Tiririca da elite e outros bichos assanhados: está aberto o leilão do voto

Tiririca da elite e outros bichos assanhados: está aberto o leilão do voto

Quem dá mais? A oito meses da eleição, abriram-se os os portões do grande leilão do voto.

Em clima de festa do caqui, candidatos procuram partidos e partidos procuram candidatos.

Avacalhou de vez. Ninguém é de ninguém, a campanha eleitoral virou um vale-tudo.

Já dando como favas contadas que a República da Toga vai decretar o impedimento e a prisão de Lula, candidatos e partidos sem voto estão cada vez mais assanhados na disputa do butim.

Agora apareceu mais um no balaio de postulantes à Presidência da República, um candidato muito sincero chamado Flávio Rocha, dono da Riachuelo:

“Eu não rejeito a ideia de ser candidato. Só não sou por falta de voto”. Por enquanto, ainda está procurando um partido. Quem se oferece?

Flávio Rocha, que já tentou ser candidato em eleições passadas, é um campeão de ações trabalhistas contra suas empresas.

Poderia ser um bom nome para o Ministério do Trabalho, mas ele quer ser presidente, como comunicou na terça-feira ao ministro Moreira Franco.

Só em fevereiro Rocha pretende rodar por nove Estados para divulgar o Brasil 200, um movimento com ideias “liberais na economia e conservadoras no comportamento” (leia-se é contra LGBTs).

Flávio Rocha é uma espécie de Bolsonaro do empresariado, um pouco mais à direita.

Se for candidato, poderá encontrar pela frente o também empresário e apresentador Luciano Huck, que já é chamado de Tiririca da elite _ um tipo finório, muito rico, amigo de bacanas, bastante popular na televisão, onde faz assistencialismo com merchandising bem sucedido. Lembra alguém?

Huck já disse ao Faustão, em seu primeiro programa eleitoral na TV Globo, que não quer ser salvador da Pátria, mas apenas ajudar os outros a melhorarem de vida (o programa deu até problema com o Ministério Público Eleitoral que quer ouvir os dois sobre propaganda eleitoral antecipada).

Embora insista em dizer que não é candidato porque a família não deixa, seu nome continua na crista da onda do mercado eleitoral.

Tem tanta gente insistindo para se candidatar, a exemplo do ex-presidente FHC, que ele ainda está balançando.

O tal do “mercado”, como se sabe, não está botando muita fé nos outros candidatos governistas de “centro-direita”.

Vindo de Paris, onde está passando férias, Huck desembarca no Brasil na próxima semana e encontrará à sua espera um PPS de braços abertos, assanhado com a última pesquisa Datafolha em que o artista aparece empatado com Geraldo Alckmin na faixa de 8%.

“A efervescência tende a crescer por conta do Huck”, diz um eufórico Roberto Freire, dono do PPS desde que deixou de se chamar Partido Comunista Brasileiro, o Partidão de Prestes velho de guerra.

Não sei se Luciano Huck já foi informado por seus assessores sobre a origem e a história do partido que pretende agasalhá-lo se resolver ser candidato. Achei estranha esta opção.

Uma joint-venture entre o PPS e o Agora!, movimento suprapartidário liderado por Huck, será selado em carta a ser divulgada nos próximos dias, informa a coluna do Estadão.

Sobre os seus propósitos sabe-se pouco, além da promessa de agir de forma conjunta para “enfrentar os desafios que buscamos superar na política”.

Quais são estes desafios e de que forma pretendem fazê-lo ainda não fomos informados, assim como ninguém até agora tem ideia do que Huck pensa sobre os principais problemas do país.

Além deles, temos os nanicos de sempre, mais uma bela ex-apresentadora do Fantástico, a Valéria Monteiro, e a volta triunfal de Fernando Collor de Mello, outro “outsider” que a elite um dia apoiou contra Lula e parece que não deu muito certo.

Sem o ex-presidente na parada, qualquer um deles acha que tem chances de ganhar. Por que não?

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

 

15 thoughts on “Tiririca da elite e outros bichos assanhados: está aberto o leilão do voto

  1. Entre o emburrecimento geral e o nihilismo ético que domina o país, ainda nos resta dar tratos à bola para entender as razões pela quais FHC e Roberto Freire políticos experientes e sagazes, decidiram investir nessa candidatura. Parece coisa de lunático, mas pode ser que, no fundo, se trate mesmo de inconfessável desprezo pelo discernimento da patuléia.

      1. Valeu Kotscho, há uma terceira hipótese, em que me enquadro, que é o declínio cognitivo e sensorial decorrente da idade avançada… De qualquer forma, os dois nomes sinalizam para a falência da intuição política.

  2. Em 1989 a Globo teve influência decisiva na vitória do “caçador de marajás“, existe chance de novamente a história se repetir? Não. Hoje é senso comum de que a grande mídia já não é mais tão decisiva como fora antes. A pretensa construção da candidatura de Luciano Huck, é a prova de que a Globo ainda não se deu conta do poder que perdeu. Mesmo com caciques políticos de peso regendo essa candidatura, se a eleição for verdadeiramente transparente e democrática, Luciano Huck não será o segundo Collor, este foi o ponto fora da curva, não haverá outro.

    1. Gostaria de crer que é assim, mas a tv ainda penetra em mais de 100 milhões de mentes passivas, enquanto as redes…bem, as redes são brinquedos de quizilas tribais.

  3. Realmente, neste momento, os brasileiros/eleitores estão divididos em 04 partes distintas….
    Metade dela está:
    30% sonhando com a volta do ídolo São Sebastião;
    E 20% torcendo por um “mito” de araque;
    A outra metade também está dividida:
    uns 25% dizem não ser representados por ninguém, e devem se ausentar, anular ou votar em branco (certamente acham que deveria vir um nome do além para salvá-los)…
    E somente 25% estão buscando uma saída plausível para o País… (são os que apostam em Marina, Alkimin, Ciro, Alvaro Dias e Manoela Dávila). O problema que a eleição depende dos outros 75% que são e/o estão “luláticos”, “lunáticos” e “desiludidos”!

  4. “Os bichos assanhados” começaram quando o “midas” apresentou a nós uma gerentona de R$ 1,99, deste então isso virou o que estamos vendo.
    Mas, vamos deixar o passado ruim para trás, vamos deixar lula, dilma e maduro abraçados numa foto em branco e preto, tendo ao fundo meia dúzia de seguidores a tremular suas bandeiras vermelhas (como a foto é preta, a bandeira é preta).

    O presente ainda é incerto, mas logo que começar a campanha política, com rádio e tv, vai começar a clarear a mente dos eleitores, e os mais viáveis a presidência são Alkmin e Álvaro Dias.

  5. Huck, Tiririca de elite. Discordo, deveria ser proibido ofender os pobres e seu artista Tiririca. Huck se acha no direito de fazer uma ondinha. Fará. No fundo, acredito que o Tiririca de elite está de olho no Ministério da Cultura e, assim mesmo, para sua Angélica, a ex que nunca chegou a ser candidatável à primeira dama. Não decola. Sorte a deles, nenhum ferido a bordo. Melhor não brincar com a sorte, maldoso menino bom. No caldeirão corrupto da política dos dominantes, não cabe mais um. Tiririca, pior não fica, chegou primeiro. Se bem que a política dos nanicos, aceita palhaço. Nem precisa usar máscara.

  6. Se Lula e Dilma foram presidentes, qualquer um dos citados também pode ser.

    Agora, se os critérios para definirem um candidato forem os seguintes: “quao corrupto”, “quao demagogo”, “quao mentiroso”, “quao ignorante”, “quao populista”, “quao nefasto para a nossa sociedade”, “quao manipulador”….well, entao vcs já terao a resposta: Lula da Silva.

  7. Cruel, Mestre, Cruel.
    Explicáveis tanto quanto o ‘auxílio-morodia’ utilizado por ‘deuses no o limpo judiciário’, aquele encarregado, no golpe, de eliminar Lula e o PT do cenário político brasileiro, custe o que custar, pouco importa como, esquecendo, como bem lembra CesarT, de Manuel Francisco dos Santos.
    Deuses e Diabos [de desavisados] na terra do sol.
    Enquanto isso, magotes de Gilvans & Teos permanecem, não arranhando além superfície e sem entenderem por que se os ‘probos, verdadeiros, sábios e bem formados’ não segurarem-no, com o jogo sujo no tapetão jurídico, o ‘corrupto, mentiroso, ignorante e analfabeto’, leva no primeiro turno, ungido.
    Coisas do Brasil!

  8. Flávio Rocha é aquele que na Era Collor elegia-se sob a bandeira do “imposto único”. Ofereceu a Collor sua ‘demagogia fiscal’ predileta como tábua de salvação para escapar do impeachment. Não deu para o ungido das Alagoas pela Globo, mas serviu-lhe para mais alguns mandatos.
    Não há dúvida de que o campo dos ideários liberal, conservador, reacionário e regressivo empinou a crista. Há títeres suficientes dispostos a ajustarem-se aos fios que o mercado financeiro e internacional manobram. Os super ricos estão prestes a realizar sua obra prima e catapultar o país ao século XIX, quando inexistiam garantias sociais, trabalhistas e previdenciárias. Resta saber se o país resistirá à situação anômica que se amplia gradativamente.

  9. Enquanto a classe média não se convencer da impossibilidade do PSDB ou de outros neoliberais de protege-la contra males como a violência, o desemprego ou a peste seguiremos com a oferta de lobos em pele de cordeiros. Não basta a proliferação da febre amarela – consequência direta do enterro (literalmente) das espécies predadoras do mosquito e promotoras do equilíbrio ecológico pelo crime ambiental de Mariana, até agora sem punição adequada.
    Recomendo a leitura de “A máscara da morte vermelha” de Edgar Alan Poe (https://www.livros-digitais.com/edgar-allan-poe/a-mascara-da-morte-vermelha/7)
    onde o príncipe Próspero se trancou com “amigos sadios e bem-dispostos, escolhidos entre os cavaleiros e as damas da corte” em uma das suas abadias fortificadas para fugir da Morte Vermelha que assolava o país. “Depois de entrarem, os cortesãos, armados de maçaricos e pesados martelos, soldaram os ferrolhos”. E para apaziguar o terror pelo que acontecia fora dos muros, promoviam festas com vinho e animadores.
    “Dentro dos muros havia tudo isto e a segurança. Lá fora havia a Morte Vermelha”.
    Até que perceberam a presença de um intruso mascarado portador da peste, que um a um acabou contaminando a todos…
    Menos, é claro, os milionários que haviam se mudado para países economicamente mais desenvolvidos.
    (Este adendo é a minha contribuição ao conto de Allan Poe)

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