Temer vai à guerra: em campanha, convoca a tropa e parte para o tudo ou nada

Temer vai à guerra: em campanha, convoca a tropa e parte para o tudo ou nada

Sem apoio popular e sem votos no Congresso para aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer mudou deum uma guinada na agenda para não ver seu governo definhar dez meses antes do final do mandato.

Mandou os escrúpulos às favas, como os militares fizeram na edição do AI-5 em 1968, e convocou as tropas das Forças Armadas para fazer uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, agora a principal bandeira da sua campanha à reeleição, que começa neste sábado com uma reunião do seu alto comando no Palácio Guanabara.

É fácil botar tropas na rua, bem mais difícil é manda-las de volta para o quartel. Da última vez, levou 21 anos.

Com o sepultamento do “governo das reformas”, Temer aproveitou o fim do Carnaval para trocar de fantasia e partir para o tudo ou nada.

Aonde ele quer chegar?

Resolver o problema da insegurança pública não vai, porque as tropas federais já estão nas ruas do Rio praticamente desde as Olimpíadas, e de lá para cá o problema só se agravou.

O próprio ministro da Defesa, Raul Jungmann, resolveu baixar as expectativas de quem esperava um cenário de guerra nas primeiras horas desta manhã.

Na véspera da reunião do alto comando temerista, Jungmann afirmou que “não haverá policiamento ostensivo de saída, nem tanques”.

Afirmou também que o efetivo existente no Rio “é suficiente” e ainda não há definição sobre o tamanho da tropa que será colocada à disposição do general Walter Sousa Braga Netto, o interventor nomeado por Temer.

Se é assim, por que então todo esse barulho, com pronunciamento em rede nacional de televisão e tudo, falando em “medidas extremas”, “metástase que se espalhou pelo país” depois que “o crime organizado quase tomou conta do Rio”.

Porque Michel Temer já está em campanha e resolveu fugir para a frente, ancorado por uma campanha de marketing, que lembra muito os discursos de Jair Bolsonaro, o líder da extrema direita que lidera todas as pesquisas na ausência do nome de Lula.

“Nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos, nem nossas praças continuarão a ser salões de festa do crime organizado. Nossas estradas devem ser rota de fuga segura para motoristas honestos, nas vias, e nunca via de transporte de drogas ou roubo de cargas”.

De quem é a bombástica declaração acima? Pois é, tanto pode ser de Bolsonaro, como agora do Temer vestido para a guerra em seu discurso na televisão.

Jungmann não afastou a possibilidade de mandar tanques para as ruas, mas não já, porque isso ainda depende de um planejamento. “Não será algo assim de saída, amanhã”.

Será quando? Se a população carioca já vive aterrorizada, com medo de sair de casa, em meio aos tiroteios entre policiais e bandidos nas principais vias da cidade, pode-se imaginar o que vai acontecer quando for detonada a primeira bala de canhão.

Tropas militares são treinadas para combater e matar inimigos externos, se necessário, não para fazer papel de polícia.

É muita responsabilidade colocada sobre os ombros do general Braga Netto que na sexta-feira ao voltar de férias nem achou a situação do Rio tão grave quanto parece, atribuindo o clima de panico ao noticiário. “É muita mídia”, limitou-se a dizer.

De fato, no Atlas da Violência de 2017, o Rio aparece com uma taxa de 40 mortes violentas por 100 mil habitantes, bem abaixo de Estados como Sergipe, Alagoas e Ceará, com apelo midiático muito menor.

O que Temer mais quer é muita mídia para desfilar o figurino de “linha dura” que vai adotar na campanha eleitoral, agora correndo o risco de se transformar num bangue-bangue generalizado.

E se a intervenção militar não der certo antes das eleições, qual será o próximo passo? Estado de Sítio? Ou Temer vai chamar tropas da ONU, quem sabe a 4ª Frota dos Estados Unidos, a mesma que esteve por aqui no apoio ao golpe de 1964?

Não sei, não, mas tudo neste momento vampiresco que vive o país me cheira a naftalina, a filme velho em preto e branco, a começar pelos trajes e gomalinas usados pelos principais personagens do Palácio do Planalto.

Contra a vontade dos militares, as fardas e seus canhões estão de volta a chamado de um governo civil que não se dá ao respeito.

Sai Carlos Marun, o líder da tropa de choque de Temer no Congresso, que fracassou na compra dos votos da Previdência, e entram em cena as tropas do general Braga Netto.

Em lugar de cargos e verbas para parlamentares, o governo agora vem com outra munição mais pesada.

Só de uma coisa tenho certeza: isso não vai acabar em coisa boa.

Já pensaram no que pode acontecer se os militares forem chamados a intervir em manifestações de rua durante a campanha eleitoral?

Espero apenas que a nossa jovem e frágil democracia sobreviva até outubro.

Vida qque segue.

 

26 thoughts on “Temer vai à guerra: em campanha, convoca a tropa e parte para o tudo ou nada

  1. Apenas uma medida para minimizar a ousadia dos traficantes! Garanto que se conseguirem expulsar um agrupamento de soldados do exército de um morro, só conseguem uma vez!!

  2. O exército tem que sitiar e o Congresso e o palácio do planalto ai e que esta os verdadeiros criminosos que estão acabando com o Futuro do Brasil e tem que começar pelo próprio bandidao do Temer e os seus cúmplices o exército tem que defender o povo e não da guarida para golpistas corruptos

  3. Tá legal então, mas qual seria a solução imediata para o problema que vem se agravando dia-a-dia, Rio de Janeiro?, vocês que gostam tanto da vontade popular (se isso for verdade), esqueceram que mais de 80% da população do Rio aprovaram tal medida.

    Resumo da Ópera: “Vocês petistas adoram espinafrar os outros, mas quando são espinafrados se colocam como vítima”.

    é a vida que segue com ôceis !!!

    1. Sergio,
      só respondo porque você perguntou: a solução imediata seria convocar eleições gerais e uma Assembléia Nacional Constituinte para restabelecer não só a ordem mas o Estado de Direito.
      O governo já perdeu as condições de governar. Fora isso, o que estão fazendo é tentar apagar fogo com gasolina colocando em risco as instituições democráticas.
      Ricardo Kotscho

      1. Ricardo, você fala em defesa das instituições e propõe eleições gerais, que não encontram amparo na constituição. O governo Dilma estava a mesma lástima, com os mesmos atores, poderiam na época terem sido convocadas eleições gerais? Desde os jogos do Pan, Pré Sal, Olimpíadas, nunca se jogou tanto dinheiro fora como no Rio, ninguém via que tudo era desviado? Todos sorriam nas fotos, e nos bastidores a bandidagem, de todas as linhagens, é quem dominava. Eleições só as programadas, nada de inventar moda.

      2. Kotscho,
        obrigado pela resposta,
        porém não consigo ver solução ao que você propôs. Suponhamos as eleições fossem feitas, e que tudo fosse realizado a toque de caixa. Pois bem em menos de 3 meses seria impossível elegermos um presidente, governadores, deputados e senadores, concorda?, então como fica os cidadãos que sai as ruas com armas apontadas sobre suas cabeças, não sabendo se vai voltar?, o problema no Rio é muito pontual exige que se tome alguma providência de imediato, se vai dar certo é outros quinhentos, mas politicarmos nesse momento, é de uma imprudência total. Eleições não sairia em menos de 3 meses, é muito tempo para um povo viver sobre mira de uma arma, não acha?

        Por outro lado, temos o TSE para julgar os diversos processos contra políticos, onde poderão ou não concorrer as próximas eleições. Sinceramente não gostaria de ir as urnas não sabendo quem e quem nessa história toda de corrupção.

        Não tem jeito, foi uma medida correta, no meu ponto de vista, agora esqueça que o temer vai angariar votos com essa ação, quem poderia captar alguma coisa, se der certo, é o bolsonaro, mesmo assim é muito cedo para fazermos qualquer prognóstico.

  4. A alternativa, neste momento, seria deixar como está. Não sei o que é pior.
    Rio parece um caso perdido. Políticos, polícia, organizações, empresários, população todos só querem saber de praia, futebol e carnaval. Só reclamam os afetados diretamente pelo crime e ainda assim, muitas vezes, momentaneamente.

  5. Desce, perdeu! O vampirão só pensa nele, age nos porões do Jaburu e agora, irresponsavelmente, faz do exército, bobo da Corte, cujo governo, já se foi. Nasceu impichado e morto. Desce, perdeu!
    Nada como um bom carnaval e balas perdidas do crime para incentivar criminosas autoridades constituídas , reunião pós reunião, blá blá blá nojento , peneira grossa que não esconde a verdade que, felizmente, o povão conhece. Desce, perdeu! Daqui a pouco, nova ” emergência”, mídia servilista ao inteiro dispor, e mais blá, blá, blá. A violência assassina campeia por todo o Rio, dentro e fora, em terra ,ar e mar… em todos os rincões brasileiros. Desce, perdeu!Tão perigosa quanto, a bala perdida do desemprego já abateu 15 milhões de conterrâneos e mais 30 milhões de biqueiros, isso quando encontram um trampo aqui, talvez, ali e sem acolá. Fome e desilusão. Desce, perdeu! Sem planejamento para nada, a não ser defender-se de duas denúncias, com quase 30 bilhões do bolso do povo… repito, sem planejar vírgula sequer, manda e não pede, impõe ao militar dar conta do recado que não soube escrever e entregar. Triste. Fim melancólico de um vampiresco traidor. Desce, perdeu!Só falta mais blá, blá, blá e criar novo Ministério: o de “Caça aos Vampiros”. Nas urnas, “o povo sobe e ganha”. Boa sorte ao interventor e comandados, urge por fim nessa matança de criancinhas e familiares. Governo traidor e impichado nasceu morto. Desce, Vampirão, perdeu!!!

  6. Sem Lula, Temer tem duas cartas na manga. Dando tudo errado no Rio, desmoraliza Bolsonaro. No feliz desempenho do Exército, Temer dá um passinho e se vê em penúltimo lugar. Sem Lula, Bolsonaro machucado, assanham-se os outros candidatos. Sei não, esse palanque político antes da hora, foi de caso bem e maldosamente pensado. Pior pra Temer, não avança, chafurdado que está na lama do Jaburu. E tome tempo para FHC sugerir novos nomes. Tá certo o Kotsho, isso não vai acabar em coisa boa.

  7. O cenário só não é mais surreal porque ainda há muito por vir até Outubro.
    A direita acusa seus inimigos de bolivarianos, mas é ela quem dá dois golpes “venezuelanos” de uma só vez. O dito impeachment tem elementos do golpe da direita de Caracas, antes da longa permanência do castrismo, e do golpe de Maduro contra o Legislativo e o Judiciário.
    Ao contrário do que deles se afirma, os militares não votam em Bolsonaro, não são contrários aos Direitos Humanos, não querem esta intervenção no RJ. Há um gigantesco setor moderno nas Forças Armadas desconfortável com o uso indevido da corporação e que sente arrepios na espinha com a imagem de peão internacional na guerra contra o crime organizado dentro das cidades.
    A corrupção desgasta a imagem lá fora, sim. Mas não mais que a agressão covarde contra a renomada intelectual Judith Butler, vencedora do prêmio Adorno, não mais que o boicote contra a exposição artística (Queer) do Santander em Porto Alegre, não mais que lobby contra as regras existentes para tipificação do trabalho escravo. Isso somado traz sim fuga de capitais e depreciação da reputação do país.
    Seletivamente, até aqui o mercado bateu panela apenas contra quem era visto como seu inimigo e o Judiciário condenou quem era objeto de clamor midiático da nossa grande e poderosa Breitbart tropical. Em que isso mesmo contribui para atrair investimentos? Favor explicar na tesouraria.

  8. É, caro Kotcho! ! !
    Tudo é muito óbvio, como a raiz do problema que não têm interesse em desnudar.
    O fracasso desta intervenção é previsível. O que é imprevisível são as consequências no futuro próximo.
    A criminalidade não será debelada, apenas entrará em hibernação e retornará após a intervenção…depois das eleições.
    Conforme modelo mexicano.

  9. Tudo isso foi dito antes do primeiro golpe que comessou com aecio não reconhecendo a derrota nas urnas o que estamos vendo é o reflexo de uma elite egotista e preconceituosa que vai pagar caro pelo apoio as falcatruas de alguns falsos psdemocraticos

  10. Temer vai à guerra. Pela mídia. O Rio está em guerra. De peito aberto. O povo vai às compras. De bolso vazio. Temer vai à guerra. Desempregado ao portão da fábrica. Temer vai ao carnaval. Declara guerra ao Vampiro alegórico. O exército nas trincheiras. Temer vai à guerra. Pela TV. As crianças na fila da vacina. A droga sobe o morro. A bala pedida desce às ruas. Temer brinca de exército. O povão perde a luta do salário. Temer vai à guerra. O eleitor vai à urna. O povo vence a guerra.

  11. Essa intervenção tem que ser por tempo indeterminado. Só tirar as tropas quando não restar mais nenhum bandido solto e nenhuma arma nas mãos de bandidos. Não adianta fazer o serviço pela metade. Demore quanto demorar tem que limpar tudo. Não deixar resto para traz.

  12. O Cartel do Planalto soma-se ao Cartel do PMDB carioca para combater os Cartéis do AA, PCC e CV. Todos juntos e misturados. Faz sentido a cartelização total de quem tem o poder de direito e o poder de fato. Logo virá um sucedâneo do Plano Colômbia, que garantiu o domínio do poder político por conservadores e liberais colombianos, sob o pretexto de combater os Cartéis de Medellin e de Cali. Os agentes da CIA e da DEA e farto financiamento norte americano foi derramado nos governos de César Gaviria e Andres Pastrana. Mataram Pablo Escobar e depois os ‘cavalheiros de Cali”. Em seguida, os cartéis colombianos terceirizaram a distribuição da América Latina para o Brasil. É disso que se trata! O país vive hoje o que a Colômbia viveu nos anos 90: uma irradiação criminosa do poder devastador dos operadores do mercado global da cocaína. Há uma tragédia anunciada, basicamente porque não há um conjunto de forças tão mal preparadas e inconscientes sobre a real situação do RJ, quanto o binômio Rio/Brasília. Começou mal, terminará pior. A começar por um Ministro da Defesa como Raul Jungmann; a piada pronta mais conhecida dos pernambucanos. Na Colômbia, após bilhões de dólares despejados pelos governos Reagan, Bush e Clinton, o que resultou foram as milícias paramilitares assumindo o controle das drogas, em paralelo ao surgimento de um novo Cartel, o Norte del Valle, sucedâneo dos Cartéis de Cali e Medellin. O ‘Cartel do PMDB’ movimenta-se para esticar a intervenção militar até as eleições. É sabido de todos que não pode haver eleição com a intervenção militar vigente. Na prática, o governo do RJ não existe mais. O ‘Cartel do MT’ pode, sim, articular um movimento de outros governadores para, juntos e combinados, “ampliar o estado de intervenção” de acordo com a conveniência e a conjuntura do jogo sucessório. O lançamento de uma cortina de fumaça para produzir uma falaciosa sensação de segurança pública pode até dar uma sobrevida e algum fôlego adicional ao natimorto ‘governo do MT’. O saldo apurado ao final, todavia, será pior. Tudo que começa errado, termina errado, conforme o primado da segunda Lei de Murphy. Ah, e a tão matraqueada previdência como redentora da salvação nacional? Ah, bem,.. a área econômica, está anunciando um crescimento de 3% em 2018, e pasmemo-nos, sem qualquer reforma da previdência! Como se vê, nada é crível, nem deve ser crível, do que apregoam e anunciam os arautos do ‘Cartel do MT’. Imaginem se os Cartéis do AA, PCC e CV resolverem adotar a moda do Cartel de Escobar que pagou para ver quanto café quente os presidentes colombianos (financiados pelos ‘dineros callientes’) tinham no bule. O que se viu foi um banho de sangue. A realidade é que o jogo já começou com 7 a 1 para a bandidagem armada organizada. Os Cartéis do PMDB do RJ e de Brasília entregaram aos interventores militares um presente de grego. O Cartel do PMDB já encontrou seu bode expiatório: um homem de farda. Desde quando Paulo Francis lançou o seu clássico ‘Cabeça de Negro’ nos anos 70, e Zuenir Ventura publicou o seu ‘Cidade Partida’ nos anos 80, que a tragédia fluminense já estava escrita. O drama nacional é que a realidade brasileira conseguiu ir muito além da imaginação.

    1. Caro Netho,
      teus comentários são sempre bem-vindos ao Balaio e enriquecem o nosso debate, mas te peço a gentileza de enviar textos menores dentro dos padrões habituais da internet.
      Muito grato pela participação, um abraço,
      Ricardo Kotscho

  13. Só estou esperando um soldado ser baleado no RJ pro AI5 voltar. Estou vivendo a história que li em livros de história. Quem sabe o que aconteceu antigamente acha a atualidade tão óbvia.

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