Se o nosso Trump não sair logo, Brasil vai morrer sufocado e sem vacinas

Se o nosso Trump não sair logo, Brasil vai morrer sufocado e sem vacinas

“Não vou dizer que sou um excelente presidente” (frase do dia do presidente Jair Bolsonaro).

Daqui a mais algumas horas, o democrata Joe Biden vai assumir o governo dos Estados Unidos (EUA) e o mundo vai se livrar de Donald Trump, que sairá enxotado pela porta dos fundos da Casa Branca.

Por aqui, o nosso Trump tupiniquim ainda tem quase dois anos de mandato pela frente para acabar de destruir o Brasil.

Antes de sair, o de lá pelo menos comprou vacinas para imunizar a população. Os EUA batem recordes de mortes e de casos de coronavírus.

Se depender de Bolsonaro e da sua tropa de generais apalermados, vamos morrer sufocados e sem vacinas, sem dó nem piedade.

A que ponto chegamos… Estamos agora mendigando oxigênio da Venezuela e insumos da China, os grandes inimigos da “política externa” brasileira (assim mesmo, entre aspas).

Pará asfixiado

Depois do holocausto do Amazonas, agora chegou a vez de o Pará ficar sem oxigênio.

Nas últimas 24 horas morreram pelo menos seis pacientes, por asfixia, no município de Faro, no oeste do Pará.

Os primeiros lotes da “vacina chinesa do Doria” começaram a chegar a todos os municípios brasileiros, mas não estão dando nem para o cheiro.

Sem a previsão da chegada de novas vacinas e de insumos da China e da Índia, muitos agora vacinados poderão ficar sem a segunda dose, que deve ser aplicada entre 14 e 28 dias para ter o efeito desejado.

Pazuello não trouxe vacina e atrasou entrega da CoronaVac

Mal dará para vacinar a primeira leva de agentes públicos de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia, e os idosos da segunda etapa vão ter que esperar Bolsonaro pedir desculpas à China por todos os desaforos dele, dos filhos e do inominável chanceler.

Cadê as vacinas da AstraZeneca prometidas várias vezes pelo pançudo general da Saúde, sempre para os próximos dias?

Até agora, o boi de piranha de Bolsonaro não conseguiu trazer uma única vacina para o Brasil e ainda atrasou a entrega da CoronaVac, do Instituto Butantan, por absoluta inépcia e falta de logística, a sua especialidade nos quartéis.

Se Bolsonaro não for retirado logo do Palácio do Planalto, de um jeito ou de outro, não sei como, o que era uma crise sanitária sem precedentes pode acabar em catástrofe num país de 212 milhões de habitantes.

Delírios inconstitucionais: uma rotina

Nos Estados Unidos, a ofensiva delirante de Trump para tomar o poder a força, depois de derrotado nas eleições, só não vingou porque o Congresso e a Corte Suprema reagiram a tempo.

Por aqui, o Congresso e o Supremo continuam de férias, sem reagir ao novo ataque feito à democracia pelo capitão aloprado, que foi afastado pelo Exército por planejar jogar bombas nos quartéis, antes de virar deputado sindical do baixíssimo baixo clero.

Na segunda-feira, ele voltou a desrespeitar a Constituição ao dizer a seus devotos que “quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas”.

Não, presidente! A Constituição diz que “todo poder emana do povo”, não dos militares de plantão.

Momento UOL Confere: Forças Armadas não foram sucateadas

E voltou a mentir, para não variar:

“Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 Anos? Por que nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo”, disparou, como se ainda vivêssemos nos tempos da Guerra Fria.

As Forças Armadas não foram sucateadas nos últimos 20 anos, não é verdade. Ao contrário, foram muito bem tratados e tiveram uma excelente relação com os governos petistas, em que não houve nenhuma crise militar nem ameaça à democracia.

O hoje vice-presidente general Hamilton Mourão, que tentou fazer isso, foi simplesmente afastado do seu posto de comando e entregue a uma escrivaninha pela presidente Dilma Rousseff.

Aguardamos uma palavrinha da caserna

Tão grave como o que Bolsonaro disse é o silêncio obsequioso das Forças Armadas, que até o momento em que escrevo não se manifestaram para concordar ou discordar das declarações do capitão insubmisso.

Derrotado fragorosamente na “guerra da vacina” pelo governador João Doria, ao invés de mandar seu general da Saúde providenciar e distribuir vacinas, ele voltou ontem a recomendar o uso de cloroquina, receita rejeitada pela Anvisa, aos seguidores no cercadinho do Alvorada, de onde ele costuma se dirigir à nação.

Com ideias fixas desse tipo, o general Santos Cruz, que o conhece bem, e foi o único militar a se manifestar, voltou a colocar em dúvida a sanidade mental do presidente para justificar suas últimas atitudes insanas.

Iniciativas tímidas de lideres da oposição e da sociedade civil para propor o impeachment de Bolsonaro não fazem nem cócegas na tropa de choque do Centrão, que o garante no cargo, em troca de mimosas verbas e cargos no governo.

Está passando da hora de as instituições reagirem diante da gravidade da hora e encontrarem uma saída para o impasse que o país vive, porque agora não só a saúde dos brasileiros está ameaçada, mas também a da nossa democracia.

Ontem, foi o Amazonas; hoje, é o Pará, amanhã será outro estado, e assim o país inteiro vai entrando em colapso, sem vacinas, sem seringas, sem oxigênio e sem governo.

O Brasil pede socorro!

Vida que segue.

Em tempo: entrou no ar mais uma edição do Balaio do Kotscho no Youtube, com Rodrigo Simon. Para acessar:

https://youtu.be/ OPli54nFNrA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *