Morreu o grande jornalista Audálio Dantas, um digno cidadão brasileiro

Morreu o grande jornalista Audálio Dantas, um digno cidadão brasileiro

Fiquei sabendo agora pela Thaís, neta dele, que trabalha com minha filha Mariana, uma notícia muito triste para todos os jornalistas e cidadãos brasileiros: morreu meu amigo Audálio Dantas, um cara que batalhou pela vida até o seu último suspiro.

Estive com ele poucos dias atrás num almoço com velhos amigos no Hospital Premier, onde ele viveu seus últimos dias, com a mesma dignidade de toda uma longa jornada de lutas, nem sei de quantos anos, porque até hoje há controvérsias, mas foram muitos, alguma coisa entre 80 e 90.

Trabalhou até onde deu, vivia com muito aperto apenas dos seus escritos, que lhe garantiam a sua sobrevivência e a da brava e unida família Dantas, comandada pela guerreira Vanira.

Audálio há tempos sofria de muitos achaques da saúde, um após outro, mas tenho certeza de que morreu foi mesmo de tristeza, ao ver o que fizeram do seu país, pelo qual sempre foi muito apaixonado.

Nas nossas últimas conversas, ele já estava desesperançado de que a nossa geração ainda conseguisse ver o Brasil com que sonhamos a vida toda, mais justo, mais humano, mais decente.

Sertanejo valente das Alagoas, este brasileiro de muito talento e firmeza foi um dos protagonistas da passagem da ditadura para a democracia, quando falar a verdade sobre o assassinato do jornalista Vlado Herzog nos porões da ditadura era correr risco de vida.

Para quem quiser saber mais sobre a sua história, é só entrar no Google, porque agora vou ao velório para ver se é verdade que ele morreu mesmo.

Homens como Audálio Dantas nunca deveriam morrer. Continuarão vivos na nossa lembrança como exemplo dos brasileiros que não se vergaram nunca.

Vida que segue para quem fica.

 

 

35 thoughts on “Morreu o grande jornalista Audálio Dantas, um digno cidadão brasileiro

  1. Me parece que vc não é adepto de publicar outros endereços em seu Balaio,de qualquer forma está aqui um documento sobre um evento que eu estive presente no Comando Militar do Sudeste e assisti a intervenção de Audálio Dantas.
    Isso pode ser entendido como uma forma de materialização do seu bordão ¨vida que segue¨,infelizmente pouco ou nada compreendido pela maioria de seus seguidores.
    Toda sorte para o Audálio Dantas na nova empreitada.

    http://gabrielaorrutia.blogspot.com/2011/09/v-ciclo-de-comunicacao-social-exercito.html

    1. Oromar, poucos entenderam o “vida que segue” e voce não entendeu o trecho: “…..quando falar a verdade sobre o assassinato do jornalista Vlado Herzog nos porões da ditadura era correr risco de vida.” Entendeu, não, Oromar ? Vou desenhar pra voce: os milicos que voce tanto admira assassinaram Herzog e qualquer um que tocasse no assunto, teria o mesmo fim. E porque voce não teve coragem, uma vez que já tinha retornado ao Balaio, de comentar no post “Cia Revela: Geisel e Figueiredo Mandaram Matar….”(10 de Maio de 2018). Ficou com medo Oromar ? Logo voce, o valentão que não vê a hora da esquerda pegar em armas pra sacar as suas !!! Que fiasco !!!

      1. A resposta foi dada sim,só não foi publicada.

        Jamais irei polemizar com você nesta publicação em memória de uma pessoa que tive a oportunidade de compartilhar as experiências e conhecimentos, além de ter apertado a mão direita mesmo que tenha sido uma só vez na vida.

        Impressionante sua falta de berço!

          1. Sábia decisão!!!!
            Não é para ler esse tipo de coisa que frequento e gosto muito do Balaio. Ao Audálio meus agradecimentos profundos.

          2. Tá certo Kotscho, senão o Balaio vai ficar que nem as outras redes sociais, onde indivíduos agem que nem excrementos humanos da sociedade. Quem é blindado no sangue de Jesus Cristo não fala mal, não calunia e nem gera conflitos…

  2. Audálio Dantas foi o primeiro presidente eleito diretamente pela categoria para uma federação de trabalhadores, a FENAJ em 1984 (se a memória não me trai). Eu fui eleito diretor de base por Juiz de Fora e o Kotscho vice-presidente. Éramos de chapa diferente da de Audálio, mas somos testemunhas de sua grandeza política. Ele sempre atuou em defesa da categoria e nunca discriminou qualquer membro da diretoria. Conciliador sempre e radical quando era imperativo. Uma visão estratégica admirável. Há alguns poucos anos ele esteve em Juiz de Fora em nossa universidade federal. Queria estar presente para lhe dar um abraço fraterno. Lamentavelmente eu estava viajando na data. Para mim ficam muitas lembranças. Mas duas delas são inesquecíveis: sua atuação na denúncia do assassinato do Vlado e ter sido o primeiro presidente eleito pela categoria da Federação Nacional dos Jornalistas. Fica a admiração e a saudade desse grande guerreiro brasileiro.

  3. Que tristeza, caro e prezado grande repórter RK.
    Audálio Dantas era um dos cinco maiores repórteres brasileiros, ao lado do Zé Hamilton, Joel Silveira, Edmar Morel e, claro, Ricardo Kotscho.

  4. Em dez de 2017,fui ao Hospital Premier, onde Audálio Dantas, alagoano da gema, jornalista de direito e de fato, iria receber o prêmio AVERROES 2017.
    Tudo o que vi foi um Festival de Afetos.
    Diferentemente de outras cerimônias de premiação, o glamour emanava da camaradagem, do abraço amigo e da presença daqueles que nutrem respeito e admiração pelo Audálio: o reconhecimento da trajetória o mais próximo possível da coerência da atuação do jornalista e do homem.
    Uma beleza imensa.
    Hoje olho as fotos e assim guardo comigo a lembrança de um exemplo de luta e simplicidade..até sempre….

  5. Orgulho de quando entrei na faculdade de jornalismo em Maceió, ele era referência como profissional, como liderança na nossa categoria, como cidadão e ainda meu conterrâneo. Dia triste.

  6. Audálio Dantas, grande como poucos e na hora mais precisa, quando separam-se dos ‘homens’, os predestinados a fazerem honrosa a história.
    Via-o nos últimos anos, bissextamente, pelos corredores do ‘Pão de Açúcar’ da Cardoso e ficava observando-o, em suas jaquetas, despojado e anônimo, misturado as pessoas, que não demonstravam saber a estatura e a história de quem ali se encontrava.
    Após Dines, o jornalismo brasileiro e sobretudo o Brasil, perdem mais um pedaço vivo do que se orgulhar.
    Triste tempo.

  7. Devagarzinho os amigos do Kotscho vão indo para a outra dimensão. Este aí era da década de 50-, lembro que certa vez ele foi mencionado aqui no Balaio, pois tem um livro dele que trata realmente da vida, e mais explicitamente, sobre as torturas comuns no regime militar, que, certamente, levaram a morte de Vlado Herzog.

  8. Se o jornalismo tem um gigante, é Audálio. Ao lado de Faoro, Arns e Barbosa Lima Sobrinho formou a linha de frente da redemocratização e luta contra a tortura contra aqueles que Ulysses Guimarães muito bem denominou de “facínoras que mataram Rubens Paiva” (e que se escondem até hoje debaixo da saia da Anistia). Amém, Audálio. Lima Sobrinho, Dom Evaristo e Raimundo Faoro o aguardam para um longo abraço eterno.

  9. Jornalista de “mão cheia”, eterno líder da classe. Conciliador e corajoso defensor da democracia. Vi a foto a que você se refere. Um encontro muito recente nas nossas memórias. Perdemos o Audálio!

  10. Primeiro foi o Fernando Pacheco Jordão, semana passado o Dines e hoje o Audálio. Estamos ficando órfãos dos grandes mestres do jornalismo

  11. Sua coletânea de reportagens “O circo do desespero” trás verdadeiras aulas de jornalismo, de entrevista, de abordagem objetiva, que usei muitas vezes como exemplo de procedimento em minhas aulas de Antropologia Cultural.

      1. É, de fato, uma preciosidade, que com seu prefácio fica ainda mais valorizado. Tenho o exemplar autografado e com dedicatória que ganhei dele, em que ele me chama de Pachecão, apelido que ganhei no Sindicato, nos tempos da virada, quando elegemos o Audálio para a presidência. Eu me lembro de como na ocasião o Audálio primou pela gentileza com relação às duas chapas adversárias, jamais se referindo a elas e a seus componentes de modo agressivo. E me recordo agora que além de mim, minha mãe usou seu texto para aulas de Português, no que se refere à clareza da expressão, quando ainda era professora secundária.

  12. Em 1975, ano da morte de Vladimir Herzog nas masmorras do DOI-Codi, pelos mesmos militares facínoras que mataram Rubens Paiva, (até hoje covardemente escondidos debaixo da saia da Anistia), Dantas foi um dos primeiros a contestar a versão de suicídio, falseada pela ditadura, e participou da organização de um ato ecumênico na Praça da Sé, oficiado por Dom Paulo Evaristo Arns, que denunciou o assassinato e os assassinos militares covardes.
    “Ele conseguiu o feito de reunir alguns milhares de cidadãos, a despeito dos bloqueios militares e das armas de agentes da Polícia Federal apontadas contra a multidão. Fará uma falta enorme, para mim e para o País”, diz Mino Carta. Por sua combativa atuação, Dantas foi agraciado com o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos das Nações Unidas em 1981.

  13. Kotscho, Dias, Rui, Clovis, Ivaci Matias, Shellah, Netho, Luiz (Kaká): aplaudo, de pé, as lindas homenagens ao grande jornalista que, por sua coragem, poderia ter desaparecido, como Herzog, nos porões da ditadura. Perdoem minha deselegância, mas ver um defensor ferrenho da ditadura militar tendo o displante de revelar que apertou a mão de Audálio Dantas virou-me o estômago. Bom feriado a todos.

    1. Não só do Audálio,como a mão do Heródoto Barbeiro e do Nemércio Nogueira,esse último tive a honra e o prazer de também dividir a mesa por ocasião do almoço que o mesmo aceitou participar no ¨rancho¨ do Comando Militar naquele dia.Pessoa inteligentíssima,ouviu mais do que falou naquele dia,saiu visivelmente impressionado e educadamente e para sorte dos que lá estavam se convidou para voltar.

  14. O pior, é que poucos da atual geração, tenham voces como exemplo de profissionais…mesmo porque, os veiculos de comunicação também estão morrendo.

  15. Caro Kotscho, estou muito triste com a partida do Audálio.
    Sei o quanto tu o amava, esse querido amigo que nunca faltou em nenhum dos nossos encontros de leitores do Balaio.
    A última vez que eu o encontrei foi no Centro de estudos de mídia alternativa Barão de Itararé, quando de um debate sobre a tragédia da ditadura militar assassina em que também estavam lá a Hildegard Angel, os atores Paulo César Pereio e Segio Mamberti, além de muitos jovens jornalistas para aprenderem com o mestre uma de suas aulas magnas de história e exemplos de profissão.
    Triste pela perda de mais um combatente de luta mas em paz por acreditar que a morte nada mais é que um outro plano da vida. Vai fazer falta, muita falta.

    1. Estão indo embora as referências da minha vida, gente que amava o Brasil, vamos ficando cada vez mais solitários.
      Mais que um grande jornlista, mestre Audálio Dantas era um cidadão de respeito que entregou sua vida para melhorar e tornar mais junto e decente este nosso pobre país. Estou muito triste.

  16. Que o Bom Pai das Luzes lhe dê o repouso Eterno.
    Ricardo, são belas as homenagens, sua e de muitos comentaristas aqui no Balaio. As pessoas não morrem, especialmente, um bom amigo como o Audálio. Apenas nos deixam por um espaço de tempo, aguardando para um novo encontro, num plano de vida, como já disseram aqui. O Audálio nos deixou. É só enxergar tudo o que ele fez por sua família, por seus amigos, pelo bom jornalismo, pelo enfrentamento contra a ditadura militar, pela luta sindical, pelos direitos humanos e pelo mundo afora. Ele é um companheiro e irmão. Ele vive e com ele vivemos também. Pela honra de poder ter o Audálio, apresentado por você, Ricardo, num encontro dos balaieiros, Ele é grande e sempre será!! Beijos e Flores para sua querida família e para todos os jornalistas coerentes e combativos!

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