Nossa teocracia miliciana: quem é o aiatolá? Bolsonaro ou Edir?

Nossa teocracia miliciana: quem é o aiatolá? Bolsonaro ou Edir?

Teocracia (do grego Teo: Deus + cracia: poder) é o sistema de governo em que as ações políticas, jurídicas e policiais são submetidas às normas de algumas religiões. O poder teocrático pode ser exercido direta ou indiretamente pelos clérigos de uma religião (Wikipédia). 

***

Edir Macedo e sua turma tinham um projeto de poder e chegaram lá com Bolsonaro, antes do que eles poderiam imaginar.

Está tudo no livro do jornalista Gilberto Nascimento: “O reino: a história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal” (Companhia das Letras), que acaba de ser lançado.

Os evangélicos fundamentalistas neo pentecostais, antigamente chamados de “crentes”, já mandam mais no governo e no país do que os militares, de quem o presidente vem se afastando e vice-versa.

São os exércitos dessas igrejas que estão recolhendo assinaturas para o novo partido do capitão-presidente, a Aliança pelo Brasil.

No fim de semana, no Rio, centenas de ônibus vindos de todas as cidades fluminenses congestionaram o transito perto dos templos onde eram recolhidas assinaturas.

Resta saber quem é o verdadeiro aiatolá e quem é o laranja nessa teocracia miliciana instalada no Brasil.

Com o Congresso e o Executivo dominados, resta agora apenas conquistar o STF, para onde Bolsonaro já ameaçou mandar um “ministro terrivelmente evangélico”.

Para virar um aiatolá completo, só falta o capitão deixar crescer a barba. Edir já fez isso.

O culpado, claro, é o PT, que obrigou os eleitores a votar em Bolsonaro e alimentou o ódio silencioso dos “isentões”.

Elegeram um presidente ligado às milícias cariocas e a variadas igrejas, que quer transformar o Brasil num grande Irã, sob a inspiração do bispo Edir e da plêiade de templos que não param de brotar por todos os cantos do país.

Duas cartas de leitores publicadas hoje na Folha, sob o título Lobby de igrejas,  chamam a atenção para o fenômeno teocrático-miliciano.

“Interessante a posição das igrejas tentando eliminar a possibilidade de pagar impostos (“Igrejas fazem lobby com Bolsonaro para evitar taxas e desafiam plano de Gudes”, Mercado, 11/1). Vemos igrejas semeando templos luxuosos por todo o Brasil, sem que contribuam para o equilíbrio fiscal (…)” – Antonio Dilson Pereira (Curitiba, PR).

“Igrejas, templos, etc., sob o ponto de vista do Estado laico, são negócios e organizações como quaisquer outros. Tem que pagar conta de luz e imposto (…)” – Antonio de Oliveira (Vila Velha, ES).

Em apenas um ano de governo Bolsonaro, na prática, o Brasil deixou de ser um Estado laico, sem que tenha sido mudada a Constituição.

Impossível viajar para qualquer biboca desse país sem encontrar templos suntuosos ou mini-igrejas nas garagens dos pastores, muito mais do que botecos e farmácias.

Deve mesmo ser um bom negócio. Com as mais diferentes denominações, novas igrejas são abertas todos os dias e o país já nem sabe mais quantos pastores e bispos recebem dízimos do gado de fiéis bolsonaristas.

Essa contabilidade é secreta porque eles já estão isentos de pagar impostos e taxas como os simples mortais, e agora querem que o governo pague também suas contas de luz.

Juntando-se essas milícias clericais, às digitais e àquelas armadas até os dentes com licença para matar, chegamos cada vez mais perto do Irã e mais longe da civilização.

Acho que a maioria das pessoas ainda não se deu conta do perigo que estamos correndo nas mãos dessa gente ignara e belicosa, sem noção e sem limites, que está nos levando para o buraco.

Se, em algum momento, eles não forem barrados em sua ofensiva contra a democracia, nunca mais teremos eleições livres no Brasil pois a luta é muito desigual.

Basta dar uma navegada pelas redes sociais. Todos os dias recebo no Facebook pedidos para participar de “grupos sugeridos”, todos eles de bolsonaristas e moristas, em campanha permanente.

Veio convite até da “doutora Damares” e do Álvaro Dias. Seus seguidores são milhares, milhões, e se multiplicam como coelhos soltos no mato.

Os parâmetros legais do Estado de Direito estão indo para o espaço e todo mundo finge que tudo continua normal.

Leiam o livro do Gilberto Nascimento para ver como o “reino” se formou e aonde quer chegar.

Se alguém ainda tiver alguma dúvida, pode assistir também ao documentário “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, que mostra o golpe de 2016 por dentro.

A boa notícia é que hoje o filme da Petra foi indicado para o Oscar, o que já colocou o gado das milícias em polvorosa.

Vida que segue.

 

16 thoughts on “Nossa teocracia miliciana: quem é o aiatolá? Bolsonaro ou Edir?

  1. Nem adianta este colunista querer insistir: a visão do poeta é uma, /a realidade da vida é outra/. Está cada vez mais difícil achar pessoas ditas ‘normais’ nesses dias marcados para serem ‘anormais’. Nem reverberação de discursos no parlamento francês dum Victor Hugo, traria de volta a esperança perdida que ficou no passado. Hoje, a realidade é outra. Competir, competir e competir. Num mundo que todos procuram a luz, mas que sempre falta o diálogo. -Vou mais além: a direita só sobressai mais – não porque usa Religião para enganar os oprimidos – já que ela é ópio do povo, – mas porque no momento atual ocupa posições hierárquicas que retém o controle dos meios de produção. (Poucos entenderam o meu comentário anterior). E ao relembrar o líder ex-governador, aí do Sul, Álvaro Dias, o mesmo já percebeu, ele que não é bobo nada: que o eleitor vota mais no candidato que no partido. Os petistas não aceitam Bolsonaro ter saído dum partido nacionalmente anão, e ter vencido a eleição. A esquerda ( em minúsculo) como sempre vem buscando insistentemente implementar e instalar a “justiça” social. Hoje já nem consegue re-unir para conversar. Conclusão: seria muito mais fá-cil se o mundo fosse feito apenas de coisas que a gente vê ne-le. Seria até interessante se pudéssemos conviver e conhecer as pessoas sem mesmo precisar con-viver com elas. Vida que segue.

  2. Continua a saga do Jornalista desesperado com os bons ventos da economia que irá consolidar mais uma surra na esquerda nas eleições desse ano. Até 2014 os “crentes” eram amigos da esquerda. Agora são endemoniados pela mesmas esquerda. Andavam como unha e carne. Exemplo: atual Prefeito do Rio de Janeiro era ministro e homem de confiança no senado na era petista. Isso o hipócrita do Jornalista deixa de fora. Cada texto que leio aqui tenho certeza do desespero e da abstinência que vem sofrendo sem terem a mínima chance de retornarem ao poder e principalmente aos nossos impostos. A mobilização que vocês não conseguem o Mito transborda. Tentaram nós transformar em robôs e provamos que somos de carne e osso. Até questionar o José Antônio se recebia do governo. Você recebia quando a esquerda estava no poder??? Não conseguem um furo de reportagem com referência a corrupção, que era capa semanal de todas as mídias nos últimos 16 anos. O choro é livre nobre Jornalista. O máximo que consegue é ofender e satisfazer seus seguidores que a cada dia vem minguando. Como já escrevi em outras oportunidades. As novas mídias sociais acabaram com o poder de doutrinação marxista. Vocês jornalistas estão no caminho da extinção. Agora como os jovens falam:. O papo é reto. A mobilização daqui é voluntária de vocês precisam de incentivos financeiros. Por falar em incentivo financeiro. Por onde anda o ex e condenado???? Continue a escrever com ódio que isso traz a certeza que o Mito continua no caminho certo. Está nascendo um novo partido. Essa é a verdadeiro desespero da esquerda. Quando irá publicar aquela pesquisa que demonstrava que o Mito tem hoje 35 milhões de seguidores?? Aqueles que se elegeram nas costas do Mito e o traíram estão pagando o preço do ostracismo. Demonstrando a força dos bolsonaristas sem aportes financeiros. Habemus censura. Vida que segue

    1. Cristovam Buarque, que pertence a esquerda pensante, deu uma importante entrevista analisando o que representa a esquerda hoje e quais são suas propostas.
      Vale a pena ler
      Chttps://crusoe.com.br/diario/a-unica-proposta-da-esquerda-e-tirar-bolsonaro-afirma-cristovam-buarque/.

  3. Teocracia nadinha de nada. É moneycracia, mesmo. Deus é só um funcional. Estão se afastando porque já conquistaram o que queriam: o aumento nos soldos e reservas, contrário a dos civis que tiraram de que já não tinha. O Democracia em vestigem é um bom instrumento para milhões de brasileiros saberem o que fizeram com o país deles. No exterior já se sabe há muito tempo. Aqui, a imprensa, engajada na democracia, não pauta discussões ao que fizeram no maior cabo eleitoral contra Lula: a lava jato. “O dono do Brasil” anda dizendo que espera do STF o bloqueio ao juiz de garantias. Ele, o que escorrega no vernáculo (aliás, nesse desgoverno, é habitual) acha que é alguma coisa sem o Lula, o prof. Dr. Rogério Cesar Leite já havia pronunciado em 2015. É um zero à esquerda (não ideológica, mas de insignificância) seguido por bandos de analfabetos.

  4. Amigo Kotscho
    Misturar religião com política só dá caca. E é isso que o capitão quer. Chafurdar no lodo da ignorância da população.
    O recolhimento de assinaturas neopentecostais para o partido do capitão ofende toda a nação e as instituições.
    O capitão e sua milícia se aliaram à maior das picaretagens “religiosas”, criada no país por um reles funcionário público que se impôs como representante de uma casta estúpida que acredita no “Deus vivo”. Esse barnabé tornou-se bispo e fez do dízimo dos incautos a sua fortuna e força política.
    Aliás, trambicagem é o destaque nos currículos desses comandantes; o capitão que está umbilicalmente ligado às milícias cariocas, e o bispo que já comanda uma milícia neopentecostal armada.
    Eles são mentirosos e plantadores de fakes.
    É só entrar no site da Igreja Universal, a do bispo, para ver a foto do capitão e as mesuras evangélicas sobre a possibilidade de as igrejas ficarem isentas das contas de energia elétrica.
    Eles passam por cima da Constituição, na maior cara de pau, e a mídia também.
    Jogaram no colo do ministro Guedes a dificuldade.
    No entanto, a verdadeira dificuldade está na Constituição, que no artigo 19, definiu o Brasil como um Estado laico. Logo no primeiro parágrafo a lei maior diz que a União é impedida de subvencionar igrejas.
    O crescimento das inúmeras igrejas neopentecostais, localizadas até em garagens na maioria dos bairros das cidades brasileiras, fez reacender na última década a polêmica sobre a retirada de logradouros públicos, crucifixos e símbolos religiosos.
    Se deixar a coisa correr solta, já já as salas de audiências e de júri do judiciário poderão ostentar até o triângulo da maçonaria. A preferida dos magistrados não se intitula como religião, mas reconhece a existência do “Grande Arquiteto do Universo”. A maçonaria ajudou a cassar a presidente Dilma e a eleger o capitão.
    Alguns legislativos aprovaram em suas dependências um local ecumênico, como se isso contemplasse a laicidade dos parlamentares.
    Estamos perdidos. Esses milicianos religiosos vão botar fogo no país. Já estão mandando e desmandando.
    A Constituição de 1988 foi promulgada sob a proteção de Deus. E foi em nome de Deus que cassaram a presidente Dilma e enfiaram o Brasil na maior treva democrática.
    Vade-retro com esse satanismo religioso.
    Enquanto é possível, vamos comemorar a indicação do documentário “Democracia em Vertigem” ao Oscar, como sugeriu o amigo Kotscho.
    Valeu Petra Costa..
    Ulisses de Souza

    1. Este é o grande erro do PT. Quando interessa, se junta aos lacaios, quando não mais interessa, demonizam-os.
      Foi assim com o clâ Sarney, Barbalhos, Calheiros e também com os pastores de igrejas neopentecostais, que desde sempre chafurdaram na lama da corrupção e desvio de dinheiro junto com o governo do PT . Esses, são servis a qualquer governo, independentemente da ideologia, desde que satisfeito seus desejos.
      O PT sempre os atendeu, agora virou inimigos.
      Está faltando espelho nesta historia

  5. É isso mesmo, caro RK: sem noção e sem limites.
    Além de ópio do povo, como dizia o Karlão, religião é também uma empresa com fins lucrativos.
    Certamente há exceções.
    Como dizia o Chico Anysio, se Jesus Cristo é o caminho Edir Macedo é o pedágio.
    Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
    Chamem o doutor Freud.

  6. Prezado Kotscho: É a mais pura verdade o que você escreveu: “Juntando-se essas milícias clericais, às digitais e àquelas armadas até os dentes com licença para matar, chegamos cada vez mais perto do Irã e mais longe da civilização.” Mesmo porque “A cadela do fascismo está sempre no cio.” (Bertolt Brecht).

  7. O Bolsonaro já foi aqui comparado ao ditador venezuelano. Agora o é ao aiatolá iraniano. O curioso é que ele é contrário a ambos e quem os adorava e tratava o bolivariano como modelo a seguir era um governo do passado. Mas vai ver que naquele tempo eles eram do bem e agora são do mal.

    O Edir também, era do bem, virou do mal. E os evangélicos hoje são como ele. Mas eu vi ontem que um cara daquele governo passado quer conquistá-los enviando-lhes mensagens na Internet. Não vai conseguir, claro, pois já não engana quase ninguém. Porém, se conseguisse, aposto que o gado dos fiéis ignaros se tornaria magicamente do bem.

  8. Como software, Mestre, é o Brasil de quatro camadas:
    A primeira, a evangélica-miliciana, crente na tomada do poder absoluto, a extorquir cidadãos, odiar e rezar feito penitente contra o ‘demônio comunista’ do PT, para conseguir consolidar a tempo o intolerante estado ‘teocraciano’, de olho na hereditária classe dominante.
    A segunda, a da classe dominante, a investir na camada evangélica-miliciana, face o fator ‘Lula’, para obter dividendos planejados, de olho no descarte desse investimento no momento aprazado, para realizar o lucro e tomar de forma absoluta, mitigada em democracia, o poder e o comando dos negócios na Hacienda Brazil.
    A terceira, a da esquerda, das sub-camadas, a analisar a correlação de forças, o cenário sob o prisma vigente e a exigir autocritica da sub-camada a ser batida, sem olhar à militância, quanto mais às camadas inimigas, para surpreendida, resistir.
    E a quarta camada, a dos ‘não tô nem aí, sô mais Coringa’, majoritária, de olho, corpo e alma, no celular, virtual última a perceber e primeira a querer saber, se realidade, de onde surgiram aiatolás a defecar ordens no Brasil da Balada Funk-Breganeja, do Futebol, Carnaval e da Cerveja?
    É muita assimetria política para um só país, dissimulado, mas ordinariamente visceral e de maioria parada no ar, com a sustentável leveza do ‘to be, or not to be’, a questão, enquanto no chão, se arrastando que nem cobra, à procissão, segue a reza, rumo a “isso não vai acabar bem”.

  9. Antes se dizia: “Pequenas igrejas, grandes negocios”… Agora mudou: “Mega igrejas, mega poder”.
    Esta exploração economica dos incautos que são arrebanhados para estes igrejas neopentecostais é um problema de policia. Governo nenhum (e muito menos o congresso) tiveram a coragem de submeter estes lideres ao rigor das leis, a começar pelo pagamento dos tributos devidos. É uma verdadeira lavanderia a ceu aberto.
    Os politicos sempre se fizeram de rogados e preferiram beijar as mãos dos “bispos” porque dali sempre saiu muito voto e o rebanho vota maciçamente naquele que o pastor indica.
    O Bolsonaro é apenas mais um que aproveita destas seitas, do qual os Pretistas também sempre beijaram a mão em troca dos votos.
    Também na igreja católica há casos de aproveitamento. Quem não se lembra do Hadadd e a comunista sua vice, em uma missa catolica. Salvo engano, ate comungaram.
    É a historia de Maria Madalena…ATIRA A PRIMEIRA PEDRA QUE NÃO TEM DESTE PECADO

  10. Caro Kotscho:
    e onde anda a igreja católica? Já se aperceberam que logo, logo será minoria? A oposição política praticamente já desapareceu. Em quantos anos (meses) o papa será “rainha da inglaterra”?
    josé maria

  11. Por que não se contrata desempregados temporários para a emergência do INSS? Por que tem que ser militar? Os milicos estão mais famintos do que o Aécio e cia no longo jejum que o pt o empurrou goela abaixo. Vão quebrar de novo o país pro Lula consertá-lo. No 1985 está na memória de quem o viveu e de quem teve boas aulas de História na juventude recente nas últimas décadas. O carcereiro vai ao roda viva. Se fosse nos bons tempos, colocariam jornalistas informados para sabatiná-lo.

  12. Na teocracia se respeita deus e agradece. Nessa moneycracia se excluem milhões à velocidade da luz do mínimo de dignidade humana. A reserva cambial está se dissolvendo, aquela acumulada por Lula (o condenado sem prova). E não se vê as madames vestidas com a camiseta da casa bandida do futebol (2º Juca Kfouri) gritando indignadas nas tardes ensolaradas na paulista contra a corrupção, a injustiça. o INSS não atinge essa gente. As atingidas que se danem. Aí está o Brasil desunido, desprovido de solidariedade. O brigadeiro Osires Silva dedicou parte da vida dele na consrução de excelência da EMBRAER: a entregaram num piscar de olho. Não respeitam o suor dos outros. Por que querem ficar nos gabinetes em Brasília. Existem milhares de engenheiros, economistas, contabilistas, professores desempregados capazes de exercerem os serviços burocráticos do INSS. Por que chamam militares da reserva que já recebem soldos? Se chamassem desempregados para esse serviço temporário emergencial seria os milhões iriam direto para mercearias, padarias, cartões de créditos que têm contas atrasadas desses titulados e capazes, mas desempregados. Vai chegar o tempo que nós civis trabalharemos pra manter os fardados. Se é que já não vivemos essa época, daí a “reforma previdenciárias deles”.

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