Pátria de chuteiras virou a pátria das togas triunfantes

Pátria de chuteiras virou a pátria das togas triunfantes

Saem Neymar e Tite, entram Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

A pátria de chuteiras batizada pelo Nelson Rodrigues virou a pátria das togas triunfantes que monopolizam o noticiário.

Em plena Copa do Mundo, os meritíssimos não saem das manchetes, dos editoriais, das colunas e dos cometários nas redes sociais. Só dá eles.

Os números não mentem: nos assuntos mais comentados da semana que a Folha publica aos domingos, o STF ocupa 13% do Painel do Leitor, empatado na liderança com a própria Copa do Mundo.

O que diria Nelson Rodrigues se fosse vivo diante desta anomalia institucional, que não se vê em nenhum outro país do mundo, a ponto de todo mundo saber o nome dos 11 ministros do Supremo, mas poucos sabem escalar os 11 do Tite.

Sob o comando supremo de Cármen Lúcia, que agora enfeixa os três poderes em suas mãos, coadjuvada pelo protagonismo onipresente de Gilmar Mendes, o STF dá as cartas na eleição presidencial, decidindo quem pode ou não ser candidato.

Na última semana, aproveitando que os brasileiros estão distraídos com a seleção na Copa da Rússia, eles resolveram cuidar também dos seus próprios interesses.

As togas triunfantes querem porque querem agora nada menos do que 12% de aumento em seus salários, os mais altos do funcionalismo público, para compensar a possível perda do auxílio moradia, um dos muitos penduricalhos que engordam seus salários.

O Brasil passando por uma grave crise econômica, com milhões de desempregados, corte de verbas na saúde e na educação, e os meritíssimos se articulam para aumento de 12% em seus salários? Que indignidade. Isso é Justiça?”, pergunta Lica Cintra, de São Paulo, no mesmo espaço do jornal.

Sim, Lica, assim é a nossa Justiça, que vive numa República autônoma e faz as suas próprias leis.

“Com o reajuste do Judiciário, o Minha Casa Minha Vida geraria dois milhões de empregos e entregaria um milhão de casas”, calcula o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, que não pode ser chamado de petista nem de comunista, sobre o que poderia ser feito com os R$ 12 bilhões, o custo do aumento reivindicado pela magistratura. .

Quem se importa com isso, quem pode impedir que mais esta barbaridade aconteça?

Com metade do ano perdido, sem terra à vista, o Brasil navega no escuro.

Hoje, domingo, 1º de julho, entramos no segundo semestre do ano sem saber para onde vamos.

Sem governo e sem oposição, com a economia piorando em vez de melhorar e o candidato “Ninguém” liderando as pesquisas presidenciais, o que se pode esperar dos próximos seis meses?

Nada, na melhor das hipóteses, mas sempre pode piorar. O pior de tudo é que ainda falta muito tempo para 2018 acabar.

Se o leitor acha que estou muito pessimista é porque desistiu de acompanhar o noticiário, o que eu também gostaria de fazer, para só ver futebol, mas não posso…

Apesar de tudo, bom domingo pra todos.

Vida que segue.

 

19 thoughts on “Pátria de chuteiras virou a pátria das togas triunfantes

  1. Pessimista? não. Está muito realista. É isso mesmo que está acontecendo. Seja quem for que seja eleito na próxima eleição não da para ver melhoras significativas.

  2. Eu vejo franceses chegando perto deles!
    Há muito tempo as luvas brancas e as togas aparecem manchadas de sangue. Sangue de inocentes! Palavra de adolescente. O que dizer aos mais jovens? Ensinei Valores Humanos por toda a minha vida. Agora penso que retirei suas garras de defesa. Deveria tê-los ensinado a portar armas e explicado que no Brasil Justiça é para os ricos e amigos? Como será a próxima juventude contaminada pela elite golpista?

  3. E ainda bem que sabemos os nomes do STF. O judiciário é o adubo ou o catalisador de toda corrupção que temos. O STF não cansa de nos mostrar isso dia a dia didaticamente. Futebol semore foi pão e circo enquanto o judiciário pintava e bordava o ano todo. Agora continuam com as mesmas práticas, mas cercados de seguranças fugindo dos tomates. Nosso futuro depende de um judiciário melhor, não de um caneco.

    1. Com todo respeito…
      Discurso de todo trombadinha é este na frente do Delegado…
      Seu Dotô… não fiz nada…estou aqui por causa desses puliças que não foram com a minha cara. ..
      Sou trabalhador…pai de família. Etc…
      Só mudou o status..O Delegado no caso é o STF, e os trombadinhas são esses políticos!
      Foi acusado? Que se defenda na justiça. (ponto)!

  4. Não existe dificuldade nenhuma de se entender o que acontece,a classe política é e sempre foi,sem exceção,um lixo.Sem se esquecer que o político é recrutado no seio da sociedade e também escolhido pelo sufrágio universal por essa mesma sociedade,conclusão lógica,é lixo escolhendo lixo.

    Até hoje se fala nos governos do período militar ,mesmo após passado quase o dobro de tempo da normalização institucional quando comparado com a permanência dos Generais no poder,e pior, de Getúlio Vargas, que fisicamente já é pó e também é invocado constantemente,ou seja, a carência da qualidade política,que é eleita pelo povo,é absurda e não existe espaço vago na natureza,o mais forte sempre ocupa.

    Critique menos e agradeça mais,pois as Forças Armadas não querem o posto,mesmo após um vice presidente duvidoso assumir,o outro ter sido cassado,todo o recurso financeiro das pessoas ter sido compulsoriamente roubado,um presidente condenado,uma outra chefe do executivo cassada e o último até o talo de denúncias.Agradeça pelo fato de os militares estarem rejeitando o poder nos últimos 30 anos,pois ia ser muito pior,todas as provocações iriam ser cobradas , ia ficar ruim prá todos.

  5. A casa de Maria Joana está de pernas pá o ar com seus representantes mais amalucados que já vimos
    Se agora há está assim, imagina então a partir de setembro , quando Tofolli chega à presidência Um ministro que sequer conseguiu passar em concurso de magistratura de primeiro grau, vai ser o comandante maior. E pasmem. Substituto eventual do presidente da república. Acho mesmo que até vamos ter saudades do Temer

  6. O que não faria o ministro Gilmar Mendes na surdina, nos corredores e coxias do Judiciário? O que não fez o advogado geral de União Gilmar Mendes no governo FHC? O que não fez o procurador Gilmar Mendes na Procuradoria da República? E o que não fará se continuar a patrocinar todos os donos do poder e do dinheiro no país? Se existe um ministro icônico da Casa Grande, não há dúvida de que se trata de Gilmar Mendes. Se for feito um breviário dos processos vitoriosos no STF que passaram pelo escritório onde milita a digníssima esposa de Gilmar Mendes, não há dúvida de que, proporcionalmente, os processos exitosos do clã Mendes estariam no topo de lista. Quanto o Instituto do qual Gilmar Mendes é patrono e associado recebeu de doações e contribuições de empresas com processos em tramitação no STF? Mesmo que não tenha julgado nenhum desses processos, sabidamente, não é apenas na Copa que os seletos jogadores fazem triangulações no meio de campo. Quantos processos seriam triangulados no STF? O STF está na berlinda e entrou no rol das instituições em que a população menos confia. O STF pode piorar? Tudo indica que sim; sobretudo com a onipresença de Gilmar Mendes, o falastrão mais deprimente dentre todos os ministros de um STF sob suspeita generalizada.

  7. Kotscho, parece que de nada adiantam as críticas da população, nem mesmo a imprensa que dia a dia perde sua força e importância perante os Três Poderes da República. A não ser, o noticiário recheado de elogios, claro.
    E os Três Poderes, seguem, sem se importar com os grandes devedores com a Receita Federal – um pequeno exemplo -, coisa aí acima de um trilhão de reais, que desgraçadamente não estão sendo cobrados.

  8. Dialogando com alguns temas nos comentários feitos ao blog:
    a) o problema é que a via Gilmardiana pode ser menos pior que a Barrosiana; risco absoluto assumirmos, desde a esquerda, a postura de ver o circo pegar fogo de vez de um ponto de vista hipermoralista. Se achar isso um ultraje, é voltar ao que disse, acertadamente, o Lewandowski sobre o limiar ultrapassado. Voto histórico!
    Risco de “costear o alambrado” pelo lado errado: respirando a mesma atmosfera tóxica do moro-daltonismo galopante, agora e só agora oportunisticamente apontado para além do PT. Risco assim de uma hipermoral “amarela”, desencadeada por um decisionismo jurídico. O nacionalismo contra o pobres, armado até o dentes, vai acabar no colo do paraquedista-que-não-cai nas pesquisas
    b) Chocada, estes dias ouvi de uma amiga de esquerda de longa data que, na beira do precipício, preferia até mesmo Bolsonaro a Alckmin, pois este seria o capital financeiro e aquele teria, pelo menos, um viés nacionalista. Minha resposta: a crítica mais severa feita à despedida pessedebista definitiva da socialdemocracia que ainda lhe restava, o partido colocando seu nome na história como artífice da confecção antidemocrática da narrativa do golpe, ainda o conserva a muitos passos antes da barbárie, com a qual ele flertou irresponsavelmente, na forma de um aprendiz de feiticeiro. Seja como for, há uma distinção aqui a fazer: um é a decepção amarga, o outro é o mergulho absoluto nas trevas.
    c) Cada de um um ângulo distinto, Kotscho, Lênio Streck e Werneck Vianna alertaram para o dano institucional de um superprotagonismo assumido pelo Judiciário, uma espécie de sequestro da política para fazer ainda mais política-com-sentenças e delações premiadas, como fraldas de bebês “premiados”.
    d) não seria o momento maior (e mais perigoso) de inflexão do curso da história recente brasileira, quando Gilmar Mendes se torna o vilão de toda a direita e de parte de esquerda? Não há algo de errado aí, até mesmo quando ele assume posições em defesa da liberdade de recurso (vejam que não usei a expressão de direito ao recurso)?. Não seria o STF a fina membrana que nos protege, ainda que não da forma mais contundente que desejaríamos, da recaída sem volta no regime de exceção total?

  9. As togas estão em alta porque são provocadas e ,de um modo geral não atuam de ofício. Virou moda perder uma causa no voto e recorrer às togas para intervir no processo. Insisto sr.Kotscho que ,matematicamente, por incrível que possa parecer, o Brasil suportaria bem a corrupção no nível atual . O Estado do Rio está, assim como vários outros, falido. Mas, a alta do dólar no último semestre, saindo de 35 para 90 dólares o barril abarrotou os cofres do Estado de dólares dos royalties. E no entanto essa MONTANHA de dinheiro foi toda carreada para o pagamento da folha de pessoal que, no mês de maio custou a bagatela de R$ 2.186.000.000 (dois bilhões e cento e oitenta e seis bilhões de reais) para pagar 486 mil servidores, sendo que 53% são inativos e pensionistas. Nenhum centavo foi para os serviços essenciais da população, ou seja, o Estado existe para o Estado. Vou lembrar que, o ex-governador do Rio, o notório Sérgio Cabral,durante os 8 anos de mandato surrupiou, segundo a justiça, cerca de 250 milhões de reais, ou 11% do valor de uma folha de pagamento — uma mixaria— (0;72% da folha ao ano) que por si só não faria diferença nenhuma na contabilidade . Mas, pasme sr.Kotscho, na última sexta feira a Assembleia aprovou um aumento salarial de 5% para o judiciário, que já tem o maior nível salarial do pais. A Polícia do Rio está sucateada e há um deficit de 10 mil homens, sendo que 4 mil já foram preparados mas não podem assumir porque não há dinheiro para pagá-los. Dentro de +- 5 anos, mais da metade da tropa atual poderá se aposentar, isso para a alegria e o gáudio da bandidagem. Lembrando ainda que recente documento divulgado nas Nações Unidas informa que a cidade de QUEIMADOS, na Baixada Fluminense, com taxa de homicídio de 134/100 mil bateu Caracas e se tornou a mais violenta do mundo. As togas triunfarão cada vez mais nesse ambiente onde todos gritam e ninguém tem razão.

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