Temer deixa a vida pública e vai ao bar encontrar velhos amigos

Temer deixa a vida pública e vai ao bar encontrar velhos amigos

Sem paletó e gravata, de camisa polo azul, o ex-presidente Michel Temer entrou no bar sozinho em busca de uma cadeira vazia, que já lhe estava reservada.

Em seu primeiro sábado de cidadão comum, após se despedir da vida pública em entrevista ao UOL, Temer reencontrou velhos amigos na Tabacaria Ranieri, uma antiga confraria de charuteiros, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Lá estavam, entre muitos outros, três ex-ministros do STF _ Eros Grau, Nelson Jobim e Cezar Peluso _, além do embaixador Rubens Barbosa e do ex-deputado federal Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, seu parceiro em disputas na Câmara Federal.

Sempre muito sóbrio na vida pública, Temer deu boas risadas ao acompanhar as conversas que giravam em torno de velhos carnavais, sem muito espaço para a política.

Quando um dos amigos lhe mostrou o celular com a notícia do UOL sobre a sua decisão, Temer só deu aquele seu sorriso enigmático:

“É verdade, quem já foi presidente da República não pode ser candidato a mais nada”.

O ex-presidente repetiu o que disse aos repórteres Felipe Pereira e Marco Brito do UOL na entrevista que estava repercutindo nas redes sociais:

“Eu já fui tudo na vida. Agora quero levar uma vida a mais discreta possível.

Depois de 37 anos na vida pública, Temer agora prefere mais ouvir do que falar e se dedicar apenas à advocacia e ao magistério.

Nomeado procurador-geral e depois secretário da Segurança Pública pelo governador Franco Montoro, ele foi deputado constituinte e por três vezes presidiu a da Câmara dos Deputados.

Vice de Dilma Rousseff, assumiu a Presidência da República em 2016, após o impeachment. Por 15 anos presidiu o PMDB, que na época era o maior partido do país, mas agora não quer mais ser candidato a nada.

Era a primeira vez que participava do “Todinho”, como o advogado Arnaldo Malheiros, já falecido, batizou o encontro dos sábados, uma referência à cerveja escura Guiness.

Temer gostou da ideia e também pediu uma, após sugestão do taberneiro Beto Ranieri, um anfitrião suprapartidário.

Neste sábado pré-carnavalesco, foram servidos sanduíches com o famoso pernil do bar Estadão, além da cachaça mineira Boazinha.

Perto das duas da tarde, o ex-presidente se despediu, e seguiu para a sua nova vida de cidadão comum.

Bom Carnaval!

Vida que segue.

 

 

 

 

13 thoughts on “Temer deixa a vida pública e vai ao bar encontrar velhos amigos

  1. Amigo Kotscho

    Michel Temer é a própria simbiose de um esperto político. Ajuda para receber. Trai para chegar ao poder. Sempre a favor da cruz e do diabo. É como o girassol, é destaque no brilho e na escuridão. Na vida pública demonstrou ter sete vidas. Boiou e não se afogou. Salvou-se no mar revolto de mutretas do Porto de Santos. Ele se mostrou certíssimo quando disse em entrevista que já foi tudo na vida. Merece todas as cervejas como cidadão comum.
    Ulisses de Souza

  2. Caramba, li seus textos na faculdade, te conhecia de antes, sempre te achei extremamente competente e talentoso.
    Mas nessa você se superou. Conseguiu fazer do Temer um personagem interessante.
    Parabéns!

  3. Parabéns Kotscho por normalizar um golpista.
    Não sei dos laços de respeito e/ou amizade que te fazem ser tão respeitoso com um ser vil, servil da elite e parteiro do neofascismo que vivemos.
    com todo o respeito que vc merece Kotscho, mas vc foi muito folhadesãopaulo nesse delicioso, bonito e muito bem redigido texto.
    vida que segue

  4. RK, farei de conta que você não escreveu esse texto. Mas outros jornalistas também já escreveram muita merda, por isso não se preocupe. Aliás, essa tabacaria Ranieri deve ser mesmo, especial. Seus eflúvios (êpa, êpa, Weintraub) emanados de ótimos charutos e cachimbos, transformam canalhas golpistas em pessoas convivíveis. Temer está na origem do “Regime de Exceção”, que você trata no comentário seguinte.
    Respeito a amizade que possa uni-los, mas na próxima vez que você encontrar o sr. Temer, pergunte, jornalísticamente, por que ele traiu a sra. Dilma? Nem precisa perguntar sobre os escândalos do porto de Santos.
    Essa você nos deve. Como jornalista.

    1. Peço desculpas pela expressão “…outros jornalistas também já escreveram muita merda, por isso não se preocupe…”. Fui além das minhas sandálias.

  5. parelelos nao querem dizer grande coisa, nós sabemos.
    Truman sucedeu o morto FDR e vieram logo Hiroshima e nagasaki. JFK é assassinado por uma conspiração da Cia e seus arredores e quem chega para ocupar o espaço? Lindon Johson e lá vai meio milhao de soldados para o Vietnã.
    Dilma vence uma eleiçao, é derrubada do poder e vem um parecido até fisicamente com L Johnson: o Michel Temer.
    Pós Temer o que vem empurrado e acoitado pela elite e pela Midia é o que estamos vendo: a mais podre expressão da barbárie que ja surgiu no Brasil até hoje.

  6. Mestre, Temer não merece este tratamento respeitoso! O safado deveria estar na cadeira!!!!!Talvez o seu texto contenha uma ironia que eu não tenha conseguido captar…

  7. Mestre, fez lembrar-me da fábula ‘A Língua’, de Esopo, a que é solicitado a cozinhar para o amo o melhor prato e apresenta à mesa, um guisado de língua.
    Questionado sobre a razão de considera-lo o melhor prato, passa a explicar as virtudes da língua: Sem língua ninguém fala, sem falar ninguém se expressa e entende, se pode ensinar, esclarecer, consolar e por aí prosseguiu, fazendo da língua o melhor prato por possuir tão bons atributos.
    Satisfeito com a resposta, o amo passa ao guisado, não sem antes solicitar a Esopo o preparo do pior prato no próximo almoço.
    No dia seguinte, Esopo serve o mesmo guisado de língua do almoço anterior.
    Fulo, em pé, o amo dirige-se a Esopo e exige explicação.
    Esopo explica então que, embora seja instrumento de tudo de bom que possamos fazer aos outros, a língua também é poderoso agente de destruição, pois com ela mentimos, injuriamos, ofendemos, destruímos amizades, além de…
    O final da fábula pode-se obter no Google.
    Já a pior versão de Temer, fica nos devendo servi-la, o Mestre [‘cuca do Balaio’].

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