Que fim levou? Alguém precisa avisar a oposição que 2020 já começou

Que fim levou? Alguém precisa avisar a oposição que 2020 já começou

“Falem mal, mas falem de mim”, já dizia o folclórico governador Adhemar de Barros, que celebrizou o “rouba mas faz”.

Ao ler o noticiário dos primeiros dias do ano novo, me chamou a atenção que só se fala, bem ou mal, do governo e do seu inacreditável presidente.

De cada 10 títulos sobre política, pelo menos oito tratam só das bolsonarices do dia e do analfabetismo atávico dos seus ministros amestrados.

Cansados de apanhar, sem chiar, os jornalistas correm atrás deles de microfones e gravadores em punho, para ouvir as últimas sandices do poder.

Será que seria pedir muito que, de vez em quando, nossos bravos repórteres ouvissem alguém da oposição, “o outro lado”, como dizem nas redações?

Das duas uma: ou a imprensa só faz cobertura do governo ou a oposição brasileira ficou no ano passado, desapareceu.

Ainda o maior líder político do país, Lula era mais notícia quando estava preso do que agora que está livre para falar.

Houve alguma determinação superior (de quem?) para que não se fale mais dele?

Fala-se mais da não-candidatura de Luciano Huck, um artista-empresário que não tem nem partido. É verdade que o presidente também não tem…

Aliás, na política brasileira só sobraram uns poucos personagens. Não se fala mais em partidos, embora este seja um ano de eleição.

Podem procurar nos mil programas de entrevistas do rádio e da televisão se aparece algum líder da oposição capaz de contar alguma novidade.

Os rolos, recuos, traições, ameaças, e todo o repertório governamental, que agride diariamente a pobre língua portuguesa, ocupam todo os espaços da cobertura política.

Já tem muita gente achando que fazem tudo isso de propósito, para desviar a atenção, enquanto saqueiam o país e combatem inimigos imaginários, entregam o pré-sal do petróleo aos gringos, o ouro da Amazônia às mineradoras, e a terra aos grileiros.

Todos os antigos direitos trabalhistas foram sendo destruídos, um a um, assim como a Justiça do Trabalho, e isso não é notícia nem para as centrais sindicais, que se recolheram em obsequioso silêncio, apenas calculando as perdas.

Alguém sabe qual é a bandeira da oposição hoje, qualquer uma que seja?

Qual é o projeto alternativo da esquerda para colocar no lugar do programa de destruição do país implantado pelo atual governo?

Ah, mas a mídia não dá espaço para nós, está tudo dominado. E daí? Melhor então é não fazer nada e se fingir de morto?

A verdade é que não se vê ninguém com alguma coisa nova a dizer.

Se depender da oposição que sobrou, em que as principais lideranças não conseguem se reunir em torno de uma mesa para discutir alternativas e uma ação unitária, diante da tragédia social que se alastra, vamos continuar no mato sem cachorro, caminhando no escuro.

O principal adversário do governo hoje é o próprio governo, que não para de dar tiros no pé e, às vezes, acerta a própria testa.

Você olha em volta e o que encontra é um deserto de homens e de ideias, como alguém já falou, muito tempo atrás.

Em todas as áreas da vida nacional, o que impera é a mediocridade arrogante, a mesmice preguiçosa, a falta de ousadia e criatividade, todo mundo só querendo salvar a própria pele, repetindo velhos discursos.

Parece que todo o país está com prazo de validade vencido, esperando a entrega de nova remessa de dignidade.

Comparem as deprimentes cenas do capitão assistindo ao discurso de Trump na TV (está no Youtube) com o programa Roda Viva desta semana, que entrevistou o neurocientista Sidarta Ribeiro.

De um lado, temos o retrato deprimente da degradação de um país; de outro, a imagem do país que poderíamos ser no futuro, se o nosso futuro não estivesse sendo sistematicamente detonado.

Em breve, só teremos passado _ um passado que insiste em voltar, sem tanques na rua, mas corroendo as instituições por dentro, até acabar com o Estado democrático de Direito.

Quando um desembargador qualquer do Rio de Janeiro de Witzel resolve decretar a volta da censura, e não acontece nada, é porque já fomos longe demais em entregar o poder ao guarda da esquina.

Estão todos só de olho em 2022, sem se importar em como chegaremos lá, se chegarmos.

E ainda faltam três anos.

Vida que segue.

Em tempo: a propósito, o preclaro cartunista Miguel Paiva, meu colega do 247, pergunta também que fim levou a Vaza Jato.

Pelo jeito, vazou do pedaço. Tudo é mistério…

 

14 thoughts on “Que fim levou? Alguém precisa avisar a oposição que 2020 já começou

  1. Amigo Kotscho

    Volta e meia surge um comentário, ali e acolá, que a TV Globo decidiu defenestrar o capitão. Outro diz que os diretores da Globo almoçaram com alta autoridade do governo, e que ao que tudo indica haverá acordo que implicará em recuo na linha editorial adotada pelo veículo de comunicação.
    Cito a empresa Globo, pois representa o projeto editorial adotado pelas famílias que mandam na comunicação brasileira.
    Essas famílias, que ditam a pauta diária que a população tem que ouvir e ler, apoiaram o golpe militar de 1964. Sempre se unem em torno de um candidato e o único revés foi a eleição de Lula e a chegada do PT ao poder.
    Mas não sossegaram enquanto não derrubaram a presidente Dilma, que tinha em sua gaveta um anteprojeto de regulamentação da mídia eletrônica. Justo a mídia eletrônica.
    Com Temer e agora com o capitão houve um desmonte de alguns veículos de comunicação públicos.
    Com exceção dos blogs alternativos e independentes, não há hoje um veículo de comunicação atual que exerça o jornalismo diário pautado na regra básica de ouvir o outro lado.
    O próprio repórter não tem domínio sobre a pauta. O outro lado fica por conta da produção, formada principalmente por estagiários. Eles ligam, mandam e-mail, confortavelmente acomodados em redações refrigeradas. Não é como antigamente, quando o repórter dava plantão na antessala de gabinetes, como carrapatos da notícia.
    A comunicação social no país é monopólio de empresas privadas, e poucas.
    Seria muita ingenuidade achar que o jornalista vai interferir na notícia que vai ao ar ou é publicada.
    O jornalista Perseu Abramo tem uma definição correta ao tratar da distinção entre jornalistas e empresários de comunicação.
    – O grau de controle que o jornalista tem sobre seu produto final é mais ou menos o mesmo que tem um metalúrgico sobre a decisão de fabricar um automóvel de luxo para benesse de minorias privilegiadas ou um ônibus para o transporte coletivo, escreveu Abramo.
    Jornalistas hoje exercem a ética do patrão, sem qualquer contestação.
    Por isso, quem tem que exigir que o outro lado seja ouvido é a sociedade civil, as entidades democráticas, e os ditos políticos de oposição.
    Não adianta mandar notinhas para as redações. É necessário mais, mas muito mais.
    Político de oposição não tira férias. Entidades democráticas não fecham as portas para férias coletivas. Tá certo que os tempos são bicudos, mas aí entra a criatividade. Ou seremos inocentes em achar que o “chiqueirinho jornalístico do Planalto” tem caráter político inofensivo?
    A grande mídia, que Paulo Henrique Amorim definia como Partido da Imprensa Golpista (PIG), vai ter sempre o seu candidato preferido e por sua eleição vai trabalhar, da maneira que mais gostam, sub-repticiamente.
    E seus jornalistas vão cumprir as pautas empresariais, caso queiram continuar como funcionários na complicada área midiática.
    Que falta faz no Congresso o meu amigo Eduardo Suplicy. No ano que passou, com certeza, o capitão já teria ouvido, no chiqueirinho, ele cantar “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan. Com a cobertura dos estupefatos jornalistas, que lá ficam, sem-pauta.
    O capitão teria recebido ainda o livro sobre Renda Mínima, autografado pelo ex-senador e hoje vereador em São Paulo.
    Essa paralisação (que o ministro da Educação escreveria com z) política vai custar caro ao país.

    Ulisses de Souza

  2. Pois é Mestre, quero o meu Brasil brasileiro de volta, pois não é preciso fazer pós com Nicolau, para saber-se que ora, criado e lançado de forma organizada e baseada na internet, movimento unitário e ‘ecumênico’, com, nome, cor, símbolo e portal na internet, unificando objetivos, discurso, informações e agenda, voltados às ações descentralizadas, para combater de forma continua o festival de incompetência, xucrice, entreguismo e ‘Isis-mercadismo’, que assola o Brasil, na figura de Bolsonaro, representante do atraso e da barbárie, sustentado pelo consórcio jurídico-midiático lavajateiro, com Globomarinho e judiciário maçônico, representando a predatória classe dominante, a ‘coisa’ tem margem para pacienciosamente crescer e varrer/desinfetar essa onda podre que sequestra o Brasil e empesteia o país.
    Porém antes, é preciso sacudir a orgânica oposição hibernante, que detém o mapa, atalhos, vínculos e recursos, à viabilização do movimento, para que acorde, convença-se da impropriedade e riscos, e saia dessa calculada inação, pelo trabalho que lhe poupa a intensa artilharia contra o próprio pé, do desgoverno.
    Basta de aguardar desmancharem-se no ar com risco da classe dominante metamorfosear-se em nova solução.
    Mais que prestamente, ajudemos o Capetão abreviar sua estada no Planalto, a demolir o Brasil com seu ‘imprecionante’ elenco de ‘Thriller Dancers’: Acordemos a hibernante.

  3. Parece que o que está mesmo em análise, é o simples ato de apenas viver o possível. Lembrava da citação do companheiro Maurício Teixeira, quando à mim se referiu em comentário passado. Realmente o debate político precisa ser mais bem aprofundado-, sem distinção partidária, pois, diante da fragilidade política do dia-a-dia, alguma coisa tem que ser feita urgentemente pelo mandatário eleito ora escolhido pela vontade popular. Se neste ano político for aprovada a reforma tributária, já está de bom tamanho. Come se vê, violência de homicídio, roubo, desemprego, ostracismo, e todo tipo de insegurança cabível é o que reina neste país. Ninguém quer investir num país em crise política e econômica. Os três poderes estão instáveis, infelizmente, e é essa a mais dura realidade. -Será que foi a imaginação do homem que perdeu a sua capacidade de voar?, /ou foi mesmo perdida a sua capacidade de adequação e conexão à realidade atualmente vivida? “Do povo vai depender a vida que viver, quando um dia merecer. Vai doer, vai aprender”.

  4. O Nobre Jornalista não sabe mais o que fazer para entender a derrocada da esquerda. A cada desgraça elege um novo líder da esquerda. Na tragédia de Mariana foi Boulos. Na tragédia do óleo foi Flávio Dino e Manuela, Haddad etc… Quando Valdoverde arrumou as gravações roubadas era a bala de prata. Não deu em nada. Acho que até ajudou pois Moro está ótimo na fita da população. Aí tivemos o Santo Graal, o HC do ex e condenado. E???? Nada. Não consegue andar normalmente na rua sem que o povo lhe direcione adjetivos iguais do personagem João Plenário da praça é nossa. Então só frequenta locais fechados e com 100% de seus seguidores. A máxima para esquerda é acabou o dinheiro, acabou o amor. Estão desesperados para conquistarem um pouco de prefeituras e cadeiras de vereadores. Ninguém quer ser coadjuvante pois sabem que é ser jogado de lado assim que o PT chega no poder. Então os partidos satélites: PSOL, PCdoB, PSB e demais nanicos já sabem como o PT lhes trata. Sindicatos estão aínda sem saber o que fazer sem nossos impostos. Os associados eram apenas números para justificar os milhões que recebiam, quanto a proteger seus direitos ficavam sempre em segundo plano. Tinham que financiar campanhas políticas. Nem chegamos na segunda quinzena de janeiro e o nobre jornalista não para de choramingar. Ainda faltam 3 anos e se a economia continuar melhorando teremos diversos infartos dos esquerdopatas. Habemus censura??? Vida que segue.

  5. Prezado Kotscho: Se “Já tem muita gente achando que fazem tudo isso de propósito, para desviar a atenção, enquanto saqueiam o país […]”, acredito que seja isso mesmo. Acho que não precisa esperar muito tempo para colocar uns perdigueiros para encontrar em que paraíso fiscal foi parar a grana desviada. “Eu perco pra malandro, perco pra ladrão, perco pra espertinhos e espertões, perco na transação bancária, nos juros e na taxa diária. Ah, mas na sabedoria é que eu ganho de vocês, essa ninguém me tira.” (Raul Seixas).

  6. Kotscho, uma analise sucinta e objetiva, em meu entorno de 8 votos na ultima eleicao, o inominavel levou 5, hoje nao levaria 2, é uma tendencia. Os descontentes com o desgoverno do inominavel sao os mesmos que eram com o governo Petista. Quem souber melhor capitalizar esses descontentamento, leva.

  7. Nunca foi tão fácil fazer oposição. É um desgoverno. P.S. Sou católico praticante, 56 anos de idade, doutor e professor. Assisti a três vezes ao video do Porta dos Fundos. Gostei do video, minha fé continua intacta, não estou nervoso, meu ânimos estão calmos e não preciso que a justiça proteja minha fé, pois dela cuido eu. A hipocrisia fede e viola a honra humana, o pouco que dela resta nestes dias de indecência generalizada. E vários outros setores. Deixem os artistas criarem pra sairmos dessa aberração de idiotas.

  8. Salvo engano, cá no Balaio li referência ao jornalismo praticado atualmente no Brasil como pra lá de FANTÁSTICO, irreal.
    Ontem ao assistir trecho do Jornal das 10, da Globonews, fui levado em direção a essa feliz definição, ao dar com notícia informando que a produção industrial brasileira caíra 1,2% em novembro, chegando ao alçapão do poço.
    Na sequência entra a afinada ‘bandanews’, para comentar sobre política. Na ausência da Leitão, logo a Lobo manda ver à pauta, ao trombone, com o atual refrão da casa: bizizu… bizizu… bizizu…, ainda mais ‘com a recuperação econômica acontecendo’, trololó… trololó… trololó…, ‘com a recuperação econômica acontecendo’ e favorecendo o governo, bizizu…
    A ‘banda’ encerra o concerto político e nova notícia chama para o próximo bloco: Número de famílias endividadas cresce, MAS pode ser sinal de recuperação da economia via consumo.
    Baixa o Fiori, “fecham-se as cortinas e termina o jogo” do JORNALISMO FANTÁSTICO, para mim, ontem, Mestre.

  9. Belo texto, Kotscho. Também venho fazendo algumas dessas mesmas perguntas, mas não culpo a esquerda. Culpo (e tenho mais raiva) é dos ditos “cidadãos de bem” de “centro”, democratas, essa papagaiada toda…. (daqueles ditos “de direita”, meu sentimento é de pena).
    Explico porquê: a maioria desses “cidadãos” que bateram panelas, com a camisa da CBF, o então com aquela “eu não tenho culpa, votei no Aécio”, além de votarem no Bozó, não reconheceram seus erros. Se calam agora, com a gasolina e dólar a quase R$ 5,00. Se calam com o desemprego e subemprego galopante. Se calam ante as rachadinhas da família Bozo e pior: SE CALAM diante do fato de que o Bozo é ligado a pessoas homicidas!!!!
    Portanto, caro mestre, se a esquerda tem culpa (e tenho certeza que tem), o quê podemos dizer desses “cidadãos de centro” que ficam mudos, cegos e parados ante o descalabro do desgoverno Bozo?

  10. Mestre. Para o PT reconquistar a confiança dos eleitores tem que deixar o Lula de lado, desvincular do PSOL, PSTU e mais alguns. Esquecer MST e MTST. Falta de moradia não existe. O problema é falta de dinheiro no bolso do trabalhador para pagar aluguel ou a prestação da casa própria. Quanto mais casas o governo constrói mais aumenta sem teto. o que o PT deveria fazer é assumir uma campanha para regulamentar a lei constitucional que regulamenta o salario minimo que era a nossa bandeira e que deu origem ao PT. Os politicos dizem que se regulamentar a lei do salario minimo o país quebra. Não quebra o que quebra a economia do país é as mordomias dos politicos e do judiciário Vão em festa de casamento no jatinho da FAB. Se regulamentar o salario minimo pela constituição o país vai crescer acima de 10% ao ano igual a China. É o dinheiro dos trabalhadores que movimenta a economia do país.

  11. Recomendo a todos, em especial aos militantes da esquerda, que leiam a importante entrevista dada pelo Ministro da Infra-estrutura Tarcisio de Freitas, para as paginas amarelas da revista Veja.
    Tarcisio é um competente técnico, oriundo das forças armadas, que ja trabalhou para os governos Dilma, Michel Temer e agora virou ministro de Bolsonaro.
    Competente no que faz, apolitico, vem resolvendo questões importantes na infra-estrutura do Brasil, a exemplo da rodovia BR-163 e também na transformação da malha ferroviária. Vale a pena ler e refletir, sem viés politico

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