Mundo fecha as portas para o Reino Unido, menos o Brasil

Mundo fecha as portas para o Reino Unido, menos o Brasil

Na realidade paralela em que vive o nosso governo, parece que o Brasil não faz mais parte do mundo.

Enquanto países da Europa e de outros continentes se apressam em fechar o tráfego aéreo com o Reino Unido, temendo a propagação da nova cepa do coronavírus, por aqui não há nenhuma informação sobre providências do Itamaraty do chanceler Ernesto Araújo, aquele que se considera um pária, pelo menos até o fim da tarde desta segunda-feira.

Para um país que levou 38 dias, após a eleição americana, pensando nas repercussões geopolíticas da sua decisão, antes de reconhecer a vitória de Joe Biden, o tempo é outro, não há pressa, empurra-se tudo com o barrigão.

O mundo que nos espere. Com seu exército de generais de pijama e mais de 7 mil militares de todas as patentes espalhados pelo governo, a pandemia é a última das preocupações em Brasília.

Pelo mesmo motivo, até hoje não se sabe quando vai começar a vacinação da população brasileira, com a exceção de São Paulo, que cravou o dia 25 de janeiro.

Até o final do ano, o Estado deverá ter no estoque do Instituto Butantã cerca de 10 milhões de doses. Nos últimos 30 dias, o número de casos subiu 54% e o de óbitos 34% em São Paulo, o que torna cada vez mais necessária e urgente a vacinação, antes que chegue a nova cepa do vírus.

França, Espanha, Portugal, Polônia, Irã, Índia, Hong Kong, Turquia, África do Sul, um a um os países foram suspendendo voos e conexões marítimas e ferroviárias com o Reino Unido desde domingo.

Com capacidade de contágio 70% maior do que as cepas anteriores, casos da nova variante do vírus já foram identificados na Itália, Dinamarca e Holanda, levando o governo do Peru a suspender todos os voos vindos da Europa. Arábia Saudita e Kuwait fecharam todas as fronteiras.

O Palácio do Planalto está mais preocupado com as eleições no Congresso e as viagens reeleitorais do capitão-presidente.

Dá uma sensação de orfandade ao ver na TV as principais lideranças mundiais preocupadas com o avanço da segunda onda da pandemia e a situação no Reino Unido, a dez dias do Brexit, enquanto aqui estamos nas mãos de um general trapalhão, “especialista em logística”, e ficamos discutindo se a vacinação deve ou não ser obrigatória num país que ainda nem providenciou a compra de vacinas e seringas para toda a população.

Na antevéspera do Natal, os hospitais estão ficando mais lotados do que as lojas, mas ninguém liga para isso. É como se o coronavírus fosse um problema dos outros, que não acreditam na cloroquina e só respeitam a quarentena e as medidas de prevenção porque são vagabundos e maricas.

Qualquer dia desses ainda seremos expulsos da ONU. O Brasil virou uma terra muito perigosa para o resto da humanidade.

Vida que segue.

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