A escalada final: Bolsonaro já prenuncia ditadura antes mesmo da eleição

A escalada final: Bolsonaro já prenuncia ditadura antes mesmo da eleição

No mais duro ataque aos seus opositores desde o início da campanha eleitoral, o capitão Jair Bolsonaro rasgou a fantasia e se apresentou já como ditador aos seus adoradores reunidos domingo na avenida Paulista.

Em vídeoconferência de 10 minutos, o ainda candidato proferiu as seguintes barbaridades, sem que até o momento nenhuma autoridade do Poder Judiciário tenha tomado qualquer providência:

  • “Vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do país. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou então vão para fora ou vão para a cadeia. Vou fazer uma limpeza nunca vista na história desse Brasil”.
  • “Senhor Lula da Silva, se você estava esperando o Haddad ser presidente para assinar o decreto de indulto, vou te dizer uma coisa: você vai apodrecer na cadeia”.

O discurso do capitão, gerado diretamente do seu bunker na Barra da Tijuca, onde permanece refugiado longe dos debates, serviu como mais um alerta sobre o que nos espera, a apenas seis dias da eleição presidencial.

A escalada final da insanidade que está tomando conta do país, diante de uma Justiça acoelhada e inerme, não tem mais limites.

As milícias bolsonarianas estão soltas nas ruas. Os métodos da ditadura militar a que Bolsonaro serviu já estão de volta.

Com larga vantagem nas pesquisas, conquistada graças à lavagem cerebral feita com a contratação de milhões de fake news, Bolsonaro quer não só vencer a eleição no domingo, mas esmagar os adversários, antes mesmo do povo votar.

Como é que este celerado pode definir o destino de um preso, ex-presidente da República, à disposição da Justiça, que ainda nem teve julgamento do mérito do processo em última instância?

As declarações nazifascistas do capitão foram registradas pela imprensa nesta segunda-feira, em meio ao noticiário, como se fossem as coisas mais normais do mundo numa disputa eleitoral.

Mais adiante, a metralhadora giratória do candidato enfurecido foi dirigida também ao jornal Folha de S. Paulo, o único que denunciou a grande maracutaia das mentiras disseminadas nas redes sociais às vésperas do primeiro turno:

  • “A Folha de S. Paulo é a maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo. Imprensa vendida, meus pêsames”.

Para delírio do seu público uniformizado de camisetas amarelas e óculos escuros, ameaçou tipificar as ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra como terrorismo e prometeu dar retaguarda jurídica para a polícia “fazer valer a lei”. Em outras palavras, atirar para matar.

No mesmo domingo que antecede as eleições, foi divulgado o vídeo com as ameaças feitas ao Supremo Tribunal Federal por um dos filhos parlamentares do capitão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal mais votado do país. Em palestra num cursinho para a Polícia Federal, no Paraná, recheado de palavrões, o filho do capitão deu o tom da nova ordem:

  • “Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não”.
  • “O que é o STF? Tira o poder da caneta de um ministro do STF. Se prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF, milhões na rua?”
  • ” É igual soltar o Lula. O Moro peitou um desembargador que está acima dele. Por quê? Porque o Moro está com moral para cacete. Você vai ter que ter um culhão filho da puta para reverter uma decisão dele”.

Até as 10h40 desta segunda-feira, só o decano do STF, ministro Celso de Mello, havia se manifestado sobre esta afronta, para qualificar o filho do presidenciável como “inconsequente e golpista”.

Dias Toffoli, o presidente do STF, estava em viagem a Veneza, e preferiu ficar em silêncio, “para não jogar mais lenha na fogueira”.

Rosa Weber, presidente do TSE, convocou uma entrevista coletiva, que durou três horas, para no fim dizer que “ainda não descobrimos milagre contra as fake news”. Providência? Nenhuma.

Mas ela garantiu que “as instituições continuam funcionando normalmente”.

O empenho da ministra em apurar as denúncias ficou evidente nesta declaração:

“Nós entendemos que não houve falha alguma da Justiça Eleitoral no que tange a isso que se chama fake news. Todos sabemos que a desinformação é um fenômeno mundial”.

E ficamos assim.

Vida que segue.

 

48 thoughts on “A escalada final: Bolsonaro já prenuncia ditadura antes mesmo da eleição

      1. Voto no Haddad com convicção, mas não posso deixar de reconhecer que a noite escura que parece inevitável foi criada por dois erros primários dos governos petistas (as indicações da maioria dos atuais ministros do STF) e do Lula/PT (permitir a candidatura da Dilma à reeleição).

        1. A culpa é de imbecis que só sabem repetir: “é tudo culpa do PT”, pois o ministro Edson Fachin vivia fazendo discursos inflamados em defesa dos governos Lula e Dilma em vídeos disponíveis no Youtube pra quem não tem preguiça de pesquisar. Mas os imbecis acham mais fácil culpar o PT. Joaquim Barbosa foi erro de Lula ? Pois foi esse ordinário que deu a primeira e mais importante contribuição pra essa tragédia.

          1. O problema do PT é achar que, assim como ele colocou seus capangas dentro da petrobras para desviar dinheiro publico, também assim o faria com ministros do STF para fazer o serviço sujo, quando assim o precisassem. Dois deles toparam e fazem o possivel e impossivel, até mesmo deixar a Dilma sem perder os direitos politicos.
            Só que entre ser conivente e cumplice(como o PT quer) tem muita diferença. E assim mesmo ja fizeram muito para livrar a cara do LULa e seus comparsas, que diga-se, já deveriam estar presos desde a ação 477 do mensalão. Escaparam graças aos seus ministros indicados.

          2. É saudável um país ter uma alternância de diretriz de governo… o que é ruim na atual eleição é que a maioria está optando por sentimento de ódio sem ver o que pode acontecer…Mein Gott… eLLe não..( outra vez??)…

  1. caro Kotscho,estava num retiro espiritual este final de semana para desacelerar um pouco nestes dias tristes e me disliguei de tudo,mas na volta a dura realidade.Como diria a “lei de murphy”,”Nada é tão ruim que não possa piorar” e no momento é a única lei que realmente funciona neste pais.
    Com tantas atrocidades ditas e feitas contra a nossa já combalida democracia,o poder judiciário que não tem feito nada, está tão louco e ou embriagado que não reage nem quando atacado,ameaçado e ridicularizado por esses loucos bolsonaristas!
    E agora Portugal suspendeu a emissão de visto para brasileiros e até fugir está ficando cada dia mais dificil!!
    Agora é ficar e ver Nero colocar fogo em Roma e um bando de idiotas fantasiados de amarelo correndo com suas panelas gourmet cheias de água para apagar o incêndio,mas ai já será tarde de mais!!!!

    1. José Carlos, eu que vivo há 30 anos em Portugal, estou achando que todos, principalmente os classe m…..a , querem vir para cá, mas os portugueses que já viveram ditadura, não estão dispostos a ter em seu solo uma cambada de brasileiros para desestabilizar a nação pequena e tranquila. O Consulado Português, deu uma boa desculpa para desacelerar a emissão de nacionalidade portuguesa. E vejo a coisa daqui pra frente ficar bem pior para os que estão aí querendo vir. Agora uma coisa pode ter certeza, todos os brasileiros que estão aqui que votaram e votarão em Bozo, vamos mandá-los todos para o Brasil, para com o Bozo reconstruir o Brasil, mas com certeza, preferem viver aqui com governo de esquerda, e colocar o povo brasileiro no pior dos mundos.

  2. Muito tem-se falado em ditadura no Brasil ,depois de décadas de relativa democracia.Eu não acredito nesta possibilidade -O Brasil sobrevive a uma crise social e política-Qualquer especie de ditadura é plenamente inviável.Mesmo quando referem-se ao risco de o Brasil,torna-se uma nova Venezuela-Considero a possibilidade de Ditadura -DESCARTÁVEL.

      1. Que o Brasil se recuperrá de uma próxima possível ditadura, não há dúvida. Ele já se recuperou de duas outras, a do Etado Novo e a de 1964, a última delas ainda de modo relativo – mas saiu do vermelho. O problema é o custo social da ditadura e da luta contra ela.

  3. Meu caro Kotscho,
    Diante da barbárie, só nos resta a poesia para enfrentar a realidade. Como bem disse Cervantes, “Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade”. Juntos resistiremos!
    Abraço,
    Ubalda

  4. Boa tarde caríssimo! Ricardo!e aos demais leitores que pensamos e pensando bem : Oi mito da caverna foi pensado por Platão para nos ajudar a pensar que é sair da caverna que tem que sentir no ser. Hoje eu penso que estão fazendo o seguinte colocando a caverna dentro do homem. Na negação do que pode ser creditado como o melhor é frutuoso da democracia. Antônio Roberto. PICANHAS ALAGOAS.

  5. Kotscho, não costumo fazer comentários longos, mas neste caso não tem como.
    Antes do primeiro turno, nos confins da zona leste de São Paulo, dei carona a um mecânico que presta serviço pra mim; um jovem preto, nordestino, pouca escolaridade, da extrema periferia de SP, uns vinte e poucos anos, o perfil que a polícia gosta de botar contra a parede com as mãos pra cima.
    Ao passarmos por uma viatura da PM ele comentou que odeia a polícia, justamente por ter sido “enquadrado” várias vezes, mas naquele momento, por estar comigo, um coroa branco com um carro bom estava tranquilo e certo que não teria problema.
    Perguntei em quem ele iria votar e ele disse que ainda não sabia. Não revelei meu voto, mas falei para ele que não votasse no futuro ditador, que ditadura é um regime horrível, viiolento, que existiam várias opções no primeiro turno. Ele me perguntou como era a ditadura, (tenho 60 anos, vivi durante parte do regime).
    Usando a vida dele como exemplo, já que ele reclamou da PM, eu expliquei que no regime militar, a polícia se achava detentora do poder, fazia a lei e o julgamento, e no caso dos jovens pobres da periferia, como ele, poderia, ao invés de colocá-los com a mão na parede, levá-lo para uma delegacia, ou para o mato, espancá-lo, torturá-lo, estuprá-lo, matá-lo, e jogar seu corpo no num rio, e sem os “direitos dos manos” tudo ficaria por isso mesmo. Ele ficou perplexo: Era assim mesmo? Vixi, não sabia não! confirmei com mais alguns exemplos como o caso Herzog. Depois do primeiro turno, perguntei em quem ele havia votado, e adivinha? No ditador. Na semana passada, perguntei em quem ele votará no segundo turno… no ditador. A influência é muito grande, quase todos seus clientes, amigos, fornecedores, são eleitores do ditador. Tudo que falei pra ele sobre a violência da ditadura foi inócuo. Como ele me disse ser vítima frequente dos “enquadros” da PM, provavelmente será enquadrado novamente quando o ditador assumir, provavelmente mais vezes, dai vou perguntar como foi o tratamento, e espero que ele possa responder. Resumindo, a barata está votando no chinelo.

    1. Depoimentos como o seu se repetem, Eduardo. Fico pasmo com esse fenômeno.

      Perguntei a uma amiga minha, cientista social, o porquê dessa tendência, e ela disse que nem as ciências políticas nem a sociologia explicam, só a psicologia social e a psiquiatria mesmo pra tentar dar conta.

  6. Para o mundo que eu quero descer, não consigo acreditar nas insanidades que leio e ouço, cada dia que passa fico mais apreensiva e aterrorizada mas como o importante é acabar com a “roubalheira do PT” o povo vai pagar pra ver. Sinto muito por nós todos. Abraço.

  7. O quadro do estado de exceção futuro a que aspiram: conselho de notáveis sobreposto ao STF, Moral e Cívica como disciplina obrigatória, polícia do pensamento nas escolas, sindicatos e faculdades. Seguindo análise do Nassif, a função do ato inaugural antes mesmo da posse: “Seu papel será “analisar e compartilhar dados e de produzir relatórios de inteligência com vistas a subsidiar a elaboração de políticas públicas e a ação governamental no enfrentamento a organizações criminosas que afrontam o Estado brasileiro e as suas instituições”. A constelação seria formada, ainda segundo Nassif: “pelo GSI, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), os serviços de inteligência da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, com o apoio da COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda), Receita, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Segurança Pública; Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Segurança Pública”.
    O quadro do estado de exceção atual: um estado paralelo à revelia da lei, mas em nome dela; um estado jurídico-policial dentro do estado, que emprega uma hegemonia intimidadora e encurraladora contra seus próprios colegas, articulado como nunca com a linha dura das Forças Armadas.
    Com esse duplo pano de fundo, entende-se, mas ainda custo a acreditar no que foi dito, melhor o teor da fala do filho do favorito nas eleições presidenciais. Eles realmente acham que a eleição, a rigor, é uma guerra vencida e que todo pensamento dissidente, em função disso, será dizimado; a Constituição e o STF são penduricalhos a serem removidos com decretos presidenciais anunciados em jipe com alto-falante. Tem algo estranho aí: acho que esqueceram de combinar com as Forças Armadas. Estão lançando ameaças veladas contra quem, uma vez que o antipetismo perde seu objeto no final deste Domingo?

  8. A que ponto chegamos, Kotscho. STF acovardado, como bem disse Lula; TSE omisso; ameaça explícita aos movimentos sociais, às esquerdas etc. Não consigo compreender as pessoas darem apoio a um fascíola. Sou jornalista em atividade há mais de 30 anos e pela primeira vez em todo esse período estou com medo.

  9. Quando Damous falou em fechar o STF foi defendendo o fascismo, a ditadura ou só força de expressão?
    O que o Plano de governo do PT quer dizer com “controle social” do STF?

  10. Enquanto isso, nós que ainda temos juízo e respeito pela democracia (principalmente os chamados formadores de opinião, como artistas, políticos, juristas, jornalistas, escritores, OAB, CNBB, etc.), caminhamos ordeiramente, feito carneirinhos, para o matadouro. Não há reação dessa gente e dessas instituições. Enquanto as milícias bolsanarianas (arianas?) desfilam impune pelas avenidas do que ainda resta do Brasil.

  11. RK, eu estou cada vez mais estarrecido com o fato de um cidadão como este candidato ter conseguido convencer a maioria do eleitorado desse país. Todas as mazelas, que tão bem sabemos existir, não justificam dar voto a um ser dessa (tão baixa) categoria. Me assusta, me irrita e me entristece amigos próximos e familiares (meu próprio pai, inclusive) estarem convictos de que a solução para os nosso problemas é apertar o número 17 no próximo domingo. Resistiremos até o fim! A democracia, esta sim, deverá estar acima de todos. E, parafraseando a ti mesmo, e com muitíssimo pesar, “vida que segue”.

  12. …”Vai ter que se COLOCAR SOB a lei de todos nós”… se quiser viver aqui e em liberdade.
    A lei de todos nós vai ser o que o capitao quiser e o que o Congresso votar adicionalmente a isso.
    Duvida não deixou nenhuma.

  13. Canário-da-terra
    Não nego ser um Canário-da-terra. Já me livrei do cinza de nascença e da juventude. A plumagem amarela, com tom avermelhado na cabeça, denuncia que sou adulto.
    Nunca fugi da minha natureza. Nasci ouvindo cantos. Cresci aprendendo a cantar. É hoje é o que faço de melhor: encanto meus pares decantando um suave som, quase imperceptível aos de alma bruta. E há uma razão para cantar assim. Aprendi com os pássaros mais velhos que é possível amolecer o rude com o canto.
    O sol já deitava no horizonte anunciando a noite. O dia foi muito tranquilo. Cantei, cantei e apenas cantei. Nesta tarde todos cantaram muito, como se uns tivessem chamando os outros. Lembrei, então, de uma passagem contada por um dos meus antepassados. Sim, contada mesmo, pois de tanto sofrer ele esqueceu como cantava e acabou me contando tudo num cantinho.
    Era um ancião cinzento. E eu um jovem insurgente contra todo o sistema. Minhas penas não haviam sofrido o que ele sofreu. Ele cantarolou ao meu ouvido, baixinho, que tudo começou sem que os outros soubessem. Primeiro só alguns cantavam. Depois, parecia um turbilhão de cantadores, todos bem amarelinhos. Nunca tinha ouvido uma cantoria daquelas. Era bonita de ouvir. Não sabia, o velhinho, em qual ano tinha acontecido tudo aquilo, apenas sussurrava que foi na década de sessenta.
    Não sabiam, à época, que o canto também pode aprisionar. Não sabiam que estavam sendo contados. O caminho era o mesmo: alçapões soltos aos milhões catavam os que se aproximavam cantando. Continuavam cantando por mais dois ou três dias, quando então descobriam que estavam engaiolados. Nas gaiolas, era apenas aflição e cacarejo. Logo o encanto desaparecia. O desencanto tornava todo dia. Ficavam sempre no mesmo canto, sem cantar. A plumagem amarela vibrante aos poucos ficava semelhante ao recanto, sombria e cinza.
    Lembro de ter-lhe perguntado como que eu nasci cantando. O velho pássaro decantou que foram mais de duas décadas sem encanto para que eu nascesse livre para cantar. Disse que após a prisão de quase todos os Canários-da-terra, o verde oliva tomou conta de tudo. Nada se cantava sem antes passar pelo decote deles. Se alguém cantasse sem avisar era pior, pois passava pelo chicote deles! Confessou que o canto aprisionado é um canto triste para qualquer pássaro ouvir ou cantar.
    Ou era verde oliva ou não era nada. Se piasse ao invés de cantar o que eles queriam, a única certeza era o pescoço torcido. Relatou tantos degolados pelos cantos que ao final deixou o semblante falar por si. A lágrima escorrendo na face de quem nasceu para cantar e pouco cantou era o bastante para explicar choro silencioso.
    É por esse sonho, este canto de liberdade, que continuo a cantar em forma de conto. É por saber que filetas de gaiolas podem segurar o pássaro por duas ou mais décadas, mas jamais poderão aprisionar a essência do ser humano. É por acreditar na diversidade, no outro, nos outros cantos, que me encanto e não me assomo aos que hoje imaginam que estão cantando. É por saber que não basta ser verde e amarelo, tem que saber cantar livremente, como os canários-da-terra, que ainda desconfio de pássaros camuflados. É por acreditar que sempre há esperança que não pararei de cantar.
    Conto o que não poderei cantar amanhã. Canto hoje o que vão querer silenciar depois. Faço agora tudo mais baixinho e suave, um encanto mais encantador e menos encantado. Não quero trazer para gaiolas do passado os que hoje decantam comigo. Anseio que nossos filhos cresçam como canários-da-terra, sem precisar amarelar na hora de cantar e cantando, sempre e para sempre, a melodia mais lindo do mundo: liberdade!
    Outubro de 2018.
    Por Hallyson Jucá
    #elenão

  14. “Com larga vantagem nas pesquisas, conquistada graças à lavagem cerebral feita com a contratação de milhões de fake news, Bolsonaro quer não só vencer a eleição no domingo, mas esmagar os adversários, antes mesmo do povo votar.”

    O que me pergunto é se essa larga vantagem ocorre, mesmo, ou não passa de mera manipulação de márquetim.

  15. O Poder Judiciário, sobretudo o TSE, já se permitiram avacalhar desde o sepultamento da nulidade das eleições de 2014. Agora não só participam do próprio velório como carregam o caixão genuflexos ao esculacho institucional patrocinado diariamente pela ofensiva da direita crua, dura e nua no país. A “candidatura militar” e seu “projeto militar de poder” como tenho definido aqui desde sempre – mas que somente agora parece ter feito cair a ficha dos analistas que sempre desprezaram a tese de “militarização da política” -, não perdem a oportunidade de ampliar sua narrativa. Um rosna a direção do vento, outro sopra relativizando o contexto. Uma técnica típica de preparação do ambiente para o endurecimento das reações às iniciativas do Executivo. Como parece que os ministros do STF têm telhados de vidro, não seria de estranhar que o “bunker de contra-inteligência” do projeto militar de poder disponha de dossiês sobre a vida pregressa dos ministros, inclusive suas ramificações com escritórios de advocacia milionários. O silêncio do presidente do STF é ensurdecedor.

  16. Profundamente lamentável e decepcionante os pronunciamentos pusilânimes da ABI, Sindicato de Jornalistas, OAB, Comissão de Justiça e Paz, CNBB e UNE que, até agora, não demonstraram, nem de longe, estar à altura do momento, como já o fizeram, de forma desassombrada e altaneira, nos tempos dos saudosos Audálio Dantas, Barbosa Lima Sobrinho, Raimundo Faoro e Dom Paulo Evaristo Arns.

  17. Kotscho e amigos, “é tudo culpa do PT”. Aécio, que se aliou a Eduardo Cunha pra paralisar o Congresso, não é culpado de nada. O PIG (partido da imprensa golpista) que integrou a quadrilha do golpe com Temer, Jucá, Geddel, STF, forças armadas, com tudo, também não. O empresariado (banqueiros, empreiteiros, doleiros, especuladores etc…) corruptor de políticos, desde os primórdios da humanidade, muito menos. Pastores corruptos, apoiadores do fascista defensor de torturadores, torturas e assassinatos, ídem. Lobistas e achacadores em geral, moros, dallagnóis, juizes venais, justiceiros de pobres/pretos/ prostitutas/petistas são todos pessoas de bem e inocentes. É tudo culpa do PT, inclusive a prisão de Lula, o impeachment de Dilma, a farsa do atentado contra Bolsonaro e a campanha fraudulenta do mesmo. Na Alemanha nazista, tudo era culpa dos ratos e ratazanas (judeus e judias). Estamos fud…. e mal pagos. Contra a imbecilidade do negro racista, da mulher misógena, do gay homofóbico e do pobre de direita não há antídoto. Como dizia Maquiavel, “nada é tão perigoso quanto libertar quem escolheu viver na escravidão”. Foram grandes e imperdoáveis, os erros do PT: combater a fome, a desigualdade e a miséria, distribuir renda, investir em Saúde e Educação, dar oportunidades iguais a todos, corrigir injustiças históricas, como quando nomeou Joaquim Barbosa. Esses foram os erros do Partido dos Trabalhadores e estou feliz por ter apoiado e participado de todos eles, como Darcy Ribeiro orgulhava-se de suas (dele) derrotas. Vida que segue …. sem rumo, sem esperança, sem luz no fim do túnel, pelas próximas décadas, espero estar redondamente enganado. Boa noite, Balaierios.

    1. Caro Victor Hugo, apesar do tardio da noite, li agora com muito prazer teu comentário, o melhor que você já publicou aqui.
      Dá uma olhada no meu Facebook, onde acabei de escrever sobre o interrogatório do Haddad no Roda Viva. Valeu. abraços

      1. Lerei agora mesmo, Kotscho. Espero que meu texto tenha agradado, também, meus manos Dias, Everaldo, CesarT, Enio etc…, pois aprendi muito com esses extraordinários Balaieiros. Ótima terça a todos.

    2. Lendo-o, ontem à noite, refiz a subida da Monte Alegre, horas antes, transpondo com dificuldade na calçada oposta, encostado ao limite dos prédios, seguindo à fila em mesma direção, ao coração da multidão espremida postada diante e em todas as proximidades, do Tuca, onde havia um telão, observando cada rosto, cada gesto, cada emoção, como também, misturadas, cada palavra deixada para trás na dupla caminhada, pela calçada e comentário, que ao final energizaram-me, um pela força da presença e vontade e o outro pela profunda presença de espírito e verdade, sentidas, e de quebra a surpresa de dar de cara com Mestre expressando o mesmo sentido, no comentário.
      Vitão, segundo Sartre, “Não existe um caminho traçado que leve o homem à sua salvação; ele precisa inventar incessantemente seu próprio caminho. Mas, para inventá-lo, ele é livre, responsável, autêntico, e todas as esperanças residem dentro de si”. Simone nunca o deixaria só e também nos socorre, ““Querer ser livre é também querer livres os outros”, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles” e, passando o traço, “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”.

  18. Caro Ricardo, estou assustado com o que vem por aí. Sou mais velho que vc, tenho 78, e quando universitário, me engajei na luta contra a ditadura.
    Pensei que nunca mais teríamos um ditadura em nosso país. O que vem por aí, me parece que será pior do que a última ditadura.

  19. Tem algo estranho mesmo: com a eleição praticamente ganha (é o que dizem todos analistas), parecem desproporcionais as reações em cascata da chapa da extrema-direita. A reportagem da jornalista da Folha, ao que tudo indica, fez vibrar uma corda inesperada, não só para os apoiadores de Bolsonaro, para todos!
    Uma declaração arrepiante em palestra no coração da PF paranaense, que ninguém deixou de ver como golpista e vinda daqueles com tudo para levar de vencida no Domingo! Vejam que o antipetismo compulsivo desta gente deixa de existir como objeto tão logo as urnas sejam apuradas. Não faz mais sentido. Eles dão a entender, porém, que já estão se movimentando noutra batalha (interna?), com a cortina de fumaça de uma elevação hiper-agressiva do tom contra o adversário anterior, praticamente batido.
    Cheguei a pensar que flagraram em si mesmos um lapso infantil, sentido como capaz de fragilizá-los ao extremo depois da eleição: bater na urna imaginária pretensamente violada para esconder o crime organizado do disparo colossal de fake news replicadas algoritmicamente, disparo de armamento cibernético comprado sob encomenda empresarial. Não se tolera entre militares, é bem sabido, manobras diversionistas despreparadas e desleais. Com o adversário na lona, teria sido o medo de mostrar o doping (antes muito bem escondido) para o juiz, de mostrar o truque amador ilícito para os profissionais da estratégia? Acho que não. Então o que foi? Certo é que não tem competência militar aí, tem em vez disso importação de procedimentos, bem sucedida no resultado até aqui e atrapalhada no apagamento das pegadas. Caiu mal!

  20. Prezado Kotscho: Estamos na beira de um quarto estado de sítio. Segundo consta no acervo da FGV/CPDOC o estado de sítio é a “Suspensão temporária de certas garantias constitucionais determinada pela necessidade de defesa da ordem pública e em cuja vigência o Executivo assume poderes normalmente atribuídos ao Legislativo e ao Judiciário. Foi instaurado em três oportunidades na história brasileira do pós-1930: em outubro de 1930, imediatamente após a eclosão do movimento revolucionário chefiado por Getúlio Vargas, em novembro de 1935, durante a fracassada Revolta Comunista, e em novembro de 1955, no bojo da crise político-institucional que culminou na deposição de Carlos Luz e sua substituição por Nereu Ramos na presidência da República.”

  21. Meu Deus!!!!! Quanta asneira desse blogueiro PeTralha !!!!
    Que Ditadura??? De onde você tirou isso ???. Pelo amor de Deus, vai saber interpretar um discurso, anti-criminosos saqueadores da Pátria, corja de ladrões, com seus tentáculos por todas pontas da máquina estatal, pra se locupetar em cima da miséria do povo ,que eles queriam transformar, pra poder ter o controle total da Nação.
    Incautos, cegos, tapados são vocês que não encheram o abismo que esse PT maligno, queria empurrar o nosso querido Brasil. Vão se arrepeder dos seus terríveis pecados. Por acaso os hosoitais melhoraram nesses 13 anos ??? A educação, a segurança pública ???
    Só saquearam essa nação, só acabaram com ela porque é rica e poderosa.
    Mas surgiu um corajoso, que junto com o povo honesto e inteligente, desse país, vai tentar por em ordem essa bagunça, que esses esquerdopatas deixaram.
    Brasil acima de todos
    Deus acima de tudo.
    Que Deus tenha misericórdia de vocês Petistas. Arrependam-se antes que seja tarde pra vocês !!!

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