Bolsonaro é ameaça não só à democracia, mas à vida

Bolsonaro é ameaça não só à democracia, mas à vida

Eu queria mudar de assunto, mas é impossível separar as duas grandes ameaças que pairam sobre todos nós neste momento: o avanço do coronavírus e a irresponsabilidade do homem que governa o país, totalmente desconectado da realidade.

Enquanto governantes do mundo inteiro anunciam providências para preparar seus países no enfrentamento da pandemia, aqui o presidente insiste em minimizar o perigo que corremos, ao insistir com bobagens como “o coronavírus não é tudo isso que a grande mídia propaga”.

Para Bolsonaro, tudo não passa de uma “fantasia”, e vida que segue, como se o mundo inteiro estivesse errado e só ele tem a verdade, embora se limite a dizer “eu não sou médico, não sou infectologista”.

Melhor mesmo seria ele ficar calado e deixar a administração da crise nas mãos do competente ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Depois de passar a semana passeando por Miami, no auge da crise que abalou os mercados financeiros globais, Bolsonaro voltou ao Brasil com apenas uma preocupação: mobilizar sua tropa para os atos em sua defesa marcados para este domingo.

Mesmo com os alertas dados pelas autoridades sanitárias sobre o rápido avanço da pandemia no Brasil, que pode infectar 4 mil pessoas nos próximos 15 dias, ele não desiste de expor seus devotos em grandes manifestações convocadas pelas redes sociais, que estão sendo proibidas em outros países.

Mas, ao mesmo tempo, cancelou a viagem que ele mesmo faria nesta quinta-feira a Mossoró, no Rio Grande do Norte, seguindo recomendações do Ministério da Saúde para que o presidente evite eventos com grande aglomeração de pessoas.

Como Bolsonaro já disse várias vezes que não lê jornais para não se aborrecer, recomenda-se que ouça pelo menos o áudio do médico Fabio Jatene, diretor do Instituto do Coração, que circula nas redes sociais, com um relato dramático da disseminação do coronavírus no país.

Na reunião de que participou na hora do almoço de quarta-feira com alguns dos mais renomados médicos do país, Jatene ouviu que a previsão é de 45 mil infectados pelo coronavírus só na Grande São Paulo ao longo dos próximos quatro meses. Seriam necessários 11 mil leitos de UTI para atender a essa demanda em São Paulo, que não existem nem no país todo.

O médico infectologista David Uip, que assessora o governo paulista, relatou que o número de casos deve explodir no país a partir de agora e que as mais ameaçadas são as pessoas idosas. Entre os mais velhos, a taxa de mortalidade chega a 18%, enquanto entre os mais jovens é de apenas 0,2%.

Diante desse quadro alarmante, ministros e lideranças do Congresso fizeram uma reunião de emergência na noite de ontem, em Brasília, sem a presença do presidente da República.

Se em condições normais de tempo e temperatura, a presença de Jair Bolsonaro na Presidência já é uma ameaça constante às instituições, em momentos de gravíssima crise simultânea na saúde pública e no mercado financeiro, torna-se um perigo ainda maior porque ninguém sabe o que ele é capaz de fazer.

Lamento, mas é impossível mudar de assunto.

Vida que segue.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *