Não é fake news: Collor anuncia que vai disputar a Presidência

Não é fake news: Collor anuncia que vai disputar a Presidência

Parece mais uma dessas abobrinhas de internet, mas é verdade, por incrível que pareça.

Fernando Collor de Mello, ele mesmo, o “caçador de marajás” impichado em 1992, anunciou nesta sexta-feira, em entrevista à rádio 96 FM, de Arapiraca, em Alagoas, que será candidato a presidente em 2018.

“Eu digo a vocês que este é o momento dos mais especiais da minha vida pessoal e como homem público. Porque hoje a minha decisão foi tomada: sou, sim, pré candidato à Presidência. Obrigado e vamos à vitória”.

Pensando bem, se Bolsonaro, Huck, EiEiEiEymael, aquele outro alucinado do aerotrem, Valéria Monteiro, Álvaro Dias, Doria, Meirelles e Maia podem sonhar com a candidatura a presidente do Brasil, por que não ele, que já foi?

Em seu habitual tom enfático, que mais parece uma ameaça, Collor já tem o discurso pronto:

“Tenho uma vantagem em relação a alguns candidatos porque já presidi o país. Meu partido todos conhecem, sabem o modo como eu penso e ajo para atingir os objetivos que a população deseja para a melhoria de sua qualidade de vida”.

O partido é o PTC, do qual nunca tinha ouvido falar, uma reencarnação do PRN, partido nanico que o levou à Presidência em 1989, mas isso é o de menos.

A esta altura do campeonato, com a salada de mais de 30 partidos concorrendo às eleições de outubro, tanto faz a sigla.

Se as pessoas se lembrarem, no entanto, do que ele pensava e como agia quando foi presidente, Collor pode mais perder do que ganhar votos, mas este é um problema dele.

Sorte do candidato que brasileiro não costuma se lembrar de nada e adora embarcar na onda de quem é “contra tudo isso que está aí”, sem dizer o que colocar no lugar.

Cassado pelo Senado pelo conjunto da obra de corrupção, Collor acabou inocentado de todas as ações no Supremo Tribunal Federal, que ainda nem tinha Gilmar Mendes na época.

Em agosto de 2017, Collor foi declarado réu pelo STF pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, depois de ser acusado pela Procuradoria Geral da República de ter utilizado a influência do PTB (seu partido na época, hoje controlado por Roberto Jefferson) para negociar R$ 29 milhões em propina num contrato de troca de bandeiras de postos de combustíveis.

Também ninguém deve se lembrar disso, nem da coleção de carros de luxo (Ferrari, Lamborghini, Bentley, Land Rover), da casa em Campos do Jordão, obras de arte e antiguidades usados para lavar dinheiro de propina.

Pois é, amigos, Collor vem aí. Só faltava ele para completar o burlesco elenco destas eleições.

Vida que segue.

19 thoughts on “Não é fake news: Collor anuncia que vai disputar a Presidência

  1. Isto para o povo brasileiro está mais para fuck news! Faltou incluir o Lula no elenco burlesco, este aliás com varias semelhanças no currículo com o candidato do dia.

  2. Fosse um país sério, Collor depois de 1992, passaria sua vida a tentar limpar sua biografia. Só gosto dos discursos do Collor no Senado, quando ele malha alguns veículos de comunicação.

  3. Collor leva uma vantagem. Principalmente sobre Alckmin, naufragando definitivamente seu governo peessedeboso na crise de vacinas contra a febre amarela. Quem diria, hein governador?
    Alckmin, vai pra fila você também!
    Pior que a crise da Caixa. E Collor está vacinado contra o PSDB. Êta, peessedeboso.

  4. Prezado Kotscho: Olha que uma curva de rio precisa ser resistente, forte, quase com uma margem praticamente imune à erosão, para aguentar o tranco numa cheia com “Bolsonaro, Huck, EiEiEiEymael, aquele outro alucinado do aerotrem, Valéria Monteiro, Álvaro Dias, Doria, Meirelles e Maia”. Agora, com o Collor nessa onda, vai ser difícil segurar a inundação com tanta gente boa no curso da eleição presidencial desse ano de 2018.

  5. Neste cenário todo em que se apresenta a politica no Brasil, o pensamento que mais cabe é este aqui:” DISCUTIR POLITICA NO BRASIL E COMO TER CRISE DE CIUMES NA ZONA”

  6. Que fase, pobre Brasil! Collor deve estar muito pior do que antes, bom caráter a pessoa tem ou não tem e a julgar pelos desabonadores exemplos vindos do planalto, congresso e asseclas, esse homem não deve ter pautada sua conduta ética como político a serviço de bem comum. Collor é fruto desse meio, eleito seria tão maldoso quanto Temer, mas… “se“ eleito! Está sofrendo de utopia crônica, precisa de óculos e espelho! Mas vamos lá Collor, candidate-se, como tantos outros políticos cairá do cavalo em outubro do corrente ano. Esta será a punição por não só negligenciarem direitos básicos ao povo, como também a supressão de direitos adquiridos em conjunto com o desprezo a opinião pública. Já não bastava o quarteto delirante; Maia, Alckmin, Dória e Meirelles, agora mais um sonhador aloprado enxergando miragem no deserto…

  7. Numa dessas, se Tiririca sair a Presidente, com o voto protesto, leva no primeiro turno. Até pra vice, Tiririca bagunçaria essas eleições. A se pensar!

  8. Normal, Mestre, de fato, Aécio, Huck, Temer, Alckmin, Doria, Meirelles, Bolsonaro, o Pastor da hora, Maia, etc, permitem, sem falar sermos sede mor do analfabetismo político, esse do enunciado atribuído a Brecht e não entendido nessas bandas pela estudada Classe Média, eterna aspirante às beiradas da Casa Grande, em busca das migalhas e sobras da Classe Dominante.
    “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos [aqui pior, ouve, fala e participa, replicando o que pensa quem o adestra e mantém analfabeto]. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato [do gás, do plano de saúde…] e do remédio, dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado [a epidemia de febre amarela, a desigualdade, a precarização do ensino, saúde e trabalho, o desemprego, a violência, o fim das garantias…] e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais [como esses que, batendo panela e desfilando de camisa CBF amarela, sob comando da globo, colocaram para desgovernar o Brasil e torna-lo colônia].

  9. Querido Kotscho,

    Acompanho seu trabalho desde quando estava no jornal da TV e admiro muito suas colocações. Desejo parabéns pela nova casa que está ótima; como sempre suscinto e preciso nas observações de nossa República!

    Lendo esta nota, me deparei com o uso do termo “impichado”.

    Pesquisei diversas vezes no dicionário Michaelis e o mais próximo que consegui encontrar foi http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/impedimento/

    Querido mestre da comunicação, deixo a sugestão para que deixe de lado estes “americanismos” para “ingresiair” nosso idioma.

    Grato.

    1. Caro Gustavo,

      é verdade, tem certos termos que se tornam de uso corrente e a gente nem vai ver se existem no dicionário.
      Impedimento, para mim, é mais uma marcação do futebol quando o jogador está na banheira, ninguém usa como sinônimo de impeachment.
      E acho melhor escrever impichado do que “sofreu impeachment”, embora apareça sublinhado em vermelho na tela do computador.
      Grato pela participação,
      Ricardo Kotscho

      1. Eu é quem agradeço pelo espaço democrático caro mestre.

        Falha minha, o dicionário já incorporou o termo “impichamento”.

        Item 5 – Jurídico

        Processo político-criminal que se instaura, por denúncia no Congresso, contra o presidente da República, qualquer governador, prefeito, ministro do Supremo Tribunal ou procurador-geral da República, com o fim de impor-lhes a pena de destituição do cargo por delito de responsabilidade resultante da infração de deveres funcionais em prejuízo dos interesses da Nação; impeachment, impichamento.

        Cordialmente.

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