Está aberto o leilão de deputados: quem dá mais? Nada vai mudar

Está aberto o leilão de deputados: quem dá mais? Nada vai mudar

Nos últimos tempos, o pensamento único nacional nos vendeu a ideia de que nestas eleições, depois da Lava Jato, tudo iria ser diferente.

Viria aí uma grande renovação do Congresso Nacional, uma verdadeira limpeza promovida pelo voto.

Quem acreditou nisso pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Em reportagem de Ranier Bragon e Camila Matoso, a Folha deste domingo denuncia como está funcionando o balcão de negociações de compra e venda de deputados que ocorrem até durante as sessões da Câmara.

São os mesmos parlamentares e os mesmos partidos de sempre envolvidos na feroz disputa pelo butim de R$ 2,6 bilhões que eles próprios criaram para financiar as campanhas com dinheiro público.

“Tem um mercado. Depende de quanto paga, né?”, resumiu aos repórteres o deputado Paulinho da Força, um dos expoentes da turma do toma-lá-dá-cá que sobreviveu às investigações da Lava Jato, como todos os outros deputados denunciados.

O preço pago pelos partidos, a título de “luvas”, a exemplo dos jogadores de futebol, está entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões.

Entre os compradores, também se destacam os mesmos de sempre, segundo o bem informado Paulinho: o Partido Progressista de Paulo Maluf, que continua preso, e o PR, de Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão.

Além das “luvas”, há a promessa de pagamentos mensais, controle da legenda no Estado e tempo de propaganda de televisão.

O leilão se explica porque a grana do fundo eleitoral e o tempo de TV são distribuídos de acordo com o número de deputados federais eleitos pelos partidos.

Ou seja, não vai mudar nada, e a renovação da Câmara este ano pode ser até menor do que em outras legislaturas.

O que deverá aumentar, segundo todas as pesquisas, é o número de eleitores que não votará em ninguém (brancos, nulos e abstenções).

Tudo foi feito para garantir a reeleição de quem já está lá há muito tempo. Quem é de fora vai ter mais dificuldades para conquistar um mandato.

Este é o resultado da tal “reforma política” perpetrada no ano passado para manter intacto o apodrecido sistema político-partidário-eleitoral.

No meio da farra, durante a reunião da bancada do PSDB na última quarta-feira, com a participação do presidenciável tucano Geraldo Alckmin, presidente do partido, o líder Nilson Leitão deu um ultimato:

“Gente, quem quiser sair por causa de dinheiro que saia logo”.

Ainda está em tempo: a “janela” para mudança de partido, sem risco de perder o mandato por infidelidade, vai de 8 de março a 6 de abril.

Nada de programas ou projetos de país são discutidos nessas negociações. Só uma coisa interessa: quem dá mais?

Vida que segue.

 

5 thoughts on “Está aberto o leilão de deputados: quem dá mais? Nada vai mudar

  1. Obedientes à palavra do Salvador, antigamente se subia ao topo das montanhas por ser lugar de silêncio para melhor se comunicar; hoje usa-se as redes sociais como ferramenta de participação da vida política sem interferir na vida pessoal. Isso também é exemplo de cidadania: poder contar com a colaboração de todos! Não olhar para trás. Os vossos pecados, pela sabedoria divina, é acreditar que ainda existem as pessoas livres e de firmes propósitos em só querer fazer o bem; apesar de políticos que vendem a própria alma pra continuarem no poder – defendendo quase que exclusivamente seus interesses pessoais? Ou será que já está tendo tanta palhaçada neste país que as pessoas não estão nem querendo ir mais ao circo? Votar correto é conhecer o passado de cada político e já ter estudado com antecedência o seu projeto de cidadania. Só assim haverá mudança. Caso contrário, continuará nesse marasmo que aí está: o rico cada vez mais rico, e o pobre, cada vez mais pobre, fedido e humilhado.

  2. Caro e prezado grande repórter RK, já tirei o meu pangaré da chuva.
    É assombrosa a apatia do povo, poucos reclamam pra valer.
    Desconfio que o governo mandou colocar calmante na água servida à população e, pelo jeito, adicionaram doses cavalares de Rivotril.
    Nem faquir aguenta mais o Brasil.

  3. Caro Kotscho!
    Eles mudam e consolidam as próprias regras. Jogam-nos ao limbo do desconhecimento a tal ponto que durante o período eleitoral a imprensa não pode fazer qualquer referência aos candidatos. Apenas veicular as “verdades” deles.
    Apresentam projetos padronizados entre todos os partidos e candidatos prometendo a mesma coisa: saúde, educação e segurança.
    Passada as eleições estes discursos são engavetados e só saem da gaveta 4 anos após para a nova campanha política,
    Eleitos, estes indivíduos retomam suas negociatas e, se necessário for, fazem uma “nova reforma política” para aperfeiçoarem os meios de defesa dos seus próprios interesses.

  4. Lembrando, logicamente,que a retomada ” leva meses, no caso do banco público, anos após a inadimplência dos 3 meses. Já estudei matrícula de imóvel em leilão. Várias. Propriedade foi consolidada ate dois anos antes do leilão. E a consolidação já foi feita um ano após o início dá inadimplência. Logo, Aguardem para ver o estoque depois de consolidada a propriedade dá inadimplência ATUAL

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