Festival de baixarias: jornalistas não deveriam mais participar do circo do Alvorada

Festival de baixarias: jornalistas não deveriam mais participar do circo do Alvorada

O circo montado há meses por Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada foi dividido assim:

  • de um lado, o gradil do chiquerinho dos jornalistas, com uma plataforma de microfones, mantendo os repórteres à distância para a “entrevista coletiva”
  • de outro, bem ao lado, outro chiqueirinho para o “grupo de apoiadores” de camisas amarelas, que ficam batendo palmas e atiçando o capitão a bater pesado nos jornalistas

Até hoje não entendi como as empresas e os profissionais podem se submeter a isso.

Na manhã desta sexta-feira, foi um festival de baixarias do presidente da República (!), que ficou completamente transtornado quando os repórteres lhe perguntaram sobre o caso Flávio & Queiroz.

Ao ser perguntado por um repórter de O Globo se tinha comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que teria feito ao motorista Fabrício Queiroz, ele destrambelhou de vez:

“Oh, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?”

Muito aplaudido por meia dúzia de debilóides que urravam, Bolsonaro se empolgou e partiu para o ataque contra outro repórter:

“Você tem cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual…”

E foi por aí, até virar as costas e sair batendo o pé, indignado.

Se o presidente não se dá ao respeito, as empresas deveriam poupar seus profissionais de participar desse teatro grotesco e exigir mais civilidade nas “entrevistas coletivas”, que mais parecem bate-bocas de mesa redonda de futebol.

Não existe no mundo “entrevista coletiva” com platéia de apoiadores atrapalhando quem está ali para entrevistar o presidente sobre os assuntos quentes do dia.

Eu fui Secretário de Imprensa e Divulgação no começo do governo Lula, durante dois anos, e nunca aconteceu nada parecido a isso.

São testemunhas os repórteres  setoristas que cobriam o Palácio do Planalto naquela época, que sempre foram tratados com o maior respeito pelo presidente e por mim.

Às vezes, é verdade, eu tinha que afastar algum microfone ou gravador, de algum repórter mais afoito, da boca do presidente, para colocar ordem na bagunça.

Mas nunca houve ofensa a nenhum profissional e todos tinham condições de fazer seu trabalho, repórteres e fotógrafos.

É preciso dar um basta nessa palhaçada.

Que organizem essas entrevistas no Palácio do Planalto, com regras civilizadas, sem platéia de áulicos e batalhões de seguranças intimidando jornalistas.

Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas e a Associação Brasileira de Imprensa, entidades para as quais eu já fui eleito em outros tempos, deveriam zelar pela dignidade do exercício profissional.

Chega de baixaria!

Vida que segue.

 

19 thoughts on “Festival de baixarias: jornalistas não deveriam mais participar do circo do Alvorada

  1. O Presidente é um tosco e grosso para enfrentar um batalhão de reporteres.
    Mas convenhamos…. tem um bando de reporteres que merecem o tratamento a que se submetem, pois as perguntas que fazem é de doer… Ai fica uma briga de sujo com mal lavado.
    Parece encontro de Marias lavadeiras… que não se aproveita nada…. E pior… tem veiculo de comunicação e Blogs que estampam estas balburdias como manchetes em letras garrafais..
    Eles se merecem…

      1. Não é só meu presidente, é presidente de todos nós, gostemos ou não dele e do governo dele, assim como Lula e Dilma, a quem não votei, foi nosso presidente e nos fudeu de verde e amarelo.
        São acontecimentos dos quais temos que engolir,.

        1. Pois é, Zé, você está certo: o Bolsonaro é nosso presidente como a Dilma foi.

          Mas, como ele também está nos ferrando e é mais um despreparado, bem que podemos nos mobilizar para tirá lo como foi feito há poucos anos, concorda?

          1. Sim, concordo em parte com voce. Bolsonaro é extramamente despreparado para a função, da mesma forma que Dilma o era.
            A grande diferença, é que Dilma tinha uma equipe muita fraca e extremamente comprometida com a corrupção ocupando postos chaves, como era o caso de Mantega e Paulo Bernardo. Bolsonaro também tem ministros medíocres, mas felizmente, nas pastas mais decisivas tem uma boa equipe e que vem apresentando resultados satisfatorios. Até mesmo Mourão que antes era um falastrão, hoje comporta-se como o equilibrio das besteiras do Bolsonaro

  2. A razão do “Cretino Fundamental” ter escoiceado os jornalistas e as jornalistas tem uma razão central que se não tem mais como ser mantida debaixo do tapete do Clã dos Imbecis.
    Bernardo Mello Franco foi ao nervo que, tocado de leve que seja, simplesmente desespera do ex-tenente que virou ex-capitão depois de uma mão amiga do Tribunal Militar tê-lo inocentado nos episódios de terrorismo castrense nos anos 90.
    Vejamos o que diz o jornalista Mello Franco:
    “O presidente nunca disfarçou sua simpatia pelas milícias. Essas organizações operam no submundo policial e movimentam grandes quantidades de dinheiro vivo. As investigações da rachadinha também lidam com transações em espécie. A cada passo do Ministério Público, ficará mais difícil para Bolsonaro dizer que não tem nada com a história”.
    Como tem tudo a calar, quando espetado, o “Cavalão” escoiceia.

  3. Deveriam fazer um cercado para uma estribaria para esse que deixa a marca das ferraduras por onde passa. Não temos um presidente. Os jornalistas deveriam se unir e não fazer mais nenhuma entrevista, para não tomar coices. Prá que entrevistar, não temos um presidente!

  4. ao pessoal da porta dos fundos e seus mais fervorosos adeptos da liberdade enviezada de expressão desejo lembrar duas coisas:
    >> Em varios paises europeus e dos mais progressistas ainda é crime negar o holocausto judaico. -E agora corre perigo de incluir o dos armênios. Nao estou aqui fazendo juizo de valor historico.
    >>Lembra do Charlie Hebdo ?- do jeu suis charlie? Pois é. Sobre ele um grande jornalista americano (esqueci o nome) disse: “Voce é livre pra se amarrar aos trilhos da linha férrea sim duvida alguma , ainda que saiba com certeza que vai apontar uma locomotiva a 80 por hora”

  5. De estranhar não é o comportamento do líder da legião de imbecis. Mas o mero protesto das entidades representativas dos jornalistas e dos jornalões brasileiros.
    Nenhuma interpelação judicial foi, pelo menos até hoje, apresentada com vistas a reparar o flagrante assédio moral praticado contra o jornalista.

  6. Os repórteres já perceberam que ele é pilha fraca e penso que devem, cada vez mais, fazer perguntas difíceis e comprometedoras. Ele está a ponto de explodir. Então, que exploda sozinho. Já escrevi aqui, alhures e algures: o Boçalnaro é um psicopata. Um amigo meu disse algo sobre os repórteres que ontem levaram uma sabugada do cretino e hoje pela manhã lá estava a imprensa tomando cafezinho com o boçal. Segundo ele, não deveriam fazê-lo. Eu disse que, pelo contrário, devem encher bastante o saco do mentecapto. O caso é de interdição clínica, com camisa de força, focinheira e tudo. Irão descobrir que os intestinos do Messias está no cérebro e o orifício excretor na boca.
    PS: Ele NÃO É meu presidente. Esse papo de “presidente de todos” é conversa pra boi dormir.
    E quem votou nele deveria também fazer um exame clínico-psiquiátrico caprichado.

  7. Amigo Kotscho

    Baixaria em coletivas não é atributo apenas do capitão.
    O que diferencia o comandante do cabaré do planalto de outros políticos é o seu rompante grosseiro em tentar se desviar de perguntas embaraçosas.
    Políticos do PSDB paulista sempre foram arrogantes.
    Suas coletivas não tinham chiqueirinhos. Era no sufoco após inaugurações de obras, principalmente no Interior.
    Participei de algumas como repórter da Folha.
    Certa vez, em Presidente Prudente, o então governador José Serra, após inaugurar uma obra inacabada, recebeu de bate-pronto uma pergunta embaraçosa feita por mim sobre a estatização do Hospital da Unoeste.
    – Só podia ser da Folha para fazer essas perguntas cretinas, disse o ex-governador.
    A pauta era minha e da minha chefia. Por isso, repeti a pergunta.
    Depois de esbravejar um palavrão contra o jornalista, virou-se e saiu da coletiva, enquanto três seguranças impediam o autor da pergunta de ir atrás do governador.
    Os políticos do PSDB sempre foram truculentos.
    O capitão é natural em suas baixarias. Sem o notório saber, despeja maldades sobre jornalistas que aceitam o jogo por entender que a grosseria do presidente da República é espaço garantido nos veículos de comunicação.
    O capitão está driblando os incautos setoristas da mídia.
    Não precisa de assessor de imprensa. Ele comanda a pauta.

    Ulisses de Souza

  8. A chacota caricatural, o uso dos conceitos mais negativos aos simbolos religiosos da sociedade em que se inserem e que tem o mesmo sentido da explosão aos budas
    de pedra pelo Talibã.
    O mesmo trabalho essencialmente de que fizeram os jesuitas ao ‘catequizar’ os indios no esforço de zerar-lhes as crenças no altar de sua… verdade cristã.
    Pode fazer? Pode.
    Mas não se vitimize se o lado ofendido tiver força suficiente, que por vezes nao terá – para acelerar sobre ele uma locomotiva.

  9. Agora em janeiro, a ABI vai se movimentar no sentido do que defende Kotscho.
    Vai, também, articular um movimento para que, se jornalistas de algum veículo for vetado em entrevista coletiva dada em espaço público, os demais veículos se retirem.

    1. Caro, Cid, a ABI voltou em boa hora e essa diretoria nos dá orgulho, resgatando a tradição de luta da entidade pela democracia e liberdade de expressão.
      Proponho que a ABI se junte em suas ações à OAB e à CNBB, que também renovaram suas direç~es, para formar novamente o trio que foi fundamental na redemocratização do país.

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