Golpe dentro do golpe: general Heleno abre guerra contra o que resta de democracia

Golpe dentro do golpe: general Heleno abre guerra contra o que resta de democracia

Em plena semana do Carnaval, eles rodaram a baiana e rasgaram as suas fantasias de generais de pijama.

Sob o comando do nanogeneral Augusto Heleno (na brilhante definição de Fernando Morais), ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o governo militarizado está em pé de guerra contra o que resta de democracia e agora quer convocar o povo a ir às ruas contra o Congresso.

Principal conselheiro e tutor do capitão presidente, aquele que está sempre de óculos escuros ao lado de Bolsonaro, como um papagaio de pirata, Heleno perdeu a paciência com as pressões do Congresso contra os vetos ao orçamento impositivo:

“Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, proclamou Heleno com todas as letras, durante o hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, às oito horas da manhã de terça-feira, como relata a repórter Naira Trindade, no jornal O Globo.

Com sua cara de sonso, ele não percebeu que a cerimonia estava sendo transmitida ao vivo.

Pouco depois, na reunião de ministros, quase todos militares, no Alvorada. o nanogeneral não se conteve em sua ira nada santa e foi direto ao ponto: pediu ao presidente para “convocar o povo a ir às ruas” em protesto contra o Congresso Nacional.

Era só que faltava para um novo golpe dentro do golpe de 2016, como aconteceu com o AI-5, em 1968, quando a ditadura militar fechou o Congresso e acabou com o Estado de Direito, suspendendo todas as garantias constitucionais.

A situação ficou tão surreal, que o capitão teve que pedir calma ao general _ e não o contrario, como era de se esperar.

Foi nesse clima beligerante que Bolsonaro seguiu para o “cercadinho” do Alvorada, onde os jornalistas já o aguardavam para o show diário de grosserias, e passou a ofender, sem mais nem menos, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, em meio a risadas da sua claque.

Como diria Sergio Cabral ao ver a cena, “acho que ele exagerou”.

Dessa vez, não foi só a oposição que reagiu a mais um ataque criminoso à jornalista que denunciou a fábrica de fake news nas eleições de 2018.

Até os isentões da imprensa e aliados do governo se assustaram com o nível de degradação e vilania a que chegou o presidente da República, completamente descontrolado desde a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, amigo da família, investigado no esquema de rachadinhas do gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual.

No mais contundente editorial até agora publicado contra a quebra de decoro do capitão presidente, a Folha desta quarta-feira denuncia que Bolsonaro “age como chefe de bando, reincide na ofensiva contra o jornalismo e alveja o edifício constitucional”. Diz o editorial:

“O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores de estado, repórteres e organizações de mídia tornaram-se vítimas constantes de insultos e ameaças”.

Ontem, os presidente da Câmara, do Senado e do STF mantiveram-se em obsequioso silêncio diante dos insultos de Bolsonaro à jornalista da Folha.

E agora? Vão se fingir de mortos com a clara ofensiva do do general Augusto Heleno contra as instituições revelada pela matéria de O Globo?

Até o momento em que comecei a escrever esta coluna, não vi nenhuma reação da parte civilizada da sociedade, diante do avanço golpista do governo militarizado, em todos os escalões, com centenas de generais e coronéis assumindo, paulatinamente e na moita, o comando do país.

Quando for dado o novo golpe fatal na democracia, nem precisarão fazer mudanças no governo.

Resta saber se isso acontecerá com ou sem o capitão aloprado na cadeira de presidente.

Esse Carnaval promete…

Em Brasília, já começou, e não tem hora para acabar.

Agora sem fantasia, caminhamos para o colapso completo das instituições.

Vida que segue.

 

16 thoughts on “Golpe dentro do golpe: general Heleno abre guerra contra o que resta de democracia

  1. Alguém em estado de lucidez esperava atitude e ações diferentes desse desgoverno? Ainda tem mais dois anos de nova gestão do STF, aí, sim, verão o que é democracia em vertigem. E essa gente não enganou ninguém. Ela sempre pensou, agiu e fez impunimente o que está fazendo agora. Li no Uol que Lula vai depor. Ele poderia perguntar: pra que essa formalidade, eu já estou e vou continuar sendo condenado sem provas. Pra que essa caricatura, pra manter as aparências do protocolo e da formalidade? Também nos jornais, dizem que o que se acha impresdindível pediu pra sair e ouviu a frase “se sair acaba o governo”. Lá atrás, dizem que o tal de bozo quis exonerar o ex juiz carcereiro e teria ouvido do nanogeneral às vezes aquela frase dita a guedes. Que diabo de governo é esse que depende de um ministrozinho que só fala besteria e não apresenta nenhum resultado positivo na economia. E nem na segurança pública, pois é só ligar a tv nos programas de polícia que a violência continua a mesma. Lula atravessou a crise de 2008 e 2009 e não vendeu um metro quadrado do patrimînio público, não fez essa fajuta e paliativa reforma da previdência e nem por isso o Brasil foi afetado pela referida crise, umas das maiores do ocidente moderno. Cortar gastos dificultando cumprimento de direitos elementares constitucionais, vender o aptrimônio público e querer aumentar imposto até eu seria um excelente minsitro da economia. Mas o que está aí nem assim consegue apresentar factualmente algo positivo ao cidadão. Podera, tem aquelas coisas que vão gritar em apoio às ofenças que o tal presiente desfere sobre jornalistas. A oposição está tão ausente que eles nem a ela se referem. Por que os generais aparecem sempre com óculos escuros? Seria falta de traquejo com a luz solar que imumina as verdades? A famiglia s[o falou sobre a morte do miliciano depois que reinou do silêncio e da garantia de falta de conteúdos nos celulares do assassinado. Que polícia é essa da Bahia que matou um homem cercado por 70 policiais?

  2. Mestre, a fedentina está insuportável, a ponto de ignorar-se o ‘nano’ e até Sardenberg arriscar-se – “Daqui a pouco, ele dá razões para um pedido de impeachment, se é que já não está dando.” E seguem:
    Miriam Leitão – “Um presidente não é inimputável. Ele pode não responder pelos atos que cometeu antes de assumir. E essa prerrogativa existe para proteger a Presidência em si e não a pessoa que ocupa o cargo. Mas Bolsonaro entendeu que entre os seus poderes está o de dizer o que lhe vier à cabeça, agredindo qualquer brasileiro, grupo social ou instituição. Contra isso existem os freios e contrapesos… O problema é que o presidente radicalizou, exibe agressividade descontrolada, e os outros poderes se encolheram diante desse extremismo. É assim que as democracias morrem.
    (…) O país passa a achar normal o que é na verdade inconcebível e acaba por aceitar o inaceitável, como um presidente que ofende o cargo que ocupa. E assim nascem as tiranias.”
    Fernando Brito – “É inacreditável, mas real a zorra total que tomou conta do sistema policial-judicial do país. (…) o Ministério Público – ágil e rápido quando se trata de escarafunchar a vida do primo-em-segundo grau-do-cunhado-do-sobrinho-do-Lula–em dez dias, disse…nada [sobre o miliciano morto].
    Como nada diz do estrume que jorra diariamente da boca presidencial, de tal forma que a palavra decoro perdeu sua serventia.
    As instituições, afinal, não precisaram de “um cabo e um soldado” para serem dominadas.
    Estão podres, para a festa e o repasto dos abutres.”
    Leandra Leal – “Cruzamos o limite da decência desde o dia em que um deputado elogiou um torturador. (…) Cruzamos a fronteira quando acharam que isso não era sério. Eu não entendo que surto foi esse.”

    1. Mestre, faltava LFV, que hoje, com APATIFAM-NOS, joga a pá de cal no putrefato estado de coisas legado ao Brasil por essa xucra Classe Dominante, via ‘cavalão’ e sua estrebaria.
      Vale replicar de APATIFAM-NOS:
      “(…) É impossível observar o Brasil de hoje sem a sensação de estar assistindo a uma pantomima tragicômica, a decomposição de um Estado que, dissessem o que dissessem de governos anteriores — inclusive os lamentáveis —, mantinham, pelo menos, a linha, o que é mais do que se pode dizer da atuação de Bolsonaro & Filhos no palco do poder.
      (…) O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público e pela baixaria como linguagem corriqueira, adotada nos mais altos níveis de uma sociedade embrutecida. Apatifam-nos pelo exemplo.”
      E o demolidor fecho, no modo que os trouxas compreendem:
      “E aumenta a suspeita de que na Universidade de Chicago o Paulo Guedes só assistiu às aulas de bobagens para dizer caso a economia não deslanche.”

  3. O senador descreveu ferimentos na cabeça, queimadura e costelas quebradas no cadáver do miliciano, insinuando que pode ter havido tortura. Ora, a famiglia é adepta da tortura. Ele estaria denunciando possível tortura antes de o miliciano ser morto? Eles pregam o contrário, são a favor da tortura. Ou o senador está preocupado com o conteúdo que o miliciano teria dito sob tortura antes de morrer? Nota-se nos mombros do clã certa preocupação na hipótese da fonte ter sido abatida, mas de ter deixado dossiê, por exemplo, pois segundo o seu advogado, o miliciano sabia que estava sob a mira na chamado queima de arquivo. Por que essa preocupação agora com a verdade sobre o miliciano que passou mais de um ano foragido e o ministério da justiça sequer o incluiu na lista dos procurados? Essa famiglia se cria nas costas de eleitores míopes, ou plenamente cegos.

  4. Com a nomeação de vários militares na surdina para atuarem no governo, acho que esta em curso um auto golpe. É preciso que a sociedade civil e os partidos se organizem, para novamente se criar uma frente ampla, visando salvar a democracia. Essa frente vai da OAB, ABI, e outras, incluindo os partidos PT, PSDB,PDT, PSOL etc. É ora de união de todos

  5. Logo ouviremos o sr. procurador-geral, membros do MP, presidentes da Câmara e Senado, presidente e ministros do STF com a ladainha:” … mas as instituições estão funcionando, os fundamentos da República são sólidos”.
    Será que o tal “cabo e os dois soldados” farão jus a seus soldos? Onde irão primeiro? No STF ou no Congresso? Decidirão na “porrinha?”.
    Moleques!!

  6. “Edifício constitucional”,essa é boa!A fsp não se preocupou com essa construção ao apoiar a palhaçada do impeachment.A cena do psdbista(partido da foia) bruno araujo,dando seu voto foi o retrato da farsa.

  7. Prezado Kotscho. A Folha poderia ter sido mais direta. Poderia ter lançado o termo impeachment na primeira página. Algum chefe da redação deve ter sugerido essa alternativa. Mas o recado ficou só no editorial. A Folha tem medo das reações do Jair, do Heleno e do Olavo.

  8. Prezado Kotscho: Quando virá o “Foda-se” dos 75% da população brasileira que não apoia a ditadura? Vamos passar 2020 sem um processo de impeachment contra esses nazifascistas de plantão?

  9. Amigo Kotscho
    Tamanho não é documento.
    Ainda mais com um exército acaudilhado.
    Napoleão Bonaparte que o diga. Por pouco não conquista o mundo.
    Mas há também aqueles que acham que a pessoa de baixa estatura só serve para provocar brigas entre os grandes.
    O general Heleno insultou o poder legislativo e analistas políticos tentam desvendar se ele vem com a tropa ou é apenas um blefe do famoso papagaio de pirata com óculos escuros.
    Uma coisa ou outra.
    No planeta o general deve esclarecimentos por uma acusação séria, a de crime contra a humanidade, ocorrido quando chefiava tropas da ONU no Haiti.
    Agora, resta saber qual o verdadeiro papel do gnomo do Cabaré do Planalto.
    Seria ele o porteiro?
    Ou apenas o chaveirinho de quem abre e fecha portas.
    Ulisses de Souza

  10. Anuncia-se concurso para o exércicito com mil vagas. Pra fazerem o quê? Contradiz o desmandante que corta concursos em áreas essenciais. No INSS faltam pessoas para agilizar os requerimentos dos assegurados. Maia deu uma dentro, o nanogeneral não viu chantagem quando os parlamentares aumentaram os valores de seu soldo na reserva e dos da ativa. A partir de outrubo, vem nova gestão no STF, aí verão o brasilzão perder de vez o norte da decência. A atual não deixará saudades, mas a próxima promete mais desmoralização àquela instituição, se é que seja possível baixar mais do que o zero em que se encontra. Em outrubro haverá eleições municipais, coicidentemente com a posse do novo presidente do stf, aquele que disse que se houvesse disparos exagerados e caluniadores na web as chapas eleitorais seriam cassadas. Crime eleitoral… então, tá.

  11. Ricardo, você acha mesmo que o que os deputados do CENTRÃO fazem com o governo é algo republicando e democrático? Gostaria mesmo de ver uma analise sua sobre este assunto, mesmo porque, o PT tinha uma outra forma de tratar este povo $$$$$$$.
    Quanto ao Bolsonaro e seus filhos, estão mesmo passando de todos os limites aceitáveis e digno de um mandatário maior, que em nada ajuda a melhorar a nossa tão ruim convivência politica e social. Está mais que merecendo uma boa reprimenda.
    Já o General Heleno, falou por linhas tortas o que é uma grande verdade

  12. “Aceite, ou senão é ditadura! … “, de um dos filhos do presidente. Precisa mais para uma grande frente contra o fascismo?
    Acharam que o exercício da presidência iria moderar a família imperial Bolsonaro. Acharam que o Heleno não iria se olavizar, mesmo depois de ouvir calado as ofensas explícitas feitas pela extrema-direita às Forças Armadas; que o Moro iria garantir o Estado de Direito, mesmo depois das revelações escabrosas feitas pela vaza-jato. Acharam que o Guedes era a personificação virtuosa no poder do ávido mercado dentro das regras de uma democracia liberal, mesmo com ameaças de retorno ao estado de exceção (AI-5) para passar por cima do Congresso e do Supremo.
    Agora não dá mais. Agora acabou o jogo narcísico do avestruz blasé do Leblon ou Jardins: o voto “útil” no fascismo amarelo para se livrar das esquerdas. Acabou qualquer crença operante de manter os bárbaros sob controle.
    Mimado, Bolsonaro ganhou de presente a presidência, mas quer mesmo o comando maior de uma ditadura sanguinária, uma que metralhe em vez da “banana”.
    Não, estas figuras horrendas NÃO ganharam o Brasil no bingo, não foram presenteadas com um mandato para desconstruir e depois destruir um Brasil democrático, plural, antes respeitado no planeta.
    Eles-não!

    1. Não tem nada de ditadura, nada de vota de AI5, esses esquerdopatas que torcem pro quanto pior melhor, volta e meia continuando nadando na maionese-, pensam que o mundo é só deles, /o Brasil é patrimônio dos brasileiros/, aqui não é nem Cuba nem Venezuela. Nunca mais voltarão ao poder. Pode tirar o cavalinho da chuva. (…)Esse ‘sonho da maionese’ só findará após o imbróglio da decisão da segunda instância, que botará bandidos na cadeia, lá é o lugar deles. Um parlamentarismo misto, como sonhava o Temer, quem sabe é uma boa opção? Mas pra isso seria necessário a existência de pelo menos três partidos políticos fortes. Devido à sua dimensão territorial, o Brasil é formado por vários continentes num só.

      1. Tião Aranha
        O Brasil é patrimônio dos brasileiros? Sim, com compromissos ambientais com o planeta, com pactos irrevogáveis em torno dos Direitos Humanos nas organizações internacionais responsáveis por um mundo pacífico, justo e sustentável, com direitos individuais entrelaçados com coletivos. Aquelas, Tião, capazes de impedir (ou que farão tudo para impedir) que um elogio ao Pinochet se torne realidade.
        Não é Cuba ou Venezuela? Não é, claro. Mas você deveria pensar melhor (não estou falando da estrutura lógica do seu raciocínio, por favor!): tem algo de estranho em sacar contra mim a arminha retórica, o xingo de “esquerdopata”, “viajando na maionese” antes de voltar para Havana ou Caracas, de onde (é o que pensam) eu nunca deveria ter saído.
        Não fica nisso só! Nada é mais surpreendente para mim do que sua citação do último Temer: um parlamentarismo partilhado, mitigado e híbrido. Curioso: é exatamente o que o Congresso tenta fazer na atualidade, um dique de contenção contra a barbárie. É sinal também que, no fundo, até mesmo você pensa em limitar o arbítrio em curso. Já que fui interpelada, sabe o que acho? Mais um na fila dos ex-bolsonaristas a caminho do arrependimento. Sem ironia e pode me criticar quando quiser.

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