Temer e Cármen Lúcia andam muito irritados. E nós, como ficamos?

Temer e Cármen Lúcia andam muito irritados. E nós, como ficamos?

Os presidentes Michel Temer, da República, e Cármen Lúcia, do STF, têm se mostrado muito irritados desde aquela reunião sigilosa que tiveram sábado passado na casa dela.

Por que será? Certamente não foi por causa do cardápio servido no ágape.

Temer encarregou o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ex-chefe da tropa de choque de Eduardo Cunha, de a todo momento dizer aos jornalistas que “o presidente está muito irritado” com o ministro Luis Roberto Barroso, do STF.

O motivo desta terça-feira foi Barroso ter alterado o decreto de indulto natalino editado por Temer. Antes, já tinha ficado irritado com a quebra do seu sigilo bancário determinado pelo STF.

Marun chegou a sugerir a um grupo de deputados o impeachment de ministros do Supremo, sem citar nomes.

Cármen Lúcia tem outros motivos. Não aguenta mais as perguntas dos repórteres que todo dia querem saber se e quando entrará na pauta a reavaliação da prisão após condenação em segunda instância, o que poderá levar o ex-presidente Lula à prisão imediata pelo juiz Sergio Moro depois do julgamento dos embargos no TRF-4.

Ao lhe perguntarem como lida com as pressões, Cármen Lúcia respondeu secamente: “Eu não lido. Eu não me submeto a pressões”. Então, está bom assim.

A presidente do STF só não falou nada, nem lhe foi perguntado, sobre as pressões que sofre em sentido contrário, ou seja, para nunca mais colocar este assunto na pauta.

Em entrevista à rádio Cultura Foz, o ex-presidente Lula disse que se considera um condenado político. “A única coisa que peço é que leiam os méritos do processo. Mentiras deslavadas com o único objetivo de me tirar da eleição”.

O julgamento de um pedido de habeas corpus preventivo contra a prisão dele impetrado pela defesa de Lula também ainda não foi marcado por Cármen Lúcia.

Nesta quarta-feira, a presidente do STF finalmente recebe o advogado de Lula, Sepúlveda Pertence, em audiência solicitada no começo da semana passada.

E se alguém perguntar sobre isso, Cármen Lúcia vai ficar mais irritada porque, como já sabemos, não se submete a pressões.

E nós, como ficamos? Também temos o direito de ficar irritados se alguém nos perguntar por que vivemos tão irritados?

Vida que segue.

 

27 comentários em “Temer e Cármen Lúcia andam muito irritados. E nós, como ficamos?

  1. Indicada pelo PT sem uma carreira jurídica minimamente consistente, CL é uma atormentada, um ‘eu’ dividido… O problema de CL ultrapassa as agruras da dissonância cognitiva, que significa agir contra as próprias convicções…

  2. E se o povo acordar? Irritadiço é um povo “acordado”. Deram um golpe na Pátria. Querem impichar mais. Tomaram gosto pelo impeachment. Assim fizeram com vários crimes cometidos dentro e fora do porões do Jaburu. Marun é Ministrolixo. Um bandido contumaz deve saber escolher o vice da quadrilha. Marun, o ungido pelo vampiro… a vice. Vai, Barroso! Bote ordem na pocilga, o pior que pode acontecer ao belo Ministro, é o povo elegê-lo sucessor de Temer. Tem meu voto. Vai, Barroso. A Ameaça de Marunlixo não é falta de decoro? Afinal, o Ministrolixo Marun falou como se estivesse parlamentar em plena tribuna do Congresso. Vai, Barroso, a Pátria está acordando!

  3. Nosso STF não inspira confiança. Não podemos esquecer que já entregaram de mãos beijadas aos nazistas uma mulher com uma filha brasileira ainda no ventre.

  4. Só gostaria de saber por que uma matéria votada no final de 2016, prisão após julgamento em segunda instância em caso de condenação, tem de ser votada novamente… Muda o réu muda lei? Lula tem de ser tratado como qualquer cidadão, o que ele é. Que não aceitasse presentes de empreiteiros, como sindicalista com certeza sabia que não existe triplex, sítio grátis. Concordo com a declaração do Ministro Fachin ainda hoje sobre o tema, segundo a qual a matéria já está pacificada: “prisão após segunda instância não deve ser revista .” Bola pra frente.

  5. Tá irritada, passa pomada.
    Sendo uma juíza parcial- vide o caso do Aécio, quem tem de estar irritado é o povo, aguentando encontros prá lá de suspeitos dela com ” o” investigado, entre outras palhaçadas.

  6. Kotscho, quem anda irritado também é o jornal Lê Monde Brasil edição 128. Com o título, tribunais de exceção no Brasil, traz na capa uma charge antológica. Vale a pena.

  7. Não entendo uma coisa. Será que alguém com coragem explicaria? Mas sem voltas. Se o ex condenado é o preferido pela maioria da população e segundo as ditas pesquisas que resulta em milhões de votos não consegue reunir 10% desses eleitores em uma manifestação pacífica? Será que a única verdade da última pesquisa é que mais da metade da população brasileira quer o condenado na cadeia? Vida que segue

    1. Quando o Supremo decidiu, em 2016, por 6 a 5, que os tribunais de segunda instância poderiam executar a pena de um condenado, decidiu precisamente o que aí vai: “podem”, mas não são obrigados.
      Tal votação, que não foi uma decisão que vale para qualquer caso, se deu no âmbito de uma ação chamada “Agravo em Recurso Extraordinário” (ARE). Os AREs têm a chamada repercussão geral, mas não o efeito vinculante. Em linhas gerais: a repercussão geral serve de inspiração a todas as instâncias da Justiça, que encontrarão, então, em tal votação, a força da jurisprudência. Vale dizer: junto a outros tribunais e ao próprio Supremo, não caberá alegar exotismo ou exceção, uma vez que, na própria corte superior, formou-se uma maioria com aquele entendimento. Mas não há efeito vinculante.
      No caso de “efeito vinculante”, pode-se, sim, falar em “decisão” do Supremo. O parágrafo 2º do Artigo 102 da Constituição diz que geram efeito vinculante as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADINs) e as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs).
      Portanto, quando um ministro do Supremo concede um habeas corpus, em caráter liminar — isto é, temporário — contra maioria formada no Supremo no julgamento de um Recurso Extraordinário com Agravo, não está contrariando “decisão” do Supremo porque não houve decisão nenhuma, a não ser para aquele caso em particular.
      Se quiser na próxima eu desenho…

  8. Kotscho, estou abismado com a profundidade dos argumentos do Ministro Marun.
    As dicções dele de o Ministro Barroso-STF procurar pelo em ovo e chifre em cabeça de cavalo, certamente causam ao Marun – só a ele mesmo – convicção pessoal de se tratar propriamente de pessoa de alta capacidade argumentativa.
    Pfui! É muita grossura.

  9. Ih! Ri ri ri! Tadinha de dona Irritonilda. A augusta Ministra CL sente tremores diante daquela pergunta? Sabe de nada, essa poderosa irritadinha! A Ministra que não pergunte a milhões de “irmãos” desempregados, a quantos graus vai na escala da fome, um terremoto de barriga vazia. Dona Ministra, no inferno da cadeia tem pão e quentinha 4 vezes por dia, sabia? Quero ver a senhora Carmem Lúcia visitar e sentir os tremores dos becos sem fins da miséria que os desumanos dominantes “deferem” ao próximo. Terremoto… a revelar a pergunta dos olhinhos das crianças que sobrevivem na podridão da ausência de pão e justiça. Tremor de barriga cheia, data vênia Ministra, é festa na comunidade dita brasileira.

  10. Observemos a penetrante avaliação de Marcos Coimbra do Instituto Vox Populi, ao analisar a última pesquisa de opinião Cut/Vox Populi: “A conclusão não poderia ser outra: para 56% das pessoas entrevistadas, o “processo e a condenação de Lula são políticos, pois muita gente não gosta dele”. Os 32% que concordam com a tese inversa, de que “o processo foi normal, sem se misturar com política”, são nossos conhecidos.
    Assim, com quatro anos de Operação Lava Jato, depois do maior investimento dos oligopólios de mídia para formar opiniões e após seu esforço cotidiano para destruir a imagem de Lula e do PT, chegamos a este ponto: fundamentalmente, não convenceram ninguém.
    Pregaram para convertidos: os antipetistas ficaram mais antipetistas (razão que faz com que muitos tenham se tornado eleitores de Jair Bolsonaro). Não demoveram as pessoas simpáticas a Lula e ao PT (que permanecem com sólido apoio popular). E perderam boa parte dos apartidários, que hoje estão mais próximos do ex-presidente, talvez por perceberem a forçação de barra da ânsia de condená-lo.
    Engraçado é que existe quem, no Supremo Tribunal Federal, se diga “afinado com as ruas” e, por isso, deseje avançar na caçada contra Lula. Se querem mesmo “afinar-se” com elas, que ouçam o que diz a maioria da sociedade, pois sua voz é clara. A menos que pretendam somente estar alinhados com a Rua Jardim Botânico, no Rio de Janeiro”.

    1. Netho,
      teus comentários continuam muito longos, fora dos padrões da internet. Dá para dizer as mesmas coisas com menos palavras. O comentário que você enviou antes deste não será publicado por este motivo. A regra tem que ser igual para todos, pelo menos aqui.

      1. Estimado Kotscho. Fique à vontade, afinal o blog é seu. Ademais, quem sou eu para contestar o ‘craque’ dos textos enxutos. Grato pela sua atenção e paciência conosco. Abração” (E o seu joelho, como está?…Cuide-se!).

          1. Fique firme! Guenta a mão! Você vai estar na ponta dos cascos para cuidar da Secretaria de Comunicação do próximo governo de centro esquerda. (Continuo fazendo aquela ‘fezinha’, na Loteria. Não para engolir sequer um centavo da grana). Apenas para empregar tudo, tão somente ajudando quem merece, não tem ou não pode. Uma parte reservada, especialmente, à Rádio do Balaio, ao Jornal da TV Balaio e à Reportagem do Balaio. Tudo pautado e dirigido pelo Kotscho.

  11. Prezado Kotscho: Devemos sim ficar irritados com tudo isso mas devemos ter coragem, que era uma palavra muito citada por Dom Paulo Evaristo Arns, como você bem lembrou na chamada do documentário sobre o cardeal que vai ao ar no próximo sábado, às 16:30 horas, no canal Globo News.

  12. Companheiros que, assim como eu, se sentirão violentados em seu voto pela 2ª vez em menos de 3 anos, por favor, tomem cuidado com o sentimento de revolta.

    Tem muito militante falando em se revoltar com violência. Será um tiro no pé.

    Uma ação intempestiva nas ruas + black blocs infiltrados + reação “justificada” da polícia = tempestade perfeita para declarar falta de condições sociais para realização das eleições.

    Portanto, se formos às ruas, tem que ser muito bem preparado pra ser em paz. Se entrar nessa de quebrar tudo, de revolução, vocês estarão fazendo o jogo que eles querem que vocês façam. Estarão caindo na arapuca.

    Muito cuidado nessa hora!

  13. Uma que imobilizou o repórter por uns dias, mas não afetou-lhe o cérebro. Pena que somente os privilegiados que acessam blogs possam ler. Vamos aguardar o que vem por aí na Folha de S. Paulo, onde ele escreverá uma vez por semana.

  14. “Ministra Carmen Lúcia: a “Justiça” brasileira já está desacatada, o STF já está acanalhado. Ninguém precisa fazer mais nada. E quem desacata e acanalha a “Justiça” brasileira é o próprio Judiciário, do qual a senhora faz parte. Poupe-nos de seus arroubos corporativistas”.
    E a senhora aceita pressões, sim. Depende quem as faz. Da Globo, por exemplo, da qual a senhora aceitou uma propina ao vivo, em forma de prêmio, a senhora aceita, sim.

  15. Atenção, pessoal !!!
    Nas manifestação, vamos separar joio do trigo. Black bloc tem que fazer manifestação bem longe!!!
    E tem que ter prevenção da área de segurança pública.
    Na última vez, a PM-DF do Rollemberg ficou olhando, torcendo pra dar merda, pra depois atirar (atitude criminosa).
    Se repetirem a negligência, é caso de representação no ministério público (se é que isso funciona).
    Lembram que a Globo editou o incêndio no Ministério da Cultura? Quem exatamente fez aquilo? Foi o comando pra PM atirar.

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