Boa notícia: o melhor do futebol brasileiro está na Copinha do sub-20

Boa notícia: o melhor do futebol brasileiro está na Copinha do sub-20

A gente não fala só de desgraças aqui porque gosta, mas é que está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa boa para contar nesta terra de bolsonaros travestidos de neonazistas.

Hoje eu tenho uma notícia ótima para dar a vocês: o futebol brasileiro tem futuro _ e um belo futuro.

Com três costelas quebradas, passei boa parte desse mês de janeiro de molho em casa vendo os jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a famosa Copinha, com 127 times de sub-20 vindos de todo o país.

Nesta reta final, com a decisão marcada para o próximo sábado, no Pacaembu, com transmissão da Globo, apareceram dezenas de jovens com idades entre 16 e 20 anos que poderiam jogar em qualquer equipe da Série A do Brasileirão.

Não apareceu nenhum Pelé, nenhuma grande revelação, mas a qualidade média destes juniores é superior à de muitos times profissionais que insistem em repatriar jogadores do sub-40 pagando salários fabulosos.

O pior é que para manter estes veteranos em atividade, grandes times, como o São Paulo, vendem suas jovens revelações, ainda antes que possam estrear ou se firmar no time principal.

Agora mesmo, para sustentar Daniel Alves e Pato, que ganham por mês mais do que o clube gasta na fábrica de jogadores do CT de Cotia, o clube está querendo vender Antony, a grande revelação da Copinha do ano passado, para pagar suas dívidas.

Cada vez mais, atletas com menos de 20 anos vão para clubes da Europa ou da Ásia, enquanto no Brasil contratam estrangeiros ou repatriados já em final de carreira.

Esse fenômeno não é novo, mas tem se acentuado nos últimos anos, com a evasão precoce de pé-de-obra, um dos motivos para a seleção de Tite convocar mais jogadores de fora do que de dentro do país.

Prefiro mil vezes ver os jogos da Copinha, em que todos correm atrás da bola o tempo inteiro, como se estivessem atrás de um prato de comida, o que em muitos casos não é figura de linguagem, mas a triste realidade.

Clubes do norte e nordeste, principalmente, mas não só, mal conseguem pagar um salário mínimo como ajuda de custo por mês a seus atletas.

Eles geralmente viajam de ônibus para São Paulo, em viagens que chegam a durar mais de 30 horas, muitas vezes sem médico nem preparador físico na comitiva para economizar despesas.

Isso explica a enorme diferença no porte físico dos jogadores do norte e do sul, algo que às vezes dá a impressão de ver uma partida entre adultos e crianças.

Zagueiros dos grandes clubes do sul-sudeste dão o dobro do tamanho dos mirrados atacantes do norte-nordeste, mas estes não se intimidam, vão para cima dos grandões.

A brutal desigualdade social brasileira desnuda-se em campo na Copinha, numa disputa muitas vezes entre Davi e Golias, em que a gente sempre acaba torcendo para o time mais fraco.

No fim, acabam prevalecendo os grandes clubes, o que não acontecia antigamente, quando times pequenos muitas vezes chegaram ao título.

Favoritos mais uma vez, o Corinthians (com dez títulos) e o São Paulo (com quatro) são os mais prováveis finalistas.

Com nível técnico similar, os dois grandes poderiam tranquilamente promover todos os juniores ao time principal para disputar o Campeonato Paulista que começa semana que vem, como já vem fazendo o Athlético Paranaense em Curitiba.

Gostaria de ver os juniores de São Paulo e Corinthians jogando contra os times principais cheios de medalhões para ver quem ganha.

A molecada não se contenta em fazer um gol e se fechar na defesa para garantir o resultado, ao contrário do que fazem técnicos de grandes times, com exceção do Flamengo e do Santos.

Goleadas acontecem não só pela disparidade de nível técnico e físico entre as equipes, mas porque os juniores estão sempre em busca de mais gols, não querem saber.

Esse é o futebol que o torcedor gosta de ver, mas é cada vez mais raro no Brasileirão e na seleção brasileira.

Só não entendo como a imprensa, com a honrosa exceção do Sportv, não se interessa em fazer uma cobertura melhor deste novo futebol brasileiro que está surgindo, com tantas boas histórias para serem contadas sobre times, técnicos e jovens jogadores, um Brasil que está fora da mídia.

Ainda falta uma semana para acabar. Se você ainda não viu, vale a pena dar uma olhada nos jogos da Copinha nem que seja para se afastar um pouco das más notícias.

A vida não pode ser só feita de política, é muito maior do que tudo isso.

Bom sinal de semana.

Vida que segue.

 

6 thoughts on “Boa notícia: o melhor do futebol brasileiro está na Copinha do sub-20

  1. Boa sugestão: ver a Copinha como forma de lazer; parece que a situação de crises vividas no país tb reflete no futebol. Nem diria especificamente no futebol; mas sim, no mercado da bola. Pois a arte do futebol há muito tempo deixou de ser praticada no Brasil. Só tá faltando SP e Corinthians acruzeirar.

  2. Prezado Kotscho: Você tem razão. A Copinha é uma “coisa boa para contar nesta terra de bolsonaros travestidos de neonazistas”, mas não dá para ficar desatento porque mais coisa ruim vem por aí. Colocar a ex-namoradinha do Brasil na Cultura não vai refrescar nada nessa nossa Alemanha jaboticaba dos anos 30. Ou caminhamos para um processo de impeachment nesse ano de 2020 ou esse governo totalitário vai mostrar todos os seus cariados dentes. “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” (Eduardo Galeano).

  3. Amigo Kotscho
    O que tem de garoto bom no futebol brasileiro é brincadeira.
    Você acompanha a Copinha do Sub-20 e está extasiado com a qualidade dos jovens atletas.
    Muitos deles podem estar há dez anos na estrada. Já calejados de tantas caneladas e tutela de bons e maus empresários.
    Digo isso, porque aqui na minha bucólica Rancharia se desenvolve a 11ª Copa Eco Turística Mercosul de Futebol. São 22 equipes de vários estados brasileiros e uma do Paraguai. As disputas envolvem atletas de 10 anos a 18 anos.
    Tem muita escolinha boa a julgar pela qualidade dos atletas.
    Crianças de 10 anos a 13 anos, por exemplo, sonham em atravessar o imenso funil para um dia chegar à Copinha Sub-20. Usam munhequeiras, como a de Felipe Melo. Cabelos imitam os grandes atletas.
    Dentro de campo são iguais, com o mesmo uniforme. Fora de campo, a desigualdade social é escancarada. Pais com boa condição financeira acompanham os filhos. Carros importados e caminhonetes são vistos em estacionamentos de restaurantes da cidade. Os filhos atletas, juntos.
    A grande maioria fica na boia coletiva que vem da cozinha da Prefeitura e é servida em marmitex. Há uma orientação para que os participantes levem pratos e talheres. Nem todos cumprem e são obrigados a comer com os talheres de plástico usados em festas infantis.
    Com exceções dos pais que podem bancar essa aventura dos filhos, a maioria já está tutelada por ditos empresários. Assinatura de compromisso feita com os pais e algum dinheirinho para ajudar a família. E lá vai a criança sonhando em ser um Neymar e ter o mundo aos seus pés.
    Meu neto, de 12 anos, faz parte do time de Rancharia. Titular. Já convidou a empregada da família, que cuida dele desde quando nasceu, para acompanhá-lo quando for jogar na Espanha, no Barça.
    E a maioria que quer vencer para dar uma vida digna aos pais? Casa para morar.
    Como você citou o norte e nordeste, sem muita oportunidade, vale ressaltar que no torneio daqui das 23 equipes apenas duas são dessa região. Um time de Paragominas (PA) e outro de Teresina (PI).
    Os boatos correm soltos sobre olheiros. Muitos são embusteiros que chegam com uniformes de times grandes, principalmente do Rio, para enganar.
    A afiliada da TV Globo acompanha tudo e certa vez enviou Tino Marcos para entrevistar a garotada. O sonho de sair na Globo é maior ainda.
    As jovens marias-chuteiras assediam os garotos. Sonham também um dia dividir com algum atleta o dinheiro e a fama.
    A mercantilização no futebol faz mal. Um novo Pelé pode estar numa periferia qualquer sem chance até de frequentar essas escolinhas. Passará despercebido.
    Concordo com você quando diz que o Sub-20 deve ser aproveitado quase ou totalmente no profissional.
    Seleção brasileira deveria ser formada com atletas que estão no país. Os que estão fora – já com dinheiro e fama – não têm a mesma produção do que um jovem ainda sonhando com o exterior. E que terminem a carreira por lá.
    Quantos jovens poderiam ser contratados com os salários pagos ao Daniel Alves e Pato, no São Paulo?
    O futebol é nossa maior arte. É destroçada, ano após ano, pela falta de planejamento a fim de lidar com a criança que quer ser atleta, desde os seus 10 anos, quando ela começa a percorrer o país a procura de oportunidade.
    No mais, a vida anda, e rápida, igual ao trem bala.
    De ontem (sábado) para hoje, o seu São Paulo foi desclassificado na Copinha e o meu Corinthians fez feio em Orlando-EUA.
    O esporte agrega e até imobiliza o ódio. Israelenses e e palestinos se entendem bem quando jogam num mesmo time.
    Hoje, domingo, tem decisão da Copinha Sub-20, com Corinthians e Oeste.
    Vale a pena assistir.

    Ulisses de Souza

    1. Meu caro repórter Ulisses de Souza, você continua em boa forma. Belo texto sobre a garotada que está em Rancharia, terra também do grande Reginaldo Leme.
      Mas a decisão da Copinha sub-20 será só no próximo sábado, dia 25. Corinthians se classificou para as semifinais contra o Internacional. A outra é entre Grêmio e Oeste. Bom domingo. Abração

  4. É.
    Alucinante, porque quando nao é simultaneo, o intervalo temporal entre eles
    é de dias ou horas.
    Criança nunca verás pais como este.
    Ja tinha o guru de virginia, tem o Weintraub, tem o Queiroz, tem o fim do Partido presidencial.pra.criar.outro.por.causa.do.dinheiro, tem o Antonio Laranjeira, o navio grego fantasma , o motoqueiro incendiário, o ministério e ministro do Desmatamento, tem o weingarten – tanto nome germânico, né?- tem o Sergio – Escravidão-Benéfica da Fund.Palmares, tinha o Roberto SiegHeil Alvim, tem a esfuziante inépcia do novo INEP para realizar exames estudantis…
    Ah, íamos esquecendo o habilissimo sub sub da SECOM manipulador de verbas e do proprio irmão, aparentemente intermediador de verbas a municipios.
    E finalmente, com intervalo de dois ou tres dias, sabemos agora, tem secretaria da Cultura Regina Duarte
    Aquela que foi casada 3x sem nunca o ter sido porque sendo filha de Militar e solteira tem recebido coisa pouca R$ uns sete minimos por mês.

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