2019: movido a ódio e mentiras, o ano em que o governo declarou guerra ao Brasil

2019: movido a ódio e mentiras, o ano em que o governo declarou guerra ao Brasil

Bem que ele avisou aos seus parceiros de extrema direita nos Estados Unidos, logo no início do governo, que primeiro era preciso destruir muita coisa antes de começar a construir um novo país.

A primeira parte Bolsonaro já cumpriu: com método na loucura, muito ódio e mentiras, em apenas um ano de mandato o seu governo apequenou o país, ao atacar uma a uma as conquistas sociais das últimas décadas e abalar os alicerces democráticos de um Brasil em transe permanente.

Deve ser um caso inédito na história mundial. Nunca, antes, que eu me lembre, um presidente declarou guerra ao seu próprio país, tratando o povo e as instituições como inimigos.

De quem, afinal, ele está querendo se vingar?

Em permanente posição de combate, com os olhos injetados e vociferando contra tudo e contra todos, disparando frases desconexas recheadas de ameaças, sorrisos forçados e piadas sem graça, parece que já nos acostumamos a ver esta triste figura, eleita por 57 milhões de brasileiros, no comando de uma das maiores economias do mundo.

Pois eu até hoje não me conformo. Como foi possível?

Já tivemos outros tiranos na chefia do governo, mas nenhum com essa postura beligerante, que se apresenta entre o cômico e o trágico.

Chego a duvidar que ele tenha a mínima noção da responsabilidade do cargo que ocupa.

Comporta-se como um recruta zero cercado de generais neste quartel-condomínio em que o Brasil foi transformado.

Enjeitado pelos principais líderes mundiais, virou motivo de deboche e preocupação na imprensa internacional, carregando junto a imagem do Brasil, um país que não é mais levado a sério.

Consegue ser ainda mais facinoroso e tosco do que seu êmulo Trump, diante de quem se mostra um aliado serviçal e subalterno, miando para ser reconhecido.

Cada vez mais apoia-se nas milícias digitais e reais, liberando armas a granel, enquanto a equipe econômica pinochetista rifa o patrimônio nacional e tritura os direitos trabalhistas.

Acabou com os órgãos de controle e fiscalização do Ministério do Meio Ambiente, liberou a Amazônia para os garimpeiros e madeireiros, e agora quer transformar terras indígenas em pastos para criar mais bois e reduzir o preço da carne.

Transformou a Procuradoria Geral da República e o Ministério da Justiça no escritório particular de advocacia da família, para garantir a impunidade do clã, envolvido num sem-número de processos.

Para fechar o ano com chave de ouro, largou a mulher em Brasília e foi pescar na Bahia acompanhado de um séquito de seguranças e uma filha de nove anos.

Até aqui, estamos perdendo essa guerra, que tem um lado só, sem nenhum sinal de reconstrução no que já foi destruído _ na educação, na cultura, no meio ambiente e na autoestima dos brasileiros, tratados como inimigos em sua própria terra.

Se algum escritor de ficção descrevesse esse cenário um ano atrás, seria chamado de maluco porque o enredo parece inverosímel.

Mas tornou-se absolutamente real.

Ainda bem que faltam apenas três dias para esse ano da desgraça acabar.

Será que o Brasil sobrevive a mais três anos dessa guerra sem tanques na rua, que vai pouco a pouco consumindo o que ainda nos resta de civilidade e esperança?

Vida que segue.

 

21 thoughts on “2019: movido a ódio e mentiras, o ano em que o governo declarou guerra ao Brasil

  1. Excelente texto.
    Uma leitura dele nos faz entender o que aconteceu com este país ao cair nas garras do NEOFASCISMO. Quanta vergonha sinto, eu que lutei tanto pela democratização desta nação.

  2. Amigo Kotscho
    Não sei como você tem saco para explicar didaticamente e diariamente o desmonte do país. Por isso, permita-me usar esse espaço do seu blog para imaginar uma história. Ao escrever, soltei gargalhada, mas de raiva!
    INVASÃO DO PAÍS
    O caminhão que trouxe a traia invasora e suas mudanças quase sofre um acidente no primeiro dia de 2019.
    Freou forte na porta do Palácio. Dele caiu um capitão, que de arma em punho comandava do alto da boleia uma turma desajustada e paranoica, com Ph.D. em biruta de aeroporto.
    Capitão bateu forte com a cabeça no asfalto e foi atropelado por um porta-canhão manuseado por três filhos patetas.
    Largaram o capitão, zonzo, a falar besteiras, tudo sem nexo.
    Colocaram-no, diariamente, num chiqueirinho.
    Mas, o caminhão seguiu em frente para descer o resto da traia em outro lugar.
    É dirigido por um economista que possui carteira de habilitação chilena. Esse motorista não se adaptou ainda com as leis de trânsito do país e atropela tudo que vê na frente.
    Ele ainda não acertou o rumo e anda em zigue-zague pela esplanada.
    O pior é que o tal do chofer diz que tem combustível para mais três anos.
    Esse país é muito louco!

    Ulisses de Souza

  3. O Colunista alega coação aplicada sem visar o bem público. Ninguém melhor dedicou à questão da reflexão entre poder e conhecimento que Foucault. Filósofo que era, pra mim ele está vivo. Para ele não existe o poder, mas-sim relações de poder, que através de seus mecanismos atua como uma força coagindo, disciplinando e controlando indivíduos. Todo poder emana do povo e em seu nome deverá ser exercido. Nosso sistema de presidencialismo data de 1889. Por essa cartilha, nosso presidente é chefe de estado e chefe de governo. Precisa falar mais alguma coisa?. O caro Kotscho deve ter lido, Sandálias do pescador, livro; realmente, a visão de quem está no topo duma montanha é bem diferente da visão de quem está em baixo. Vida que segue.

  4. Simplesmente blasfêmico é lamentável texto sem nenhum nexo com a realidade de um Brasil ?? que em um ano já ressurgiu das cinzas da corrupção e desmandos monstruosos … a retórica da esquerda é realmente um mimimi por perdas de tetas gosdas do governo e nada mais.
    Bolsonaro 2022 novo Brasil ??

  5. Prezado Kotscho: Tentando responder a sua pergunta “Será que o Brasil sobrevive a mais três anos […]?”, na minha modesta opinião, acho difícil. Se fosse possível convocar eleições gerais, para todos os cargos (presidente, governadores, senadores, deputados federias e estaduais, prefeitos e vereadores), coincidindo com o calendário eleitoral de 2020, talvez pudesse dar uma corrigida no desvio da rota democrática e uma acalmada na nossa vida. Fora isso, vamos continuar a sofrer o bombardeio diário patrocinado por esse governo do terror.

  6. Ricardinho, esse desgoverno pequeno, ignorante, vingativo, inútil e demente , será como uma hecatombe climatica para a humanidade. O planeta sobreviverá, mas os humanos serão extinguidos da face da terra por absoluta falta de condições de vida, em sua superfície . E assim acontecerá conosco se esse Presidente continuar exercendo o seu mandato. O pais como entidade fisica permanecerá, mas nós como povo, como indivíduos, não sobreviveremos, por absoluta falta de condições democráticas . Abraços….Boa entrada em 2020, que consigamos renovar as esperanças.

  7. Com todos estes predicados negativos relacionados aqui neste post, o BRASIL (apesar do Bolsonaro) ainda evoluiu bem no aspecto geral.
    Reconhecemos que para a esquerda politica a situação não foi nada bom e tende a piorar, já que entre eles não ha o minimo do entendimento e o personalismo corre solto.
    Portanto, desejo aos Brasileiros que acreditam neste pais, tenham um novo ano bem mais evolutivo e distributivo, bem como, que a esquerda politica re-encontre o caminho que perdeu já ha algum tempo.
    E que a JANJA faça o capo feliz.

      1. Desejo-lhe que o ano vindouro seja bem melhor que este e que o nosso querido Brasil consiga ser cada vez melhor – e será -, apesar do Bolsonaro.
        Saude e paz pra voce e toda familia

    1. Velho, ou você é muito mal informado ou muito mau caráter. O Ministro da Educação bate e desacredita as principais universidades públicas, o Ministro da Economia destroçou o futuro dos brasileiros, com a nefasta reforma da previdência, cujos resultados estão à mostra no Chile etc. Há dezenas de exemplos em apenas um ano de que o governo delibera em desfavor da nação. Expressões como “tetas gordas” são genéricas de propósito para confundir incautos. Juízes federais estão nessa categoria? Senadores? Policiais? A quem se refere o sr.? A situação do Brasil melhora onde, pois a família do Presidente está bastante encalacrada com inúmeros problemas de corrupção e, desta vez, não só relacionada a enriquecimento ilícito, mas a assassinatos e uma máfia tropical: a milícia carioca. Não posso entender de qual pais fala?

    1. Você já sabe a causa, se foi natural (curto-circuitos ou algo assim), ou proposital? O fogo na produtora do Porta dos Fundos foi um atentado terrorista? Parece que sim, pois o grupo assumiu o fato. Os tiros na caravana do ex-presidente Lula foi? O assassinato da vereadora Marielle Franco foi? A morte de Teori Zavascki foi? Há muitas perguntas a serem feitas antes dessa.

  8. Pois é, Mestre, por inverossímil lembra ‘O Rato Que Ruge’, em que declara-se guerra aos EUA para perde-la e ter como compensação a reconstrução da economia do pequeno país pelos vencedores, mas ganham, porém o nosso caso, infelizmente, não é ficção, não trata-se de reconstruir algo, pelo contrário, destruir tudo e, ao invés de figurado rato, são ‘Ratazanas Que Rugem’, vindas não de outro país, mas do próprio, de desvãos, frestas, sótãos, mansardas, porões, esgotos, fossas, bocas de lobo, bueiros, valas, valetas, sarjetas, galerias, escoadouros, canos, etc., guinchantes, nauseabundas e famintas, tentando destruírem tudo que não entendem ser sua terra plana, mesquinha, odienta, preconceituosa e medíocre.
    Condenam pela impossibilidade de entenderem, criticam pela dificuldade em aprenderem, destroem pela incapacidade de construírem e vivas dão à morte pela incompatibilidade com a diversidade da vida.
    Daí os desabafos de inconformidade, pois se tu até hoje não se conforma: “Como foi possível?” Somos muitos, apenas que em certos casos, ainda presente, com o ‘é’ no lugar do ‘foi’.
    Haverá hora que terão passado, garante-nos Quintana, o passarinho.

  9. Alguém aí escreveu sobre “mimimi da esquerda, tetas gosdas do governo, atos terroristas, o país em um ano ressurgiu das cinzas da corrupção”…quá-quá-quá…

    “Como explicar os gordos reajustes salariais que setores do judiciário tiveram nos últimos três anos, apesar do país estar em crise?
    Como explicar que parlamentares, juízes e militares tenham ficado fora da Reforma da Previdência?
    Como explicar, ainda, que a Reforma da Previdência dos militares tenha sido, na prática, um novo plano de carreira para o setor, com oficiais tendo reajustes de até 40%?
    Como explicar, igualmente, o perdão de dívidas que Bolsonaro concedeu ao agronegócio e aos bancos, sem que nenhum integrante do atual governo e a mídia corporativa brasileira considerassem isso “mamata”?
    É importante lembrar ainda a mamata das mamatas, como devem ser chamados os leilões do pré-sal.
    Em dezembro de 2010, no apagar das luzes de seu segundo mandato, Lula conseguiu aprovar o regime de partilha para a exploração do pré-sal, garantindo a atuação da Petrobras como operadora única e partícipe prioritária dos leilões.
    Quadro que Dilma tentou manter, apesar da pressão dos tucanos, encabeçada por José Serra.
    Foi exatamente nesse momento, em 2013, que as manifestações contra ela tomaram corpo e não pararam mais.
    Para Lula e Dilma, o pré-sal era o passaporte para os brasileiros conseguirem uma educação e saúde de qualidade, mas os golpistas* jogaram tudo isso por terra.
    Aliás, uma das razões para o golpe de 2016 foi exatamente tomar o pré-sal dos brasileiros.
    E isso caro leitor, isso não é mera especulação ou opinião. Está documentado. Basta ler o livro de Eduard Snowden, Eterna Vigilância (Editora Paneta, 2019) ou assistir ao filme-documentário de Oliver Stone, Snowden (2016). Para os interessados, o filme está disponível na Netflix.
    Em se tratando do governo Temer, é importante não perder de vista que ele, dando continuidade a esse processo, isentou as multinacionais do petróleo, através da lei 13.586, de 2017, do pagamento de uma cifra superior a R$ 1 trilhão.
    A lei em questão concede isenções fiscais para empresas de petróleo estrangeiras, provocando perda de arrecadação do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), isso num momento em que os golpistas creditavam ao PT ter “quebrado o Brasil”.
    Mas nada disso foi considerado “mamata” pela Folha de S. Paulo ou por qualquer outro veículo da mídia corporativa brasileira.
    Todos, aliás, aplaudiram e pediram mais: a privatização da Petrobras, da Eletrobras e do Banco do Brasil.
    Recuando-se ainda mais no tempo, é possível lembrar outras mamatas que caracterizaram o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, quando mais de 100 empresas estatais foram privatizadas.
    O caso mais grave foi o da Companhia Vale do Rio Doce, vendida por R$ 3,3 bilhões, quando somente as suas reservas minerais eram calculadas em mais de R$ 100 bilhões à época.
    Uma vez privatizada, a Vale é a mesma mineradora que já provocou dois crimes ambientais e humanos em Minas Gerais e se recusa a pagar as devidas indenizações às vítimas, aos municípios e ao meio ambiente por ela destruído”.
    Alguém aí escreveu sobre “mamatas, tetas gosdas do governo”?
    * filhos de puta (royalties para mim).
    Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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