“Candidatos não emocionam”: metade do eleitorado não votará, calcula Ibope

“Candidatos não emocionam”: metade do eleitorado não votará, calcula Ibope

Dos 142 milhões de brasileiros inscritos para as eleições deste ano, metade não deverá votar em ninguém, calcula o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, o maior especialista brasileiro em pesquisas eleitorais.

Ao constatar que o cenário está inalterado há mais de um ano, “como água parada”, Montenegro encontra dois motivos principais para esse desinteresse:

  • “Ninguém sobe nem desce porque os candidatos não emocionam”
  • “A população está enojada da política. Nunca vi o eleitor tão frio e desmotivado”.

Em entrevista ao colunista Bernardo Mello Franco, de O Globo, o presidente do Ibope fez uma análise pouco alentadora sobre as possibilidades dos principais candidatos:

  • Bolsonaro não será eleito. Se for para o segundo turno, não ganha de ninguém.
  • Candidatura de Marina Silva vai sumir assim que começar o horário eleitoral.
  • Sem alianças, Ciro Gomes deve ir pelo mesmo caminho.
  • Alckmin ainda é um enigma.
  • Com Lula preso, o PT terá dificuldades para transferir votos.

Ou seja, não sobra ninguém.

Como não será possível importar ou inventar candidatos, teremos uma eleição surreal, inédita no mundo: os eleitores não têm candidatos e os candidatos não têm votos, com exceção de Lula, o líder das pesquisas, que a Justiça tirou da disputa.

Após quatro anos de Lava Jato e dois de governo Temer, caminhamos para a eleição num cenário de terra arrasada.

Eleições normais costumam ser um importante processo de renovação de esperanças e de representantes, mas desta vez não temos uma coisa nem outra.

Muito ao contrário: os presidenciáveis competitivos estão todos na política há muito tempo; o desemprego cresce e o PIB cai, e não há nenhum risco de que o Congresso a ser eleito em outubro possa ser melhor do que este que está aí.

Mergulhados desde as eleições de 2014 na mais profunda crise política e econômica da história republicana, os brasileiros já não acreditam que a eleição possa melhorar as suas vidas.

O que esta análise de Carlos Augusto Montenegro demonstra, acima de tudo, é que os brasileiros desistiram do Brasil.

Conseguiram matar até as nossas esperanças, destruindo o presente e comprometendo o futuro. Não sobrou pedra sobre pedra.

A apenas 77 dias da abertura das urnas, é o que temos.

Bom domingo.

Vida que segue.

 

8 thoughts on ““Candidatos não emocionam”: metade do eleitorado não votará, calcula Ibope

  1. O Brasil não é um país de plena democracia -Pois,o VOTO ainda é OBRIGATÓRIO e carregado de ameaças.Além das fragilidades imponderáveis da mesma.Mas,ainda resta ao eleitor demonstrar a sua insatisfação no ato do voto.

  2. Quem está envergonhado e desiludido e o pato coxinha paneleiro. A esquerda ta mobilizada e aguardando o momento da largada para a grande maré vermelha.

  3. É preciso muito cuidado com o tucano Montenegro. Sua análise certamente está enviesada porque os que apoia. para os quais até se arrisca maquiando pesquisas, já foi flagrado mais de uma vez. Suas pesquisas próximas da boca de urna, vão acochambrando o que estava mostrando, no sentido de induzir votos, para se aproximar do resultado final. Nas oito eleições do período Lula/Dilma foi o que se viu. Basta verificar: dos problemas das cinco candidaturas que analisa, a de Lula, pelo que diz, não terá seu nome na cédula, e encontrará dificuldades para transferir votos, que não quer dizer nada. Lula não está preso por nenhum plano B, mas para candidatar-se, como diz, por ter convicção de que não é culpado do que lhe acusam sem provas e, isto, os tucanos golpistas e os aproveitadores desejam impedir.

  4. Em linha com o que o realismo da situação política-eleitoral recomenda, o PC do B é o primeiro a reconhecer a gravidade e o risco mortal da fragmentação no primeiro-turno. Do ‘comitê central”, um excerto, da nota oficial: “… o PCdoB conclama o PT, PDT, PSB, PSOL e demais forças progressistas a construírem a unidade, já no primeiro turno, para vencer as eleições, derrotar a agenda neoliberal e neocolonial de Alckmin, Temer e Bolsonaro, retirar o Brasil da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo de desenvolvimento soberano com geração de empregos, distribuição de renda e direitos. Da parte do PCdoB, reiteramos que Manuela d’Ávila, que segue com sua exitosa pré-campanha, renovará seu empenho para que se viabilize a união do campo progressista, condição imperativa para que alcancemos a quinta vitória do povo”. A conferir se só o lulo-petismo e Carolina não viu o dilúvio represado na montanha de água que se forma na onda que se vem elevando à direita.

  5. Não é que o brasileiro não queira votar. É que o candidato em quem o povo deseja votar foi injustamente encarcerado e sua candidatura será inviabilizada pelo judiciário. Este é o problema.

  6. O Montenegro parece ter bebido demais. O ex-capitão já está no segundo turno. Não existe a hipótese dele não estar lá. E no segundo turno, não será fácil derrotá-lo. Montenegro é um dos que repetia, como um mantra, a tese da desidratação do militar. Errou grotescamente. Mas parece que não aprendeu e repete estultices, como a de que Marina Silva vai sumir, ignorando que mesmo sem um segundo sequer de exposição e recolhida na floresta, ainda pontua mais de dez pontos nos institutos de pesquisa há oito anos. Ciro, mesmo sem pavio, também nunca deixou de marcar dez pontos percentuais no mapa eleitoral. Alckmin não tem nada de “enigma”; ao contrário, é a leitura mais explícita do “tudo que está aí”, e que ninguém suporta mais, como mostram todas as pesquisas. O tucano afundará junto com 40% do tempo de TV, em um abraço de afogados, com a escória política que aglutinou em torno de si. Lula na jaula é a obviedade ululante de que as dificuldades se multiplicaram na transferência de votos. Até um Tiririca preso sofreria da mesma síndrome. Portanto, Montenegro ficou longe de traduzir a dinâmica do quadro eleitoral. Evidentemente, Lula e o PT têm facilitado, e muito, o jogo da direita. Quem melhor tem capturado a movimentação do eleitorado tem sido o Data Poder 360. Com um universo pesquisado mais de duas vezes maior que o das pesquisas tradicionais, ainda que mediante consultas telefônicas, suas pesquisas cravam o ex-capitão no segundo-turno e mostram números que permitiriam à esquerda chegar ao segundo turno caso constituam um bloco enfeixando as siglas ora dispersas.

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