Aposentados vão pagar deputados: este é o “novo normal” de Temer

Aposentados vão pagar deputados: este é o “novo normal” de Temer

“Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo” (economista Luiz Gonzaga Belluzo).

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É exatamente como podemos definir a nova operação tabajara do desgoverno de Michel Temer para aprovar a reforma da Previdência.

Nos cálculos do governo, os R$ 10 bilhões destinados esta semana à compra da base aliada para conseguir os 308 votos necessários à aprovação da patranha serão economizados já em 2018 com o corte dos benefícios hoje pagos aos próprios aposentados.

Ou seja, quem vai pagar a conta é quem sofrerá os prejuízos da “nova Previdência” apresentada em farta e milionária propaganda na televisão como única forma de garantir o pagamento dos benefícios no futuro.

Seria, vamos dizer, um investimento a longo prazo para garantir agora a reeleição e o foro privilegiado da escória parlamentar ameaçada pela Lava Jato.

Segundo Armando Castelar Pinheiro, do Instituto Millenium, o centro de estudos criado pelos barões da mídia para uniformizar a pauta do pensamento único, “novo normal” é uma expressão criada pelo economista egípcio-americano Mohamed El-Rian “para caracterizar o fato de que esta crise não é como as que vivemos nas últimas décadas, com repercussões basicamente cíclicas, mas uma crise que provocará uma ruptura estrutural: quando ela passar e as coisas voltarem ao normal, esse não vai ser o mesmo normal de antes”.

De fato, nada será como antes. Ou será?

O que antes era tramado no escurinho dos gabinetes agora é escrachado à luz do dia e divulgado como se fosse o “novo normal”.

Tudo que no governo anterior virava escândalo nas manchetes dos jornais agora faz parte da rotina administrativa, não causa mais comoção popular.

Assim ficamos sabendo que o governo vai entregar esta nova bolada bilionária nas mãos do ministro Carlos Marun (aquele ex-chefe da tropa de choque de Eduardo Cunha, agora ocupando a mesma função no governo Temer) como “munição” para convencer as excelências a aprovar a reforma no dia 19 de fevereiro.

Com o corte nos benefícios do INSS propiciado pela “nova Previdência”, o governo calcula que sobrará dinheiro para ser usado na campanha em obras nos redutos eleitorais dos deputados governistas.

É incalculável quanto o governo já gastou para aprovar esta reforma apresentada inicialmente como salvação da lavoura para conter o rombo fiscal.

Só para se ter uma ideia: em levantamento feito pelo Estadão/Broadcast em maio _ antes, portanto, das denúncias de corrupção da Procuradoria Geral da República contra o presidente, que obrigaram o governo a abrir os cofres para evitar o seu afastamento _ a fatura para aprovar a Previdência já tinha chegado a R$ 54,8 bilhões, apenas com o parcelamento de dívidas de Estados e municípios junto ao INSS e o Super-Refis para empresas.

“Todas as medidas já estavam na mesa de negociações e eram usadas como barganha antes das revelações que abalaram o Palácio do Planalto e a base aliada do governo. Agora, a capacidade de articulação de Temer é colocada em cheque por economistas”.

Para conseguir os votos necessários, o governo perdoou dívidas dos grandes bancos, anistiou ruralistas em débito, manteve e ampliou as isenções fiscais, tudo em vão. Gastou ou deixou de arrecadar recursos à toa: 2017 acabou com o governo fazendo contas de quantos votos faltavam para a aprovação da reforma.

Rara voz no deserto parlamentar que se opôs ao “novo normal”, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) resumiu a ópera, mas ninguém lhe deu bola:

“Não é normal o deputado receber verbas para votar a favor do governo. É o fisiologismo no poder”.

Aprovada ou não, ao se fazer as contas no final da história, a “nova Previdência” do governo Temer talvez já tenha custado ao país mais do que se pretendia economizar por muitos anos.

Muita gente e muitas empresas saíram no lucro e quem vai pagar as contas, como sempre, são os prejudicados a quem só resta obedecer. E os parlamentares poderão garantir a sua reeleição com dinheiro público, sem falar no fundo eleitoral que eles criaram para se eternizar do poder.

Pois ainda tem coleguinha acreditando em grande renovação no Congresso Nacional depois do tsunami da Lava Jato…

No “novo normal” do nosso país em que uma tal Cristiane Brasil-sil-sil é nomeada ministra do Trabalho e ainda se procura inventar um candidato à presidência, a nove meses da eleição, tudo será como sempre foi. Manda quem pode.

Vida que segue.

 

 

13 comentários em “Aposentados vão pagar deputados: este é o “novo normal” de Temer

  1. Eu, mero ignorante Porangabense, penso que o Brasil não precisa de Reformas, precisa sim de uma nova construção e uma Nova Constituição, onde fale e cumpra. Cansei de ver os políticos deitarem e rolarem em berço esplêndido, enquanto o pobre paga o pato. Aliás paga o pato e nem o come.

  2. Caro e prezado grande repórter RK, o que mais me assombra é a apatia da população. A maioria(silenciosa?)não diz um A e muito menos um B. Ninguém protesta nas ruas.
    O economista El-Rian tem razão com essa história do “novo normal” e até parece que ele ouviu a música Nada Será Como Antes, cantada pelo Milton Nascimento. No frigir das claras e das gemas, quem vai “Rian por último?”
    Será que existe mesmo o tal rombo na Previdência? Um promotor me disse que o governo desvia recursos da Previdência para obras públicas.
    O senador Paulo Paim teria dados que desmentem o rombo e a professora Denise Gentil, de uma universidade do Rio de Janeiro, também desmentiu e, se entendi direito, no fim do ano passado a Previdência apresentava superávit(cerca de R$ 16 bilhões).
    Então, como é que fica isso?
    No mais, RK, “morro de inveja” do professor Beluzzo pela frase magistral e lapidar. Oh, céus, por que não pensei nisso antes? Brincadeirinha, claro. Beluzzo tem um senso de humor notável.

  3. Naquela casa, tudo é comprável, não importa a que partido pertence.. Quem grita hoje, foi comprado ontem e agora já não vale tanto quanto pensa valer… e ai esperneia… ´uma vergonha.

  4. Temerocídio em pleno carnaval. A mentira dos números oficiais. Existe melhor época para este câncer de Brasília levar os fracos ao leito terminal de vida? O economista egípcio-americano diz que haverá ruptura das estruturas sociais? Errou! A ditadura jurídica parlamentar de Temer é um tumor maligno exposto e sangrando. Por isso, o economista errou, pois essa ditadura paneleira impichada já rompeu todas as estruturas sociais. A conta do caos total virá em menos de uma década. Miséria, fome, desemprego… revolução, ou aceitar o novo normal? Que pena, 517 anos de História para cair na “próstata cerebral maligna de Temer”. (sem falar em sua organização criminosa)

  5. Isso Kotscho…
    Na Venezuela se dizia a mesma coisa…
    A Venezuela já não tinha capacidade de bancar o custo das benesses populistas, e povo dobrou aposta, escolhendo o Maduro …
    O Temer está pagando o preço de fazer economia no cheque especial…e como depende dos deputados, advinha…faz novas dívidas…
    Mas ao menos a economia está de pé…ao contrário da Venezuela, Case do “melhor” exemplo da política populista/esquerdista!
    A diferença entre Maduro e Lula está apenas no bigode…
    Pois Lula se destaca mais pela barba!

    1. Gilvan sinto falta do pete no governo, comprei petr4 por R$ 7,00 bbas3 por R$ 13,00, títulos do tesouro desfruto com taxa de 13,95% a/a e 7,28% mais ipca……..QUE SAUDADES !!!, em quanto elles “populavam e bravaticavam” eu e muitos outros papávamos a brincadeira delles.

  6. Salvai-nos, ó próstata maligna! O povo benigno sofrerá demais até às urnas.
    À repórter da Globo, Castanhede, o impichado Temer iniciou com risos todas as respostas a questionamentos cabeludos e não se vexou (programa Em pauta).
    Se o homem mais odiado do Brasil, pode fazer humor do sofrimento do povo, eu também posso fazer humor negro de seu “desgoverno novo normal “.
    Salvai-nos ó próstata maligna. O povo benigno não suportará até as urnas.

  7. Ao tirar do aposentado e assalariado, os golpistas invertem a lógica do capitalismo, e um espiral invertido, menos renda, menos consumo, menos emprego, resultado, mais pobreza e miséria, os tempos de fhc estão de volta.

  8. Taí, Mestre! Gostei do tal de, ‘novo normal’.
    Ao contrário das anteriores, a ‘pós verdade’ e a ‘fakenews’, que vestem o fato, essa não, despe-o, deixa pelado, explícita, não tem vergonha e escancara as sem vergonhas obras primas da mediocridade sem modéstia nesse tempo, não dando chances a tíbios, omissos e ‘distraídos’, ao ‘não percebi’.
    Quebrou-me um tremendo galho, pois antes de descobri-la no post, aflito tentava entender Katia Abreu, dizer no senado que, “a situação do Brasil hoje é de ‘vaca não conhecer bezerro’. Nada mais me assombra. Nada. Chegamos ao fundo do poço. Não temos um Presidente. Temos um Refém.” Isso, depois de estarrecer com a Folha, transformando o novo recorde dos 52 milhões do Serra, em Caixa 2, sem que o acusado desse sequer gemido de explicação, justificando comentário anônimo dizendo-o, “o Houdini da política, pois nada o prende, desde que preso, conseguiu desaparecer do Estádio Nacional do Chile e reaparecer nos Estados Unidos, em 1973.”
    Mas nem tudo é “Novo Normal”, Jussara Araújo de Souza, 23 anos, casada com um entregador de pizzas, 3 filhos (6, 4 e 11 meses), atirada nos trilhos do metrô por homem de 55 anos e salva, ao lhe perguntarem, “o que espera daqui em diante?”, responde: “Minha meta é só continuar viva e criar meus filhos”, enquanto a Brasil, em Brasília, continuava mais que viva, esperando tomar posse do Ministério do Trabalho, aí sim, no “Novo Normal”. E viva o pato amarelo!

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