Três meses jogados fora: mais desemprego e mais desalento rumo ao caos

Três meses jogados fora: mais desemprego e mais desalento rumo ao caos

Em clima de fim de feira, parece que o governo do capitão Bolsonaro já está acabando, mas é só o começo da destruição do futuro do Brasil.

Mais de 1,8 milhões de jovens desistiram de procurar emprego num país em que 13,1 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE, estão alijados da força produtiva.

Antes de completar 100 dias, acabou a lua de mel do governo paramilitar de Bolsonaro e seus generais com o mercado, a mídia e o eleitorado, como mostram as pesquisas.

É preciso lembrar que, antes da facada de Juiz de Fora e da prisão de Lula, o candidato do baixo clero nunca passou de 20% nas pesquisas presidenciais, o núcleo duro da extrema-direita tupiniquim que lhe permanece fiel.

Enredado com milícias, laranjais, funcionários fantasmas e denúncias variadas, o capitão já deve estar arrependido de ter sido eleito, algo que não esperava quando se lançou na aventura presidencial em 2014 nas redes sociais alimentadas a fake news do filho Carlucho, o pit-bull do Planalto.

Esta semana, já mostrando enfado e pouca paciência com as crises políticas, o presidente da República eleito por quase 58 milhões de brasileiros, matou o serviço para  ir ao cinema de manhã e saiu mais cedo na sexta-feira para ir a um evento evangélico só para homens “destemidos, corajosos e honrados”, tudo que ele nunca foi.

Proibido pela Justiça de comemorar os 55 anos do Golpe de 1964, deixou todas as confusões que armou para trás, e viaja hoje rumo a Israel para agradar a bancada evangélica, que teve importante papel na sua eleição.

Só não se pode dizer que Bolsonaro não esteja cumprindo suas promessas de campanha.

Está fazendo no governo o mesmo papel de provocador barato e líder sindical dos militares, que desempenhou durante quase 30 anos na Câmara, em que não apresentou nenhum projeto e nunca se destacou pela atuação parlamentar.

Nunca passou de uma figura folclórica do baixo clero que agora chegou ao poder.

O que ele fez até agora? Liberou armas para todos, comprou brigas com a China e os países árabes, detonou o Ministério da Educação e o Itamaraty com seus ministros trogloditas e aumentou os índices de desemprego, paralisando a atividade econômica com o caos instalado na articulação política.

Restaram apenas a reforma da Previdência do superministro Guedes, que não anda no Congresso, apresentada como cura para todos os males nacionais, e o pacote anticrime do superministro Moro, contestada por especialistas todas as entidades jurídicas democráticas.

Fora isso, não há no horizonte nenhum programa de governo, qualquer sinal de retomada da economia num ambiente de incertezas e perplexidade.

Como se diz no futebol, deu a lógica. Não se podia mesmo esperar nada além disso aí, táokei?

Vida que segue.

 

13 thoughts on “Três meses jogados fora: mais desemprego e mais desalento rumo ao caos

  1. É Ricardo xará, só frustração . Graças ao Grande Deus não nossa! Todos com o mínimo de coerência, coxinhas , direita, centro direita, semcentro meio extrema direita meio direita, direita da direita , ante esquerda, ante da meia esquerda, filósofos, mercadistas , liberais,ditadores , sensatos, humanos SABIAM o final da novela. Tá ai escancarada na fuça de todos. Não venceram , mas vão ter que cagar amarrado, senão pegam na bosta!!!

  2. Calma minha gente.
    É sabido, desde antes das eleições, que Bolsonaro não era o perfil de governo que o Brasil precisava para consertar décadas de estrago por governos que assaltaram os cofres publicos.. Mas era o que tinhamos para barrar a catástrofe, principalmente dos dois mandatos de Dilma, cujo rastro de destruição todos conhecemos.
    Não por uma questão de defesa do governo Bolsonaro, que reconhecemos fez algumas escolhas erradas para compor seu governo, mas quem aqui defendeu o governo de Dilma, inclusive achando que foi golpe sua deposição, e ainda a apoia em suas gastanças de dinheiro publico na condição de ex-presidente viajando o mundo com uma comitiva de aspones para não produzir nada , não deveria aqui estar criticando e exigindo tudo aquilo que, quando governo, não fez.
    É uma questão de principios.

    1. Meu caro José antonio, você há de convir que, em que pesem os inúmeros erros no governo Dilma, nem ela nem seus antecessores chegaram a destruir num espaço de três meses um ministério que é peça fundamental para o futuro do país, nomeando uma pessoa sem a menor qualificação, preocupada em lutar contra fantasmas em vez de propor um projeto educacional de verdade. Também, embora ela não tivesse muito interesse pelas questões internacionais, não expôs o país ao ridículo mundial ao nomear um chanceler que declara na televisão que o nazismo foi de esquerda e que o aquecimento do planeta é uma conspiração do marxismo global.
      Por mais que se possa criticar a gestão da Dilma, seu nível de incompetência não chega aos pés do que Jair Bolsonaro tem mostrados nesses primeiros três meses.

      1. Nicolas, concordo plenamente com voce – e isso ressaltei no meu texto – que o ministro das relações exteriores escolhido por Bolsonaro é uma piada de mau gosto e até mesmo envergonha nosso pais. Mas também não fica longe do desastroso mandato do Ministro Celso Amorim, que abriu embaixadas em inumeros paises que não tem representação nenhuma, aliada à uma politica extremamente equivocada com apoio a ditadores sanguinários e corruptos, que participaram dos desfalques aos nossos cofres, ora a titulo de financimentos que não serão pagos, ora perdoando divida de paises pobres e presidentes milionários, e ainda com a participação da figura do Sr. Marco Aurélio “top top”, principal apoiador do Forum São Paulo. Como se ve, em matéria de politicas de relações exteriores estamos ferrados há muito tempo

    2. Absolutamente, não é questão de princípios e sim de idiotia.
      Temos idiotas ‘sem pena’, entre muitos, o exótico ministro de relações exteriores, tanto que até a Globo, escalpelou-o sem piedade quanto a patacoada nazista. Já outros, pode-se considerar de ‘dar pena’, uteis adestrados que são pelos que de assalto tomaram o Brasil.
      Com reflexão, certamente não replicaria patacoadas desmontáveis como:
      A imprecisão quanto a “governos que assaltaram os cofres públicos”.
      Desconhecer que Dilma não ‘teve’ dois mandatos, no segundo foi impedida de governar pelo golpe iniciado em 28/10/14, com ações de Aécio, Justiça, Mídia e Câmara de Cunha com pautas bombas, crise política e admissão do impeachment em 02/12/15. Ignorar que o “rastro de destruição” foi obra dos golpistas ao pesarem a mão na economia já em crise e criarem a crise política, para derrubar a presidente eleita.
      Desconhecer que viaja sem “gastanças de dinheiro público e comitiva de aspones” e que produz para retomarmos o rumo democrático e soberano, ao contrário de quem elegeu, no momento cabo eleitoral de Bibi, em Israel, pondo em risco o comércio exterior e nossa neutralidade.

  3. Como vc mesmo disse tbm não vejo luz no horizonte , agora ficou evidente de fato, como fez falta os debates na eleição,ou não, acho que já estava tudo contaminado. Não ouvi uma única vez nesses três meses discussão sobre qualquer política pública voltada para os menos favorecidos. Só nos restam lamentar.

  4. Como nao sou do RJ, e tbm não obtive os dados e votacões tse-tre fico me perguntando como é que um pálido e cinzento ex capitão se elege seis vezes
    e eis que no centro d palco está a chamada decepção.
    Tabula rasa.Constatação, oras. Um cara passa um quarto de século no meio de politicos entre os quais os muito preparados, a assessores mil em cujo meio ha os de largo espectro de conhecimentos, em meio a argumentos de lado a lado ininterruptos, temas nacionais candentes e de vasto raio de repercussões, [a par de muitas trucagens e negociatas é verdade…] De repente é eleito e sacramentado presidente do Brasil. Pronto, prato feito.
    É claro que comigo há milhares de tupiniquins ainda mais estarrecidos… O curioso é que os pretensos espertinhos da vieira souto e jardins -que tem melhores informações – estão mais ou menos no mesmo barco.
    PS. obrigado, Paulo Coelho.

  5. Mestre, a insana tragédia que assola o país e deixa todos preocupados, só é possível por não termos ainda resolvido cinco aberrações que nos condenam ao atraso e que passam a seis, a partir de 01/01/2019:
    1. A Classe Dominante xucra, financeira e patrimonialista, ao invés da Elite que permite tornarmos nação, justa, moderna e soberana.
    2. A desigualdade, entre as 10 maiores no mundo, em país entre as 10 maiores economias, garantindo a existência abusiva da Classe Dominante.
    3. A inacreditável força de ocupação, armada em defesa de interesses, internos da Classe Dominante e externos da Metrópole, eternamente alerta contra o ‘inimigo interno’, ao invés em defesa da soberania do Brasil e dos interesses do povo brasileiro.
    4. As seletivas instituições públicas, em defesa dos interesses da Classe Dominante, através da confraria maçônica e da prática processual à la carte: Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei.
    5. O familiar monopólio da mídia, braço da Classe Dominante, que faz da manipulação, desinformação e destruição de reputações, em parceria com o judiciário da ‘suja jato’, prática criminosa, ao impedir o cidadão do direito ao acesso a informação jornalística do fato, como ele é.

  6. Prezado Kotscho: Concordo com você que “É preciso lembrar que, antes da facada de Juiz de Fora e da prisão de Lula, o candidato do baixo clero nunca passou de 20%”, mas seria bom lembrar, também, que talvez a verdadeira “facada” está por vir porque “não há no horizonte nenhum programa de governo, qualquer sinal de retomada da economia num ambiente de incertezas e perplexidade.”, como você ressaltou. “Mas Deus é justo / E verdadeiro, / E antes de acabar as férias / Nosso Charles vai voltar / Paz alegria geral / Todo morro vai sambar / antecipando o carnaval / Vai ter batucada / Uma missa em ação de graças / Vai ter feijoada / Whisky com cerveja / E outras milongas mais…” (Charles Anjo 45, Jorge Ben).

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