Índios, sem-terra e professores são os primeiros alvos das milícias da nova ordem

Índios, sem-terra e professores são os primeiros alvos das milícias da nova ordem

Antes mesmo que fossem anunciados os resultados oficiais da eleição na noite de domingo, milícias bolsonaristas, já empoderadas, saíram a campo para colocar em prática a nova ordem contra quem consideram seus inimigos.

As primeiras vítimas foram os índios da aldeia Bororó, em Dourados; uma jovem estudante, em Salvador; um acampamento de sem-terra, em Dois Irmãos do Buriti, e os professores da Universidade Federal de Santa Catarina, entre dezenas de outros casos de violência e perseguição.

Às quatro da manhã do dia da eleição, três caminhonetes chegaram à aldeia dos Guarani-Kaiowá e iniciaram o ataque, como contou uma jovem de 19 anos, que, por motivos óbvios, não quis se identificar, à reportagem do Correio do Estado, de Mato Grosso do Sul. Seu relato:

“Eram aproximadamente 15 pessoas, duas delas com armas de fogo. Eles já chegaram dando tiros com balas de borracha, a gente não tinha para onde correr. Derrubaram tudinho os barracos. Derramaram as comidas tudo no chão. Só pararam quando a Polícia Militar chegou”. O comandante da guarnição da PM, Carlos Silva, não soube dar maiores informações.

Não muito longe dali, um acampamento de sem-terra, próximo à BR-262, também foi atacado por milicianos que atearam fogo a dois barracos, segundo a repórter Luana Rodrigues, do Correio do Estado.

Foram incendiados também uma escola e um posto de saúde na Aldeia Bem Querer de Baixo, dos índios Pankararu, no município de Jatobá, em Pernambuco.  Nota da comunidade indígena sobre o ataque à aldeia, divulgada pela Mídia Ninja, lembra que recentemente os Pankararu ganharam na Justiça direito à reintegração de posse da reserva, invadida por posseiros,

“Os maiores prejudicados são as crianças que ficaram sem escola nas vésperas do fim do ano letivo, os pacientes do posto de saúde, que fazia cerca de 500 atendimentos por mês, e a nossa alma que é constantemente ferida, machucada. Mas jamais silenciada. Hoje, mais do que nunca, resistir é a palavra de ordem”.

Em Salvador, relata o repórter Marcelo Auler em seu blog, a jovem J.B. ficou ferida na noite de domingo num confronto envolvendo policiais e manifestantes pró-Bolsonaro  Gays e petistas foram perseguidos na mesma hora em Curitiba.  E Fortaleza registrou agressões a jornalistas.

Mas o caso mais grave ainda está acontecendo em Florianópolis, dando uma pista de como a nova ordem pretende agir nas universidades.

A professora Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual pelo PSL de Bolsonaro, abriu um “canal informal de denúncias na internet” para fiscalizar professores na sala de aula, a partir desta segunda-feira, 29. A deputada pede que vídeos e informações sejam repassados para o número de celular com o nome do docente, da escola e da cidade.

“Garantimos o anonimato dos denunciante”, diz a mensagem compartilhada numa rede social.

O objetivo é identificar professores considerados de esquerda, seguindo a orientação do presidente eleito, que logo após o anúncio do resultado oficial, em sua primeira fala pelas redes sociais, anunciou na noite de domingo: “Não podemos mais continuar flertando com socialismo, comunismo, populismo e extremismo de esquerda”. Campagnolo cumpriu a ordem.

Ainda faltam dois meses para a posse de Jair Bolsonaro, mas já para ter uma ideia do que podemos esperar nos seus quatro anos de mandato.

Vida que segue.

 

32 comentários em “Índios, sem-terra e professores são os primeiros alvos das milícias da nova ordem

  1. Mais informações sobre a agressão a jornalistas em Fortaleza, a que você se refere no post (fonte: da Folha de S. Paulo online, seção Eleições 2018):

    Jornalistas do jornal O Povo e TV Verdes Mares, do Ceará, foram agredidas física e verbalmente no comitê do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) na noite deste domingo (28) em Fortaleza.

    Os repórteres estavam trabalhando na cobertura festa de comemoração da vitória do candidato, quando foram agredidas por apoiadores do presidente eleito.
    Uma das repórteres do jornal O Povo foi segurada pelo rosto e empurrada, caindo por cima de um equipamento de som, ferindo mãos e braços. Ela também foi assediada por militantes que estavam no comitê de apoio a Bolsonaro.
    Um outro repórter do jornal O Povo foi segurado pelos braços e agredido verbalmente por um militante.
    Já a repórter da TV Verdes Mares foi agredida verbalmente. O carro da emissora, que é afiliada da TV Globo no Ceará, foi apedrejado.
    Os nomes das repórteres não foram divulgados pelo meios de comunicação para preservar a segurança das vítimas.
    Em nota, o jornal O Povo afirma “repudia qualquer forma de assédio ou qualquer tipo de violência contra os profissionais de imprensa, bem como agressões e atos de preconceito”.
    O Sindicato dos Jornalistas do Ceará e a Federação Nacional dos Jornalistas também repudiaram as agressões aos jornalistas, além de exigirem apuração e punição aos agressores. (João Pedro Pitombo)

  2. Caro Koscho,para um presidente eleito que em campanha disse em discurso que vai governar para maioria e que as minorias serão subjulgadas e terão de se curvar a maioria ou desaparecerão(serão mortas,presas ou exiladas) isto é dar carta branca para todos os pisicopatas que não aceitam a diferença fazer todo tipo de barbaridade e em São Paulo o prefake doria tambem eleito,alardeou que irá pagar os melhores advogados para policial que matar em serviço!
    Tá ruim mas ao que tudo indica vai piorar muito!!
    Força amigo! Vamos resistir e sobreviver !!

  3. Uma notícia boa. O procurador da República Carlos Humberto Prola Júnior, de Chapecó (SC), já está agindo contra essa deputada do PSL Ana Caroline Campagnolo. Ele pede que medidas cabíveis sejam adotadas para que não haja qualquer forma de assédio moral em face dos profissionais, por parte de estudantes, familiares ou responsáveis “em especial quanto à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber e ao pluralismo de ideias e de concepções ideológicas”.

  4. Caro Kotscho, a SOLIDARIEDADE (minha única ideología) ou a utopia de um estado solidário sofreu um duro golpe. Perdeu para o ódio, para o egoísmo e para brutos que comemoram sua efêmera vitória atirando, surrando e xingando todos aqueles que eles consideram contrários. E o contrário do ódio é o amor. E o contrário da covardia é a luta.
    Que prazer tem essa gente (por assim dizer) que me causa tanto desprazer de tê-los como compatriotas???
    Não estamos divididos nem por norte e sul nem por direita e esquerda mas sim por selvagens e civilizados. Não existe nada entre o certo e o errado!!! Ou é certo ou é errado e eu que nunca me arrependi de nenhum voto que dei nem nunca precisei pedir desculpas a quem me pediu sugestões posso morrer na paz de quem viveu a vida inteira no lado CERTO da história. História que não se acaba com uma eleição, não se acaba porque a luta continua… SEMPRE !!!

  5. A história será contada e cantada em verso e prosa pelas imagens da hora do voto do agora vencedor Bolsonaro e do por hora “derrotado” Fernando Haddad. O primeiro chegou para votar em um comboio de carros blindados e fúnebres cercado de um aparato militar digno de quem tem medo de chegar perto até do seu próprio público (cachorro mordido de cobra tem medo até de barbante). Saiu pelos fundos!!!! Será um prenúncio do fim do seu mandato??? A ver.
    Já o segundo, Fernando Haddad, chegou com seu livro na mão abraçado e beijado por todos ao seu redor com flores (e livros) e com sombrinhas multicoloridas entoando a canção da peça teatral “Cantata para um bastidor de utopias” escrita por Garcia Lorca, quando este tinha 27 anos. Eis a letra da canção :
    “Bordar, num pano de Linho
    Um poema Tambor que desperte o vizinho.
    Pintar, no asfalto e no rosto
    Um poema alvoroço que adormeça a cidade.
    Dançar com tamancos na praça
    Cantar, porque um grito já não basta
    Esfarrapados, banguelas e
    Meninos de rua, poetas, babás.
    Vistam seus trapos, abram os teatros,
    É hora de começar:
    Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.
    Alerta, desperta, ainda cabe sonhar.”
    Guardem essas duas imagens em vossas mentes, elas são muito significativas dos tempos que virão. Assim como “os sonhos não envelhecem”, “você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, continua sempre que você responde sim à sua imaginação, à arte de sorrir cada vez que o mundo diz não”

    1. Caro Enio, você tem feito muita falta por aqui. Tudo bem com você?
      Este Balaio fica muito pobre sem os teus comentários.
      “Sorrir cada vez que o mundo diz não”, é o melhor remédio e a melhor vingança. Até a vitória! (só não sei quando…)

      1. São versos da canção “Brincar de viver” do Guilherme Arantes eternizada na voz de Maria Bethania.
        Ocorre que resolvi escrever menos devido a inutilidade de falar com quem pensa igual a mim e escreve bem melhor sem ter eu nada que acrescentar e também ao fato de não adiantar insistir em tentar furar ouvidos entupidos se não por cera, mas por outro tipo de material orgânico caracterizado como excremento que todo mundo bem sabe quem cagou ali.
        Foi só por isso que pareceu eu estar ausente. E não!!! Eu não estou nada bem!!! Decepcionado com a imbecilização de grande parte dos brasileiros que não demora se arrependerão (mais outra vez) da escolha que fizeram como foi com Collor, FHC e Aécio sem contar com o apoio a Temer. Desta negaram voto a um professor preferindo votar em um par de bestas fardadas que não sabem nem por onde a formiga mija!!! E isso me fez muito mal. Ignorância mata!!!

  6. Excelente o “insight” de Miguel Lago na Piauí (Leviatã e os Lobos), na linha da postagem do dono do Balaio: “…Bolsonaro tem um título equivalente ao de qualquer outro ditador, coisa nunca vista antes no Brasil. Se Franco era chamado de “generalíssimo”, Hitler era o “Führer”, Mussolini era o “duce” e Mao era, “o grande timoneiro”, Bolsonaro é o “mito”. Nenhum de nossos ditadores teve um apelido, nem Getúlio, nem os militares, nem os oligarcas da República Velha. Essa parcela da sociedade continuará sendo alimentada pelas fake news, pelos seus discursos de ódio, tendo na figura do “mito” a sua única fonte de verdade. Portanto, para essa população, pouco importa a qualidade das políticas, pois Bolsonaro sempre terá uma explicação para sua incompetência, e a horda de fãs acreditará mais nele do que nos jornais…”.

  7. Prezado Kotscho: Você não acha que quem atua na sombra oculta a escuridão do seu passado? Essas milícias da nova ordem já estavam aí atuando e agora elegeram um presidente para dar respaldo e legitimidade para elas. “Não seria demasia lembrar que os arautos das devassas ilegais odiosas e fascistas, acabam por ter que quebrar os seus próprios espelhos.” (Carl Sagan).

    1. Uai, quando o Luiz Inácio era presidente, era o “culpado” de tudo de ruim que acontecesse em nossas vidas. Ou não? Agora é a vez do Boçalnaro. O idiota nem assumiu e já está aprontando. Poderia disfarçar um pouquinho.

  8. “Sr. Presidente, o problema é o guarda da esquina” (Pedro Aleixo, vice-presidente da República, se dirigindo ao pres. Costa e Silva quando da assinatura do AI-5 em 13 de dezembro de 1968).

  9. Sem dúvida, a situação é sombria. Pela falta de razão, pelo ódio, pelo sentimento (estúpido) de superioridade racial/econômica de uns sobre os outros. De minha parte, tomei uma decisão que, embora mínima, acho que produzirá alguns resultados: não pretendo contratar ninguém que fez campanha/votou no Bolsoasno. Um pedreiro que já trabalhou para mim, um dono de terraplanagem, etc… Todos que mandaram mensagens no zap em favor dessa besta/fera, nunca mais trabalharão para mim. Talvez faltando trabalho para eles, tomem consciência do que é passar necessidade e deixem de pregar o ódio aos mais pobres e necessitados. E farei assim com todos. Na padaria, no mecânico, etc…. É pouco, mas farei a minha parte. Quero devolver um pouco de ódio a esses idiotas.

  10. Kotscho, não podemos deixar de agradecer ao Bolsonaro, como tudo na vida sempre há o lado positivo. Ele está proporcionando aos brasileiros, pelo menos aos interessados em alguma reflexão, saberem qual é a essência de nossa sociedade, de uma grande parte dela. Pela minha cor de pele e pela minha condição social eu sempre soube, nossa sociedade é racista, discrimina os mais pobres e as minorias, em resumo vivemos em uma sociedade muito atrasada. O que estamos vivendo não é só uma questão política, é muito mais, pois recebíamos em nossas casas pessoas que, hoje sabemos, CULTUAM um sujeito que admira um torturador, que acha que a ditadura matou pouco, que gay se “conserta” na porrada, que mulheres são inferiores. Pessoas que admiram esse homem sentavam-se nas nossas mesas, dividiam nossa comida, participavam do nosso churrasquinho, batizavam nossos filhos. No meu caso o verbo está conjugado no tempo certo. Por outro lado, não devemos deixar de pensar em como chegamos nisso, como o que era apenas uma erva daninha ganhou tanta força? Precisamos falar sobre os políticos de todos os partidos importantes, que pensando apenas no poder, agindo pela vaidade, ambição, egoísmo, não quiseram ver o perigo que nos rondava. É preciso falar sobre esses políticos, todos eles, pois mesmo com o que aconteceu, os vemos agora pensando apenas na próxima eleição.

  11. Aos eleitores daquele facínora: é muito fácil pagar pra ver quando não é você quem paga!
    Tragédia anunciada em verso e prosa. Quatro anos (no mínimo) de um “governo” tenebroso. Que Deus, ou qualquer outra força do cosmo, nos ajude.

    1. Incrível a capacidade continuada do personagem auto explicativo em tentar misturar fatos distintos, sabe-se lá se por cinismo, ignorância ou ambos.
      Um fato não tem nada a ver com o outro, exceto terem a mesma protagonista fascista, mas se falta algo e faltou, não falta mais, pois segue link mostrando a exemplar prática da protagonista:
      https://www.brasil247.com/pt/247/sul/373719/Deputada-que-pediu-para-filmar-%E2%80%9Cprofessores-doutrinadores%E2%80%9D-%C3%A9-denunciada-por-ex-aluno.htm

      1. Misturar fatos distintos? Estás falando por você, com certeza.

        Eu já vi a publicação original na íntegra da imagem postada pela Deputada.

        Heródoto Barbeiro trouxe um convidado ontem, que explicou duas coisas importantes:
        – por lei, o trabalho do professor dentro de sala de aula é protegido por direitos autorais, só podendo ser gravado com seu consentimento
        – por lei, a escola é lugar de *debater política*, e não partido nem ideologia, como está acontecendo faz tempo

        Quando Heródoto perguntou se professor pode fazer propaganda política dentro da sala o convidado disse: “esse é um tema muito complicado Heródoto”.

        Ou seja, ao passo que a lei garante ao professor dizer o que quiser sem nenhuma fiscalização, também permite ao mesmo fazer propaganda de partido e ideologia partidária sem nenhuma fiscalização.

        Quanto à Deputada eleita, percebe-se que ela sofreu bastante na mão de sua orientadora de Mestrado.

        Adivinha de qual partido é a orientadora? RÁ!

        Agora guenta!

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