Para unir PSDB rachado, Alckmin parte para cima de Lula

Para unir PSDB rachado, Alckmin parte para cima de Lula

“Não vai ter golpe, vai ter voto”.

Quem chegasse desavisado à convenção do PSDB em Brasília para entronizar Geraldo Alckmin como novo presidente do partido não deve ter entendido nada.

Os gritos de guerra não eram de manifestantes petistas, mas vinham de militantes da Juventude do PSDB que brigavam  por causa de um impasse sobre as regras eleitorais.

Foi neste clima que começou o grande encontro nacional dos tucanos com o objetivo de selar a união em torno do governador paulista como candidato à sucessão de Michel Temer.

Nos bastidores agitados, ainda rolavam os últimos acertos para evitar atritos em público num partido que nunca esteve tão rachado e sem rumo.

Dividiram a nova Executiva nacional entre representantes dos grupos de Aécio e Tasso, a favor e contra o governo Temer, respectivamente, mas surgiu um fato imponderável: Arthur Virgílio, prefeito de Manaus, queria porque queria disputar prévias com Alckmin, que esperava ser aclamado na convenção.

O PSDB era, até recentemente, ao lado do PT e do PMDB, um dos três grandes partidos nacionais que ocuparam o poder desde a redemocratização em 1985 e afundaram juntos na Lava Jato.

Nascido de uma dissidência do antigo MDB de Orestes Quércia, o PSDB logo chegou ao Palácio do Planalto nos anos 1990, no embalo do Plano Real que elegeu Fernando Henrique Cardoso duas vezes em primeiro turno.

De lá para cá, perdeu quatro eleições presidenciais seguidas para o PT e só voltou ao poder no ano passado, na carona do PMDB de Temer, após o impeachment de Dilma Rousseff.

Primeiro e último grande líder nacional do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, 86, deu mais uma longa entrevista à Folha na véspera da convenção, que pode ser resumida em poucas linhas, mostrando que ele também não tem mais nada de novo a dizer.

FHC recomendou que  o partido deve defender valores como o reformismo, ainda que seja para perder.

“Em política, é preciso ter valores. Você pode ganhar ou perder, mas não pode perder a cara. No caso das reformas, tem de ter sensibilidade, mas não se omitir”.

Beleza. O problema é que o PSDB, como os outros grandes partidos, perdeu os valores e a cara, virou tudo uma geleia geral na falência do sistema político brasileiro.

O discurso de FHC envelheceu, não surgiram novos líderes à sua altura e, ao defender a indicação de Alckmin, conseguiu destacar apenas uma qualidade no candidato:

“Precisamos ter uma liderança mais simples, de gente mais normal, sem fanfarronice e pose. O Geraldo tem essa certa simplicidade”.

Convenhamos que é muito pouco para empolgar o eleitorado, o que explica sua posição empacada em um dígito nas pesquisas, enquanto Lula e Bolsonaro abrem folgada vantagem.

Para romper esta barreira, nas últimas horas Alckmin resolveu partir com tudo para cima de Lula, única estratégia à mão capaz unir o partido: escalar um inimigo comum.

No melhor estilo anti-Lula adotado por seu afilhado João Doria, antes de desistir do voo presidencial, Alckmin desistiu de “jogar parado” e subiu o tom:

“Os brasileiros não são tolos. Sabem, hoje, do método lulo-petista de confundir para dividir, iludir para reinar. Mas vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder, ou seja, meus amigos: ele quer voltar à cena do crime”.

Alguém deveria lembrar ao governador paulista que ele adotou esta mesma tática quando estava atrás de Lula nas pesquisas em 2006, e acabou tendo menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Bater no adversário costuma ser o último recurso quando não se tem nada de novo a oferecer ao eleitorado _ não o primeiro, quando a campanha ainda nem começou.

Desta vez, sem seus aliados históricos, a começar pelo PMDB, e os tradicionais coadjuvantes DEM, PPS e agregados, num país hoje dominado pelo Centrão de Eduardo Cunha, Alckmin e o PSDB correm o risco de ficar falando sozinhos. Já não conseguem unir nem a Juventude do PSDB.

Vida que segue.

 

 

 

 

11 thoughts on “Para unir PSDB rachado, Alckmin parte para cima de Lula

  1. A tendência de Alckmin é sofrer o mesmo processo de desidratação que acometeu Covas em 1989. A eleição de 2018 repete o cenário de terra arrasada que marcou os estertores do ‘governo Sarney’. Subsistiram ao primeiro turno somente aqueles que mais atacaram o presidente de turno e incendiaram as expectativas. As redes sociais pulsam com muita agressividade. O tucano ainda vai ter de lidar, também, com sua áurea de ‘Santo’.

  2. Nesse tempo do retorno embaraçado ao velho berço, a convenção do PSDB com essa cunha virgiliana acossando o acordo de praxe, como informa, faz lembrar o inicio da longínqua separação, quando da convenção para escolha de candidatos a governador e vice de São Paulo, com o prévio acordo decidido no tradicional almoço, Montoro-Covas, sendo atropelado na undécima hora, no Anhembi, pela militância do MR8 quercista, que no gogó e na pressão, fez de Quércia candidato a vice, sucessor de Montoro e dono do PMDB, despachando Covas do roteiro e plantando a semente da futura diáspora ao ninho tucano. Quanto atacar Lula com “ele quer voltar à cena do crime”, imagine se o dito resolve ir à sede do Metrolão, Rouboanel ou Merendão, discutir a ‘cena do crime’?
    PS: Ouvir Mourão falar ao Ternuma, ontem, e Lula a intelectuais, hoje, é sentir ameaçado pela força, viver-se no século 18 em pleno século 21, sem quem o compreenda. A escuridão e a Luz.
    Se até Pokémon evolui, por que não eles, Mestre?

  3. Até agora, a única coisa que creio para a eleições de 2.018 é que se não acontecer uma renovação significativa de pelo menos 60% dos eleitos para o Congresso e Assembleias Legislativas, a esperança na democracia pode ser perigosamente ferida e colocará a população brasileira a mercê de velhos ou novos oportunistas de dentro ou de fora do cenário político nacional. Então, até Alá eleito presidente pode virar Cristo, porque aprendemos que sem maioria honesta, nem Jesus salva.

  4. o Alkimin é com certeza o político mais preparado para lidar com os desafios, sem as mentiras dos populistas e sem as falácias alucinadas de oportunistas.
    Ele já começou certeiro ao indicar que Lula voltar a Presidência, é a verdadeira tradução da “visita do criminoso ao local da cena do crime”!

  5. Kotscho, já escreveste que não gostas de elogios. Louvável! Impossível resistir para com tanta excelência. Post e comentaristas cada vez melhores. Não é pra qualquer um. Na mosca!!! Fora Alckmin, nem FHC camufla tua cara de derrotado. Crianças e adolescentes julgaram-te incompetente… no maior levante estudantil de ocupação histórica de nossas escolas. Vá de retro… picolé de…. hmm, esqueci, mas isso tem tanta importância quanto a “euforia” do PSDB com seu provável candidato. PSDB, rumo ao cadafalso!

  6. Atravessei a rua de minha casa, andei 30 metros e conversei com dois pedreiros que reparavam uma calçada. Expliquei sobre minha pesquisa particular e perguntei: Conhecem Geraldo Alckmin? Resposta de ambos: não. Agradeci e ao voltar para casa, um deles disse: “a gente não vota não”. Com isso revelou conhecer o político, pois a pergunta, sem nenhum comentário, foi: Conhecem Geraldo Alckmin? Pesquisas, críveis, ou não, o brasileiro não vive sem elas.

  7. O PSDB perdeu as últimas 4 eleições para o PT. Há 20 anos venceu pela última vez. Ainda com FHC, o inconformado Ministro Serjão denunciava o que chamou de masturbação do governo. O Brasil mudou, Aécio, Serra, Alckmin catam os cacos para voltar à cena do crime. Até a envergonhada História se recusa a registrar em seus anais que o PSDB de FHC, atolado na lavajato, voltou à cena do crime na cacunda de quem? de quem? de quem mesmo? Na cacunda do impichado e denunciado Temer, o “herói” tucano/peemedebista… cunhado por Cunha, Aécio, entre outros criminosos. Ao bater em Lula, o picolé de chuchu assina em público o certificado que o petista é fortíssimo candidato ao Planalto. O tucano quebrou o bico no seu voo inicial como presidente do partido que mais decepcionou seus eleitores na duas última décadas. Quem diria, Temer o herói tucano/peemedebista faz o que quer. FHC de discurso repetitivo, inaceitável para o Brasil de hoje, não se conforma. As redes sociais que o digam! O partido que liderou o impeachment parece arrependido. A culatra estuprada, queimou a fantasia e feriu de morte seus principais líderes. O tucano precisa de transplantes de bico, coração, asas e cérebro. Há desencanto com a falta de doadores.

  8. Acho que não vou fazer a biometria porque dá uma vontade imensa de meter a mão na cara deles… Mas aí vão ficar minhas impressões digitais no rosto destes vagabundos…

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