Exterminador da floresta: Bolsonaro quer criar boi em terra indígena

Exterminador da floresta: Bolsonaro quer criar boi em terra indígena

“Temos que criar boi em terra indígena para reduzir preço da carne, diz Bolsonaro”: título da matéria de Gustavo Uribe, publicada no online da Folha, na manhã desta quinta-feira.

Trata-se do maior crime ambiental contra a humanidade anunciado há pouco pelo presidente da República no cercadinho do Alvorada, como se estivesse falando numa reunião de condomínio nas “Vivendas da Barra Pesada”.

Sem mostrar a menor preocupação com as gravíssimas consequências para o meio ambiente desta nova ofensiva contra a Amazônia, Bolsonaro só queria mudar de assunto.

Os repórteres queriam saber das acusações feitas pelo Ministério Público do Rio contra seu filho Flávio 01 e o amigão Queiroz, envolvidos em lavagem de dinheiro de “rachadinhas”, imóveis comprados com dinheiro vivo, cheques depositados em contas das mulheres do clã e até uma loja de chocolate, fora as relações perigosas com as milícias.

Mas Bolsonaro se limitou a dizer que “não tem nada a ver com isso” e resolveu defender a criação de gado em terras indígenas para diminuir o preço da carne.

Segundo a reportagem, o capitão anunciou que pretende incluir a regulamentação da agricultura e pecuária comerciais em terras indígenas na proposta de liberação da atividade de mineração.

Ou seja, toda a destruição causada na floresta amazônica neste primeiro ano de mandato, que assustou e revoltou o mundo civilizado, é apenas o começo de uma operação de terra arrasada para acabar com as reservas indígenas criadas na Constituinte de 1988.

Cercado de seguranças e ao lado de dois índios que estavam no seu “grupo de apoio”, o presidente defendeu o “direito” de arrendarem suas terras para a criação de gado por terceiros.

“O índio vai poder fazer em sua terra o que o fazendeiro faz na dele, respeitando a legislação nossa”

Nossa de quem, cara pálida? Legislação já existe há muito tempo, só que não é respeitada pelos seguidores do capitão.

Nos primeiros 9 meses de governo, desmatadores, criadores de gado, madeireiros, garimpeiros e plantadores de soja foram liberados para promover 160 invasões em 153 áreas indígenas.

O que Bolsonaro quer fazer agora é legalizar, oficializar e incentivar a ocupação da floresta para a alegria dos novos desbravadores que estarão liberados para matar e desmatar.

Com o cinismo que lhe é peculiar, o capitão ainda justificou assim seus planos insanos e dementes:

“O preço da carne subiu. Nós temos de criar mais bois aqui, para diminuir o preço da carne e eles (os índios) podem criar boi”, afirmou para agradar ao mesmo tempo o “gado bolsonarista” e os consumidores, que deixaram de comer carne em seu governo.

Assim termina 2019, primeiro ato da tragédia anunciada, o ano em que o governo brasileiro decidiu declarar guerra à civilização.

Não é de pouca desgraça que estamos falando: os 900 mil indígenas brasileiros ocupam áreas demarcadas e protegidas por lei no total de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 13,8% do território brasileiro.

É nesse mundão de terra que Bolsonaro quer tacar boi, depois que derrubarem e saquearem a maior floresta tropical do mundo.

E ninguém vai fazer nada?

A ONU não vai se manifestar?

Vamos assistir bestificados a mais essa chacina?

Perto disso, as “rachadinhas” são brincadeiras de criança.

Mas são elas que estão nas manchetes, não a Amazônia ameaçada.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Exterminador da floresta: Bolsonaro quer criar boi em terra indígena

  1. Causa espanto e estranheza o quanto esse arremedo de governo conseguiu, com toda burrice que lhe é atribuída, silenciar a imprensa, os congressistas, o judiciária, a classe artística, os chamados formadores de opinião, etc. Obviamente que há um mínimo de pessoas atentas ao que vem ocorrendo, todavia suas manifestações são ignoradas, inaudíveis. Durante o governo Lula, por conta do uso do cartão corporativos para comparar uma singela tapioca, o Brasil quase vira de cabeça para baixo.

    1. Um mínimo de pessoas atentas? Onde? Aonde? Debaixo da cama? Dentro do guarda roupa? Se 2020 for um pouquinho melhor, já ajuda…mas duvido, do-do

  2. Não se peça a um cretino fundamental que pense! Não se espere de um imbecil icônico a compreensão de qualquer coisa!
    O problema tornou-se dramático para a construção de uma contracorrente civil, no tempo presente vislumbrando o futuro próximo, simplesmente porque não existe uma oposição organizada e conseqüente, nem projeto ou programa, confiáveis e concatenados, com visões alternativas que não sejam apenas retóricas ou mais do mesmo.
    A oposição está batendo cabeças entre si e fazendo as vezes de reclamar com o Papa, que tem contra si todas as falanges evangélicas neopentecostais.

  3. “Sem chance para o Verde”!
    Com esse título, a excelente reportagem assinada por Luigi Mazza na Revista Piauí traça o panorama de como vem caminhando a catástrofe ambiental.
    A Piauí é uma revista que, sob hipótese alguma, poderia ser considerada de esquerda ou de centro-esquerda. Trata-se de uma revista produzida pela direita liberal e sua fração mais esclarecida. Vale conferir a matéria no seguinte endereço:
    https://piaui.folha.uol.com.br/sem-chance-para-o-verde/

  4. Kotscho, como no outro post já não existe a opção “responder”, permita-me fazê-lo aqui prometendo que, independente do que o Dias disser ou não, eu não estenderei mais o assunto.

    Dias, a parcialidade de que eu falei é clara. O desmatamento do primeiro ano Lula diminuiu depois, mas ninguém podia saber disso na ocasião. O do primeiro ano Bolsonaro pode cair ou não, ninguém sabe. Mas ele é acerbamente criticado por gente que nunca falou um ai do Lula, mesmo quando o número subiu no seu quinto ano.

    Quanto às queimadas, se o responsável por elas é o presidente (como disse o Kotscho e toda a imprensa filopetista em agosto), o Lula, com números bem maiores e vários recordes, deveria ter sido muito mais criticado. Mas isso não aconteceu.

    Se elas são preponderantemente causadas por fatores como o clima (como você diz), então a má-fé das ferozes críticas ao Bolsonaro é dupla, porque além de ter números menores ele não é responsável por eles. Você só confirma minha observação ao ressaltar esse aspecto.

  5. Bolsonaro é uma besta completa. Os reporteres de plantão jogam as cascas de banana e o babaca pisa nelas, falando asneiras sem conexo. Mas enquanto repórteres se refastelam com esta noticias grotescas, poucos falam que pelo décimo mes consecutivo a geração de emprego é positiva, que nenhum assalto aos cofres públicos aconteceram neste ano, que a divida publica vem caindo, que a economia parou de andar de lado e já dá sinais de timida recuperação e por ai vai… Talvez isto pouco interessa para estes plantonistas e corneteiros. Nem a esquerda esfacelada, que perdeu o rumo por completo

    1. (…)” pelo décimo mes consecutivo a geração de emprego é positiva, que nenhum assalto aos cofres públicos aconteceram neste ano, que a divida publica vem caindo, que a economia parou de andar de lado e já dá sinais de timida recuperação e por ai vai… ” (…)
      De que planeta o escriba está olhando para o Brasil???

  6. E nós ‘tamos vendo que deu ainda a desculpa calhorda do preço atual da carne.
    Outra coisa que tem a ver, não vi ninguem mencionar isso. Mas todo o mundo sabe que o remédio temporário , mas eficiente, para esses preços era IMPORTAR dois 1/2s navios de carne. Um da Argentina/uruguai , quiçá ate da Austrália…
    Porque o capitão Cujo e o Guedes pinocheteiro NEM mencionaram isso, tá na cara. Estão nas mãos e garras do Desmatagro Negocio e não podem dar-se ao luxo de fazer isso!
    Então que o povo pague. E os indios? Ora que sejam espremidos ate a solução final do problema indígena.

  7. O abominável psicopata do Planalto não sabe que o Brasil tem o maior rebanho bovino do planeta e o aumento no preço da carne tem outras razões além de simplesmente querer aumentá-lo? E o índio vai arrendar suas terras para criadores? Em uma semana eles perdem tudo, até a vida.
    Hoje, o abominável estava nervoso. Por que será? Ele ainda não percebeu que os repórteres adoram entrevistados que perdem a calma por qq. pergunta mais difícil? Para eles, é um prato cheio.
    E os puxa saco que vão lá vê-lo se agitam com a estupidez boçalnariana. Não sei no que vai dar essa história Flávio-Marielle-Anderson-Queiróz-Casa 58-milícias assassinas mas durante algum tempo os boçais não dormirão tranquilos. E vem mais chumbo por aí.

  8. Imagino que estamos caminhando para que o apoio e chancela de JMB a alguem nas eleiçoes próximas se torne um sinal de maldição. Especialmente se, ja no primeiro semestre, o congresso dito centro.pecuário.bíblico.balistico tiver aprovadas algumas medidas de há muito desejadas pelo andar de cima.

  9. Amigo Kotscho

    O capitão quer ver o Brasil retroceder à época pós-colonial, principalmente no que diz respeito a preservar o que restou de mata.

    No império, as terras eram doadas a poucas famílias e vastas áreas ficaram sem desbravamentos.

    Mas chegou o presidencialismo, através do golpe, e o que sobrou de mata sucumbiu aos métodos progressistas dos políticos.

    Vamos dar o exemplo do Estado de São Paulo, considerado o mais desenvolvido do país.

    O oeste paulista, região de Presidente Prudente, é um exemplo do desbravamento politiqueiro.

    Antes da chegada da ferrovia, tida como origem de tudo na região, poucos índios sobraram até para ver o “cavalo de ferro” chegar, tal qual nos western” norte-americanos.

    No faroeste caboclo, os indígenas, primeiros ocupantes da terra, foram dizimados.

    Um único “matador de índios” se tornou dono de todas as terras do oeste paulista, por meio de um documento falsificado e registrado em paróquia.

    O presidencialismo quis por ordem na ilegalidade, e, em poucos cartórios nomeados, vetou os documentos que caracterizavam o grilo.

    O governo estadual paulista, então, se apossou de toda a área do oeste paulista, cujas terras passaram a ser devolutas.

    Daí, a verdadeira politicagem comeu solta. Políticos, amigos de políticos, cabos eleitorais interioranos receberam, como no império, quinhões de terra.

    Enquanto isso, a lei do mais forte imperava. Jagunços matavam grileiros; fazendeiros matavam e morriam; grileiros matavam intrusos; estes matavam quem estava na terra. Nessa matança, os índios não entraram. Haviam sido dizimados antes.

    O governo de São Paulo dividiu a área em 33 perímetros e 33 ações judiciais. Muitas foram legalizadas a canetada. 13 perímetros se perderam no cipoal jurídico e os sem-terra se organizaram na área.

    Surge o famoso conflito fundiário do Pontal do Paranapanema.

    Nesse embate nasce a União Democrática Ruralista (UDR), que arma os fazendeiros para rechaçar as invasões.

    Não é a toa que o capitão escolheu o presidente da UDR para comandar o desmanche das reservas indígenas na Amazônia.

    A história poderá se repetir, caso ninguém no planeta consiga frear essa obsessão insana em querer substituir o índio pelo boi.

    Ulisses de Souza

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *