O tempo acabou: com Lula preso, esquerda rachada perde rumo e o bonde da história

O tempo acabou: com Lula preso, esquerda rachada perde rumo e o bonde da história

Em fevereiro deste ano, as fundações de estudos políticos do PT, PDT, PSOL, PCdoB e PSB lançaram um manifesto propondo a formação de uma frente de esquerda em torno de programa mínimo comum.

O tempo passou e, de lá para cá, nada aconteceu. Cada um tomou seu rumo, cada vez mais distante um do outro.

Com Lula preso há mais de cem dias e o PT se recusando a discutir qualquer outra opção de candidato comum, não havia acordo possível para a formação de uma frente.

Do outro lado, a direita, também dividida, não conseguia encontrar um candidato competitivo para enfrentar a esquerda e o outsider Jair Bolsonaro, da extrema-direita de manicômio.

Na semana passada, tudo mudou. De uma hora para outra, percebendo o perigo, a direita se uniu em torno do tucano Geraldo Alckmin, que venceu o leilão do Centrão de Michel Temer e Eduardo Cunha.

Numa só tacada, Alckmin fez strike:  isolou Bolsonaro e Ciro Gomes, o candidato mais bem colocado da esquerda.

Ambos vinham cortejando os partidos fisiológicos em busca de alianças para aumentar seu tempo de televisão.

E a esquerda o que fez? Nada, nenhum movimento para reagir à ofensiva da direita unida.

Sem nenhum partido aliado e sem vice, Ciro se lançou oficialmente numa convenção esvaziada, em que procurou dar um cavalo de pau para a esquerda, depois de fracassar na guinada à direita.

Guilherme Boulos, do PSOL, o jovem líder do Movimento dos Sem Teto (MST), também foi lançado no fim de semana, mesmo não tendo nenhuma chance eleitoral, só para marcar posição.

Ao mesmo tempo, o Comitê Central do PCdoB, reunido no domingo, reiterou a manutenção da candidatura de Manuela D´Ávila, também só para marcar posição.

Único partido a ainda insistir na formação de uma frente de esquerda, o PCdoB conclamou os demais partidos a “construírem a unidade, já no primeiro turno, para vencer as eleições, derrotar a agenda neoliberal e neocolonial de Alckmin, Temer e Bolsonaro e retirar o Brasil da crise”.

Muito bonito, mas agora é tarde. Acabou o tempo para construir essa unidade da esquerda.

Já avisando que o PT “irá com Lula até onde der”, e repetindo que não há qualquer outro plano, Fernando Haddad anunciou o programa de governo do PT.

Entre os principais pontos, Haddad destacou que o partido irá atacar como prioridade a concentração dos meios de comunicação (leia-se Grupo Globo) e do sistema bancário, para mudar o perfil tributário do país, aliviando a carga sobre os pobres e cobrando mais dos ricos. Nada de novo.

Em resumo: os outros partidos de esquerda têm candidatos sem programa, apenas algumas vagas ideias e o PT continua sem candidato.

Esquecem-se todos que só faltam 76 dias para as eleições e o prazo para o registro de coligações termina no dia 15 de agosto.

E a campanha na televisão foi reduzida este ano para apenas 35 dias.

Sobra muito pouco tempo para o PT tornar competitivo um candidato capaz de herdar os votos de Lula, que não abre mão da sua candidatura e continua empenhado mais no front jurídico do que no político.

Desta forma, o PT também não conseguiu fechar nenhuma aliança até agora nem se mostra disposto a bancar nenhuma candidatura de outro partido.

Sem esperanças de conseguir o apoio do PT e sem fechar com o PSB, que deverá se manter neutro na eleição, Ciro ficou falando sozinho.

Em resumo: a esquerda desunida está entregando de bandeja a eleição para a direita unida e perdendo o bonde da história.

Depois de chegar ao poder em 2003, liderando uma frente de centro-esquerda, e ser derrubado pela ampla aliança golpista em 2016, o PT corre o risco de pela primeira vez ficar de fora do segundo turno.

Do jeito que as coisas andam, não será impossível que o segundo turno seja disputado entre a direita e a extrema direita como aconteceu na França de Macron.

Agora que a direita encontrou um candidato, pelo menos já não corremos o risco de melarem as eleições de outubro.

Mas, em compensação, poderemos ter apenas a continuidade do governo de Michel Temer, sem Temer.

Vida que segue.

 

30 thoughts on “O tempo acabou: com Lula preso, esquerda rachada perde rumo e o bonde da história

  1. Por falar em esquerda – Quem não está “perdendo” o bonde da história é o novo presidente cubano -Com recente medida,a qual vem a reconhecer o direito a PROPRIEDADE privada!-O “governo” venezuelano” e as esquerdas brasileiras insistem no caminho contrário!.NO RETROCESSO!.Aos tempos da União Soviética.SErá que é influência do bruxo Putin nas Américas()

  2. Com Lula preso, mas tentando se movimentar de Curitiba, as esquerdas não apresentaram nenhuma liderança para realizar tal articulação. Tod@s apontando para a unidade, mas ninguém abrindo publicamente o diálogo. Com #LulaLivre, o que quadro seria outro.

    1. quanta preocupação com o PT,acho engraçado que todas as pesquisas demonstram que se Lula for impedido elege até um poste,por que então o PT abriria mão de ir até o último dia das inscrições para lança-lo?Haddad ,Gleice e J Vagner não são postes pelo contrário bem conhecidos.A cada dia que passa uma parcela da classe média que foram as ruas se decepciona e se arrepende da atitude.O PT estará no segundo turno com Lula ou sem ele ,a direita já tem isto como certo.Ricardo sua preocupação é com as esquerdas ou com algum candidato não do PT que vc gostaria de já ser ver apoiado como cabeça de chapa ?A noiva é Lula e a espera faz parte do cerimonial!Quem tem estar desesperado,este sim é o PSDB!

  3. Caro Kotscho:
    Infelizmente é isto mesmo. As esquerdas estão marcando posições, mas NÃO ESTÃO INDO AO ENCONTRO delas. Parecem muito mais crianças birrentas, inconsequentes.
    Desculpe-me o uso de maiúsculas, mas o desapontamento é muito grande.
    Abraços decepcionados,,
    josé maria

  4. Indo às origens do que é esquerda na política, vou lembrar que durante a revolução francesa parlamentares disseram que não eram braço direito do rei e dos poderosos, por isso ficariam á esquerda “defendemos os pobres e oprimidos”
    Defender os poderosos é fácil, basta concordar com o que eles querem.
    A esquerda tem que mudar as coisas. A esquerda tem que apresentar soluções.
    E como soluções para problemas sociais não são simples, aparecem opiniões divergentes e a esquerda se divide!!!
    Alem disso, mesmo que a esquerda chegue ao poder, ela imediatamente tem que conviver com o poder!
    E aí que a coisa complica mais ainda!!!
    Talvez esquerda no poder seja uma utopia.
    Quem sabe um dia isso aconteça nalgum lugar deste nosso planeta!!!!

  5. Vejo que devemos olhar o Brasil de hoje e o esperado daqui a quatro anos para avaliar este posicionamento da Direção Nacional do PT. Ou pode até ser que tenhamos alguma surpresa neste cenário eleitoral tão nefasto para classe trabalhadora.

  6. Kotscho:
    desculpe-me voltar a postar, mas vale a pena ler o texto do Aldo Fornazieri no blog de hoje do Nassif.
    josé maria, outra vez.

  7. Um dos maiores, senão o maior, dos defensores do lulo-petismo jogou a toalha. Sob o mesmo argumento que temos alinhavado aqui, desde que Lula viu o sol nascer quadrado. O professor Guilherme dos Santos informa: “Minha tolerância com o caudilhismo petista se esgotou. Hoje, depois da unidade formal da direita, o PT dissipa sua história sob a forma de implícita colaboração para a continuidade da plutocracia paulista”. Em miúdos: Lula e o PT tornaram-se cabos eleitorais da direita.

  8. O cenário é esse mesmo, Kotscho: não há líderes, não há esperança, não há luz no fim do túnel, não há luz, não há túnel e a unica certeza é o caos que se avizinha e não poupará ninguém. Quem viver, verá. Que Deus tenha misericórdia do povo brasileiro.

  9. A tática de Lula e do PT, de apertar o parafuso até a última volta espanar a rosca, não é nova nem costuma dar certo. A tática do lulo-petismo é a “Tática Roriz”. Quem não se lembra do folclórico Joaquim Roriz, cuja candidatura ao governo do DF foi empurrada com a barriga até o último minuto, de tal modo que, com a complacência da Justiça Eleitoral, a foto dele não foi trocada pela da esposa, e até o nome do marido permaneceu na urna eletrônica. Na hora de votar, o eleitor do DF clicou a tecla com a foto e o nome de Joaquim Roriz para eleger a sua cara-metade. A questão central para o lulo-petismo que adotou a “tática Roriz” é que a eleição de 2018 fica a anos-luz da cara-metade do ex-governador. Por que será que a candidatura Dilma – que Lula lançou em 2007, com a narrativa da “mãe do PAC’ – não é agora trazida para a frente do cenário do PT, já que é o “nome mais conhecido” do lulo-petismo, depois de Lula, com a experiência de ter concorrido em duas eleições, que consumiram, por baixo, cem milhões de reais em propaganda e marketing eleitoral? A resposta é ululante: a experiência com Dilma é considerada – dentro do próprio lulo-petismo – como a mais desastrosa desde a fundação do PT. O problema é que o lulo-petismo não aprendeu a lição. Vai insistir outra vez, com um “novo poste”, porém em uma situação completamente diferente. Para preparar a candidatura Dilma, no auge de sua popularidade, quando Lula elegeria facilmente até o Tiririca, o ex-presidente consumiu pelo menos um ano e ainda teve que correr o país de ponta a ponta. Já agora, dispõe de sessenta dias e está engradado. Lula deve mesmo estar conversando com Deus e recebendo Dele a orientação divina de que no final tudo dará certo para ele e para o seu partido. Talleyrand diria: “não aprenderam nada; não esqueceram nada”.

      1. Trazer a candidatura Dilma “à frente do cenário”, não significa apresentá-la como a candidata presidencial, porque até o mundo protozoário sabe dos porquês. O fato é que o PT tem escondido Dilma de todos os palanques do país, exceto em Minas, onde seu antípoda tucano encontra-se mais sujo do que pau de galinheiro. O fato eleitoral é que o PT não quer ver Dilma, exceto nas Gerais de Pimentel.

          1. Sempre soube, Kotscho.
            Razão pela qual utilizei a expressão ser trazida “para a frente do cenário do PT”, obviamente não como candidata, porque seria submeter o PT a justificar a “política econômica levyana” responsável por jogar o país na recessão econômica, que o o”MT” aprofundou ao ponto de transformar a recessão levyana em depressão temerária.
            De qualquer forma, sendo seu o apontamento, merece que o esclarecimento seja reiterado.

  10. Caro Kotscho:
    Acho que estou velho demais para entender essa necessidade de união.
    No meu , talvez obtuso, modo de entender, no primeiro turno vota-se no melhor candidato, e, no segundo, no menos pior. Aí sim, caberia a discussão pela união.
    E se eleição servisse para mudar alguma coisa, há muito tempo já estaria proibida.
    Abraços.
    Adalton

  11. Luis Nassif parece ir ao encontro de Guilherme dos Santos. Nenhum dos dois pode ser acusado de anti-petismo, ao contrário: “O que está em jogo é o legado de Lula e seu próprio futuro político e seu papel na história. Se falhar nessa aposta de tudo-ou-nada, esquerda, centro-esquerda, forças democráticas estarão definitivamente fora do jogo. E Lula se tornará apenas um retrato na parede, lembrando os tempos em que o país parecia ter encontrado o seu destino.Daí a importância de se analisar a política de redução de danos e compor a frente democrática antes que seja tarde. Mesmo que signifique o PT abdicar de um protagonismo que, por direito, deveria ser seu”.

  12. Olhem só:

    Manuela D’Avila, Muita emoção e pouco raciocínio lógico;
    Ciro Gomes, muito ingênuo. Assim como o PSB estava levando em “banho maria” as negociações com o PT, a Direita fez a mesma coisa com ele, só que pior.

    Com toda certeza que quem estragou a possível união das Esquerdas, foi Ciro Gomes quando começou a criticar o PT, ao tentar se aproximar da Direita.

    É! Agora realmente já é tarde…

  13. Pô Kotscho, seu realismo é desesperante. Aqui de Portugal vejo o Boulos e a D’ávila se lançando no vazio, cada um procurando seu espaço no universo da mídia, sem trazer nada de concreto pra eleição da esquerda. Ciro, com o balança pra lá, balança pra cá, ficou falando sozinho. Será que essa turma não consegue fazer a leitura das pesquisas?

  14. O Fato é que um terço do eleitorado quer votar no Lula. É Isso o que demonstram TODAS pesquisas. Então, Qual o problema dos partidos da esquerda se unirem em torno da candidatura Lula? Qual o problema de ter o Ciro Gomes como vice? Qual o problema em fazer os acordos regionais em torno de candidaturas mais viáveis do campo progressista?
    Resposta: ausência de lideranças com força e legitimidade pra tais decisões aliada aos projetos pessoais de pseudos líderes

  15. A campanha ainda não iniciou. Veja essa notícia: Não há outro termo para resumir os resultados da recente pesquisa presidencial do instituto Doxa em Minas (registro MG 08013/2018): um assombro. Preso em Curitiba e virtualmente inelegível, Lula abriu frente de dez pontos sobre todos os seus adversários e já vence com folga no 1º turno. É a primeira pesquisa registrada a mostrar Lula acima dos 40 pontos e com ampla maioria das intenções de voto no Estado. O ex-presidente chega a 41%, contra 31% dos outros somados; sua preferência é quase três vezes a do 2º colocado, Bolsonaro, que tem 15%. Marina e todos os outros aparecem na faixa de 6% a 1%: viraram nanicos.

    O trabalho de campo, com a coleta de 2.500 entrevistas domiciliares e nível de confiança de 95%, foi finalizado em 8 de julho, dia da guerra judicial em torno da soltura de Lula. Ou seja, captou os primeiros efeitos do imbróglio. Se os dados são indicativos de uma tendência, as próximas pesquisas devem encher a bola do ex-presidente. Há várias em curso no país. Três delas, feitas pelo instituto Vox Populi para o PT, saem a partir de amanhã.

    A transferência lulista virou um buraco negro na eleição. Um enigma a ser decifrado, forçosamente. E se a resposta não for correta, o candidato ou partido estará apostando no cenário errado. O problema é que esse enigma não é simples: as opiniões se dividem, as informações divergem. O Vox avalia que Lula transfere votos de 20% a 32% do eleitorado; o Datafolha, 30%. Outros institutos trabalham com índices modestos, até 12%. E há quem fale em apenas 6%. No momento, há número para todos os gostos e análises. Talvez, o real só se revele nas urnas.

  16. Kotscho é um ex-jornalista com prazo de validade vencido. Da mesma turminha de Clóvis Rossi e outros enrustidos adoradores de um muro. Aí, se equilibram e posam de observadores da cena politica.
    Depois de sair da Record, não resistiu largou-se nos braços da Folha, o jornal mais admirado pela direita paulista. A quem ele pensa enganar ?
    Felizmente, a internet chegou para tirar a máscara dos equilibristas da velha mídia.

  17. Mestre, minutos de calma no agito pelo esvaziar de Ciro a la direita, fazem-se necessários.
    Ciro e conselheiros, PHA, Wanderley Guilherme dos Santos e Mangabeira Unger, apostaram na estratégia de afastarem-se do PT e Lula, visando acordo com o “centrão golpista”, confiando em lula minguante e votos petistas, por gravidade.
    Os fatos, como ensina, mostram que “Lula”, apesar da ‘blitzkrieg da aniquilação’, movida por lavajateiros, além de Wanderley Guilherme e PHA, com escrita e vídeos, acossando-o, não só permanece candidato, como reina nas pesquisas, impedindo que golpistas vençam a eleição e legalizem o golpe, com consequências que isso implica.
    Já no Acordão, a direita golpista deixou Ciro pendurado na brocha, ao fechar negócio com o ‘Santo’, sob proteção de MT, com os dois pés na Pinguela do Atraso e, pior, disputando votos contra o ‘Dragão Armeiro’ e risco de não estar no 2º turno.
    Na insustentável situação de flutuarem em rarefeito ar político, desesperados, ‘Ciristas’ passam a berrar o “édito da Frente de Esquerda Urgente”, visando acomodar Ciro, para que Lula e PT o embalem, caso contrário, ‘Lula elegerá o candidato golpista’. Fala sério!
    Sem essa de “está entregando de bandeja a eleição para a direita unida”, pois a esquerda com candidatos em sintonia no 1º turno, estará unida no 2º turno. Portanto, a única frente que faz sentido é a de “Lula Livre e Candidato”, pois é “Lula” o foco da resistência ao golpe.

  18. Boa tarde ! Se , não conseguir fazer o Lula candidato o PT deveria fecha com o Ciro , pelos trabalhos que ele realizou quando ministro no governo de Lula e me parece que de todos os outros candidatos e digo respeitosamente que estão aí tirando Lula , Ciro e o mais qualificado e , é corajoso pra enfrentar essa turma do temer com letra minúsculas mesmo e os tucanos vamos gente não deixa essa turma permanece , governando nosso Brasil estão destruindo todas as conquistas que tivemos nos últimos anos .

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