Na mira: Educação, Cultura, Meio Ambiente, jovens, mulheres e negros

Na mira: Educação, Cultura, Meio Ambiente, jovens, mulheres e negros

Era um baile funk com 5 mil jovens dançando na favela de Paraisópolis, uma das maiores de São Paulo.

Na madrugada de sábado para domingo, chegou a polícia para fazer uma emboscada e transformar a festa em tragédia.

Jovens foram encurralados em vielas estreitas e tropeçaram uns sobre os outros, enquanto os PMs jogavam granadas de efeito moral e davam tiros com balas de borracha.

Nove morreram pisoteados e sete ficaram feridos.

Este é o mais perfeito e dramático retrato do Brasil do final de 2019, o ano em que o desgoverno bolsonariano desfechou um ataque sem precedentes contra a Educação, a Cultura e o Meio Ambiente.

Jovens, mulheres e negros são os alvos preferenciais das forças de segurança, que ganharam licença para matar sem punição, antes mesmo da aprovação da lei do “excludente de ilicitude”.

Doria, em São Paulo, e Witzel, no Rio, sob o alto comando federal de Bolsonaro e Moro, deram carta branca aos seus policiais, que nunca mataram tantos civis desarmados.

Ao mesmo tempo em que Paulo Guedes promovia sua “Brack friday” particular para vender o Brasil na bacia das almas e acabar com os direitos dos trabalhadores, a Amazônia ardia em chamas e as praias eram inundadas de óleo, os ministros alucinados da área social cuidavam de implantar o terror nas escolas e nas casas de cultura, rifando o futuro da juventude brasileira.

Sem espaços de lazer, os jovens da periferia ocuparam as ruas com seus “pancadões” para se divertir nos fins de semana, mas até isso agora é proibido, para não incomodar os vizinhos.

Para justificar o massacre em Paraisópolis, a PM alegou que estava fazendo uma perseguição a dois motoqueiros que se esconderam na favela.

O governador João Doria, que havia viajado ao Rio para fazer filiações no PSDB, limitou-se a divulgar uma nota em que determinou “apuração rigorosa dos fatos”, como de praxe.

E ainda fez elogios à atuação da polícia paulista.

“Eles fecharam as saídas das ruas e saíram espancando. Foi uma covardia”, relatou à Folha uma adolescente de 17 anos, que pediu para não ser identificada.

Um dos mortos, Denys Henrique Quirino da Silva, tinha 16 anos, morava com a família em Pirituba e trabalhava com limpeza de estofados.

Seu irmão, Danilo Quirino, estava inconformado com a versão da polícia de que ele morreu pisoteado porque não havia marcas no corpo.

“Meu irmão não era um criminoso. Ele trabalhava, estudava e também gostava de funk. Quem morreu foi inocente. Não tinha 5 mil criminosos ali”.

Os dois suspeitos e as motos não foram localizados, segundo a Folha. Nenhum policial foi preso até o momento em que escrevo.

Matanças como essa repetiram-se nos finais de semana por todo o país nas regiões onde moram jovens pobres como Denys, que viram apenas números nas estísticas da violência policial.

Se já é assim hoje, pode-se imaginar o que vai acontecer quando for aprovado pela Câmara o pacotão anticrime de Moro e Bolsonaro para empoderar ainda mais as polícias e os militares.

Tudo isso parece fazer parte de uma estratégia para provocar a revolta da população oprimida, justificar a convocação de tropas e fechar de vez o regime, em nome da lei e da ordem.

Falta ainda um mês para acabar esse primeiro ano da era bolsonariana que avança celeremente para o fascismo, com suas milícias reais e virtuais.

Numa coisa eles têm razão: o Brasil nunca mais será o mesmo.

E ainda vai ficar muito pior, se as forças democráticas não se unirem com urgência para dar um basta a tanta insanidade.

Vida que segue.

 

25 thoughts on “Na mira: Educação, Cultura, Meio Ambiente, jovens, mulheres e negros

  1. Nada de novo nesse front, Mestre, só mais do mesmo, pelos mesmos, desde sempre e, ilustrando a infinita série, relembremos a noite de 13 de agosto de 2015, em que, em bares entre Osasco e Barueri, 23 brasileiros foram executados, a maioria sem antecedentes, com 17 mortos e 6 feridos, sendo que até hoje a polícia permanece investigando-se com a prestimosa colaboração da justiça, enquanto o EI (Excludente de Ilicitude) não chega para eliminar de vez o risco de serem punidos pelo ‘meritório e competente serviço de higienização básica’ prestado a ‘religiosa e piedosa Sociedade de homens de bem e pais de família, que a gente vê nas telas da Globomarinho, ditando como tudo deve ser (a)creditado.
    Porém o trágico absoluto nessa tragédia seriada, erigida pelo ‘terrorismo midiático da desinformação’ e a ‘cumplicidade da justiça lavajateira’, é sem dúvida a precedente autofagia das vítimas ao elegerem seus futuros executores, ao votarem adestrados nos convictos ‘mandantes: vereador, prefeito, deputado estadual e federal, governador, senador e presidente.

  2. A PM age com extrema violência se recebe ordens superiores para tal. O superior é o secretário de Segurança, homem de confiança do governador, o sr. Dória. As tentativas de explicações são desnecessárias,pois as “investigações rigorosas” não passam de balela.
    Uma coisa é certa: os fascistas estão doidos para que haja manifestações e passeatas. Pois assim, provocarão uma situação de conflito que eles sabem como fazer. Daí para um golpe, será um passo.
    Até o próximo massacre. Onde será?

  3. Excludentópolis de ilicitude no paraíso do ódio armado contra a periferia indefesa. Incitado pelo exemplo fascista de cima, o cacetete gratuito, aleatório e assassino encurralou a multidão e empurrou para morte jovens de Pirituba, Carapicuíba, do Jaraguá …. , (videos no YouTube, no Poder360).
    Sim, a Polícia Militar de SP não será ISSO que o mundo todo viu, gente fardada tratando crianças e adolescentes como gado encurralado no matadouro estreito das vielas, se tiver coragem de chamar AQUILO pelo seu nome. E tem que fazê-lo já! Apuração rigorosa não somente dos agentes responsáveis, mas da gênese motivacional da barbárie. Chega de linguagem contemporizadora: abusos, excessos. AQUILO não é abuso, tem outra denominação!
    De onde vem o sinal verde para quebra da cadeia de comando? “Operação saturação” com cerco ostensivo em baile funk lotado? É estúpido em qualquer escola de formação do planeta.
    Depois da inacreditável fala de um ministro tomado por muitos como moderado, espalhar-se-ía então um descontrolado Aí-cinquite menor , contagioso por antecipação e que já autorizaria tais atrocidades? É ISSO?

  4. Se todos os frequentadores dos chamados “pancadões” e as vitimas dos pancadões políticos e verborrágicos diárias de um pseudo governo ávido por voltar aos tempos da ditadura saírem paras as ruas e exigirem o devido respeito às regras democráticas e digam não ao fascismo, haverá uma luz no fim do túnel, senão será o retorno do pau de arara, EM BREVE.

  5. Vale repisar o Editorial de Mino Carta desta semana e acessar o endereço eletrônico a seguir indicado. Basta um clique: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-elite-nunca-abrira-as-portas-da-mansao-senhorial-a-rale-lulopetista/
    O editorialista de Carta Capital também dá margem, nas entrelinhas, para constatar qual é o tratamento preferencial que a Casa Grande dispensa à questão social ambientada no compósito da Senzala.
    Matança na periferia é o corolário da narrativa política que criminaliza o Brasil de baixo desde sempre: “A polícia para os pobres. O Judiciário para os ricos”, segundo Oliveira Ferreiros.
    Nem é novidade tal tipo de resposta estatal.
    A novidade é que desde 2019 emergiu uma sistemática determinação política e institucional de atirar antes para perguntar depois; de atirar para matar com licença legal para a matança.

  6. Amigo Kotscho

    Gustavo, 14; Dennys Guilherme, 16; Denys Henrique, 16; Marcos Paulo, 16; Luara, 18; Bruno, 22; Eduardo, 21; Gabriel, 21; Matheus, 23.
    Jovens, imberbes, partiram cedo demais dessa vida. Não por doenças, mas pela tragédia provocada pela insensatez de um governo miliciano e de um governador medíocre que, certa vez, falseou uma frase atribuída a ele: “Erros não se justificam. Se assumem. E deles se extraem as melhores lições”.
    João Dória, um déspota a serviço da implantação do fascismo, prefere elogiar a sua polícia, que em ação inconsequente causou a morte de nove jovens.
    A tragédia provocada ceifou os sonhos de todos eles.
    A vida deles cessou após uma noitada alegre em um baile Funk.
    Sem opções, somaram-se às centenas de pessoas que também se divertiram naquela noite em Paraisópolis.
    O que era para ser um fim de semana venturoso terminou em lágrimas.
    Para pais, irmãos, familiares desses jovens o verão neste ano acabou sem começar. Natal e Ano Novo não vão chegar.

    Tragédias em favelas são corriqueiras, como em 1972, quando Victor, 17; Christina, 19; Patrik, 17; Josias, 16; Douglas, 17; e Glauber, 17; foram assassinados por traficantes na favela Chatuba, no Rio.

    Mas, na de Paraisópolis houve um agravante. Foi provocada por quem deveria dar a segurança à sua população.

    Por que os jovens morrem cedo?

    Ninguém consegue explicar. Ninguém consegue aceitar. Ninguém vai apurar.

    É sempre assim. Para as famílias que perderam seus filhos, a dor é irreparável e provavelmente incompreendida para sempre.

    Essas famílias terão, ainda, que conviver com as justificativas injustificáveis de um governador que transforma sua polícia em milícia.

    Familiares, amigos, colegas, namorados pranteiam neste momento de dor o choro dos inconformados, choro silencioso e amargurado.

    Mas, a vida anda. Amanhã será outro dia.

    Quem sabe um dia possamos entender o sentido dela porque hoje há um horizonte sombrio a fim de encobrir essas atrocidades, que se tornam comuns nesse país de desvairados mandantes.
    Ulisses de Souza

  7. A rua deixou de ser um lugar seguro, principalmente à noite. Jovens de menor soltos na rua fazendo “pancadão”-, pensei que esse evento fosse típico somente realizado em ambiente fechado. (…)A noite foi feita exclusivamente para dormir; e depois duma tragédia dessa – deveria levar os pais a uma maior reflexão, que está na imposição de não deixarem seus filhos saírem à noite; porque esse barulho de pancadão, cá pra nós, balança até o coração. Pior que eles acham que a gente é obrigado a ouvir e ficar calado. Não tão nem aí para crianças e idosos acamados, que precisam descansar. Mas aqui neste país é assim mesmo: tem que acontecer primeiro, para só depois tomarem medidas cabíveis de precaução, nem que seja tarde demais, e, à custa de muitas vidas. Esse acontecimento me fez lembrar o de Santa Maria, lá do Sul, onde morreram 242 jovens, /e o governo era o da Dilma/, e ninguém a culpou de nada. Nem deveria. Com o agravamento da crise econômica mundial, sem data fixa para acabar, a tendência da violência é só aumentar, se não houver um controle. E salve-se quem puder! Certa vez alguém me disse que a corda estoura sempre só pro lado mais fraco.

  8. Alô, carniceiros que destruíram o Brasil: arrependei-vos de vossos pecados.
    Entreguem logo os Rolex para não entregar os pulsos.
    Para complicar, Kotscho, há o inferno de Dante na Funarte.
    Não sei onde esse Dante arrumou tanta besteira para falar.
    Ulisses de Souza, chama o seu Chico(Papa)para benzer o Brasil.
    Francisco poderia espargir água benta a bordo de um helicóptero, benzendo o País do alto.

    1. Sandro, nosso protetor, o Chico, também tá enrolado em Roma, com os milicanos do Vaticano. Os cardeais da direita radical não dão trégua ao santo Papa. Estão enxergando comunistas até nos afrescos da capena Sistina.

        1. Pois é, prezado Ulisses, eu soube que o Papa Francisco não almoça com os cardeais temendo ser envenenado.
          Ele prefere almoçar no bandejão na companhia dos 600 funcionários do Vaticano.
          O inimigos de Francisco não seriam loucos de matar tanta gente envenenada, o que pegaria mal.
          Abraço e deixa teu e-mail e celular com a Cida.

  9. Prezado Kotscho: “Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!… O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa).

  10. Mestre, a repercussão desse triste fato entre os “esquerdistas caviar” só confirma que esta parcela da esquerda, a que mais tem destaque na mídia, perdeu o contato com o “povo” e sabe falar “apenas” com as minorias. É óbvio que a ação da polícia deve ser criticada, afinal trata-se de uma execução, mas não creio que a comunidade de Paraisópolis
    seja à favor desses bailes funks…Na verdade a comunidade apenas os “suporta” com medo de represálias, assim como os moradores do morro com relação aos traficantes…O que essa esquerda parece não perceber é que o fato da ação da polícia ter sido um assassinato não significa que “automaticamente” os bailes funks sejam algo bom, pelo contrário…Será que se esses bailes funks fossem realizados na vizinhança desses “esquerdistas caviar” eles seriam à favor da “festa”? Será que eles se sentiriam à vontade vendo um cenário que mistura cenas de Walking Dead, Calígula e da Cracolândia de São Paulo ao vivo em plena suas portas? Tenho certeza que não!!!!!!!!Para terminar: nas raves eletrônicas rolam as mesmas coisas que nos bailes funks, só que nelas nunca que a polícia chegará como chegou em Paraisópolis, mesmo sob críticas da vizinhança abonada dessas raves, e todos sabemos a razão…

  11. Todas essas iminentes práticas ditatoriais e outras afins não são novidades. Bolsonaro passou 28 anos da câmara federal com discurso elogioso à ditatura e a ditadores. E ninguém fez nada para coibi-lo, pelo contrário, o elegeram presidente da república. é uma mistura de incompetência, má fé, deboche, mentira e total falta de responsabilidade porque ele nunca foi responsável com nada, nunca trabalhou. Esperar o que de bom de um governo presidido por bolsonaro? Obviamente que as pessoas que o acompanham concordam, pensam e fazem à semelhança dele. E a sociedade de 210 milhões que se lixe. Agora, deram de dizer que a economia melhorou se os preços no mercado continuam alto.

  12. Dizem que é pela formal escolar e universitária que nós nos hominizamos nesta sociedade de classes. Pois bem, as escolas públicas são ruins e as particulares são boas. As universidades particulares estão abaixo do necessário e as públicas são boas. Tenho 56 anos de idade e sempre estudei em escolas públicas que antes dos militares de 1964 eram excelentes. Os milicos estão na orgem da desigualdade social neste país. E também influenciam quem pode ou não ser candidato por tuiter. E o magistrado subserviente obdece. Eles pensam e agem positivisticamente na hierarquia deles como se ela fosse bom exemplo. A base da injustiça está no próprio Estado que abocanha a maior quantia do dinheiro que deveria estar sendo aplicado a favor da maioria da sociedade. Vivem na mordomia às custas de quem acorda às 4 da madrugada pra pegar trem, metrô e ônibus. E tem eleição de dois em dois anos: é a indústria sistêmica do voto.

  13. De onde o Financial Times tirou que o governo anti corrupção, sergiomorista, eficiente e moralizador de pauloguedes anda falsificando estatísticas?
    Trocou no INPE sobre o volume das queimadas e agora no IBGE troca por quem?
    PS. Caso realmente o Ciro Gomes , não acredito, tenha de fato dito que o Lula prefere Bolsonaro a ele Ciro, então… então não o cearense não tem mais recuperaçao.

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