Meirelles e Alckmin disputam legado de Temer: agora só faltam os votos

Meirelles e Alckmin disputam legado de Temer: agora só faltam os votos

Com discursos muito semelhantes na defesa do legado de reformas do governo Temer, o governador Geraldo Alckmin e o ministro Henrique Meirelles lançaram neste final de ano suas candidaturas à sucessão em 2018.

Ambos se posicionam contra os extremos, quer dizer, Lula e Bolsonaro, que lideram com folga as pesquisas, na tentativa de se apresentarem como o candidato do centro governista sonhado pelo mercado, depois das desistências de João Doria e Luciano Huck, mas enfrentam o mesmo problema: a falta de votos.

Meirelles atropelou o governador paulista justamente na semana em que Alckmin pretendia consolidar sua posição, depois de ser aclamado presidente do PSDB.

Cada vez mais desenvolto no papel de pré-candidato, o ministro da Fazenda ocupou praticamente todo o programa politico do PSD e almoçou com jornalistas políticos na quinta-feira já falando como candidato.

Nada disse de novo além de fazer a defesa enfática da política econômica de um governo que é rejeitado pela ampla maioria da população.

Na tentativa de reviver a velha aliança com o PMDB e o DEM, Alckmin agora se apresenta também como grande defensor da reforma da Previdência, mas pode ser tarde demais.

A reforma ficou para o ano que vem e Temer agora já admite até se candidatar à reeleição. Só não quer papo com os tucanato de Alckmin que passou o ano ameaçando desembarcar do governo.

Embora afirme estar “totalmente concentrado” no trabalho de Ministro da Fazenda e faça a “defesa explícita do governo que está tendo coragem de fazer reformas e do qual eu faço parte”, em nenhum momento Meirelles citou o nome de Temer em seu pronunciamento na TV.

Neste teatro de faz de conta, os dois querem ter os bônus e não os ônus de apoiar um governo impopular que joga todas suas fichas na recuperação econômica nos próximos três meses.

A preços de hoje, com Alckmin empacado entre 5% e 6% nas pesquisas e Meirelles oscilando entre 1% e 2%, disputando a mesma faixa do eleitorado, sem que haja no horizonte um novo Plano Real, fica difícil reeditar o fenômeno Fernando Henrique Cardoso, que saiu do Ministério da Fazenda de Itamar Franco direto para ocupar seu lugar no Palácio do Planalto.

FHC derrotou Lula duas vezes no primeiro turno, mas as circunstâncias são completamente diferentes de 1994 e 1998.

Alckmin joga todas suas fichas na construção de uma ampla aliança, hoje improvável, que lhe garanta tempo de TV e uma boa bolada do fundo eleitoral, e Meirelles no convencimento de que a vida da população está melhorando graças às medidas econômicas por ele adotadas no governo Temer.

O grande desafio dos dois é enfrentar a memória dos bons tempos dos governos de Lula, em contraste com as atuais dificuldades da população mais carente, que embala os números do ex-presidente nas pesquisas.

Por isso, a esperança do establishment para se manter no poder está depositada muito mais nas mãos da Justiça, para impedir que Lula seja candidato, do que nas performances dos seus dois pré-candidatos, tão semelhantes na forma e no conteúdo.

Do outro lado, Jair Bolsonaro até agora não conseguiu nem achar um partido para chamar de seu, muito menos um discurso que vá além das ameaças da bancada da bala.

E Lula alterna mensagens ora mais moderadas, ora mais radicais, sobre o que pretende fazer caso chegue a ser candidato e vença as eleições pela terceira vez.

É neste cenário ainda sombrio e totalmente imprevisível que vamos entrar em 2018 na esperança de que a eleição possa curar as feridas da crise e apontar um rumo para o futuro. Não custa sonhar.

Vida que segue.

 

 

8 thoughts on “Meirelles e Alckmin disputam legado de Temer: agora só faltam os votos

  1. Lula também é como um balão que sobe. Vai as alturas mas que depois que começar a campanha para valer e outros candidatos aparecer e botar fogo no balão vai cair assim como subiu.

  2. Os votos continuarão faltando. É mais fácil o Sargento Garcia prender o Zorro do que Alckmin ou Meirelles serem eleitos. Estão sonhando acordados, pois outubro de 2018 será a hora da revanche, a hora em que fingidos como esses dois levarão o troco. Maia chegou a declarar certa vez que o congresso vota o que o mercado determina, pois então que vão pedir votos para o mercado e Meirelles que vá pedir votos para banqueiros e Alckmin, bom esse não se elege mesmo e agora declarando apoio as maldades do Temer é que terá sepultada de vez qualquer chance. Quando se olha para essas pessoas, impossível não associar com a imagem de Jucá, Índio, Marun, Maia, Angorá, Padilha, Temer, entre outros… O povo está com aversão dessas pessoas, não aguenta mais olhar para cara deles e soa até mesmo estranho cogitarem disputa de eleições, quando qualquer coisa vinda deles, tem a ver com mentira, enganação e bom para o povo com certeza não é, e para o pesadelo deles o povo sabe disso…

  3. Texto no todo irrepreensível, Mestre, porém pouco elucidativo em, “Por isso, a esperança do establishment para se manter no poder está depositada muito mais nas mãos da Justiça, para impedir que Lula seja candidato…”.
    Afinal, nas mãos ‘da Justiça’ ou nas mãos ‘de Moro’ e tudo que isso, significa, representa e implica, nesse tempo da farsa lavajateira?
    Por outro lado, muito elucidativo, desse tempo, o ‘presidente do senado’, Eunício Oliveira, ontem, em evento de entrega de casas no Ceará, sua base eleitoral, mostrar que não quer ficar associado ao governo de Michel Temer, rejeitado por 97% dos brasileiros. Durante o discurso, usou o palanque para exaltar Lula: “Se não fosse um pernambucano sofrido, se não fosse esse nordestino chamado Luiz Inácio Lula da Silva, não teríamos a transposição das águas do rio São Francisco”, esquecendo de citar Temer e avisar que o evento era promovido pelo atual governo. Quem diria! Até o Índio não quer mais apito do establishment, quer Lula.
    E aí, 24 de janeiro é fim ou começo, de que?

  4. O produto pode até ser o melhor. Que tal um bom vendedor, alguém do ramo. Ajuda, viu? Quanto mais simples a apresentação, melhor a saída. Vende mais e mais. Uma multidão quer conhecer o produto final. Marketing e merchandising ali garantindo boa leitura e interação. Sucesso de faturamento. O Post está irretocável! Na mosca, contextual e na hora certinha. Para escrever no Balaio, não preciso ter tal preocupação. A lavra simples motiva interação. Facilita compreensão e eu mesmo tenho dificuldade, por isso escrevo menos. Acompanhar todos os assuntos daqui é uma questão de amor e afinidades. Balaio e seguidores formam um grupo incomparável. Cumplicidade. Foi assim durante todo o ano. Afinal, aqui cabe tudo. Bom Natal e Feliz Ano Novo. Abaixo com essa farra dos preços exorbitantes. Abaixo com o consumismo louco, irresponsável desamor a contrastar com o elevado espírito Natalino e de fé que só se lê nos olhos esbugalhados e inocentes de uma criança boquiaberta por um carrinho à bateria que o pai, envergonhado e descrente, soluça ao ler a etiqueta de $ 4.980,00. O filho sorri ao receber o pacote com 3 carrinhos de $ 13,50 cada um. Seus dois irmãozinhos ainda não viram o Papai Noel. Sentiram a truculência do “segurança” que afasta as mãos da criança que tocara o vermelho Ferrari do brinquedo de quase R$ 5.000,00. Boas Festas. Este Balaio é um presente de Natal para todos !

  5. O fato de Maluf receber a Papuda de presente de Natal causou mal estar no lulopetismo. Vê-se na decisão um pretexto precedente, um expediente preparatório ao encarceramento de Lula. Ninguém no PT espera um resultado diferente de 3 a 0 no TRF paranaense. A trinca desembargadora anseia pela hora de fazer o ex-presidente ver o carnaval nascer quadrado. Somente uma mega manifestação – e não apenas em Curitiba -, mas pelo menos nas 91 localidades onde o Poder Judiciário está instalado no território nacional. Pelo andar da carruagem, curiosa e paradoxalmente, Lula só teria chances de escapar do xilindró mediante o voto de Gilmar Mendes, se este virar o placar de 6 a 5, hoje favorável à prisão em segunda instância. O Natal da Papuda presenteado a Maluf, não foi uma péssima notícia apenas para os malufistas. A conferir.

  6. Marcos Coimbra respondeu a indagação do Kotscho em Carta Capital, neste sábado. Vamos ao resumo do pesquisador: “60% para Lula e Bolsonaro, mais 15% de brancos e nulos, deixa um total de 25% de votos para distribuir entre todos os demais candidatos. E se os dois líderes ganharem votos, diminuirá ainda mais a parcela a repartir”. Em poucas palavras: o candidato do meio não tem de onde tirar votos. A terceira via ainda não apareceu. E se aparecer, também vai ter de encarar o mesmo problema.

  7. Segundo o Poder 360, de acordo com o Instituto Paraná, em pesquisa realizada ontem, há uma competidora costeando o alambrado: “Mesmo longe dos holofotes, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) tem uma forte preferência do eleitorado. Até 43% votam ou podem votar na candidata. A taxa de rejeição à Marina é de 54%. Outros 3% não sabem ou não opinaram sobre a líder da Rede”. A pesquisa confirma os favoritismos do ex-metalúrgico e do ex-capitão em 2018.

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