Qual é a estratégia? O que o país pode fazer para sair desse buraco?

Qual é a estratégia? O que o país pode fazer para sair desse buraco?

Está todo mundo tentando descobrir qual é a estratégia do Bolsonaro, mas provavelmente ele nem sabe o que é isso.

Segundo o Dicionário Online de Português, é um substantivo feminino sobre “meios desenvolvidos para conseguir alguma coisa” ou “forma ardilosa que se utiliza quando se quer obter alguma coisa”.

Pode ser também “arte militar de planificações de guerra”, algo em que nosso capitão-presidente talvez seja especialista, nunca se sabe.

Outro dia, num quartel da Marinha, no Rio, ele falou em combater “inimigos internos e externos”, sem dizer quem são.

Das reuniões familiares de domingo aos debates sobre altos estudos estratégicos na cúpula das Forças Armadas, só há uma certeza: do jeito que está não pode continuar, com o país se desintegrando a olhos vistos.

Eu mesmo não tenho a menor ideia do que pode ser feito para estancar a sangria a curto prazo.

Renúncia ou impeachment ainda não estão na pauta, mas de uma hora para outra pode entornar a gota d´água, como estamos vendo agora na rebelião popular no Chile, que colocou os militares novamente nas ruas, pela primeira vez desde a era Pinochet e já deixou uma dezena de mortos e centenas de presos e feridos.

No Chile, o estopim foi o aumento das passagens do metrô; no Equador, na semana anterior, foi a revolta contra os aumentos dos combustíveis que obrigou o presidente Lenin Moreno a se refugiar no interior do país.

Em ambos os países, não havia sinais de que isso pudesse acontecer, e não havia nenhuma estratégia da oposição para colocar o bloco na rua. Aconteceu, simplesmente.

Foi do Chile, onde deu aulas nos tempos de Pinochet, que Paulo Guedes importou o projeto neoliberal de previdência, uma das causas da revolta popular.

Para que o mesmo não se repita aqui, poderíamos pensar numa saída pacífica para o impasse, mas o capitão quer guerra contra tudo e contra todos, como já deixou bem claro.

A estratégia para uma solução sem mortos e feridos seria uma grande aliança da oposição democrática contra o bolsonarismo, o que não está no horizonte.

Enquanto o ex-presidente Lula assume um papel de pacificador em suas ultimas entrevistas, abrindo as portas do PT para quem quiser voltar ou entrar, e acenando para alianças com as forças democráticas, Ciro Gomes só pensa em destruir o PT.

“Ataques de Ciro ao PT são uma estratégia errada”, disse Camilo Santana, governador do Ceará, em entrevista ao Estadão publicada nesta segunda-feira.

Aliado de Ciro Gomes na política local, Camilo Santana é um dos jovens governadores nordestinos, todos da oposição a Bolsonaro, que procuram se unir para a formação de uma aliança de centro-esquerda, na mesma linha do que Lula está pensando.

“Acho que nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado” diz Camilo Santana..

Esta é também a posição de Flávio Dino, do PCdoB, governador do Maranhão, e de Rui Costa, petista da Bahia, que estudam propostas para combater a desigualdade social com a retomada do crescimento da economia.

Nada disso parece preocupar o ex-capitão, já em campanha pela reeleição.

Depois de ser eleito na onda da “nova política”, ele entrou em conflito com seu próprio partido de aluguel, o PSL, e agora procura aliados na “velha política” do MDB, DEM e PSD, como a Folha relata hoje em reportagem de Talita Fernandes.

Com João Doria já em campanha pela sucessão, o PSDB procura se afastar cada vez mais do bolsonarismo e corre o risco de ficar isolado, nem governo nem oposição, no novo cenário que começa a se formar de olho nas próximas eleições.

O problema é que Doria não consegue unir nem o próprio partido, com uma ala piscando o olho para o apresentador-empresário Luciano Huck, sempre em busca de uma boa onda.

No governo e na oposição, estratégias eleitorais não faltam, mas o país continua se arrastando na depressão econômica e na balbúrdia política, sem que se veja a luz no fim do túnel.

É nesse clima que pode explodir o imponderável, como aconteceu no Chile e no Equador, para ficarmos só na vizinhança.

Vida que segue.

 

11 thoughts on “Qual é a estratégia? O que o país pode fazer para sair desse buraco?

  1. O sr. Messias já está no Japão e ficará na Ásia e Oriente Médio por umas duas semanas. Quem sabe assim, o país tem uma trégua. Os vexames internacionais já estão garantidos, não há como esperar algo diferente.
    Perguntar não ofende, não é? O Guedes já sabe o que está acontecendo no Chile? E ele sabe a razão de tudo isso?

  2. Não podemos esquecer que bolsonaro é singular e acidente de percurso, o golpe plural e planejado, Mestre.
    O ano começou com o Brasil dominado e em cartaz ‘Delenda Venezuela’, para completarem a operação de retomada da AL, via golpe jurídico-midiático, iniciada em Honduras, em 2009.
    Porém, incrivelmente e de forma inédita nessas bananeiras bandas, deram com ‘os burros n’água’, ou melhor, com ‘barris’, por resistência do que parecia por demais maduro pra resistir.
    Seguiram-se turbulências no Peru, Argentina, Equador e agora no ‘país vitrine’, o Chile, com forças de ocupação às ruas para conter o ‘inimigo interno’, o povo, que começa a despertar da anomia dos golpes de dominação, habilmente impostos via judiciário, monopólio da mídia e redes sociais, através de impeachments e eleições, movidos a fake news, desinformação, Big datas, algorítimos, etc.
    Domingo próximo será a vez dos ‘hermanos’, democraticamente, de fato e direito, iniciarem a reversão do neo-golpe na AL. Daí o estado de ebulição e nervos à flor da pele, do comando golpista e das falanges midiáticas, sabendo que a ‘Argentina hoje, é o Brasil amanhã’.
    Isso posto, sinceramente Mestre, não bastam os singulares ‘laranjas mecânicas’ caídos de paraquedas na presidência. ‘Que se vayan todos’, pois o Brasil do Patrimonialismo de Estado e Desigualdade Campeã, jamais terá futuro quanto Nação.

  3. Lamentável que Camilo Santana tenha aderido à escola militar-policialesca, que remunera oficiais da Polícia Militar com salários 50% maiores do que são pagos aos professores da rede pública de ensino municipal. Não há consenso mínimo da suposta oposição sobre a mais antiga das questiúnculas políticas: “O que fazer ?”. Carlos Melo do CEBRAP diz que a situação está como está porque o ex-presidente e o PT sentem que o cenário é favorável à sua tática eleitoral para 2020 e 2022. O mesmo, segundo Melo, valeria para o presidente da vez e seus fanáticos apoiadores. O centro foi amassado e também se dá por satisfeito em negociar no varejo pragmático o “day after”, seja qual for o vencedor da bipolaridade estabelecida em 2018.

    1. Karla, o presidente do CEBRAP é Marcos Nobre. Você o confundiu com Carlos Melo, cientista político do INSPER.
      Vi a manifestação do Nobre que, por lapso, você tomou como sendo uma das falas do Melo, que também já fez uma leitura aparentada à compreensão do Nobre.
      A minha avaliação desde 2018 coincide com a do Nobre, de que Lula e o PT estão mais preocupados em consolidar o partido e garantir o protagonismo hegemônico do lulo-petismo do que, propriamente, vencer as eleições formando uma frente capaz de elidir o anti-petismo generalizado que não desidratou.
      Até porque o pragmatismo do lulo-petismo tinha a perfeita noção da encrenca ciclópica que enfrentariam, do ponto de vista econômico-social (o espólio malévolo deixado pela dupla Dilma/Temer) e do ponto de vista institucional (os arquivos das alcaguetagens premiadas nas mãos da Lava Jato).
      Marcos Nobre tem razão em afirmar, com todas as letras, que “a situação como está”, por incrível que pareça, “é conveniente a todas as forças à direita, à esquerda e ao centro”.
      Claramente, e Nobre não disse isso, não é a situação melhor para o interesse público e a população brasileira.
      Contudo se apresenta como a mais confortável para que os partidos e seus protagonistas continuem donatários dos fundos partidários, com dinheiros suficientes para financiar suas burocracias partidárias e campanhas eleitoreiras municipais e presidencial.

  4. Pessimista: estamos dentro de um estado de exceção pós-democrático desde o golpe contra Dilma; Bolsonaro, ungido na luta contra algo difuso, a corrupção de cunho hipermoral, é a tentativa de radicalização ditatorial-dentro-da-ordem (vejam como no fim ele sai beneficiado da disputa interna do PSL). A saída é lá na frente com uma “frente”: eleições americanas e em seguida o nosso 2021 nas urnas, todo ele estruturado para antecipar uma sucessão com um governo de centro. Respirando todos por aparelhos até lá. Claro que Queiroz e o disparo “empresarial” de fake news poderiam ser a nossa Ucrânia pré-impeachment, mas depois da fragilização deliberada da parte bivariana do PSL, via investigação de timing tão oportunista como a delação do Palocci, fica difícil imaginar qualquer movimento no tabuleiro.

  5. Tudo que é extremista e fanatismo é um erro, os seguidores de Bolsonaro são na maioria evangélicos, essa foi a estratégia desse presidente, buscar o voto da maioria dos fanáticos, deus virou um viros maldito na boca desse povo, esse governo esta ridículo, derrubar a minoria não resolve nada, humilhação as classes”diferente” só mostra a ignorância de nosso excelentíssimo presidente, uma maluca fanática nos direitos humanos, vai de mal a pior, nosso lindo país esta a um passo de entrar na era das trevas, religião e política= violência. Antes de por qualquer um para governar um país, devia fazer exame de sanidade, temos um louco mal educado no governo.

  6. Embrulhando o estomago, consegui assiti 10% do roda viva de há pouco. A mulher é louca. E completa analfabeta. Nunca esteva tão fácil ganhar as eleições no próximo ano como preâmbulo para 2022.

  7. Prezado Kotscho: Concordo, plenamente, que a “estratégia para uma solução sem mortos e feridos seria uma grande aliança da oposição democrática contra o bolsonarismo” como você escreveu, mas essa grande aliança tem que começar a se materializar e o primeiro passo seria uma ação conjunta para a cassação da chapa presidencial eleita porque os desmandos durante a campanha parecem cada vez mais claros. As candidaturas laranjas, que toda hora aparecem no noticiário e que drenaram votos para a chapa presidencial, não é um dos motivos para pavimentar essa ação?

  8. Ontem à noite, ao ligar a TV, Boris Casoy estava perguntando a um general (um dos muitos) a respeito da crise em torno da liderança do PSL. O entrevistado, agradeceu a pergunta por ser oportuna (tipo bola passada na medida, combinada) e disse que, quando deputados sugeriram o nome de Eduardo Bolsonaro para a liderança do PSL o presidente bolsonaro (o pai) não concordou. Ora, eu me lembrei o áudio publicado em que o presendente da república pedia apoio para o filho assumir o cargo. Mudei de canal, o conteúdo daquela prosa não merecei crédito, não era crívil. Lula deve ser candidato à prefeitura de Sãp Paulo para derrotar aquela deputada entrevistada no roda viva de ontem. Servirá como aquecimento para 2022.

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