Outro “herói nacional” caído, Janot amarga solidão ao lançar livro

Outro “herói nacional” caído, Janot amarga solidão ao lançar livro

Sergio Moro, Deltan Dallagnol e, agora, Rodrigo Janot: um a um vão caindo os “heróis nacionais” fabricados pela Operação Lava Jato.

Sentado ao centro de uma imensa mesa nos fundos da Livraria da Vila, nos Jardins, em São Paulo, com a caneta na mão para dar autógrafos, o ex-procurador geral da República Rodrigo Janot olha fixamente para ninguém à sua frente.

A seu lado, nenhum parente, amigo, colega de trabalho ou fã _  é comovente a solidão do autor do livro “Nada Menos que Tudo”.

Na icônica foto de Marcelo Chello vê-se apenas três funcionários da editora Planeta pensando na fria em que entraram.

Nunca se viu uma noite de autógrafos tão desanimada. Parecia mais um velório do que uma festa de lançamento.

Marcada para as 19 horas, a sessão começou com 20 minutos de atraso, esperando a chegada do autor, que apareceu acompanhado de seguranças.

“Às 19h43, já não havia mais ninguém na fila. Depois, alguns leitores foram chegando a conta-gotas”, relata Walter Nunes, na Folha.

Janot chegou mudo e saiu calado, sem querer explicar como tentou matar Gilmar Mendes em Brasília num dia em que estava no Recife.

Havia lá mais repórteres do que compradores do livro à sua espera, mas saíram todos frustrados. Nenhuma autoridade compareceu.

“Hoje é só palavra escrita”, foi a única coisa que Janot disse, e passou o resto do tempo de cara amarrada.

Dos 550 exemplares do livro colocados à venda, só foram comprados 43, um fracasso total para qualquer escritor principiante.

Uns dez anos atrás, lancei naquela mesma livraria um dos meus livros de crônicas _ “Uma Vida Nova e Feliz… sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá, sem secretária e sem sair do Brasil” (Ediouro)_ num sábado de manhã, e fiquei horas fazendo dedicatórias, até que bateu a fome, quando ainda tinha gente na fila e eu fui comer com os amigos.

Nem faz tanto tempo, o poderoso ex-procurador geral aparecia em frente ao STF segurando uma faixa em que se lia “Janot – A esperança do Brasil” levada por seus admiradores.

Era o auge da cruzada contra a corrupção da Operação Lava Jato, comandada por Moro & Dallagnol, com a cumplicidade de Janot e dos tribunais superiores.

Daqueles tempos de glória só restou esse livro que deveria ser de memórias, mas virou de ficção, ao ser desmascarada a principal revelação feita por Janot no depoimento romanceado que deu aos repórteres Guilherme Evelin e Jailton Carvalho.

“Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha”, escreveu Janot.

No livro, ele não dá o nome da autoridade, mas em várias entrevistas na semana passada para promover o lançamento do livro ele falou que era o ministro Gilmar Mendes, do STF.

Sabe-se agora que tudo não passou de um delírio de Janot pois ele nem estava no STF no dia do suposto quase atentado.

Por uma dessas ironias da vida, na mesma noite de segunda-feira, Gilmar Mendes, o anti-herói da história, estava no programa Roda Viva, da TV Cultura, desancando a Lava Jato e a imprensa que se prestou a servir de porta-voz dos vazamentos criminosos de Rodrigo Janot e dos procuradores de Curitiba.

Com a loquacidade pernóstica do personagem Rolando Lero da Escolinha do Professor Raimundo, Gilmar dominou o palco por 90 minutos, sem dizer nada de novo e tripudiando sobre os heróis caídos.

A Justiça tarda, mas não falha, costumam dizer os otimistas, mas não precisava demorar tanto.

Aguarda-se agora o lançamento das memórias de Moro & Dallagnol. Alguma editora se habilita?

Vida que segue.

 

27 thoughts on “Outro “herói nacional” caído, Janot amarga solidão ao lançar livro

  1. Eu não sabia se soubesse teria lhe ofertado um broche do Pt para ele não esquecer q a Dilma respeitou a lista tríplice,e deu continuidade ao seu trabalho na pgr e ele se aproveitou da situação para se promover e afundar o Brasil,for dando risada

  2. O Ministério Público como um todo, sobretudo após a nomeação de Aras e as bravatas do Janot, mais as desvelações do The Intercept Brasil, tudo junto e misturado, simplesmente foi retirado da ribalta e atirado à berlinda, diria o Conselheiro Acácio coadjuvado pelo Rolando Tucano Lero mais ensaboado do Brasil.
    Os jornalistas foram deixados falando sozinhos, no Roda Viva, porque o ministro dispensou-lhes sopapos enluvados, embora fizessem caras e bocas, como se supostamente fossem praticantes do jornalismo livre e independente no Brasil.
    Moraes Moreira, um dos novos velhos baianos, diria: “Lá vem o Brasil (e seu Judiciário) descendo a ladeira”.

  3. “Sergio Moro, Deltan Dallagnol e, agora, Rodrigo Janot: um a um vão caindo os “heróis nacionais” fabricados pela Operação Lava Jato.”

    Mestre, fico triste por ele ao olhar à gritante cruel foto e ao alterna-la com a imagem da charge em que o capitão pisoteia às costas de moro estendido no chão pela Vaza Jato, pergunto: Quem é prisioneiro, Lula cada vez maior e difícil de conter-se em Curitiba ou os livres e datados heróis lavajateiros, caídos a apodrecer em vida?

    Lembro da carta de Aragão a janot em 14/09/16 (https://revistaforum.com.br/noticias/aragao-desmonta-janot-em-carta-aberta/), releio e incrível, está tudo lá.
    Faltam, barroso, fux, fachim, a globomarinho.., e conforme Greenwald, hoje, não falta muito.
    E pra Argentina começar o BASTA no Ciclo Farsesco Jjurídico-Midiático na AL, iniciado há 10 anos em Honduras, apenas 19 dias, talkei?

  4. As palavras são suas:
    “Nem faz tanto tempo, o poderoso ex-procurador geral aparecia em frente ao STF segurando uma faixa em que se lia “Janot – A esperança do Brasil” levada por seus admiradores.”
    Pois é, Ricardo Kotscho. O Brasil, especialmente a direita burra, branca e que se intitula “de bem” está se especializando em construir seus deuses de barro, cuja existência é a de um vaso de barro ruim.
    Esses mesmos idiotas que carregavam a faixa em favor do Janot, também colocaram seus broches com o número 45 (viúvas do Aécio), também já fizeram faixas com “todo mundo com cunha” e mais recentemente, com a foto do Bozo (essa, sem dúvida, fim de carreira).
    E já tem gente querendo colocar o broche do Luciano Huck. Ou seja, esse povo gado, gosta mesmo de ser enganado (ou simplificando: ser corno mesmo).
    CORNOS E MANSOS!

  5. Kotscho, ri demais de suas observações sobre estes santos dos pés-de-barro. Você é infernal, quando quer e a situação merece. Raramente comento aqui, prefiro ler e divulgar pois nada teria a dizer. Gosto de seu texto, redondo, com as marcas da boêmia e da bondade.

    Abração.

  6. Prezado Kotscho: Se a “Justiça tarda, mas não falha”, uma vez comprovado o rolo do laranjal do ministro do Turismo e o suco dessa picaretagem chegar ao Mito no Palácio do Planalto, que se elegeu junto com a grana toda envolvida, isso não é crime eleitoral que pode levar à cassação da chapa presidencial?

  7. O contraditório é um principio basilar do jornalismo. Como aqui não foi possivel ouvir o outro lado e até para que se faça justiça ao ex-PGR, entendo que o Blog deveria responder duas questões que aqui foi omitida:
    1 – Quem foi que nomeou Janot à PGR?
    2 – Porque ele foi reconduzido e por quem?
    3 – JANOT só passou a ser um pessimo profissional agora ou já o era quando foi nomeado desde a primeira vez?
    São informações importantes para que os leitores possam fazer um melhor juizo do assunto aqui debatido.

    1. O outro lado não foi ouvido? Esteve sentadinho por anos naquela cadeira. Desnudou-se, mostrou tudo, e, a que veio. Com augusto respeito.

  8. Mais uma vez escrevo boas notícias. A queda dos preços produziu deflação de 0,04%. Marca histórica de apenas 1998. Aos poucos vamos reconstruindo a terra arrasada deixada pelos governos anteriores. Habemus censura? Vida que segue

    1. Injeção psicológica para desalentados e famintos. Habemos números falsos. Acreditas em números do Boçalnaro? Hum, tente a mega. Haja, mundão afora, terráqueo- terraplanista, filhotinhos da TV G. E a novelinha, benhê? (fim de papinho)

      1. A velha história do copo meio cheio ou meio vazio. Para esquerda nestes tempos sem participação dos nossos impostos estará sempre vazio. A esquerda gosta tanto do nosso dinheiro que está fazendo de tudo para vetar as carteiras de estudantes de graça. Imagina perder mais essa boquinha. Vida que segue

  9. Nem sei porque…mas, lendo este seu texto, me lembrei do seguinte:
    Minha avó criava galinhas, com dias de antecedência a gente sabia qual delas ia ser morta, no domingo. Ela começava, desde a segunda-feira, a lhe tratar muito bem, dava-lhe a maior porção do milho, punha no colo e alisava suas penas, lembro-me que houve uma, que ela matou com tanto ódio, que desde a quinta feira lhe dava um beijo na sua cabecinha.

  10. A culpa é da imprensa!
    Aha, uhu, te peguei.
    A culpa é da imprensa.
    Sem exclamação, tá?
    Muita gente já mudou o viés.
    Mudo, igualmente.
    A culpa é de parte da imprensa!
    Te peguei.
    Tá louco pra replicar?
    Tu és de Direita, pois não?
    O quê?
    Replique, espaço Balaio palavra escrita:
    Como parte da imprensa engoliu… por anos… a excrescência da “lavajato”?
    Discordo do Kotscho: Janot, não chegou mudo.
    Chegou morto, saiu em adiantada putrefação mental.
    Pensando bem, saiu calado, nenão?

  11. A bem da verdade factual, ao que tudo indica o livro tem vendido tudo nas livrarias.
    Procurei fazer um teste. Perguntei hoje se havia algum livro do Janot. A resposta foi de que as duas dezenas que chegaram à livraria ontem já haviam sido vendidas. A Planeta talvez não tenha feito um negócio tão mal assim.
    Já o escritor, sem carteira da OAB, talvez sim.
    A conferir o balanço de lucros e perdas.

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