“Procuram-se ministros”: quem agora vai aceitar convite de Temer?

“Procuram-se ministros”: quem agora vai aceitar convite de Temer?

Em tempo (atualizado às 14h15):

Começou a reforma ministerial de “mais do mesmo”: a Saúde continua com o PP de Paulo Maluf (entra Gilberto Occhi) e Transportes continua com o PR de Valdemar da Costa Neto (entra Walter Silveira). Não corremos o risco de algo melhorar.

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Poderiam afixar a placa de “Procuram-se _ Temos vagas para ministros” na entrada do Palácio do Planalto, tal a dificuldade que o presidente Michel Temer está encontrando para preencher as 14 vagas abertas pela desincompatibilização dos atuais ocupantes que irão disputar eleições. O prazo para sair termina no próximo sábado.

É quase metade daquele ministério que Temer queria diminuir no início do governo, mas já está com 29, e não conta com nomes “notáveis”, como a princípio prometeu, muito ao contrário.

Entre os que ficaram e os que saíram, muitos são investigados na Operação Lava Jato, e agora está difícil encontrar substitutos, faltando apenas nove meses de mandato.

Temer pretendia aproveitar a reforma ministerial para reforçar a campanha à reeleição, mas os mesmos partidos aliados, que passaram dois anos brigando por vagas na Esplanada dos Ministérios, agora já pensam duas vezes antes de aceitar um convite de Temer, todos de olho nas eleições e na rejeição popular ao nome do presidente e seu governo.

Até agora Temer só confirmou Eduardo Guardia no lugar de Henrique Meirelles, no Ministério da Fazenda, e Esteves Colnago, no Planejamento, de onde sai Dyogo Oliveira, que vai para o BNDES.

Depois de passar o fim de semana discutindo nomes com seus colaboradores mais íntimos, o presidente ainda não definiu quem vai para ministérios importantes como Minas e Energia, Educação, Desenvolvimento Social e Ciência, Tecnologia e Comunicações, entre outros.

No caso do Ministério de Minas e Energia, deve assumir o atual secretário-executivo, Paulo Pedrosa.

Na ausência de “notáveis” nos partidos aliados dispostos a entrar no fim de linha do governo Temer, esta deve ser também a solução adotada em outros ministérios para preencher as vagas.

Com a nova ofensiva do STF e da PGR contra o círculo de amigos do presidente, os antigos aliados já estão procurando outros pré-candidatos para negociar apoio, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o tucano Geraldo Alckmin, que não é nem governista nem oposição, muito ao contrário.

Quem saiu fortalecido no troca-troca da janela partidária foi o Centrão, que tirou parlamentares das principais siglas, tendo à frente as bancadas do boi, da bala e da bíblia, as mais poderosas no atual plenário.

Sem a grife de Henrique Meirelles, o mais provável é que teremos um ministério meia-boca só para cumprir tabela até o fim do governo, sem nenhum projeto relevante em discussão no Congresso.

E assim se arrastará a procissão até as eleições de outubro, com um olho no eleitor e outro no STF, e nas investigações da Lava Jato.

Vida que segue.

 

 

14 thoughts on ““Procuram-se ministros”: quem agora vai aceitar convite de Temer?

  1. O currículo para preencher não exige experiência, conhecimento ou capacidade, basta ser golpista e anti-petistas, alguns idiotas como Alexsander Flota, Gelatina Paschoal, Kim Kataguri e porque não alguns coxinhas aqui do balaio. Seria a consagração deles.

    1. Meu caro CesaT, tô até imaginando: Jotinha pra Ministro do Desemprego, Gilvanildo pro Ministerio das Contagens Regressivas e Mauricio Teixeira pra Secretaria das Bravatas. Eu mereço !!!

        1. Kotscho, peço mil desculpas a voce e a todos os participantes. Muito chato, mesmo. Mas nosso saudavel convivio e debate são sempre deturpados pelos falsos moralistas que não aceitam ser lembrados (tudo documentado aqui mesmo) que votaram, elegeram e apoiaram Eduardo Cunha, Aecio Neves, Geddel, Jucá etc… e partem pra ofensas e calunias. Lamentavel. Boa noite a todos.

  2. Kotscho, esses cargos de ministro serão distribuídos para deputados federais do baixo clero, que farão a maior festa em seus currais eleitorais como se estivessem sendo reconhecidos como notáveis. Pobre Brasil.

  3. Em tempo de prisões da Lava Jato, prisão a partir da segunda instancia, perda de foro previlegiado, é muito melhor garimpar um cargo de DEPUTADO do que ser um nobre Ministro. Até mesmo muitos Senadores que precisam concorrer, estão medindo a febre do eleitorado e muitos vão preferir a vaga de deputado para tentar manter o foro , do que arriscar-se a não ser eleito Senador.
    Foi-se o tempo que cargos eram preenchidos por mérito e curriculum tecnico.

  4. Prezado RK, estava assistindo a um filme do Orson Welles, baseado em uma peça de Shakespeare, quando uma frase dita por um personagem chamou a minha atenção.
    “Jesus, que dias vivemos!”
    Pois é, Shakespeare nunca foi tão atual.
    O Brasil, que parece ter virado a sucursal do inferno, também lembra um drama shakespeariano.
    O País está do jeito que Deus não gosta.
    E o povo come o pão que Deus não amassou.

  5. Desde que inventaram o tal do governo de coalizão, não há ministério de notáveis. Quanto mais o governo precisa “coalizar”, pior o ministério.
    A equipe da Dilma, nos estertores do seu segundo governo, era um show de horrores.
    Esse final do governo Temer provavelmente vai baixar a referência de comparação.

  6. Falando na federação, é hora de uma questão espinhosa. Brasileiras, herdamos todas por igual fora de São Paulo o cisma regional entre PSDB e PT? A resposta não é simples. Estado mais importante em vários âmbitos, esta disputa, sem dúvida, reflete a seu modo um conflito de proporções nacionais. O problema é saber se em hora crítica esta é a música de fundo. A extrema direita foi mais longe do que todas imaginavam, em tendência de votos e em ações, passaram do infantil palavrório fascistóide aos atos. Alguém ainda duvida disto?
    Proponho um quadro simples. Inelegível, pelo andar da carruagem, mas de forma nenhuma preso. No embrionário estado de exceção jurídico-policial que o mundo já reconhece abismado, Lula se exilaria em país relevante. Em vez da prisão, a luta de nomes mundiais de prestígio pela conquista, para ele, do Nobel da Paz. Lula, o cara, como Obama. Paz social na América Latina, sinônimo de Lula. Extravagância? Não, seu legado moralmente a salvo e uma candidatura sofisticada de uma frente de esquerda aqui dentro para encaminhar um pacto político-social no segundo turno com Alckmin. Contra a barbárie, Celso Amorim para presidente. Contra a barbárie, uma aliança nacional com o PSDB. Sim, o assunto “ministros” não nos envergonharia como hoje.

  7. O editorial de Mino Carta em Carta Capital tem tudo a ver com a narrativa do “post” (Suassuna desancaria-me pelo anglicismo). Carta concluiu, não sem muita razão, que “o país não tem futuro”.

  8. Acho que os principais ministérios são da Fazenda e do Planejamento. Pro outro lado, tenho pesquisado muito sobre esses escritores ditos da esquerda, e posso concluir que pegaram o barco errado da História. Muitos acontecimentos ainda estão por vir. Eles lembram os jogos de escape. A minha crítica é construtiva. Nem sempre, na vida real, alguns escapes são resoluções para os problemas. Hitler tb usou o medo como arma. Pensou que tinha a saída pra tudo. O escape é sempre um hábito que tem por fim causar efeito autodestrutivo na pessoa que o pratica. É algo que faz mal como vícios, exageros, excessos. Estamos na era na internet.

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