No Carnaval dos generais de pijama, ministros olavetes batem palmas para ver louco dançar

No Carnaval dos generais de pijama, ministros olavetes batem palmas para ver louco dançar

No grande picadeiro federal, os ministros olavetes endoidaram de vez.

Ficam batendo palmas para ver louco dançar, enquanto os generais do Planalto não se entendem sobre o que fazer com a Venezuela.

A porta-bandeira Dalmares e o mestre-sala colombiano evoluem com garbo pela avenida da insensatez, trocando o samba pelo Hino Nacional ao pé da goiabeira.

O chanceler aloprado quer guerra a qualquer preço e, sem saber o que fazer, o capitão sumiu até das redes sociais.

Tudo bem que é tempo de folia, os blocos tomam conta das ruas, a cerveja corre solta, mas esse ano parece que estão exagerando na dose.

Já não dá para separar o noticiário de Brasília da cobertura de Carnaval, a fantasia da realidade, as crasy news da ordem do dia do general porta-voz.

Virou tudo um pacote só, misturando Previdência do Guedes com Lava Jato do Moro e comissão de frente com laranjais de caixa dois.

Nunca se falou tanto de “Deus acima de todos!”, mas o Brasil está ficando é do jeito que o diabo gosta, com vaca estranhando bezerro e poste mijando em cachorro.

Stanislaw Ponte Preta e Nelson Rodrigues não sabem o que estão perdendo.

Só mesmo um Gabriel Garcia Marquez para descrever o que se passa neste verão brasileiro, que supera qualquer realismo mágico.

Apresentado pelo jornal como “precursor do humor jornalístico”, José Simão, o Macaco Simão da Folha, virou o melhor comentarista político da imprensa brasileira.

É tudo tão trágico que acaba virando comédia, mas ninguém deveria achar graça nas legiões de deserdados jogados nas calçadas das grandes cidades, atrapalhando o trânsito de pedestres.

A cada dia, um escândalo supera o outro, o festival de hipocrisia e cinismo se alastra, com dirigentes da Vale e do Flamengo mangando das vítimas.

“Vamos salvar a Previdência”, clama Nizan Guanaes, anunciando a salvação da lavoura: “Já se calcula que US$ 100 bilhões estão para serem investidos no Brasil, mas esperam a aprovação das mudanças”. De onde o amigo tirou isso?

Vão esperar sentados, se depender das grandes corporações do funcionalismo público civil e militar, que mandam no Brasil e já avisaram que não aceitam reforma nenhuma, como já aconteceu tantas outras vezes, desde o século passado.

Antes diziam que era só derrubar a Dilma e prender o Lula que tudo se resolveria, choveria dinheiro nos céus do Brasil, todos os nossos problemas estariam resolvidos, como anunciavam os tabajaras do Casseta & Planeta.

“Sou do Mato Grosso. Lá a gente lida com chantagista assim: é matar ou morrer”, reagiu o grande jurista Gilmar Mendes, ao saber que pode cair na malha-fina da Receita Federal.

Como as armas agora estão sendo liberadas, e há muita gente graúda nesta malha, corremos o risco do Carnaval 2019 virar um grande bangue-bangue, que não vai respeitar nem mulher pelada.

Para não ficar fora da folia, o governador paulista João Doria já lançou a doidivanas Joice Hasselmann, uma bolsonarista de raiz, para candidata a prefeita de São Paulo em 2020, dando um chega para lá no tucano Bruno Covas, seu herdeiro político.

Já tinha feito o mesmo para trair seu padrinho Geraldo Alckmin para apoiar Bolsonaro na eleição passada.

Como nos velhos carnavais do lança-perfume e da serpentina, ninguém é de ninguém, acabaram-se os partidos e as lealdades. É o salve-se quem puder.

Agora, nos folguedos momescos desta cabulosa era da nova ordem, com os generais de pijama disputando espaço com os filhos do capitão, nem tudo vai acabar na Quarta-feira de Cinzas.

O pior é isso: pode estar só começando…

Vida que segue.

 

20 thoughts on “No Carnaval dos generais de pijama, ministros olavetes batem palmas para ver louco dançar

  1. O Brasil literalmente atolou, estão perdidos, não tem um norte, essa impressão que tenho, as batatas não estão queimando, estão pelando de quentes no colo do mito, qta incompetência mas a arrogância continua firme e forte. Só a lastimar.

  2. Mestre, essa genial ‘Guernica traçada por palavras’ é a imagem precisa e necessária à resistência contra o autoritarismo, pungente, ‘hilária’, “declaração de forrobodó contra o forrobodó e um manifesto contra a violência patrimonialista”.
    ‘Hilária’ à superfície, difere da uniforme profunda angústia da obra de Picasso, porém por parcos segundos esconde a sensação de tragédia e angústia que profundamente nos abate, pós camada da chanchada de teatro de revista.
    Triste o país em que ignora-se ou esconde-se rindo, chorando a tragédia fantasiada de comédia.
    Texto que faz história ao enquadrar a história desse tempo dos filhos do capitão e traz à memória, como contraponto a eles, Hans e Fritz, os Sobrinhos do Capitão.

    1. Kotscho: além de Stanislaw Ponte Preta e Nelson Rodrigues, acho que você deveria incluir o Barão de Itararé no time dos que estão perdendo esse “circo de horrores” elevado à terceira potência. Se bem que talvez nem eles acreditassem…..

  3. Kotscho, tem como tirar da certidão a nacionalidade brasileira? hoje Bixo deu mais uma declaração de envergonhar ate os milicianos. Stroessner ditador por 35 anos foi um grande estadista. Olha que ainda não acabou o dia.

  4. Da vizinha e em crise nunca d’antes ocorrida sobre a Venezuela do esquerdopata ditador-Poucos jornalistas falam.E os jornalistas da Globo ainda tratam o Maduro como se fosse um presidente democrata.NUNCA COMO DITADOR!.

      1. Sambolsonista desgarrado do “bloco dos napoleões retintos, a ilustrar, dissonante, o post nota dez, exemplarmente.
        Mas vai passar…
        “O estandarte do sanatório geral,
        Vai passar”.

  5. Este e o Post anterior são os melhores textos que li nos últimos 12 meses. Uma procissão de aberrações e corajosas denúncias, dois ensaios, cartilha para os incultos e Bíblia política para os do ramo. A pena do jornalista Ricardo Kotscho traz o substancioso ponta pé inicial da luta…. pelo digno destino do nosso povo. O Balaio é um BRADO RETUMBANTE a ser transformado em Credo político e social… a quem interessar possa. Na quarta feira de cinzas deveria ser adotado como lema da Campanha da Fraternidade. As redes sociais fariam chegar a cada banco escolar, um exemplar das aludidas mensagens. Com a palavra os internautas, bispos e os educadores. É preciso sambar para salvar a Pátria.

  6. Vai sobrar para o povao tem ou não votado em bolssonaro quem vai se safar e o andar de cima aqueles bem preocupados com o povo e com a corrupção,nada de panelas contra o laranjal

  7. Prezado Kotscho: Pelos nomes que você cita no seu post só posso pensar que nesse governo só tem gente do bem, gente legal, gente fina, não é mesmo?

  8. Prezado Kotscho: Também “Gostei muito dessa ideia do hino. Isso é que é patriotismo. Esse Vélez foi gênio. Também gostei desse negócio de todo mundo gritar meu slogan. Só achei que faltou o revolvinho com a mão no final”, como bem escreveu José Roberto Torero em “Diário do Bolso” de 26/02/2019 no portal da Carta Maior.

    1. bem lembrado, faltou o minixtro mandar as crianças fazerem o gesto da arminha, e ao final gritarem arma acima de tudo, e Deus de todos. Sobre isso, li a declaraçao de um pai que se declarou ateu, se obrigarem meu filho a fazer isso, processo o estado.

  9. E o ministro da educação “com sotaque ” continua aprontando! Que figura mais bizarra. Parece aquela personagem da TV: “só abre a boca quando tem certeza”! Tá difícil, KOSCHO! Com um ministério de “notáveis imbecis” o Bozo pretende governar um País com tantos problemas. Bozo, faça algo pelo Brasil: RENUNCIA!

  10. Kotscho, tem toda a razão, tá uma bagunça generalizada.
    Ainda estou na torcida para q se ajustem e o país volte aos trilhos.
    Mas já era para estarmos discutindo somente sobre reforma, propostas, ajustes fiscais, imposto único….
    Qdo os filhos finalmente deram sossego, vem os ministros.
    Sobre Venezuela e o apoio do Bolsonaro ao Stroessner: Agora cada lado tem um ditador para chamar de “seu”.

  11. O Sr. hoje se superou. Mantenha seu espirito irônico nos textos. Vai por mim. Nazi-fascista enlouquecem com humor e ironia. “A porta-bandeira Dalmares e o mestre-sala colombiano evoluem com garbo pela avenida da insensatez, trocando o samba pelo Hino Nacional ao pé da goiabeira.” Soberbo. Valeu.

  12. 1) O atual governo será nas próximas gerações um belíssimo estudo de caso para estudiosos das ciências humanas como um exemplo de Obscurantismo de Estado. É sério.

    2) Doria é o novo “imperador” do PSDB. Já está até insinuando tirar o “social-democracia” do nome do partido. Acho que não deverá conseguir, já que figuras decanas como Tasso Jereissati ainda tem voz influente, mas a situação de momento é essa, Doria faz o que quer.

    3) Durante uma seleção de vaga de emprego, conversei com dois jovens recém-saídos do quartel. Na época, Bolsonaro ainda era pré-candidato. Quando lembrei que ele sempre foi eleito e reeleito com a graça de ser “representante” das demandas militares, um deles comentou: “Olha, vou te dizer: se ele for eleito, ele não vai conseguir controlar soldado, não”. Afirmação enigmática. A conferir. Abraços, Kotscho.

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