Este é o regime do “deus mercado” implantado em países como o Brasil, onde o dólar e as bolsas flutuam na direção inversa da perda de direitos dos trabalhadores, e o capitão-presidente tem pena dos patrões.

O desabafo do meu cunhado no grupo da família, com outras palavras, foi na mesma linha do que disse o papa no Vaticano, mas eles não conseguem comover os governantes de turno, paus mandados das indústrias de petróleo e de armas, os verdadeiros terroristas do século 21.

Terrorista é quem massacra os que ainda são assalariados e os aposentados, nega o acesso à educação e à saúde, afronta a cultura e a ciência, libera o uso de armas, manda botar fogo na floresta e empesteia os mares e as praias de petróleo.

Num mundo em que um punhado de famílias, que frequentam as páginas da revista Forbes, controlam os mercados, os banquetes e os governos, a miséria se alastra por toda parte e não basta rezar para impedir o avanço dessa iniquidade.

Primeiro papa jesuíta e latino-americano, Francisco sabe disso.

Ao contrário de seus antecessores, que fecharam os olhos para essa cruel e desumana realidade, ele desafia o corporativismo dos cardeais do Vaticano, os mesmos que levaram à morte o papa João Paulo I, um vigário de Canale d´Agordo, na Itália, apenas um mês após ser eleito papa.

Quem defende os pobres, denuncia as injustiças, combate as desigualdades e defende os direitos humanos, logo é chamado de “comunista” e marcado a ferro e fogo, como fizeram os nazistas, que hoje inspiram governos “democraticamente” eleitos.

Neste momento, no Brasil, estamos fracos e sem mostrar reação, mas somos muitos, somos 208 milhões de cidadãos brasileiros, que não podem ser tratados como gado no quartel do ex-capitão e dos seus generais de pijama.

Uma hora a corda vai arrebentar. O libelo do papa nos dá um novo alento para resistir e enfrentar essa barbárie.

Do fundo do seu cárcere em Curitiba, o ex-presidente Lula, que hoje completa 74 anos, é um símbolo dessa resistência moral, que já libertou outros países do jugo dos seus carrascos.

Na mesma semana em que o Chile voltou a se afirmar como nação, e encurralou um êmulo de Pinochet, a Argentina está indo às urnas para derrotar o Bolsonaro deles.

Os ventos estão virando aqui no nosso continente e no mundo todo.

Viva Lula, viva o papa Francisco, viva a justiça, a liberdade e a igualdade!

E viva a vida!

Amanhã há de ser outro dia.

Vida que segue.

 

6 thoughts on “Papa Francisco faz um libelo contra desigualdades, o grande mal do mundo

  1. Caro e prezado RK, seu Chico é o único chefe de Estado no mundo de hoje.
    Ele deve visitar a Argentina no ano que vem.
    E tão cedo o Papa Francisco não colocará de novo os pés no Brasil, que parece ter virado a sucursal do inferno.

  2. Amigo Kotscho,
    O Papa Francisco enfrenta uma verdadeira revolução no interior da igreja católica. Mesmo assim, administra com altivez o posto que o coloca como a voz mais respeitada do planeta.
    A ultradireita encastelada no Vaticano não cansa de golpeá-lo e o Sínodo da Amazônia foi a munição que precisava para disseminar fakes pelo mundo afora. Fakes estes compartilhados até por papa-hóstias encastelados no entorno da sacristia das igrejas interioranas.
    O guru ultraconservador, Olavo de Carvalho, bate pesado, enquanto indisciplinados e fanáticos católicos, como os Arautos do Evangelho, desafiam a autoridade papal.
    O Sínodo foi encerrado ontem com a preocupação manifestada pelo Papa Francisco com o Brasil, principalmente com a região da Amazônia.
    Sem ser unanimidade na sua igreja, Papa Francisco, formado pela teologia do povo, tenta a todo custo aproximar os católicos dos mais pobres e vulneráveis.
    Tarefa difícil, mas não impossível.

    Ulisses de Souza

  3. Prezado Kotscho: “Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo.” (Albert Camus). “Viva Lula, viva o papa Francisco, viva a justiça, a liberdade e a igualdade!”

  4. Papa Francisco deve cuidar-se e prevenir-se dos herdeiros do Cardeal Marcinkus,7 que utilizava o Banco do Vaticano para lavagem de dinheiro da Cosa Nostra, a máfia da Sicília, através do Instituto de Obras Religiosas. O Vaticano, não se pode esquecer, tem sua metade sombria e degenerada representada pelos discípulos do papado de Alexandre Bórgia.

  5. Aqui, o tele-evangelismo bilionário jamais investigado a fundo (não representa todos os evangélicos, claro) e o catolicismo antifrancisco (não fala em nome de todos os católicos) uniram-se para salvar a família supostamente ameaçada pelas formas modernas de vida, descritas depreciativamente através da palavra mágica “corrupção”. Tomaram o poder, nunca esqueçamos disso, juntando elogio da tortura com a demonização da autonomia da mulher (em que exatamente lhes incomodamos?), com a perseguição da homossexualidade, com o desapreço militante pelos Direitos Humanos.
    Aqui, os fanáticos prenderiam não só o Lula, mas também Obama, inventando uma prova de que ele não seria nascido no país.

  6. Aqui, o PSDB prefere adiar a terapia necessária para livrar-se da sua linguagem privada autodestrutiva (repete sem parar a obscenidade de que ele é equidistância e o equilíbrio entre dois populismos), coisa capaz de lhe ocultar danosamente os méritos em comum com PT e outros partidos de esquerda; méritos acumulados ao longo desta civilização brasileira de exportação que fez o mundo virar os olhos para o Brasil por pouco mais de vinte anos. Uma experiência civilizacional que começa na engenhosa estabilização da moeda com FHC e prossegue com as exitosas políticas ampliadas de inclusão nos governos petistas, quase sincrônicas com as bem sucedidas racionalidades setoriais tucanas nos governos estaduais, especialmente em São Paulo. Insiste o PSDB em dizer que lavou as mãos diante de dois populismos simétricos nocivos, um de direita, outro de esquerda, deixando assim que vencesse aquele ainda não experimentado e que estava fora do poder. Que coisa! Ver no lugar errado a polarização entre dois extremos é o seu cacoete incurável; grossa bobagem, a polarização existe, isto sim, entre a civilização tucano-lulista (a ser ainda resgatada em toda sua complexidade e ramificações) e a barbárie atual. Nossas divergências infra-civilização são tão sérias, claro, como aquelas entre Biden e Warren (ou mesmo Sanders), mas lá eles sabem bem quem é o inimigo da democracia.

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