Brasil continua dividido em três, como no dia da eleição dos Bolsonaros

Brasil continua dividido em três, como no dia da eleição dos Bolsonaros

Aconteça o que acontecer, um terço da população brasileira apoia Bolsonaro; um terço é contra e o outro terço é coluna do meio.

A nova pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta segunda-feira de Carnaval, como todas as anteriores, mostra que o eleitorado brasileiro continua dividido exatamente como no dia das eleições de 2018.

As pequenas oscilações ocorreram dentro da margem de erro de 3,2 pontos percentuais da pesquisa.

Para 39%, o governo do capitão é ruim ou péssimo, exatamente o mesmo porcentual de outubro do ano passado.

Para 34%, o governo é ótimo ou bom e 29% o consideram regular.

Essa divisão do país em três partes quase iguais permaneceu inalterada nos levantamentos divulgados por todos os institutos de pesquisa de um ano para cá.

É como se o Brasil tivesse sido congelado, imobilizado politicamente, no dia da eleição dos Bolsonaros.

Por maiores que sejam as barbaridades já cometidas pelo governo miliciano-militar contra o povo brasileiro, a sua soberania e seu futuro, os números não se mexem.

O Fla-Flu das redes sociais também continua o mesmo e se revela até nos comentários sobre os desfiles das escolas de samba.

Quem defende o governo ataca o desfile da Mangueira, de forte crítica social e política, e vice-versa nos que são contrários.

Nos últimos 14 meses, as condições de vida da maioria da população só pioraram, com a perda dos direitos trabalhistas e previdenciários e a uberização da economia.

Pouco importa. Parece que até mesmo os desempregados, as maiores vítimas, que votaram em Bolsonaro, votariam de novo no capitão se as eleições fossem hoje.

No levantamento da XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o que mais me chamou a atenção foi que 40% da população ainda acha a perspectiva ótima ou boa para os próximos anos de mandato do capitão.

Como explicar esse brutal contraste entre a cada vez mais degradada vida real dos brasileiros e esse otimismo que se mantem irredutível?

Só encontro uma explicação: a maioria dos brasileiros ainda prefere acreditar nas fake news da rede bolsonarista de comunicação, montada nos subterrâneos da internet e amplificada por grandes veículos da mídia amiga, do que nos fatos de uma economia estagnada, sem nenhum sinal de que possa melhorar tão cedo.

Como Bolsonaro só governa para os seus devotos e trapaceia diariamente a realidade, esses seguidores se mantém fiéis em qualquer situação, nada é capaz de mudar seu sentimento.

Os demais dois terços da população, que votaram no adversário do capitão no segundo turno (o petista Fernando Haddad, lembram-se dele?) e aqueles que digitaram branco/nulo ou se abstiveram, permanecem onde estavam, só vendo a banda de patos amarelos passar pela janela.

Só um fato novo poderá mudar esse cenário. Mas qual fato novo se pode esperar depois do Carnaval?

Estão previstas três manifestações para depois da Quarta-feira de Cinzas.

Uma, no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, contra o governo Bolsonaro.

Outra, em defesa de Bolsonaro, no dia 15, contra o Congresso e o STF, liderada pelo general Augusto Heleno, o grande patriota do “foda-se”.

E a terceira, o dia nacional de greve do serviço público, no dia 18 de março.

A partir daí, algo poderá começar a se mover para um lado ou outro, a depender do número de manifestantes levados às ruas em cada manifestação.

Ou não acontecerá nada, o que é mais provável, e o cortejo fúnebre do país estrangulado pelo poder miliciano-militar seguirá seu caminho.

Vida que segue.

 

14 thoughts on “Brasil continua dividido em três, como no dia da eleição dos Bolsonaros

  1. O mais provável é que não acontecerá nada. Uma nação hoje é feita de homens e
    de computadores. Tem bagulho mais não. Tá igual velho. Não vem que não tem não.

  2. Amigo Kotscho

    Tenho plena convicção que, como você escreveu, um terço da população brasileira apoia Bolsonaro.

    Na minha bucólica Rancharia, de 29 mil habitantes, cito apenas um caso, o de um rapaz de cerca de 25 anos, trabalhador, de família de baixa renda, que compartilha diariamente todos os fakes disparados pela milícia virtual do capitão-presidente. Volta e meia dispara um que informa que ele faz isso gratuitamente.

    Não é de duvidar, portanto, que o bolsonarismo não tenha conseguido novos admiradores. Os “faces” estão cheio de “globolixo”, por seus ineficientes pitacos dados no capitão-presidente. Parece ser do pessoal do voto em branco e nulo.

    Não foi o Brasil que ficou congelado, segundo essa pesquisa divulgada. Pegaram o povo num “boa noite, cinderela” neofascista, difícil de acordar.

    Agora a democracia brasileira está nas mãos das mulheres. Aliás, elas estão carregando os movimentos e as ações públicas contra o presidente neofascista.

    No carnaval, são elas as ritmistas das baterias dos principais blocos de resistência.

    Que a manifestação do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, possa dar um alento à greve anunciada para o dia 18 de março, três dias após o “foda-se” do gnomo do Cabaré do Planalto, general Heleno.

    Ulisses de Souza

  3. Caro jornalista como já afirmei por diversas vezes, vocês não representam mais a vontade do povo. Perderam totalmente o chamado formadores de opinião. Seus textos são exclusivamente aplaudidos pelos seus seguidores esquerdopatas. O vídeo que o Ernesto postou aqui exemplifica o que afirmo acima. 1 ano e dois meses a mídia e as viúvas de nossos impostos batendo no Mito e nenhum arranhão de sua credibilidade junto ao povão. Artistas já criaram o ele não e o efeito foi ao contrário do que imaginaram. O ex e condenado era a esperança de ser o contra ponto ao Mito. Se tornou um fracasso. Na realidade se tornou um fardo para a esquerda, pois não consegue andar entre o povo sem que lhe direcionem adjetivos tipo ladrão para baixo. Então só frequenta locais exclusivamente habitados de esquerdopatas. Era mais útil na cadeia do que fora. Se imaginassem. Por diversas vezes li o nobre jornalista afirmando que tinha que trocar o disco e parece que não segue esse discurso. O Brasil saiu das garras da mídia e da esquerda corrupta. O povão percebeu que político de fala polida mas com a mão corrupta levou o Brasil para o buraco. Então preferem um presidente casca grossa mas honesto. Eu falei honesto pois apesar de ler em seus textos diversos adjetivos o corrupto e ladrão não escreveu. Então as mídias sociais sepultou as mídias tradicionais que ditavam como o povão tinha que pensar e seguir. Hoje somos livres para apoiar um presidente honesto que está mudando o Brasil. Principalmente livrando nossos impostos das garras de políticos, artistas e organizações ditas sociais. Essa abstinência está acabando com a vida da galera indicada acima. As próximas eleições então será um banho gélido aos esquerdopatas que irão levar uma baita surra nas urnas. Agora sem o dinheiro da corrupção para regar suas campanhas. Mais um texto para o moderador. Vida que segue

  4. Mais nítida a opção pela barbárie, mais o bolsonarismo quer ser visto como a escolha popular, respaldada pelas Forças Armadas, no limite, como enxergou o Jânio, protegido por uma guarda pretoriana. Uma eleição transubstanciada: votou-se para presidente, daí surgiu um ditador; votaram em um ditador, não digam que não sabiam, e deste processo não saiu um presidente. É um movimento, o bolsonarismo, que torce paradoxalmente pelos desfalques crescentes no seu interior: um sentimento de pureza moral com armas na mão dos que ficaram contra os que “ficaram pelo caminho”, um ganho absurdo de protagonismo dos adoradores remanescentes do mito, imunes contra qualquer evidência, com suas patéticas demonstrações de lealdade incondicional. Mais a rede social se torna sintomaticamente agressiva, mais fica saliente a perda de um apoio popular que já foi muito maior, apoio que querem no grito recuperar para emparedar o Congresso e o Supremo.
    Que ainda seja uma legião imensa é imagem que não pode nos iludir, menos ainda intimidar, da mesma forma que o quartel dos policiais amotinados e encapuzados, estimulados pelo presidente, não pode nos dar a impressão de ali estarem em espírito as Forças Armadas. Mesmo que aja ao arrepio da lei como comandante em chefe de uma ditadura, Bolsonaro não é militar e as Forças Armadas não são bolsonaristas. Não cai nada bem internamente, e com muita razão, no Exército, Marinha e Aeronáutica a palavra militar soar como miliciar. Ninguém lá dentro quer isso!
    Desfalques por todos os lados: se cresce perigosamente o contingente do bolsonarismo sindical nas Polícias Militares, cresce ainda mais nos quartéis da PM o desconforto interno com uma adulteração chantagista das funções, propensa a quebras da cadeia de comando e incentivada desde cima. Tudo isso sem desconhecer a justeza da reivindicação em geral por aumento de salário daqueles que colocam sua vida em risco na defesa da vida alheia. “Sou policial, não milícia”, retruca dentro dos quartéis o policial militar que não cede à chantagem.
    Não fui eu a primeira a notar que, ansioso e com medo de algo terrível, Bolsonaro volta e meia acaba produzindo contra ele mesmo a suspeita antes ainda em estado larvar: pois não é que ele tratou o policial amotinado, armado até os dentes e escondido na sua balaclava com os mesmo elogios que dirigia às milícias quando deputado. “Queiror não faria melhoz”, se é que me faço entender.

  5. Mestre, o terço da direita é da classe dominante, composto na maioria por eternos aspirantes, tanto que não foi de Collor, como não é de Bolsonaro, esse ‘acidente de percurso’, não confiável, que teve que engolir e eleger para não correr o risco maior do PT vencer e dar fim prematuro ao golpe, dado que, mesmo com a lavajateira e os ‘pit bulls’, mídia e judiciário, não conseguiu destruir o PT e Lula, ‘como preciso’.
    Sabe que basta um mês de campanha do tipo que utiliza contra o PT e Lula, há mais de 6 anos, para triturar e jogar no lixo ou em celas por aí, o ‘acidente de percurso’ e curriola, mas entre os riscos de, assim anabolizar o PT e Lula ou sofrer o golpe dentro do golpe, pelo dito ‘acidente’, fica a pular na frigideira cada dia mais quente, apreciando o esbulho eleito empurrar o Brasil para o fundo do brejo, onde encalhou-o com o golpe iniciado em outubro de 2014.
    Isso posto, total concordância com a explicação única encontrada, à atual situação: “a maioria dos brasileiros ainda prefere acreditar nas fake news da rede bolsonarista de comunicação, montada nos subterrâneos da internet e amplificada por grandes veículos da mídia amiga, do que nos fatos de uma economia estagnada, sem nenhum sinal de que possa melhorar tão cedo.”
    E por falar em ‘mídia amiga’, a dita não para de validar a vossa explicação, conforme comentário que segue.

  6. Ontem no desfile da Mangueira, a Globomarinho conseguiu a proeza de não pegar a letra do samba enredo, que lá pelas tantas, manda:
    “Favela, pega a visão
    Não tem futuro sem partilha
    Nem Messias de arma na mão
    Favela, pega a visão
    Eu faço Fé na minha gente
    Que é semente do seu chão”
    Visão pega por ‘Armínio Garças’ e também pelo bilionário americano Nick Hanauer, que se antes disse, “se a desigualdade continuar aumentando no ritmo dos últimos anos, os “plutocratas” (classe em que se inclui) vão virar o alvo de uma revolução de “tochas e forcados” semelhante à Revolução Francesa no século 18”, agora diz que, “transferir recursos orçamentários para os mais pobres é a saída para os impasses do capitalismo”, ou seja, na prática, “incluir pobres no orçamento”, o modelo de inclusão social by Lula, “… que é semente do seu chão”.
    E como não suficiente, quando a comissão de frente, representando cenas de um Jesus contemporâneo, mostra-o, junto com amigos, perfilados no muro, acossados pela polícia, o global, ágil, informa ‘serem soldados romanos’, corrigido pela parceira, ‘ser a polícia’, em tentativa de atenuar a tragédia de época, global.

  7. Prezado Kotscho: Pelo cheiro da brilhantina, parece que está passando da hora de os 2/3 da população acordar e seguir “o grande patriota do “foda-se”.” e fazer exatamente isso com eles e sem pestanejar. O caminho mais pacífico, mas tortuoso e pouco provável, é o do impeachment ou será que vamos ter que aguentar esses patriotas do mal até o próximo Carnaval? “Carnaval carnaval carnaval, eu fico triste quando chega o carnaval …”. (Luiz Melodia).

  8. Caro Kotscho. Além das fake news, acho que há também um outro fator: os templos evangélicos.
    Diariamente, legiões de evangélicos neopentecostais ouvem a pregação dos pastores evangélicos, que na quase totalidade defendem este governo e o presidente fascistas.
    Diariamente. Não é fácil se contrapor a uma lavagem cerebral desse tipo.

  9. Caro jornalista, a cada dia que passa, fica mais evidente que somente uma ampla coalisão em defesa da democracia, será capaz de barrar o projeto autoritário que está sendo implantado em nosso país.

  10. Kotscho, você poderia citar uns três exemplos dessas fake news hipnóticas de que tanto vocês falam? E você saberia por que, ao invés do que é normal, elas afetam os mais instruídos e bem informados (quase todos antipetistas, “bolsonaristas”), mas não funcionam com os mais ignorantes que constituem o grosso do eleitorado petista?

    Para ninguém dizer que exijo o que não ofereço, aproveito para informar que posso citar várias fake news utilizadas pelo petismo e explicar por que elas convencem a alguns e não a outros.

  11. A situação sabe que não resiste a qualquer embate que enfrente a realidade dos fatos. Por isso sua estratégia retórica é a trabalhar a (auto)imagem de “justiceiros” num País coalhado de bandidos. Esperam que a maioria disso se convença e, ao fim ao cabo, prefira o “justiceiro”, miliciano ou não.

  12. De duas familias amigas conhecidas , ambas nisseis de 3ª geração, ouvi ha meses que iam para o Japão. Um casal sendo ele não.nissei e outro de solteiros, estes pretendendo fazer sua vida por lá.
    Alias o câmbio está maravilhoso para eles.
    Meses depois alguem dos que ficaram revelou que desta vez foram já com a firme decisão de ficar em definitivo. Queimaram os navios e não haverá volta.
    Parece que é o oposto do que ocorria coisa de quinze , vinte anos atras.

  13. Mestre, cumprimentei-lhe antes pela atitude de liberar para registro no Balaio e conhecimento de todos, além de possível subsídio a análises e considerações históricas futuras, exemplificações da mediocridade que assola o país nesse tempo obscuro, em que a ignorância fez-se douta e o ‘esbulho esfaqueado exangue’ fez-se eleito, pela classe dominante, via monopólio da mídia e judiciário lavajateiro, estagiário de presidente do Brasil, atolado no brejo pelo golpe e desgovernado rumo ao fundo pelo mesmo, através não de debates e do contraditório, mas de fake-news e redes sociais a estabelecerem o novo normal de verdade, não a dos fatos, mas das versões, pouco importando de que e como são feitas e divulgadas.
    Volto a cumprimenta-lo e agradecer aos exemplificados, pela excelência dos registros de mediocridade disponibilizados em relação a esse post, em especial o que ainda desafia-o.
    E continua a ‘imprecionar’, a dificuldade em inteligirem textos.
    No caso do post, não captaram no parágrafo principal o ninho de fakes, ‘Agora a Coisa Vai’, mesmo claramente descrito, certamente por não estar ‘titulado’, expondo especialmente o desafiante.

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