“Agora quem manda aqui é nóis!” No quinto dia, Morogate já sai do noticiário

“Agora quem manda aqui é nóis!” No quinto dia, Morogate já sai do noticiário

Quinta-feira, 16 horas. Neste mesmo horário, no domingo, as denúncias do The Intercept sobre as armações da Lava Jato abalavam Brasília e ganhavam as manchetes.

Parecia ser mais uma crise do fim do mundo, mas já foi adiada sine die, como costuma acontecer na república que passa o pano rapidamente nas maiores sujeiras para tudo ficar como está.

Pode ser o escândalo do tamanho que for, não tem erro: começa com um barulho danado, sobe aos céus das especulações catastróficas, o governo pode cair, quem está preso será solto e vice-versa, mas logo tudo é normalizado e precificado pelo mercado, ninguém se espanta mais.

A Bolsa e o dólar ficam mais calmos e a vida segue sua rotina como se nada tivesse acontecido.

No quinto dia, o Morogate já foi para o rodapé do noticiário da grande imprensa, sobrevivendo com destaque apenas em sites e blogs independentes.

Sem fatos novos bombásticos (e qual ainda poderia ser?), Bolsonaro se deu ao desfrute de levar o acusado Sergio Moro ao jogo do Flamengo, em Brasília, na noite de quarta-feira.

A imagem dos dois sorridentes pais da pátria na tribuna de honra do estádio era para mostrar que eles não estavam nem aí com a repercussão das graves denúncias contra Moro e os procuradores de Curitiba, pegos em flagrante ao acertar o modus-operandi da condenação de Lula que levaria Bolsonaro ao poder.

Sim, tudo isso aconteceu, mas e daí?, pareciam dizer a quem se escandalizou com as revelações do Intercept.

A Polícia Federal, subordinada a Moro, abriu rigorosos inquéritos, mas só para investigar os vazamentos, não o conteúdo das mensagens pouco republicanas trocadas entre o juiz e os procuradores da Lava Jato.

Apareceram até citações a “articulação com os americanos” e ao ministro Luiz Fux , do STF, envolvidos na trama, mas isso já passou batido, virou arroz de festa.

Ninguém mais precisa dar satisfações a ninguém, nem se dão ao trabalho de desmentir, as coisas são assim mesmo, e quem não estiver satisfeito que vá para Cuba.

“Agora quem manda aqui é nóis”, lembram a todo momento os novos donos do poder, que acham graça de qualquer coisa e trocam medalhas entre eles.

Estado de Direito, Constituição, Democracia, independência entre os poderes, respeito às leis do trânsito e todas as outras, defesa do meio ambiente, tudo isso passou a ser considerado frescura, só mimimi de quem perdeu a eleição, pura poesia de boiola.

Vale apenas a lei do mais forte e o revólver carregado para resolver qualquer divergência. Manda quem pode, obedece quem tem juízo, e que se dane o resto.

Morogate, Vaza Jato e todos os nomes dados à promiscuidade existente nas diferentes instâncias da Justiça já são assuntos superados, como diria o general Heleno, bocejando antes de puxar um cochilo.

Estão pouco se lixando com a imagem do país, diariamente detonada pela mídia internacional, a cada novo surto de autoritarismo.

A reforma da Previdência já voltou a ocupar as manchetes cativas e os comentários dos jograis da mídia amestrada.

Daqui a pouco vão perguntar numa roda de jornalistas: quem foi mesmo Glenn Greenwald, aquele jornalista americano que desmascarou a Lava Jato por alguns dias.

Até aqui, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, enquanto não aparece uma nova denúncia, que certamente terá o mesmo destino.

Vida que segue.

 

24 thoughts on ““Agora quem manda aqui é nóis!” No quinto dia, Morogate já sai do noticiário

  1. Não, não se salvaram todos.
    Só os mesmos.
    A ninguenzada vai amargar um fardo mais pesado, por conta do golpe previdenciário em andamento, apelidado de “reforma de privilégios”, na mesma linha argumentativa de Collor de Mello e FHC, quando se tratavam aposentados e pensionistas como “marajás” e “vagabundos”, respectivamente.
    Nem a economia vai retomar sua dinâmica de crescimento, porque o fundamento do “reformismo triunfalista” que fez da seguridade social a vilã da crise brasileira sempre foi o da apartação social cuja, nem os aposentados e pensionistas terão dias melhores.
    Ao mesmo tempo em que a classe-que-vive-do-trabalho será espremida em 98 bilhões de reais anuais até 2029 (caso não sobrevenha outra “reforma” nesse interregno) o patronato receberá, no mesmo período, um somatório de benesses fiscais, tributárias, financeiras, creditícias e previdenciárias da ordem de R$ 3.000.000.000.000,00 (três trilhões).
    De um lado cortar-se-á a carne dos trabalhadores, seja do regime geral, seja do regime próprio, com uma guilhotina.
    De outro lado, entregar-se-á na bandeja do Erário o triplo do que foi cortado de quem ainda deverá trabalhar muito mais para receber uma contrapartida ainda menor do que recebe hoje.
    Há uma pantomima relacionada aos números previdenciários.
    O mais curioso é que ninguém explica porque o mercado financeiro saliva de excitação para abocanhar esse negócio havido como “falido”, “deficitário”, “insustentável”…etc.

    1. Caro Jornalista, enquanto isso, passa quase despercebida a importante manobra de grande projeção para a construção e consecução do projeto autoritário do capitão eleito presidente da república: a nomeação de um importante general da ativa para um cargo no palácio do planalto.
      Quem viver verá.

  2. Merda! É o que se ouve no teatro para dar sorte. Merda, antes do espetáculo é mantra. Sucesso de crítica e direito ao ritual merda da Arte. Moro, Dallagnol, Bolsonaro e Cia. estão no teatro da elite dominante. Ouvem o mantra e se acham. Cada dia um texto, num contexto de escândalos que fazem a alegria da Direita. Foi para isso que o desgoverno foi eleito. É só gritar merda e eles cravam outro espetáculo antipovo, vazamento no meio. Merda e o teatrinho de b… é aplaudido pela plateia infame, omissa e e inculta. Dominantes desgovernam. A elite passa o rodo e Bolsonaro acha que é presidente. Os poderosos ecoam merda e o teatrinho de b… continua.

  3. Falta ao gleen e sua turma apresentar a gravação em que Moro promete ao futuro presidente(fora das pesquisas) a vitória na eleição e requer do mesmo a cadeira de ministro da Justiça!.Será que tem()!.Esperto é o Green!.

  4. Prezado Kotscho: É, parece que pela “imagem dos dois sorridentes pais da pátria na tribuna de honra do estádio era para mostrar que eles não estavam nem aí”, talvez nem caiba mais aquela famosa pergunta do Silvio Santos: “É namoro ou amizade?”. Será que temos aí um caso de um casamento perfeito e duradouro?

  5. Kotscho, nem tudo esta perdido, o conje “ainda” tem algum prestigio aqui dentro, la fora esta queimadissimo, nao vai ser convidado nem pra servir cafezinho.

  6. Não concordo com sua colocação ou não quero concordar.
    Quero aquecer a esperança de que com novas conversas sendo expostas pelo site, a coisa volte novamente a ferver e deixar a verdade nua e crua para que todos possamos ver.
    Não é disso que se trata mas a Vingança é um prato que se come frio!!

  7. “Quem manda aqui é nóis”, pode muito bem se referir ao pessoal do Intercept, que hoje mandou um recado pro Marreco de Curitiba, que vem aí o golpe de misericórdia.
    Quanto ao Bozo, que também está se isolando, a sua mais importante base de apoio as FFAA, parte dela já começa a cair fora, logologo será convidado a se retirar…com aquela frase: -Pede pra cagar e vaza, vagabundo

  8. Não, nao Kotscho.
    o Greenwald por isso mesmo, esta montando uma dosimetria (gostaram dessa?) que cadencia acachoeira de crimes, ilegalidades e calhordices puras e simples dos lavajateiros.
    Vai chegar nos mega escritorios de advocacia delatogênicos (sic) na plimplim, bolsonarismo e ate no deep state. E inocentar moralmente -no minimo- outras vitimas da republica curitibana. Porque, é claro, voce como
    jornalista velho de guerra NAO acredita que se eles foram tão inominavelmente calhordas com Lula , iriam se agarrar eticamente ao “devido processo legal” por ser contra outros alvos e depois condenados??
    Nunca. Fizeram do mesmo jeito, se houve diferença terá sido de GRAU.
    A bastilha de kuritiba , tal como existe, vai para o chão.

  9. Certamente o cárcere está a fazer muito mal ao discernimento político do ex-presidente.
    Em lugar de saber explorar exaustivamente o conteúdo das conversas que confrontam o devido processo legal, equivocadamente colocou sob suspeição uma flagrante tentativa de homicídio que o próprio PT reconheceu – bem como as demais agremiações partidárias -, ao ponto de suspenderem suas campanhas eleitorais.
    Em lugar de questionar o sumiço de Queiroz e dos mandantes do assassinato político de Mariele, o presidente insistiu no óbvio e ululante, que todo mundo civilizado sabe: a despeito dos malfeitos do PT e dos erros crassos de Lula e Dilma, a Lava Jato e sua força-tarefa esticaram os limites do processo legal a ponto de ensejarem uma miríade de suspeições que, de acordo com o noticiário recente, induvidosamente colocam sob suspeição os meios articulados dentro do Poder Judiciário para lograr a condenação do ex-presidente.
    A mobilização do dia 14 não pode ser considerada exitosa, até porque deu-se em volume e dimensão menores às manifestações alavancadas pela extrema-direita e direita.
    Se não forem trazidas ao lume outros conteúdos envolvendo as instâncias superiores do Judiciário e membros da força-tarefa, o governo demencial (tão bem definido por Mino Carta) irá continuar jogando com as brancas, sem a menor chance de que o ex-presidente ganhe asas para a sua liberdade, nem obtenha a progressão de regime sem tornozeleira eletrônica.
    A resposta da “candidatura militar”, apoiada amplamente pelo generalato das FFAA, foi imediata. A nomeação do Comandante Militar do Leste, um general da ativa e do Alto Comando, não deixa dúvida de que as altas patentes dão seguimento ao seu projeto de poder, cuja blindagem presidencial é apenas um dos vetores.
    O episódio, longe de significar um abrandamento das algemas de Lula, implica tornar ainda mais difícil o relaxamento da prisão do ex-presidente.
    A declaração do mentor do projeto de poder militar – do qual o atual presidente em exercício é apenas um títere -, meridianamente determinou qual o desiderato em mente: prisão perpétua para Lula.
    Lula sabe que cometeu seu maior erro eleitoral quando escolheu Dilma. Lula sabe que cometeu seu maior erro político quando se entregou em lugar de buscar asilo político.
    Não dá o braço a torcer porque tem enorme dificuldade em reconhecer seus dois erros crassos.
    Deu o braço e a mão para a Casa Grande torcer.
    Esqueceu que a Casa Grande não só torceu o seu braço. Agora mostra sua determinação em moer a mão conciliatória que Lula, ingenuamente, houvera estendido.

  10. A bola da vez durou muito , vamos esperar a próxima . Patética e constrangedora a cena no jogo do Flamengo , pr “et caterva” não tinham nada mais relevante para fazer na quinta , então
    vambora sorrir para a massa ignara que a tudo ignora , tá ok ?
    Vamos trocar de general ,amansar o filhotinho de
    pavio curto e o resto que se …..

  11. Queiroz, segundo amigo fiel, foi visto no jogo do Flamengo, bem longe de Bolsonaro. Que coisa, meu! Usava disfarce com barba cerrada branca. Usava disfarce com barba cerrada branca. Usava disfarce com barba cerrada branca. ( É outro da série “gate” que saiu das manchetes “policiais”. Humm.

  12. A situacao atual no Brasil me lembra o filme “De volta ao Planeta dos Macacos”. A “Esquerda” é representada pelo macacos, e a “Direita” é representada pelos “humanos que sobraram, mas adoram (no sentido religioso) uma bomba atômica ou similar com poder de destruir a terra”….o final vcs já sabem…aniquilacao total do planeta…

  13. O capitão Messias está desesperado e desorientado completamente perdido seu governo é um barco à deriva no oceano. Está a cada dia perdendo apoio popular e parlamentar. Sua popularidade cada dia cai assustadoramente mais e mais. Não tem planos para o país e não tem liderança nem na Câmara de deputados e nem no senado. O Brasil vai viver seus piores momentos será um colapso nunca visto antes. É só esperar.
    O presidente do país é o Olavo de Carvalho. O resto são figurantes.

  14. Mestre, até o mais consagrado craque, para confirmar-se melhor e humano via a exceção, comete bissextas derrapadas.
    Passei batido no post da seleção feminina de futebol por sabe-lo exceção, passaria também nesse, pela mesma razão e com convicção ainda maior, sabendo que “o futebol é uma caixinha de surpresas”.
    Mas não, pois o momento é muito critico para não contrapor-se a prováveis vacilos apressados em tão fundamental assunto, no caso felizmente superado pelos acontecimentos, que atualizados revelam as consequências imediatas à posterior divulgação do segundo capítulo, da série ‘Vaza Jato’, do The Intercept, com o capitão desgovernado a recuar disparando, “100% de confiança só em pai e mãe”, além das repercussões negativas sobre os ‘intocáveis’ e o começo da inserção popular com o quadro, “Eu antes era o herói…”, exibido no Zorra Total, da Globo.
    Que venha o terceiro capítulo e outros muitos, até a capitulação final dos reais facínoras.

  15. sr Greenwald.
    Vocé um homem, um profissional da comunicaçao.
    E pelo visto ate hoje, bastante competente.
    Mas se cuide. Do outro lado, ali pelo lados do J Botanico tem uma turma, e um staff todo de profissionais da comunicação somada c/ MANIPULAÇAO.
    Voce e sua equipe não tem tudo isso, é melhor reconhece-lo e trabalhar com os pes no chão.
    Negocio é vc seguir cada passo do inimigo e interpreta-lo corretamente. Em uma guerra o lado que nao tiver um Estado Maior frio e competente, vai perder.

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