A guerra virtual: fake news X memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

A guerra virtual: fake news X memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

O desenho é bem simples: mostra o prédio-sede do Ministério da Educação em Brasilia com a fachada alterada para “Miniztério da Educassão”.

Precisa dizer mais? Quem assina é o chargista Zé Dassilva, que eu ainda não conhecia. Bombou em todos os grupos das redes.

Saem os comentaristas políticos e entram os humoristas, que estão tomando conta das redes sociais, na guerra contra as fake news e do ódio desse governo de mentira.

A luta é desigual porque os novos chargistas e humoristas da internet são amadores e enfrentam uma milícia bem armada, movida por robôs e muito dinheiro, para propagar as fake news do capitão e inventar outras.

Com poucas palavras e muita criatividade, vejo com alegria o surgimento desta nova geração que enfrenta com estilingue a tropa de choque do boçalnarismo em marcha.

Por uma feliz coincidência, estamos comemorando estes dias os 50 anos do “Pasquim”, o semanário humorístico que, mesmo sob censura, mais azucrinou os poderosos da época da ditadura militar.

Nenhum editorial ou colunista político tem a força dos traços de Aroeira e Miguel Paiva, dois remanescentes daquela época, que voltaram com a corda toda no Brasil 247, onde fazem parte do grupo Jornalistas pela Democracia, ao qual também pertenço.

Levo horas para escrever um texto que eles resumem num quadrinho para detonar os poderosos e ridículos neofascistas do atual governo.

A ofensiva contra o Porta dos Fundos mostra como os humoristas do traço ou do vídeo estão incomodando esta súcia de imbecis que agridem a democracia e o vernáculo.

O personagem da semana nos memes foi esta aberração chamada Abraham Weintraub, o “imprecionante” analfabeto funcional, sem caráter e sem noção, que está destruindo a Educação brasileira.

Parafraseando Nelson Rodrigues, os cretinos fundamentalistas escolheram o grande Paulo Freire, um dos maiores educadores do século passado no mundo, como alvo principal, sem saber a importância da “Pedagogia do Oprimido” na formação de gerações de brasileiros.

Ou exatamente por isso ele foi preso e exilado pela ditadura de 1964, e continua sendo combatido mesmo depois de morto, por esses completos idiotas que assumiram o poder pelo voto.

Piores que eles são os que votaram nesta canalha, porque estes vão continuar infernizando o país, mesmo depois que Bolsonaro se for.

Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Academia Perdiziana de Litros (não confundir com Letras…), criada por iniciativa do professor Pasquale Cipro Neto e batizada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Vida que segue.

 

22 thoughts on “A guerra virtual: fake news X memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

  1. Muito se justifica na midia, que o humor faz parte da cultura e do livre pensamento e por conta disso não deve ser censurado, mesmo quando este atinge negativamente parte considerável da população, como foi o episódio do Porta dos Fundos. Ainda ontem, o ministro Dias Toffoli reafirmou isto derrubando uma liminar expedida por um juiz de tribunal.
    Como sugestão para testar se isto vale mesmo em qualquer circunstancia, proporia à algum cartunista ou mesmo ao grupo Porta dos Fundos que fizessem uma produção sugerindo que o ministro Dias Toffoli fosse gay , fazendo sexo com Gilmar Mendes.
    Se não for destacado o ministro carequinha para prender os artistas, estamos conversado: A arte vale mesmo em qualquer circunstancia

  2. Não sei se é pra rir, além de chorar, Mestre, mas ‘imprecionante’:
    Mimeógrafo, Máquina de escrever, Olivetti, Remington, Muro de Berlim, Xerox, Máquina fotográfica, Kodak, Polaroid, China fechada, Fita cassete, Fita de vídeo, Blockbuster, Vinil, CD, União Soviética, Telex, Fax, Orelhão, Régua de cálculo, Calculadora, Guerra Fria, Despertador, Talão de cheque, Fidel Castro, Enciclopédia, Jornal impresso e por aí vai…, e a ‘Ameaça Comunista’ e a ‘Desigualdade’ ainda permanecem, firmes, fortes e disponíveis, no mesmo modelo, no mesmo canal e na mesma caixa quadrada, respectivamente, nas forças armadas e na classe dominante, no Brasil.

  3. Taí, com texto polêmico, o colunista despertou o interesse de muitos em saber qual o motivo duma grande nação formada por pessoas de várias etnias, ainda conseguir conviver em harmonia; sem guerra, apesar dos diferente tipos de preconceitos o seu povo ainda ter motivos para ser alegre e feliz. (A Política aqui não é levada muito à sério). Nunca vi um vereador visitando uma escola. Mesmo assim, mesmo aqui, ainda tem gente torcendo pela volta de políticos do passado? até de presidiário?. Não precisa nem do Maurício Teixeira me fazer soltar a língua. Não bastasse, dos idosos, aproveitemos somente a insofismável sabedoria. De muitos jornalistas da velha e grande mídia que só sabem falar muitas mentiras. Mau uso do cachimbo, /ou “animal em extinção?”/. Vai saber. As palavras não são minhas. Sei não, a gente só aprende coisa nova é com gente nova. As pessoas novas estão com a mente mais aberta para aprender e assimilar coisas novas. Todo velho é da cabeça dura. Dizia Joãozinho Trinta, talvez o mesmo do prof. Darci: “Povo gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual” – ?mas é ele que tenta mostrar para o pobre o tamanho da exploração. Ano de Eleição. Estamos até nos acostumados: quando os políticos estão no pleito, ficam mudos e surdos, as propostas em debate não são discutidas, e todas as promessas de palanques são esquecidas. Mas mesmo assim-, o Brasil precisa muito da criatividade e espírito inovador de políticos e empresários inteligentes, esses, vale a pena frisar que o papel do investidor é muito importante, repito: ele se situa junto aos trabalhadores, como o político, mas suas conclusões são diferentes daquelas que obtêm se ficar ao lado dos meios de produção. Sempre questiono o fato dum automóvel ser mais barato lá nos Estados Unidos se aqui é feito do mesmo material e da mesma mão de obra. Do mesmo modo que é mais difícil construir um caça / que uma bomba atômica. Vida que segue. Isso é ser mágico ou ser equilibrista? Haja João Cabral de Melo Neto.

  4. Amigo Kotscho

    Amigo Kotscho
    Na escrita, despejamos nossa indignação de maneira irada. Nas charges, os cartunistas despejam a indignação com humor.
    Por pior que seja a depressão, o sorriso ainda é melhor que os antidepressivos.
    A leitura visual é mais forte que a escrita. No entanto, a imagem – ilustração fotográfica em reportagens ou foto-legenda – precisa ser impactante para se sobrepor às inofensivas charges, porém, carregadas de ironia.
    Quando a biruta da Folha de S.Paulo recebeu uma tênue brisa de imparcialidade, a redação pode conviver com os principais cartunistas do país. E o jornal publicou as melhores charges políticas já criadas.
    Isso em plena ditadura militar.
    Em 1977, a Folha iniciou a publicação de um suplemento dominical intitulado “Folhetim”.
    O jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores de O Pasquim, foi o criador. O suplemento era carregado de charges.
    Por outro lado, o jornal mantinha diariamente em sua página 2 a charge política, rodiziada por uma fenomenal trupe de cartunistas.
    Certo dia, o cartunista do vez era Glauco Vilas Boas, que morreu assassinado aos 56 anos. A charge deveria dar uma ideia sobre a falta de segurança da Usina Angra 1, em construção pela ditadura militar.
    Muito próximo do fechamento da edição surge um burburinho na redação, tão comum quando a capa e a página 2 estavam sendo concluídas.
    Glauco, na sua simplicidade, saiu pela redação com a charge às mãos explicando o que havia acontecido.
    A charge fora censurada, o que não era comum. Nela, Glauco, com seu indefectível traço, desenha alguns militares e um deles solta um peido e explode a usina. Salvo engano, acho que essa charge acabou sendo publicada no Folhetim.
    A direção de Redação alegou que a charge seria motivo para os militares empastelarem o jornal. Por ironia, o jornal acabou sendo empastelado por uma escrita, a crônica de Lourenço Diaféria, “Herói, morto, nós”.
    É salutar saber que brilhantes cartunistas estão engajados nesta nova luta pela redemocratização.

    Ulisses de Souza

    1. A propósito, Ulisses, quando há dias, no Rio, um rapaz colocou-se indefeso à frente de um desses cães ferozes para impedir que matasse a criança deixada para trás pela babá, lembrei de imediato o caso das ariranhas no Zoo de Brasília, em 1977, quando o sargento do exército, Silvio Delmar Holenbach, de 33 anos, de saída, ao perceber que alguém tinha caído no poço das ariranhas, deixou seu carro, atirou-se no poço e salvou-o, mas, diferente do rapaz do Rio que teve o teto de um automóvel para proteger-se da mordidas do cão, Holembach tomou mais de 100 mordidas de ariranhas pelo corpo e morreu três dias depois, deixando viúva e quatro filhos, o mais velho com sete anos.
      Porém, não lembrei dessa corajosa e eterna crônica, “Herói, Morto, Nós”, de Lourenço Diaféria, ‘cracasso’, que felizmente tu resgatou no comentário, pois passados mais de 42 anos ela é mais que atualíssima, obrigatória: http://www.obore.com.br/utilitarios/editor2.0/UserFiles/File/HERI.pdf
      Como é obrigatório saber-se que a família Holenbach conseguiu sobreviver após a tragédia e crescer, com os quatro filhos bem formados, o que, também por ironia, não se pode dizer do menino salvo.

      1. Meu mano Dias, muito grato por nos lembrar desse autêntico herói nacional, que, ao preço da própria vida, salvou a indefesa criança das ferozes Onças d’Agua. Saiba que leio sempre o Balaio e nunca esqueço dos queridos amigos que tanto enriqueceram e enriquecem esse que é, sem sombra de dúvida, o melhor blog do gênero. Termino externando minha eterna gratidão e sincera admiração ao Kotscho e a você, ao Everaldo e Enio, CesarT e demais expoentes do Balaio. Hasta Siempre, Compañeros!

        1. Salve, salve…, Victor Hugo!
          Continuas fazendo falta por aqui, que o digam as ‘ariranhas famintas’, folgazãs, à ausência de risco de sua ‘guasca no lombo’ a cada exagero.
          Teu lugar é a ausência presente cá nesse ‘nosso’ Balaio.
          Chega de ‘moleza’…
          Hasta luego, Compañero!

  5. “Facebook e Instagram decidem remover qualquer post de apoio a Soleimani”.
    Verdade? Confirmado?
    Entao ‘democracia’ agora é assim.
    Deixaram de lado qualquer máscara, escrúpulo ou cortina democratica e partiram para a crua e fétida ‘quem manda na comunicaçao de bilhões de pessoas sou eu .
    ”Liberdade de expressão sim, até aonde nois quer e permite”.
    É bom ficar sabendo.
    O Estado mais criminoso da História (não é força de expressão) que por acaso sedia em suas fronteiras os monopólios.empresas do mundo digital , AGORA ja decidiu nos defecar na cara as novas regras para cumprirmos. À risca.

  6. Prezado Kotscho: O problema é que o citado não está só nessa missão. Existe um plano, um plano da maldade, porque tem mais gente “[…] sem caráter e sem noção, que está destruindo […]” a nação brasileira. “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.” (Albert Einstein).

  7. Brasileiros não vivem em harmonia: se suportam no limite. A xenofobia é interna. O Brasil histórico do “Golpe ao Planalto” foi, em parte, movido pela falta de funcionalidade do regime militar com o fim da guerra fria. A descoberta de petróleo abaixo do sal fez reacender a prática da subordinação deste país desunido ao hegemônico do Norte. A teoria sociológica de Francisco de Oliveira faz sentido. A imprensa está tão oca que se pauta nas falas do presidente que não sabe um fonema do que pronuncia. E os ministros idem: falam besteiras porque contam com a impunidade. Se houvesse justiça com os olhos vedados, a maioria deles já teria sido impeachmada por improbidade adminstrativa. Mas ela tem se ocupado em proteger a fé dos cristãos indo contra a constituição que proíbe qualquer tipo de censura.

  8. Militares e policiais, em sua maioria, têm a mesma origem, baixa renda, querem melhorar financeiramente e adquirir algum tipo de “status”. A maioria não ama nem respeita seu país ou o povo que o habita. Não possuem “educação” nem civilidade, são apenas treinados. A “fome” habita suas almas. Eles sairão da” pobreza”mas, a pobreza não sairá deles. Encontraram nessa hiena miliciana, apenas, uma identificação. O prato de comida e a oportunidade pelo qual ansiavam. A nossa esperança é “esperar” que tudo passe.
    Falta-lhes profundidade cerebral e sentimental. Infelizmente, nas escolas, não encontraram professores que os educassem como mereciam, também lhes faltava base e ideais.
    Tudo muito assustador. “A vida que segue”.

  9. Caro KOSCHO! Preciso conhecer a Academia de Litros! Definição perfeita pra enfrentarmos a onda burralSONARISTA! Com um “destrambelhado” na Presidência “só movido a álcool”! Saúde e paz Ricardo!

  10. Ver como, em questao de dez dias, certas coisas antes inimagináveis agora acontecem rapida e alucinantemente:
    -Usa + israel matam em território neutro um heroi dos paises islâmicos.
    -Iran retalia em espécie com armas eficientes contra duas bases americanas
    -Iran, mesmo num momento de guerra, se auto inflige uma dura derrota ao abater por engano um aviao de passageiros de um pais neutro.
    -V Putin nesse mesmo momento, de surpresa visita Siria e Assad. (e participa de um culto cristão ortodoxo com o chefão sírio)
    -Logo dois dias depois,Putin voa para Ancara e negocia varias coisas com esse raposa brutal de nome Erdogan, entre as quais novo gasoduto… num tempo em que gasodutos se tornaram ferramentas geopoliticas.
    -Nao passam quatro dias e os dois lideres rivais da Libia imersos em plena guerra civil
    aceitam ir a Moscou… negociar cessar fogo e abrir caminho para uma saida politica. Sendo arbitros intermediários de confiança das partes o próprio Putin e secundariamente o turco, o qual não mais morre de amores pela OTAN.
    É bizarro que sem cerimônia alguem seja passado pra tras e tem coisa mudando no mundo, não?

  11. Enquanto houver humor há esperança!
    Eu como cartunista e carica-turista deste mundo imundo acho que a caricatura foi superada pela realidade.
    Por mais que estrumpiemos Trump, Kin Jon Hin,
    Puttin & Cia.(Fora Bolsos!) eles saem melhor nos desenhos do que são na realidade. Mas digo e repito pra mim mesmo esse mantra:
    “Enquanto houver Humor há Esperança!”

      1. A minha resposta pode até cancelar-, só não consegue cancelar o trabalho realizado sem fins políticos deste intelectual no que tange ao importante passo que deu para a escola progressiva ou a transformação da escola. Pena que neste país, a Educação nunca foi levada à sério. Voltar em recordação de acontecimentos dos porões da ditadura militar não é a solução.

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