Brasil pegando fogo: 72.843 focos de incêndio no governo do “Capitão Motoserra”

Brasil pegando fogo: 72.843 focos de incêndio no governo do “Capitão Motoserra”

Vamos parar com essa conversa mole de que os incêndios na floresta são provocados por bitucas de cigarro jogadas na beira da estrada, por algum descuido ou acidente.

Nada disso: trata-se apenas do cumprimento de mais uma promessa de campanha do “Capitão Motoserra” (assim ele se autodenominou), transformada em projeto de governo, como escreveu hoje Gregorio Duvivier em sua coluna na Folha (“Queimar era um prazer”).

Resultado: já foram contabilizados 72.843 focos de incêndio nos oito meses de governo Bolsonaro.

O Brasil está pegando fogo, com a Amazônia queimando para transformar a maior floresta do mundo em pasto do agronegócio bolsonariano.

Este é o maior crime praticado não só contra o país, mas contra a civilização _ e as “instituições que estão funcionando” nada fazem para impedir o avanço da barbárie planejada.

Durante toda a campanha, ele prometeu que iria liberar seus seguidores fanáticos para atirar, matar, tacar fogo nas matas e nas aldeias.

Bolsonaro declarou guerra aos índios, aos quilombolas, aos sem-terra, à flora e à fauna.

Faz meses que a onda de queimadas começou em áreas protegidas, mas só nesta quarta-feira ele deixou de falar do filho embaixador para tratar do assunto.

Como era de se esperar, já encontrou um inimigo para culpar, com a leviandade de sempre, sem apresentar nenhuma prova:

“O crime existe. Isso temos que fazer o possível para que não aumente, mas nós tiramos dinheiro das ONGs. Não tem mais. De modo que esse pessoal está sentindo falta do dinheiro Então pode, não estou afirmando, ter ação criminosa desses ongueiros para chamar atenção contra minha pessoa, contra o governo do Brasil”.

A agência Reuters já transmitiu esta barbaridade para a imprensa mundial, colocando o Brasil mais uma vez em destaque no noticiário como um país governado por um assassino cada vez mais ensandecido.

Pior que ele é seu ministro do Meio Ambiente, o inacreditável Ricardo Salles, que nega a realidade das queimadas e atribui tudo a “sensacionalismo” da imprensa e dos inimigos do Brasil.

Em sua fala rude e grosseira, o presidente não foi capaz de citar o nome de nenhuma ONG, muito menos disse quais providências seu governo está tomando para combater os incêndios que se alastram por toda parte e cujos efeitos já foram sentidos até em São Paulo.

Não por acaso, as maiores vítimas são as aldeias indígenas, como mostra a reportagem “Onda de queimadas já atinge 68 áreas protegidas só nesta semana”, publicada na Folha.

“Em Mato Grosso, o Parque Nacional Chapada dos Guimarães perdeu 12% de sua vegetação e a Terra indígena Parque do Araguaia (TO), localizada na Ilha do Bananal, teve 1.127 focos registradois desde o ano passado”.

No Mato Grosso do Sul, o fogo chegou à Terra Indígena Kadiweu e, em Rondônia, foi atingida a Reserva Extrativista Jaci-Paraná.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) relata que os dez municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndios têm também as maiores taxas de desmatamento.

Em Porto Velho, capital de Rondonia, a fumaça das queimadas já provocou desvios de avião, triplicou os atendimentos na saúde e coloca em perigo o trafego de veículos na BR-364.

Até a última segunda-feira, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 5.533 pontos de queimada no estado, um aumento de 190% em relação ao mesmo período de 2018.

“É uma hecatombe ecológica que vai atingir o mundo inteiro”, alerta o médico neurocientista Miguel Nicolelis, um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos mundialmente, com quem falei esta manhã.

Nicolelis escreveu um longo relatório em inglês sobre o que está acontecendo na Amazônia, que enviou para seus colegas no exterior.

Com o país acoelhado, sem reagir à destruição de um patrimônio ambiental da humanidade, vários países europeus já estudam aplicar sanções econômicas ao Brasil.

Já é o caso de uma intervenção do Conselho de Segurança da ONU, pois o que está acontecendo aqui, com a guerra deflagrada contra o meio ambiente pelo governo brasileiro, afeta todos os países do mundo.

A mídia e os governos dos países civilizados parecem mais preocupados com a destruição da Amazônia do que nós.

Enquanto isso, o fogo avança por toda parte, como informa nota do ICMBio (Instituto Chico Mendes), que registrou a destruição de 32,5 mil hectares no Parque Nacional de Ilha Grande, no Paraná, o equivalente a 206 parques do Ibirapuera.

Isso deveria estar diariamente nas manchetes de toda a imprensa brasileira, mas aqui ficamos discutindo se o filho 03 do “Capitão Motoserra” vai ou não ser o embaixador brasileiro nos Estados Unidos.

Estamos brincando com fogo, literalmente, nas mãos de um celerado ex-capitão, que até hoje procura comunistas debaixo da cama, e do silêncio obsequioso das Forças Armadas, que deveriam defender a nossa soberania, mas a tudo assistem passivamente.

S.O.S. Brasil!

E vida que segue, por enquanto.

 

9 thoughts on “Brasil pegando fogo: 72.843 focos de incêndio no governo do “Capitão Motoserra”

  1. A informação do artigo está desatualizada. Hoje, como pode ser conferido no link abaixo, que concentra os dados mensais dos últimos 21 anos, o total de focos de incêndio em 2019 já subiu para 74.155.

    Mas observe que este número está longe de ser um recorde. A nossa pior sequência foi entre os anos de 2002 e 2010. E o “campeão” é o ano de 2007, com um total de 393.915 focos.

    http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal/estatistica_paises

    1. Ernesto, leia o que a BBC publicou ontem sobre as taxas de desmatamento do Brasil em 2014.
      Outra coisa: nós ainda estamos em agosto. O ano de 2019, infelizmente ainda não acabou. E a temporada de queimadas está apenas começando.

      1. Kotscho, os dados da BBC para 2014, quaisquer que sejam, não alteram o fato de que o estardalhaço que se está fazendo tem motivação política, não ambiental. Os números falam por si e a diferença é absurda: são cerca de 74 mil focos em oito meses no ano de 2019 contra, proporcionalmente, cerca de 262 mil no ano de 2007 no mesmo período. É uma relação de 1 para 3,5. Aí vêm duas perguntas:
        1) Se o Brasil está ‘pegando fogo’ hoje, como estaria em 2007, com mais do que o triplo de focos de incêndio?
        2) Feita a consideração para a resposta à primeira pergunta, faltaria responder por que não houve essa gritaria toda em 2007. Quem mesmo era o presidente?

      2. Claro que o total do ano será maior e, ao menos teoricamente, tudo pode acontecer nos próximos meses.

        Mas a vantagem dessa tabela é mostrar a situação de cada um dos 21 anos, mês a mês. Por esse critério, pegando até julho (porque agosto ainda não acabou), 2019 continua longe de bater qualquer recorde.

  2. O país onde o “Botafogo” é tomado como símbolo da articulação política e fiador das reformas redentoristas harmoniza integralmente com o “botar fogo” ambiental, p “botar fogo” penitenciário e o “passar a faca” nas empresas estatais nas dependências do Posto Ipiranga que continua a obrar e empestar a economia brasileira com sua política enfezada represada.
    O Brasil contempla diariamente o dantesco espetáculo da Era Beócia.

  3. O presidente-banana incentiva a devastação e culpa as ONGs. É um mitômano. Mente desbragadamente o tempo todo. Ao ser apertado, cai em contradição ou encerra a conversa. “Aqui quem manda sou EE.UU”. Quá-quá-quá. Mais ridículo, impossível. E onde estão os militares nacionalistas? Sumiram. Os entreguistas já sabemos onde estão e quem são. Devem ter seguido o exemplo do gen. Kruel, cmte. do II Exército em 1964, que traiu João Goulart por meia dúzia de malas recheadas de dólares de um banco usamericano, levadas até ele pelo então presidente da FIESP, cujo nome, felizmente não lembro.
    E o clube militar? Fechou por falta de pagamento da conta de luz? No governo Lula/Dilma, seus generais-pijamas, por qq. coisa, vinham com quatro pedras nas mãos (!??), furibundos e coléricos. Agora não dão um pio diante da desgraceira diante de suas fuças provocada por um capitão psicopata. Continuem procurando comunistas debaixo de suas camas. Um dia, darão de cara com o Ricardão, peladão, com aquilo duro. Imaginemos a cena.

  4. A fala desse idiota hj dizendo que esses incêndios são provocados por pessoas que deixaram de receber dinheiro das ONGs é de quem não quer assumir responsabilidades, o pior sem prova, ele se supera todos os dias, um absurdo.

  5. Prezado Kotscho: É verdade que “Durante toda a campanha, ele prometeu que iria liberar seus seguidores fanáticos para atirar, matar, tacar fogo nas matas e nas aldeias.” Ele agora só está executando a promessa. Por isso, Impeachment Já! Fora Bolsonaro!

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