O que será do Brasil? Já é hora de começar a pensar no pós-Bolsonaro

O que será do Brasil? Já é hora de começar a pensar no pós-Bolsonaro

Mais dia, menos dia, esse desgoverno assassino acaba.

E depois? O que será do Brasil?

Quase todo mundo já percebeu que o governo já não reúne a menor condição política, econômica, social, moral e mental de conduzir o país até 2022.

Está na hora de começarmos a pensar em como organizar o país sobre os escombros do período Bolsonaro.

Muita gente já está fazendo isso nos diferentes movimentos sociais da sociedade civil, que volta a se mobilizar em defesa da democracia.

Por enquanto, as pessoas ainda estão promovendo atos e reuniões em ambientes fechados, com quase nenhuma visibilidade na mídia, mas a resistência ao arbítrio existe e começa a ganhar forma sob o comando de entidades como a OAB, a CNBB, a UNE e a ABI, com a participação de trabalhadores, estudantes, acadêmicos, juristas, jornalistas, defensores dos direitos humanos.

Bastaram menos de nove meses para o capitão expulso do Exército colocar em prática o que havia prometido: destruir os alicerces democráticos do país para “combater o comunismo” e depois começar tudo de novo.

Ninguém mais tem o direito de ficar indiferente a tragédias como o assassinato da menina Ágatha, de 8 anos, durante mais uma operação policial no Rio contra a população pobre das comunidades, cujas vidas estão ameaçadas pela insanidade do governador Wilson Witzel, sob a complacência do presidente Jair Bolsonaro e do seu ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Não satisfeitos com a violência oficializada, que mata civis e policiais militares como num estande de tiro ao alvo, o trio da necro-política queria aprovar um pacote anticrime criminoso para liberar de vez a matança.

Com a Amazônia ainda ardendo em chamas e a morte de Ágatha chocando o mundo civilizado, o governo brasileiro inicia hoje uma campanha publicitária no exterior para “limpar a imagem” do país, ao custo de R$ 40 milhões, no momento em que Bolsonaro desembarca em Nova York para a Assembléia Geral das Nações Unidas.

Pouco importa o que ele vá dizer. Ninguém lá fora acredita mais no que ele fala. Poderia ter economizado o dinheiro da viagem.

Representações diplomáticas do país no exterior têm sido atacadas em protestos contra o governo, que se tornou uma ameaça a toda a a humanidade (ver matéria de Jamil Chade no UOL).

Grandes empresas da Europa estão deixando de comprar produtos brasileiros, turistas fogem do Brasil como dos países em guerra, e não se vê uma única iniciativa do Congresso e do Supremo para dar um basta à escalada de agressões e ameaças contra a população indefesa e o Estado Democrático der Direito.

Diante do desastre anunciado, os generais se recolheram à sua insignificância porque o capitão não ouve mais ninguém, na sua alucinada guerra contra o mundo.

Sem dinheiro para nada, Bolsonaro abre os cofres para fazer mais agrados aos militares, como aconteceu ainda na semana passada, em que aumentou a despesa com as Forças Armadas para o próximo ano em R$ 4,8 bilhões, com novos penduricalhos para os fardados.

Com os partidos destroçados pela onda bolsonarista e suas milícias digitais, só resta à população se reorganizar pela base até chegar o momento de voltar às ruas num grande movimento de salvação nacional.

É essa a tarefa que nos cabe agora, antes que seja tarde demais.

Se cada um cuidar só do seu quadrado na tentativa de sobreviver, em breve não teremos mais país para defender.

O sorriso da garota Ágatha ficará marcado em mim para sempre como símbolo de um país que chegou ao ponto mais vergonhoso de degradação humana.

O desespero da mãe dela na hora do enterro, agarrada à boneca da filha, na foto da primeira página da Folha desta segunda-feira, me lembrou a imagem célebre daquele chinês que se colocou diante dos tanques do exército como último recurso para defender sua dignidade.

Não basta chorar, se indignar, xingar os carrascos, protestar nas redes sociais.

É hora de nos unirmos novamente, como fizemos em outros momentos dramáticos da vida nacional, em que nossa sobrevivência como nação independente esteve ameaçada pela tirania.

Tarda, mas ainda é tempo.

Vida que segue.

 

13 thoughts on “O que será do Brasil? Já é hora de começar a pensar no pós-Bolsonaro

  1. Pior que a tirania imposta por tanques e fuzis, só mesmo a tirania eleita nas urnas por um bando de delinquentes. tais delinquentes são co-responsáveis pelo tempos sombrios em que vivemos e tragédias como a ocorrida com menina Ágatha, negra e pobre. Que essas tragédias sejam creditadas, também, a esses boçais.

  2. Vc tem toda razão, nunca é tarde para um basta, pior que esse desgoverno acha que vivemos num berço esplêndido, nada acontecendo, perdas e perdas em todos os setores, saúde, educação, ambiente, retrocesso total. Eu já sabia.

  3. Vc tem toda razão, nunca é tarde para um basta, pior que esse desgoverno acha que vivemos num berço esplêndido, nada acontecendo, perdas e perdas em todos os setores, saúde, educação, ambiente, retrocesso total.

  4. Se a esquerda não organizar um movimento forte e classista, ligado á luta dos trabalhadores e dos precarizados, contra a direita fascista tupiniquim, vai ficar eternamente e ver navios…

  5. Brasília, 14hs45, aleluia, alegria incontida.
    O presidente está nos States.
    Ao saber da volta, acabei no leito de hospital.
    Minha esposa ouviu do médico: “Vai ficar em observação”.
    Ela chorou e eu ri.
    Justifiquei: “Pior a observação que a ONU fará do nosso louco presidente”.
    O médico descansou o estetoscópio, olhou para a enfermeira e piscando pra minha esposa, não se conteve: “Este louco está de alta”!
    Em casa, ao ler o Balaio, choramos com a desventura da família da inocente Ágatha.
    (fato real).

  6. “É hora de nos unirmos novamente, como fizemos em outros momentos dramáticos da vida nacional, em que nossa sobrevivência como nação independente esteve ameaçada pela tirania.”…DISSE TUDO

  7. Não raro com excelentes argumentos, muita gente fala da necessidade do novo: na política, na organização da sociedade, na reestruturação de um judiciário não persecutório, obediente à Constituição. Sem os mesmos recursos, penso muito diferente, pois a solução está para mim no passado: simplesmente, éramos muito melhores. Nostalgia fora de hora?
    Não precisávamos dessa coisa toda: ainda que nada fosse feito sem os recursos da política tradicional, a resultante vetorial chamada Brasil era infinitamente superior a este arremedo atual que nos envergonha todos os dias no país e no mundo. A mescla de racionalidades setoriais bem sucedidas nas administrações pessedebistas, municipais e estaduais, com o êxito das políticas públicas petistas de inclusão social, a combinação da engenhosa estabilização tucana da moeda com o compromisso democrático lulista, institucionalmente firmado nos marcos da iniciativa privada, formava um país civilizado, objeto de admiração em todo planeta. A PF e o MP, com menos recursos que os países ricos, estavam entre as melhores instituições deste porte no planeta. As Forças Armada granjearam inequívoco respeito e reconhecimento internacional, ao aliar a defesa da Constituição com a participação competente em missões internacionais de paz e atividades correlatas de coordenação cooperativa de processos de transição em lugares conflagrados.
    O que se passou conosco? Um surto de suspeito sentimento de superioridade moral, uma histeria purificadora diante de inimigos imaginários, fez com jogássemos tudo pela janela, como aqueles incendiários amalucados nas hiperconservadoras jornadas de 2013.
    Que coisa! Passou então a ser mais importante celebrar a ditadura do que a modernidade militar conquistada de forma cosmopolita com grande mérito; a opção por Bolsonaro é a linha Maginot dos estrategistas de plantão. Sorte não estarmos em guerra! Aliás, este governo está em guerra contra inimigos imaginários, o comunismo internacional em todo lugar. Não são mais os comunistas comedores de criancinhas, mas as perigosas crianças comunistas com mamadeiras de piroca em escolas com partidos.
    Então passou a importar mais um common law desvirtuado ao extremo, a fusão anticonstitucional, uma inovação brasileira para as ditaduras do mundo, entre o juiz-de-acusação e e procurador desajuizado, que inventa provas, se mete em esculturas autocelebratórias, empresas de autopromoção, palestras rentáveis e assuntos indevidos do país vizinho, de fato uma ditadura.
    Onde estamos? Muito aquém do que já fomos. Nós tínhamos um país. Qual mesmo o motivo de jogá-lo pela janela? A corrupção? As imagens do caos na greve dos caminhoneiros? Conta outra!
    A chance de um tempo pós-bolsonaro é o resgate da civilização EM COMUM que tinham PT e PSDB (mostrando que era muito melhor na sua amarração), apesar da burrada monumental deste último partido, co-autor de uma narrativa desqualificadora ao extremo do seu adversário, coisa que acabou por engolí-lo. Uma frente começa pelo revigoramento do êxito apagado do passado compartilhado recente, com um anti-protagonismo eleitoral das esquerdas, ainda a parte mais lúcida e sensata da nação.

  8. Nelson Rodrigues tem uma frase que traduz a natureza do “Brasil de Cima” representado por uma classe dominante ignorante, cruel e corrupta, cujo DNA pode ser verificado no século XVII, segundo o primeiro livro registrado sobre a história do Brasil, da lavra do Frei Vicente do Salvador intitulado “História do Brazil”, com “z”, mesmo.
    A mostra da percepção do historiador franciscano resume-se em uma frase emblemática: “Nenhum homem nesta terra é repúblico, nem zela, ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular”.
    Nelson Rodrigues identificou o mal enraizado no diálogo clássico de “Bonitinha mas Ordinária”.
    A tirada é genial: “Mas hoje em dia: Escuta. No Brasil, quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte. Não há ninguém que trepe na mesa e diga: “Eu sou canalha!” Pois bem, eu digo!, “Eu sou um canalha!”.
    A visão de Nelson refere-se à classe dominante.
    Uma definição definitiva e atualíssima.

  9. Prezado Kotscho: Também acho que “só resta à população se reorganizar pela base até chegar o momento de voltar às ruas num grande movimento de salvação nacional.” E esse movimento não pode ficar esperando 2022 chegar. Tem que começar agora com seus objetivos ampliados para as eleições do calendário de 2020 que se referem somente aos vereadores e prefeitos. Entendo que entre seus objetivos devem estar primeiro o impeachment do Governo Bolsonaro (impeachment do governo pessoa física) e Diretas Já para 2020, lastreada numa reforma política, com eleição geral em todos os níveis para o ano que vem e mandatos de cinco anos sem reeleição. A grande massa de brasileiros não suporta esperar até 2022. A entrevista de ontem no programa Roda Viva, 23/09/2019, do governador do Maranhão Flávio Dino, foi um sopro de esperança no sentido de acreditarmos num grande movimento de salvação nacional pela via democrática.

  10. Bom dia, Kotscho, como você está repetindo a notícia vou repetir minha previsão sobre os movimentos que se autointitulam representantes da “sociedade civil” e “por enquanto” ainda estão falando entre si.

    O “por enquanto” se estenderá indefinidamente porque eles sabem que, caso convoquem a população para alguma coisa, serão ignorados e deixarão claro que representam apenas uma pequena minoria que teve seus interesses frustrados na última eleição.

    Quanto ao Bolsonaro, não se preocupe, se ele não sair em 2022 sai em 2026.

  11. Prezado Kotscho: Também acho que “só resta à população se reorganizar pela base até chegar o momento de voltar às ruas num grande movimento de salvação nacional.” E esse movimento não pode ficar esperando 2022 chegar. Tem que começar agora com seus objetivos ampliados para as eleições do calendário de 2020 que se referem somente aos vereadores e prefeitos. Entendo que entre seus objetivos devem estar primeiro o impeachment do Governo Bolsonaro (impeachment do governo pessoa jurídica) e Diretas Já para 2020, lastreada numa reforma política, com eleição geral em todos os níveis para o ano que vem e mandatos de cinco anos sem reeleição. A grande massa de brasileiros não suporta esperar até 2022. A entrevista no programa Roda Viva no dia 23/09/2019, do governador do Maranhão Flávio Dino, foi um sopro de esperança no sentido de acreditarmos num grande movimento de salvação nacional pela via democrática

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