No país do pós-golpe, desigualdade só aumenta, e o governo sumiu

No país do pós-golpe, desigualdade só aumenta, e o governo sumiu

Já passa do meio dia, e até o momento não houve nenhuma manifestação do governo brasileiro sobre a nova edição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado pela ONU na manhã desta segunda-feira.

Bolsonaro ainda não deu o ar da sua graça na porta do Alvorada nem nas redes sociais, de onde sumiu desde a quarentena imposta ao filho Carlucho, o O2.

Se estivesse interessado em conhecer o que acontece na vida real dos brasileiros, o presidente ficaria sabendo que no ranking de 189 nações, o Brasil caiu para o 79º lugar, nivelado a países como Bósnia Herzegovina e Macedônia do Norte, atrás de Chile, Argentina e Uruguai.

No discurso que fez esta manhã, em mais uma cerimonia militar de promoção de oficiais, o presidente só comentou que seu governo “está no caminho certo”.

Desde o golpe de 2016, que levou Jair Bolsonaro ao poder pelo voto numa eleição fraudada, o país só piora no IDH, que analisa fatores como emprego, saúde e acesso à educação.

Em compensação, registramos a maior diferença entre ricos e pobres nos últimos sete anos, o que coloca o Brasil no 102º lugar em distribuição de renda.

Com 33% de todas as riquezas  produzidas no país nas mãos do 1% mais rico da população, temos a segunda maior concentração de renda do mundo, apenas atrás dos sheiks do petróleo do Catar.

Nada disso parece comover a equipe de Paulo Guedes, que continua preparando reformas para aumentar ainda mais essa desigualdade, apenas preocupado com o corte de despesas, sem apresentar nenhum projeto de criação de empregos e de políticas sociais.

O máximo que o governo fez até agora foi liberar R$ 500 do Fundo de Garantia dos trabalhadores, um dos motivos apontados para o aumento de 0,6 no PIB no último trimestre, comemorado como um grande feito para a recuperação da economia.

Se os “Chicago Boys” formados no Chile de Pinochet saíssem de seus gabinetes para um passeio noturno no Rio ou em São Paulo, encontrariam uma realidade que não está em suas planilhas: famílias inteiras jogadas nas calçadas, sem teto nem renda, relegadas ao mais completo abandono.

Daqui a pouco, haverá mais gente vendendo comida na rua do que comprando: mais de metade da força de trabalho do país já está na informalidade, sem qualquer direito trabalhista nem assistência médica, cada vez mais precária por falta de recursos.

Enquanto isso, os três ou quatro bancos brasileiros continuam batendo recordes após recordes de lucro nos seus balanços.

Além dos banqueiros, também não podem se queixar os militares, que receberam um bônus de 40% nos seus salários para aderir à reforma da Previdência, aquela que prometeu “aposentadoria igual para todos”.

A prosseguir assim, em breve o Brasil passará o Catar como campeão mundial de concentração de renda e distribuição de miséria, que só é comparável aos mais pobres países africanos.

Em Brasília, que fica cada vez mais longe do Brasil, estão todos preocupados apenas com eleições e formação de novos partidos.

Ninguém está querendo saber desta pesquisa da ONU, que mostra com fatos e números a degradação de um país onde nos últimos anos o IDH cresceu à media de 0,78% ao ano.

De um ano para outro, de Michel a Bolsonaro, agora o crescimento foi de apenas 0,001%, com viés de baixa.

Como estaremos em 2022?

Vida que segue.

 

8 thoughts on “No país do pós-golpe, desigualdade só aumenta, e o governo sumiu

  1. Aqui, de Tiradentes, onde milksheike com vodca custa 18 reais, concordo com tudo. Na verdade, quase tudo. Discordo da frase do seu artigo “Desde o golpe de 2016, que levou Jair Bolsonaro ao poder pelo voto numa eleição fraudada…”.
    A eleição não foi fraudada. Foi legítima, com fakenews e o escumbau…

  2. A corrupção tem sido usada há décadas para a elite derrubar governos trabalhistas. Getúlio levado ao suicídio por causa do “mar de lama no Catete”, JK governou debaixo de pancada d’O Globo que urrava que ela tinha a 7a. fortuna do planeta. JK morreu pedindo dinheiro emprestado ao Adolfo Bloch. JK enfrentou duas rebeliões de oficiais da ativa da FAB, que queriam derrubá-lo. Acabou cassado e exilado. Goulart foi expulso e morreu no Uruguai. Lula foi preso e Dilma é o que já sabemos. Mas ninguém fala da brutal e pornográfica desigualdade social que nos assola. Cinco, isso mesmo, CINCO cidadãos – há dez anos eram SEIS – concentram tanta riqueza quanto os 100 MILHÕES mais pobres!! É claro, evidente e lógico que é um problema de décadas, de séculos até.
    13 de dezembro está chegando. Dia do AI-5. O que dirá o psicopata do Planalto sobre a data?

  3. Os donos do capital estrangeiro não querem correr o risco de perdas num país em crise política. A pior crise não é a econômica, mas crises oriundas da ética e da moral. À essa altura, é bem vindo qualquer esforço no sentido de melhoraria da situação que aí está, de orem mundial. Se Tancredo vivo fosse, a sua solução seria um pacto federativo-, talvez aquele mesmo proposto recentemente pelo Guedes a cabo de todas as suas pretensões no que tange às reformas prementes pretendidas. Um grande passo já foi dado: já deixaram o maior líder da esquerda falando sozinho. Não é nenhum imbecil quem goza da experiência de 28 anos como parlamentar deste país: tem a experiência acumulada, privilégio de poucos; portanto, não é nenhum marinheiro de primeira viagem como a presidenta. A maior cruzada, esta, talvez seja a mais dificílima de todas que é o convencimento do parlamento-, no que tange às propostas de mudanças do governo que colocarão o país no ritmo certo do Desenvolvimento social no nível mundial das grandes nações, ora tão pretendido pela grande maioria consciente da população. Essa febre doentia de fracasso da esquerda logo passará. Quem nada contra a correnteza dum rio, corre o sério risco de morrer afogado!

  4. A desigualdade sempre foi a marca registrada do Brasil, ao ponto de sempre ter sido comparada com a expressão “apartheid”.
    Enquanto a África do Sul antes de Mandela era conhecida pelo exemplo do “Apartheid Racial”, o Brasil apresentava-se como o país exemplar do “Apartheid Social”.
    Apenas para dar conta de como piorou a concentração da renda e aumentou a desigualdade, vejamos a linha do tempo:
    1)Durante o governo Jango o 1% mais rico detinha 18% da renda nacional, nos anos 60.
    2)Durante o governo dos generais o 1% mais rico detinha 26% da renda nacional, nos anos 70.
    3)Durante os governos Lula/Dilma/Temer o 1% mais rico detinha 28% da renda nacional.
    Nenhum dos governos desde a Carta de 88 deu um pio quanto ao Imposto sobre Grandes Fortunas previsto no artigo 153, inciso VII, da Constituição Federal de 1988, portanto, já decorridos 31 anos.
    O Imposto sobre Grandes Fortunas poderia arrecadar o equivalente anual correspondente ao montante igual ao da extinta CPMF.
    Bastando cobrar 1% sobre os detentores de patrimônios e rendas diminuídos dos empréstimos e dívidas, cujo somatória fosse igual ou superior a 5 milhões de reais. Vale dizer, apenas sobre os brasileiros e brasileiras considerados como milionários, usando o critério norte-americano de definição “dos ricos”: aqueles que dispõe de renda e patrimônio iguais ou superiores a um milhão de dólares norte-americanos.
    Em lugar do Imposto sobre Grande Fortuna, o Posto Ipiranga inventou o Imposto sobre a Grande Pobreza incidente sobre o seguro desemprego sobre quem perdeu seu posto de trabalho por conta das crises econômicas.

  5. Prezado Kotscho: Como sabemos que “o golpe de 2016, que levou Jair Bolsonaro ao poder pelo voto numa eleição fraudada” e colocou esse governo fascista no poder, restando ainda mais três anos de desesperança e de medo, não existe nenhum processo rolando em alguma instância do Judiciário que esteja verificando essa eleição fraudada? “Brasil? Fraude explica.” (Carlito Maia).

  6. Amigo Kotscho
    Antes, quem gostava de pobre era sociólogo.
    Até que um sociólogo chegou à presidência da República e pediu para que esquecessem seus escritos como tal.
    Hoje, exibe foto em cavalgada nababesca e se destaca como portentoso produtor rural.
    Quem passou, então, a gostar de pobre é o intelectual. Mas, quem melhor definiu essa diferença social, que tanto mal faz ao país, foi Joãozinho Trinta.
    Disse ele:
    “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”.
    Para comprovar essa verdade é só fazer uma pesquisa para entender a razão da queda fantástica da nova novela das 21h da Globo – Amor de Mãe – em relação à sua antecessora – A Dona do Pedaço.
    Ouvi um comentário de uma amiga de boteco, curso superior. “Não gostei da nova novela. Tem muita gente pobre e feia. Preferia mil vezes a Vivi Guedes e seu luxo”.
    É meu amigo, “a coisa aqui tá preta”, como poetizou Chico Buarque.
    Eu digo mais: “tá do jeito que o capeta gosta”.
    O povão quer ver como vivem esses magnatas, seus jatos, iates ancorados em Monte Carlo.
    Por isso, vai cair como uma luva para a mídia de entretenimento, incluindo a TV Globo, a nova edição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado pela ONU.
    Vai sair no Fantástico.
    O Brasil já é o segundo país do mundo, abaixo apenas de Catar, em desigualdade. Aqui, 1% da população detém 1/3 da riqueza do país. Ou seja, um grupelho tem mais grana do que milhões e milhões de brasileiros, juntos.
    Ninguém quer saber que o país mantinha boa escalada na pontuação do IDH, graças aos esforços dos governos Lula/Dilma, e que agora, desde Michel Temer, registra um sobe e desce invertido.
    Enquanto isso, o povão, como ventríloquo ou papagaio, repete até ficar rouco, o “lula ladrão”.
    E o churrasquinho nos fins de semana do governo Lula:
    Ó!

    Ulisses de Souza

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