O jogo de Huck: faz que vai, mas não vai, e vai faturando

O jogo de Huck: faz que vai, mas não vai, e vai faturando

Nunca um não-candidato foi tão falado e ganhou tantas manchetes.

Desde novembro passado, quando publicou um artigo na Folha para comunicar ao mercado que não seria candidato a presidente da República, o global Luciano Huck não passou um dia fora do noticiário político.

Até então, só o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levava a candidatura dele a sério.

Das duas uma: ou as pessoas não acreditam no que ele fala e escreve ou o rapaz é muito indeciso.

Ficou o dito pelo não dito depois que ele apareceu no começo do ano no programa do Faustão com discurso de candidato, cara de candidato e pose de candidato para dizer que não era candidato.

Neste jogo do faz que vai, mas não vai, o apresentador não perdeu nada, só ganhou.

Valorizou seu passe na Globo e se cacifou no mercado publicitário, faturando alto em comerciais e merchandising.

E agora ele pode acrescentar ao seu currículo de garoto propaganda mais um plus: ex-quase candidato a presidente da República.

Viúva Porcina da campanha eleitoral, aquela que foi sem nunca ter sido, concorreu no noticiário político durante quase dois meses com a ex-quase ministra do Trabalho Cristiane Brasil.

Assim como aconteceu com Cristiane, neste meio tempo a imprensa alternativa começou a levantar alguns episódios desconhecidos da sua vida.

Queridinho do mercado e dos neoliberalistas que defendem o Estado mínimo, descobriu-se que ele comprou um jatinho com dinheiro público, pagando 3% ao ano de juros ao BNDES, e levantou uma nota preta pela Lei Rouanet para os seus projetos sociais.

Embalado por Fernando Henrique Cardoso, ficou neste vai não vai, alimentando o suspense, como faz aos sábados em seu programa de auditório.

Ficou de dar uma “resposta definitiva” depois do Carnaval.

Pois na tarde desta quinta-feira, voilà, como diria FHC, as manchetes dos portais de notícias foram novamente tomadas por uma bombástica manifestação de Luciano Huck: “Digam ao povo que não fico”, prometeu aos mais estrelados colunistas.

A Sonia Racy, do Estadão, disse Huck: “Não serei candidato, mas não quero falar mais sobre o assunto agora. Preciso digerir a decisão”.

Geraldo Alckmin e os demais candidatos mais ou menos governistas agradecem.

Ainda bem que a Bolsa de Valores e as casas de câmbio já tinham encerrado o expediente para evitar maiores atropelos no mercado.

Teve até um gaiato anônimo citado pelo colunista Lauro Jardim, no Globo, que lamentou a perda do único candidato que tinha um programa. Continua tendo: na TV Globo.

Quem será o candidato de FHC agora? Façam suas apostas. Será o Alckmin agora o candidato da renovação na política?

Vida que segue.

 

10 thoughts on “O jogo de Huck: faz que vai, mas não vai, e vai faturando

  1. Dezessete milhões de reais a juros de 3% ao ano financiados com dinheiro público, para satisfazer a pompa de ser proprietário de um jatinho! Huck é um apresentador bem-sucedido, e digamos, com um faro apurado para o oportunismo, até aí normal, apenas mais um malandro brasileiro! Agora o antagonismo fica por conta do apadrinhamento a sua candidatura de FHC, velho cacique do famigerado PSDB de Aécio e Dória. Ora, o milionário Dória não seria o “novo“ recém-chegado para revolucionar o meio político e agora o “novo“ passou a ser o apresentador Huck? No resumo da ópera, o embalsamado representante da velha política Geraldo Alckmin, é quem provavelmente vai estampar a cara do PSDB de Aécio, FHC e cia na corrida presidencial.

  2. Um país que fica ansioso pela candidatura de um Luciano Huck dá muita tristeza. Quem é este sujeito? Um garoto propaganda das misérias do nosso tempo. Nunca fez nada além de ser um boneco de ventríloquo desta elite branca, dona dos meios de comunicação, que passam a vida inteira tentando e conseguindo nos imbecilizar e explorar a nossa boa vontade. É muito tempo perdido com tanta idiotice.

  3. Circula o boato, Mestre, que tentarão agora a Jojo Todynho e que FHH agendou almoço e solicitou currículo e setlist. Brincadeira! Estão mais pra ‘Vai Malandra’.
    Mas de real mesmo, o fato que Huck ficou desolado e chora pelos cantos, com o término da aventura da candidatura, ao ser ‘desistido’ pelo patrocinador, que pôs fim a fase de dispersão do projeto ‘candidato Novo’.
    É chegada a hora de apresentarem-no pra valer e, em março, iniciarão a operação dissimulada, como quem não quer nada, para que o público tenha a sensação de estar ‘descobrindo-o’, naturalmente, como feito com o “caçador de marajás”, em 1989.
    Mas se falharem, ficam sem candidato e restará apenas a fraude e/ou o acirramento do golpe, dois mergulhos de alto risco no escuro.
    É, a coisa já foi melhor para o Jardim Botânico e adjacências.

  4. O movimento de faz que vai mas não vai, a tentativa do drible, já se tornou arriscada. Há decisão judicial do TSE reconhecendo a declaração do candidato de renunciar à candidatura, antes mesmo do seu registro. Agora é observar se os institutos de pesquisa acatarão a decisão do TSE e excluirão o animador de auditório da próxima sondagem eleitoral. Com certeza, o animador de audiências já multiplicou a sua inserção e melhorou o seu ‘merchandising’, como se pode observar das inúmeras propagandas de produtos que amealhou recentemente. A política, como se vê, também é um grande negócio para aqueles que se dizem “outsiders’. Em se tratando de ‘faturamento’, não há dúvida de que o proselitismo mercadológico aumentou o seu.

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