Brasil em transe: a ditadura do Judiciário de Moro e da Lava Jato

Brasil em transe: a ditadura do Judiciário de Moro e da Lava Jato

“A pior ditadura é a ditadura do Judiciário. Contra ela não há a quem recorrer” (Rui Barbosa). 

***

Desde a volta do ministro e ex-juiz Sergio Moro dos Estados Unidos, em mais uma missão secreta, os fatos da semana estão de desenrolando com tal velocidade que nem dá tempo de escrever a coluna do Balaio.

Ainda não dá para fazer um balanço da sucessão de atentados ao Estado de Direito e à democracia praticados por quem deveria zelar pela Constituição.

Por isso, tenho publicado mais textos curtos no meu Facebook.

Só na manhã desta sexta-feira, ao acompanhar o noticiário do dia, escrevi o seguinte:

  • Polícia Federal de Moro investiga Moro que tem pressa para destruir tudo (sobre as provas do material recolhido com os tais hackers de Araraquara envolvendo mais de mil autoridades, entre elas o ex-juiz).
  • Presidente da OAB diz que Moro “banca o chefe de quadrilha” (Felipe Santa Cruz, novo presidente da OAB, faz o mais violento ataque a Moro em entrevista a Mônica Bergamo, na Folha UOL).
  • Moro publica portaria para permitir deportação do editor do The Intercept (pelo andar da carruagem, o próximo passo deve ser a decretação do estado de sítio e a prisão de jornalistas nativos não alinhados ao governo).
  • “Isso é terrorismo”, reagiu Glenn Greenwald à ofensiva de Moro ( o editor da Vaza Jato denunciou ao mundo o cerco que está sofrendo no Brasil depois de denunciar o conluio do ex-juiz com os procuradores federais para prender Lula e eleger Bolsonaro).

Diante disso, já é aceito como absolutamente normal a última revelação feita pelo Intercept na Folha: “Deltan foi pago por palestra a empresa citada na Lava Jato”.

Além da palestra, o procurador bom de negócios também fez propaganda para a empresa Newsway, para mostrar “como a tecnologia é importante no combate à corrupção”.

Por mera coincidência, a empresa foi blindada na Lava Jato.

Não é uma gracinha?, como diria a Hebe Camargo.

Até esqueci de citar uma frase reveladora do ministro José Otávio de Noronha, presidente do STJ, sobre o material encontrado com hackers:

“As mensagens serão destruídas, não tem outra saída. Foi isso que me disse o ministro Moro”.

Não tem saída para quem? E pensar que Rui Barbosa falou sobre a ditadura do Judiciário muitos séculos antes de existir a Lava Jato de Sergio Moro, o condestável do bolsonarismo em marcha.

Escrevi com pressa porque hoje é sexta-feira, dia de almoçar com os amigos.

Ninguém é de ferro. Bom fim de semana a todos .

Vida que segue.

 

22 thoughts on “Brasil em transe: a ditadura do Judiciário de Moro e da Lava Jato

  1. Um texto feito com pressa que nos deixa a par de toda a lambança da corja instalada no comando do país, tudo dominado, cada dia um flash.

  2. Ironia das ironias: Deltan fez palestra remunerada, que não casa bem com sua função de investigador, ainda mais quando a empresa que pagou o cache, foi citada como pagadora de propinas…. e quem recebeu as propinas para que empresa vendesse produtos para a Petrobras?
    Bingo… 2 deputados do PT – Candido Vacarezza e Vander Loubet.
    O cachê do Deltan foi troco perto das poupudas remunerações à dupla de PTistas , que junto com sua quadrilha, comandavam os saques aos cofres da Petrobras….. e aqui solenemente ignorada na noticia.
    Como eu sempre digo: Nesta zona não tem virgem meus caros

    1. E a palestra “clandestina” na XP Investimento, dada por Dalagnol com o sugestivo título de “Lava Jato e eleições”? Patrocinada por grandes bancos? O PT também está envolvido?
      Isso é crime. CRIME.

  3. O petista que preside a OAB chama o Moro de chefe de quadrilha em entrevista à petista da Folha, que acha isso normal. O jornal escandaliza a palestra do Dallagnol como se, por causa dela, ele não tivesse se declarado suspeito para investigar a empresa. E hoje mandou fazer uma perícia de um áudio cedido pelo falso prêmio Pulitzer.

    Aposto que o áudio é verdadeiro e a conclusão da Folha seguirá a lógica de jumento já aplicada às mensagens enviadas para seus jornalistas: se algumas mensagens são verdadeiras, isso prova que todas as 900 mil o são.

    Só falta agora levar a sério o pedido de prisão do Moro feito pelo PT. Não é por acaso que a credibilidade da “Foice” desce a ladeira cada vez mais velozmente.

    1. Agora acharam um ‘falso’ premio Pulitzer, a Folha virou petista e o especulador-em-funçao-pública dalagnol se declarou suspeito para investigar alguma coisa.
      ‘Suspeito’ é bondade, auto bondade dele…
      Quanto a ‘levar a serio’ alguma coisa do regime
      miliciano.americano que nos oprime, os historiadores e alunos de Historia hoje sao mais rápidos e ate ernesto (que começa a admitir a fraude Moro) vai se calar.
      Faz mes e meio que, se as instituções sérias fossem, o dalagno estaria pendurado numa corda em Ouro Preto e seus pedaços sangrentos jogados nas ruas de Curitiba.

  4. O STF está omisso.
    A Corte está… nenhum Ministro o é.
    Quem mais entende de tipificação de crime?
    Isso é cruel.
    A suprema Corte sabe disso.
    Estamos escrevendo a História do povo brasileiro.
    Juiz que vira parte do processo e exara sentença. Precisa dizer mais?
    Vivemos a ditadura do Judiciário?
    O rei está nu.
    Só o bobo da Corte própria… não vê.
    Senhores brasileiros, de onde virá o grito:
    “O REI ESTÁ NU”! O rei está nu! O rei…

  5. O jornalista Glenn merece crédito. Estou com ele, Moro é terrorista.
    A que interessa essa destruição de provas, se não ao juizeco de Coritiba, que envergonhada, mudou de nome.
    Cu ri ti ba, não dá mais. Parabéns à OAB.
    O Brasil tem jeito.
    Loucos eleitores, aventura vergonhosa essa maluquice com boçalnaro.
    Ate parece que a Pátria não é deles. Deles é o presidente melancia.

  6. “O procurador da República Deltan Dallagnol reconheceu nesta sexta-feira (26) que parte das mensagens vazadas ao portal The Intercept Brasil são verdadeiras. No entanto, o mancebo (royalties para mim) disse que não pode reconhecer a autenticidade do material.
    Em entrevista à CBN (aquela que troca notícia), Dallagnol explicou que não pode provar que as mensagens são falsas porque apagou todo o histórico de conversas do aplicativo Telegram em 2017. O ex-juizeco fez o mesmo. Destruiram provas, o que é crime, pois os celulares não eram deles e sim da 13. Vara de Curitiba. (Royalties para mim, novamente). Desta forma, ele admite que não é possível apontar quais são as mensagens supostamente adulteradas”.
    Isto é, as mensagens são verdadeiras, segundo ele, mas podem não ser autênticas.
    Repito: agosto está chegando.

  7. A Vaza Jato põe às claras os bastidores da nossa secular história, comandada por nossa podre classe dominante, e apoiada por seus súdidos imbecilizados, aqueles que se auto-intitulam “cidadadãos do bem”.

  8. Pois é, grande repórter RK, no país onde vigora a lei do cão não surpreende a portaria 666.
    O Brasil está do jeito que Deus não gosta.

  9. Quem chama? 00 666
    Alucinação de toga, toga verde oliva,
    verde oliva e ditadura parlamentar,
    ditadura parlamentar, noves fora zero um,
    noves fora zero dois,
    zero três… zero quatro…
    zero quatro….. zero todos,
    Púlpito de milhões!
    Obreiros no genuflexório.
    Descarrego de corrupção mundial.
    Não há miserável sobrevivente,
    sobram vagas no céu!
    Milhões de dominantes assassinos,
    faltam vagas no inferno.
    Descarrego satânico, em tempo de internet
    Trimm… embaixada 666, bestial espera.
    Transe de toga verde oliva, com e sem arminha.
    Reino de fogo, enxofre e maldição, eterna.
    Sem delação, irrecursável. Moro em breve!
    Labaredas e tons: oliva caserna,
    toga preta, rosinha lava jato,
    cinza escuro da religião,
    verdinhas Money, vermelho sanguessuga,
    marrom imprensa, amarelo banqueiro,
    lama corrupção, branquinha bebum.
    azul adultério, vermelho sonegador,
    cidadão descolorido… bom inferno!
    Trimm… 00 666 chamando…

  10. Prezado Kotscho: Será que para deter o “bolsonarismo em marcha”, com seus conhecidos atores de extrema direita, uma saída não seria entender melhor para onde está indo o “patriotismo” dessa gente, conforme já alertava a letra da música do Raul Seixas? “Hei, Al Capone, vê se te emenda / Já sabem do teu furo, nego / No imposto de renda / Hei, Al Capone, vê se te orienta / Assim desta maneira, nego / Chicago não aguenta”. (Al Capone).

  11. A palestra “secreta”, com o sugestivo nome de “Lava Jato e eleições” foi para a XP Investimentos, patrocinada por grandes bancos. Não foi noticiada na imprensa, mas já foi confirmada, com Deltan dizendo que fez a palestra de graça. Um procurador NÃO PODE, jamais, participar de reuniões deste tipo.
    Mas, parece que, para os defensores de Deltan e Moro isto não é problema.

  12. Queiroz, queiroz, que país atroz!
    A cara do estado de exceção gerado pela narrativa estúpida que criminalizou e demonizou o amplo arco da esquerda democrática : Bolsonaro quer ver a prova do ENEM, antes de autorizá-la; Moro já tem acesso (como?) aos dados de uma investigação sigilosa da PF e chega ao desplante de divulgá-los.
    Vê o que não pode para censurar, fuça ilicitamente no inquérito inviolável para destruir provas ou alertar para riscos.
    Invente-se uma prova inexistente para trancafiar um líder popular, favorito nas eleições, eliminem-se (destruam-se) provas reais para proteger os “seus”. Tudo isso com milhões de fãs entusiasmados com a sequência abjeta de violações. Moro vê a si mesmo como um vingador divinamente empoderado, popularmente aclamado, acima dos mortais, da Constituição, da autonomia investigativa da PF. Acho que muitos sentiram medo: ficou muito na vista!
    E agora essa gente quer o Glen, como um dia quiseram o Lula.

  13. O conflito de interesses e a improbidade administrativa cabem como uma luvas nas ações e movimentações do Procurador da Lava Jato.
    A remuneração de procuradores, fora do âmbito acadêmico sob a condição restrita de professores contratados, não é cabível. A lei nº 8.112, no seu artigo 118, é de clareza meridiana.
    O entendimento da Corregedoria do Ministério Público jamais poderia ter lavrado pareceres legitimando a remuneração das ‘palestras’ do procurador sob o pálio de serem equivalentes às ‘aulas’ de um ‘professor contratado’.
    A Corregedoria do MP produziu uma “gambiarra criativa” para supostamente blindar o procurador no tocante aos conteúdos de mensagens desvelados pelo The Intercept.
    Fossem, minimamente éticos, jamais os procuradores e delegados federais poderiam ter aceito os convites daquelas empresas e organizações diretamente interessadas nos desdobramentos da Lava Jato, especialmente após a convalidação da alcaguetagem premiada do “Italiano”.
    Do ponto de vista do princípio da moralidade administrativa, o procurador incorreu em sua violação de forma deliberada.
    O mais grave, todavia, é a atuação da Corregedoria do MP que banalizou o princípio da moralidade administrativa e relativizou de forma escancaradamente anti-ética o flagrante conflito de interesses público e privado.
    O Executivo e o Legislativo já tinham sido suficientemente desmoralizados durante a última década.
    Agora é o MP e o Judiciário que se encontram em franco processo de desmoralização e de deterioração institucional.
    Tal anomia institucional, mais o caldo do desemprego em massa, sempre favoreceram a direita e a extrema-direita no Brasil.
    Como já não existem partidos e militância social que se possam catalogar, autenticamente, no jargão de esquerda, os donos do poder e seus funcionários nomeados nos aparelhos do Estados não têm o que temer. Não haverá mais invasões do Palácio de Inverno. E muito menos do Alvorada.
    A direita e a extrema-direita chegaram ao poder para ficar, com o apoio ostensivo da grande imprensa, como se viu e como se vê, porque os interesses mais sólidos e permanentes das classes dominantes e dirigentes encontram-se, grosso modo, folgadamente agasalhados pelo status quo.
    Amparados no projeto de poder militar e miliciano que se complementa e se reforça mutuamente.
    Sempre pode piorar.
    E quando pode piorar, sempre piora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *